domingo, agosto 01, 2010

Ele simplesmente não está a fim de você

É o título de um livro que eu não recomendo, por ser mais que óbvio e banal. Mas muita gente deve ter lido e gostado, porque virou um filme, que não é uma obra prima, mas é engraçadinho de ver. Parece ridículo uma mulher ler (e gostar de ler): “Ele não ligou porque não quis. Desista.” Mas só parece. O fato é que tenho uma amiga que tem ido ao banheiro com o celular, com medo que o cara lindo e inteligente que ela conheceu numa festa retorne a sua ligação e desista se ela não atender. E atire a primeira pedra quem nunca grudou num celular, perguntando-se ligo ou espero ele ligar?
Daí lembrei desse livro porque fiquei com vontade de dizer a minha amiga: “desencana, vai conhecer outro, tem tanto homem nesse mundo e, além de tudo, ele pode ter chulé!” Brincando assim, acabei de lembrar de uma conversa com um amigo, sobre relacionamentos, e ele me falou da importância do cheiro. Fiquei horrorizada quando me confessou que deixou duas mulheres sem nenhuma explicação porque não gostava do cheiro. Eram bonitas, boas de cama, mas tinha alguma coisa no cheiro delas que lhe incomodava. Quase chorei, pensando nessas mulheres agarradas no telefone, esperando ele ligar, querendo entender porque ele tinha desaparecido depois de uma noite maravilhosa.
Elas jamais saberão a razão, porque esse meu amigo pode ser qualquer coisa, mas não grosseiro a ponto de dizer: “querida, não gostei do seu cheiro”. Se bem que eu acho que devia. Assim, elas não chorariam pelo sumiço do moço. Mas talvez fosse pior. Afinal, quantos de nós estamos preparados para ouvir a verdade? Queremos tanto ser amados, e isso vale para os dois sexos, que nem sempre sabemos lidar com o fato, muito normal, de que não podemos agradar a todos. Tentando entender porque fomos rejeitados por um, esquecemos que podemos agradar e despertar o amor de tantos outros.
Isso só fica difícil por causa das faltas e carências que carregamos dentro de nós. Já aprendi e experimentei o poder do amor-próprio e da autoconfiança. Quando me invisto de quem realmente sou, fico mais inteira. Se o telefone toca ou não, passa a ser irrelevante, até porque eu acho que eu também posso ligar a qualquer hora. Não acredito muito em regras de relacionamento e procuro seguir o coração. Se o outro não estiver receptivo, ou não gostar do meu cheiro, aí é assunto dele e não meu. Haverá quem goste e quem entenda aquilo que meu coração diz. Mas não acontece todo o tempo. Há vezes em que fico como a minha amiga, querendo tanto ser amada, que me esqueço da minha plenitude, reduzindo minhas possibilidades de ser feliz ao retorno de um telefonema. Acho que vou ligar logo pra ela e dizer: “Querida, esquece! Ele simplesmente não está a fim de você!”. Será que ela vai acreditar em mim?

3 comentários:

Cláudio J. Gontijo disse...

Coisas de Valor

Sou Biólogo, amante da natureza. As vezes vou percorrendo páginas e páginas, buscando divulgar o VERDE VIDA, dedicado à causa ambiental e humanística. Se puder, visite-nos.

http://vervida.blogspot.com

Felicidade em sua jornada.

Patricia Canarim disse...

Mônica, muito bom seu texto e adoro acompanhar o blog, você está sempre "lendo" e percebendo os sentimentos de todos, principalmente de nós mulheres. Ficar grudado ao telefone é muito mais falta de auto-estima que satisfação com o outro.

Marcelle Alfinito disse...

Oi Mônica! Gostei do texto. Realmente nossas faltas e carências influenciam nossos pensamentos! Um beijo grande! Marcelle Alfinito

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