terça-feira, dezembro 27, 2011

O que guarda um ovo?

O NOVO, a VIDA! E é isso que desejo a você em 2012: coragem para quebrar a casca que protege a vida! Estamos sempre prontos para nascer e renascer, ainda que fiquemos meio tontos cada vez que o ovo se rompe: DE NOVO! Feliz 2012!
* O vídeo abaixo lembrou-me de como é difícil romper com a casca do nOVO.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Na contramão (Feliz Natal!)

A pequena árvore
A gente aprende muito cedo, pelo menos a grande maioria de nós, a não andar na contramão. E isso vale para todos os aspectos da vida. Mesmo depois de Nelson Gonçalves afirmar que “toda unanimidade é burra”, a maioria de nós – consciente ou inconscientemente – prefere seguir “a voz do povo”. Seja pelo conforto ilusório de reduzir as chances de errar, seja pela ignorância das demais possibilidades existentes, seja para não desagradar a quem se ama ou ainda por um outro motivo além destes; em todos os casos há um pouco (ou muito) de medo ou culpa. Aliás, ambos parecem andar colados à trajetória humana, sendo os maiores empecilhos à ousadia de buscar o novo e arriscar novos caminhos, com sensações e conquistas diferentes daquelas experimentadas até aquele ponto.
Tudo isso para dizer, simplesmente, que este ano me desfiz de uma enorme árvore de Natal trocando-a por uma de cerca de 40 cm. Demorei alguns anos para me desagarrar da dita cuja que foi comprada logo que me mudei para uma casa maior, ainda com os meninos pequenos. Parece que o sonho da árvore de Natal, acompanha o da casa própria. Os dois vieram juntos no meu pacote e trouxeram muitas alegrias. Como uma boa árvore dos sonhos, abrigou os desejos da família por mais de 10 anos, mas fazia algum tempo que ela perdera o sentido pra mim. Nos últimos dois anos, montava-a muito mais pela necessidade de fazê-lo do que pelo gosto. Afinal, “todos querem ter uma árvore assim e o Natal enche todos os lares com seu espírito contagiante”, dizem.
Este ano, talvez, o espírito de Natal da minha casa tenha ido na contramão das demais. Desfiz-me da imensa árvore, que deve estar alegrando outras pessoas com sonhos distintos dos meus e de meus familiares. Ganhei um sentimento de leveza e tranquilidade, que só nos acompanha quando temos coragem de abrir mão do que já não nos servem mais. Os objetos atuam como símbolos desse movimento e esse mesmo sentimento pode ser observado com tudo o que nos cerca. O desapego é um grande desafio pra maioria de nós.
Quando nos desapegamos de uma roupa, nos apegamos à outra, num movimento que se repete com sapatos, discos (cds e dvds), livros, bolsas e sabe-se mais o que. Reproduz-se também no plano sutil, onde nos prendemos a amizades, afetos e outras relações com prazo de validade expirado simplesmente porque não ousamos arriscar. Temos medo de dizer ao mundo que desejamos diferente, não só em relação à maioria, mas também a nós mesmos. Querendo ou não, modificamo-nos, numa transformação contínua, evidenciada pelas células do nosso corpo, mas muitas vezes rejeitadas pela mente. Daí, andar ao lado da maioria nos ajuda a resistir a movimentos que trazem o desconforto da novidade, mas que, paradoxalmente, enchem-nos de possibilidades, incluindo aquela de desfrutar novos momentos de felicidade e prazer.
Então, desejo-nos, neste Natal, uma caixa de ousadia, em doses fortes o suficiente para neutralizar os efeitos que o medo e a culpa trazem para quem deseja ir na contramão, buscando para si novos caminhos. Eu, bem diferente de Nelson Rodrigues, não me atrevo a dizer que “a unanimidade é burra”, apenas digo que ela não serve a todos. E quando algo não nos serve, com ou sem nossa própria licença, torna-se incapaz de nos trazer alegria e paz, e isso também desejo pra todos nós!

domingo, novembro 27, 2011

Uma tarde de “comadres”

"Conversa de Comadre", arte naïf de Wilson Pessoa
Todo momento é único, mas o que experimentei ontem com um grupo de amigas que veio passar uma tarde comigo foi mágico. Ando tão empenhada no resgate das “conversas de comadres” que, há muitos e muitos anos atrás, eram a razão da força e da magia feminina, que ver isso acontecendo espontaneamente em minha casa foi um deleite, não só pelo prazer da companhia, mas também por me demonstrar na prática o quanto essas reuniões são saudáveis.
O que fizemos? Falamos, comemos, rimos; falamos, comemos, rimos; falamos, comemos, rimos. E o mais incrível, ao contrário do que dizem por aí que nós mulheres adoramos falar dos outros, falamos apenas de nós mesmas. Não me recordo de um momento em que uma pessoa de fora daquele círculo fosse objeto importante de nossa atenção. Estávamos todas felizes e partilhando experiências, comuns ou não, mas extremamente unidas pelo desejo de absorver a sabedoria umas das outras. Óbvio que isso se deu de forma natural. Sempre digo que essa capacidade de enlace faz parte da nossa natureza, mas há um ingrediente imprescindível pra essa “coisa” funcionar: o amor. A única condição para que essas conversas fluam naturalmente trazendo tantos benefícios para cada uma é o desejo genuíno de estar ali, presente, inteira e interessada em todo o grupo. E assim foi.
Por isso mesmo, a tal da “fofoca” não compareceu. Havia tanto a falar de nós. O rol de assuntos não tem fim e uma reunião entre amigas também não tem hora. Começamos às 17h e acabamos perto das 24h. Um observador externo teria nos confundido com adolescentes, embora as faixas etárias também fossem muito diversas (e superiores), mas ele não teria errado. Quem se derramava em assuntos em volta da mesa eram meninas, aquelas que conservamos alegremente dentro de nós. E elas tinham tudo o que, por momentos, depois de anos, e afastadas das “conversas de comadres”, podemos achar que perdemos: alegria, divertimento, sagacidade, amorosidade, intuição, curiosidade, espontaneidade, paciência, tolerância, fome (quem estava de dieta esqueceu desse assunto), inteligência, perspicácia, malícia, honestidade, coragem, ousadia.
Foram horas mágicas, energizantes, terapêuticas, rejuvenescedoras... Hoje, quando acordei, olhei para o meu rosto e me senti mais jovem! Agradeci a Deus. Não apenas pela alegria das horas passadas, mas por experimentar de forma tão gostosa aquilo que venho aplicando e replicando em meu trabalho. Precisamos, urgentemente, de espaços de confiança, onde possamos derramar nossas almas, livrar-nos de máscaras, exercitarmos a liberdade de ser. Necessitamos resgatar as reuniões de mulheres, que gradativamente foram extintas a partir da Inquisição. Apoiada pelas “comadres”, a vida fica mais plena e feliz; e os aprendizados, mais ricos e eficazes. Amor compartilhado é amor multiplicado!
++ Comadre em espanhol significa, segundo Clarissa Pinkola Estés, “Eu sou sua mãe e ao mesmo tempo você é minha mãe”, identificando mulheres que cuidam umas das outras em uma relação em que a alma está sempre incluída.

quarta-feira, novembro 16, 2011

A energia das mulheres no Circuito Vênus de corrida

Circuito Vênus - Aterro do Flamengo
Lá estava eu em meio a um monte de mulheres. Era minha primeira corrida e aquela energia de mulheres de todos os tipos, idades e cores fazia a diferença. Dizem que quando a gente decide trilhar um caminho, basta dar o primeiro passo e o Universo se encarrega de nos impulsionar. Eu acredito. Há anos queria participar do Circuito Vênus de corridas, mais motivada pelos brindes e pela estrutura do evento, todo voltado para mulheres, do que pela corrida em si. Este ano, não só participei, como inaugurei com ele minha história de corridas de rua. Tudo isso, por si, já é bom demais, mas não evitou que durante a corrida eu refletisse sobre o que isso representa em um ano em que retomo meu trabalho com mulheres.
Eu e minha medalha de participação
Digo retomar, porque, há mais de 20 anos, tentei fundar uma Pastoral de Assistência à Mulher (PAM) na igreja católica que frequentava. Lembro-me muito bem que criei toda a documentação da PAM em um velho computador que usava o processador de texto Carta Certa. A pastoral existiu durante um tempo com atendimento jurídico, mas depois extinguiu-se. Havia poucos voluntários e eu trabalhava, estudava e já cuidava de filhos.
Pra mim, o interessante é perceber que há caminhos dos quais não se consegue fugir. Atualmente, começo a retomar o trabalho com mulheres, maravilhada pelos resultados que temos alcançado em grupos de coaching. Animada por esses empurrões que recebo do Universo, tenho aperfeiçoado a metodologia e começo a divulgar esse novo pedaço do meu trabalho. A medida em que, de alguma forma, contribuo com o fortalecimento da energia das participantes do grupo, sinto que fortaleço a minha própria energia.
E isso tem tudo a ver com o que experimentei naqueles 5 km de percurso e em toda a programação do evento. Mulheres sós acompanhavam-se, trocando ideias e dicas sobre tudo, inclusive corridas, nas filas para os serviços oferecidos pelos patrocinadores. Maridos, namorados e filhos vibravam não só pleas mulheres que acompanhavam, mas por todas as demais. Emocionei-me ao ver alguns homens acompanhados de crianças gritando por todas nós na reta final. Havia acompanhantes que fotografavam, corriam junto, incentivavam, seguravam filhos, mães acompanhando filhas e filhas acompanhando mães, e isso só aumentava a energia daquele grupo, em que o feminino manifestava-se intensamente. Tenho certeza de que todas chegamos ao final mais fortes, felizes, energizadas por aquela onda feminina, exatamente como acontece após as reuniões dos grupos de mulheres!

segunda-feira, outubro 24, 2011

A história da minha vida em 2 minutos

Vídeo perfeito, coroado com a participação de um animal cuja energia me aterra e fortalece!

sexta-feira, outubro 21, 2011

Instinto ou intuição? Você está acordada, mulher?

A natureza ajuda a despeertar...
“Mulher tem sexto sentido.”
“Minha mãe parece uma bruxa: tudo o que ela fala acontece.”
“Não fala nada não, porque se falar vai dar errado mesmo.
Essas são apenas algumas frases que estão por aí, ditas e repetidas pela sabedoria popular. Acredito em todas! Mulher tem mesmo uma sensibilidade maior do que os homens. Não que eles não a tenham. É óbvio que tem. Cada vez mais conheço homens que desenvolvem seus potenciais inatos e acabam relacionando-se melhor com a vida, o que inclui tudo e todos a seu redor. Mas as mulheres, sabemos todos, que são dotadas de um instinto especial. E arrisco dizer que isso tem a ver com a sabedoria da natureza, a mesma que nos dotou da capacidade de abrigar a vida em seu estágio inicial.
O que seria de nossos filhos sem o instinto materno que nos permite detectar um doença aos primeiros sinais ou então manter a calma quando o pai se desespera por causa de uma simples febre. A gente é capaz até de desvendar o coração das crias, facilitando com que eles derramem e atenuem os efeitos de seus segredos e incômodos. Infelizmente, esse instinto, há muito tempo, não é estimulado em nossa sociedade. A maioria de nós tem que correr de um lado para outro dividindo-se entre o cuidado com os filhos, a necessidade de bom desempenho profissional, as preocupações com estética e saúde, os relacionamentos afetivos e, eventualmente, o lazer.
Essa lista já virou cliché, mas repito-a porque é justamente em meio a tantas demandas que o feminino ficou relegado a nem sei que plano. Ressalto que me refiro as qualidades potenciais das mulheres que não estão na vaidade e na estética, embora reflitam-se nelas. Falo do instinto sagrado, que alguns chamam de intuição, uma qualidade comum a todas nós, que nos possibilita ir além do óbvio não só nas relações com os outros, mas naquela que temos conosco. Essa qualidade é a maior impulsionadora de nossos aprendizados, além de ser grande protetora, nossa e daqueles que estão a nossa volta.
Quanto mais atentamos para esse dom, compartilhado por todo o universo feminino, mais ele se desenvolve, deixando o tal do sexo tido como frágil cada vez mais forte. Não no sentido físico do termo, mas no sentido emocional e psíquico. Tenho certeza de que todas somos capazes de ir muito além, transformando essa segmentação entre homens e mulheres em uma interação capaz de fortalecer ambos os gêneros na busca por seus papéis diante dessa nova ordem social.
Retomar o sagrado feminino existente em cada mulher, não é sinônimo de radicalismo ou de um retorno no tempo, o que se faz impossível. É, sim, viver de forma mais harmoniosa o presente, abrindo possibilidades para um futuro melhor para nós mesmas e para todos com quem nos relacionamos, incluindo nossos descendentes. E isso é muito mais fácil do que parece: basta ouvir atentamente a voz que vem de dentro, observando os muitos sinais que desfilam a nossa volta todo o tempo e despertando a porção universal que habita em cada uma de nós.

quarta-feira, outubro 19, 2011

Resgatando os posts

Nunca pensei que este blog, iniciado sem nenhuma pretensão fosse se constituir num maravilhoso presente de vida. Já há algum tempo tenho vontade de compilar os textos, para, quem sabe um dia, transformá-los num livro. Finalmente, comecei a fazê-lo e mais por urgência do que por vontade, propriamente dita. Rever cada post, distribuindo-os por fases e assuntos, tem sido uma forma de resgatar os aprendizados que fui compartilhando ao longo desses últimos dois anos.
Alguns posts são preciosos e digo isso sem modéstia, porque há inspirações que vem de sabe-se lá onde e por algum motivo ganham corpo, atingindo alvos dos quais jamais teremos conhecimento. E aqui, se tive algum mérito, foi o de redigir e publicar um conteúdo de que certamente precisava naquele momento, também endereçado a tantas outras pessoas.
Essa urgência (e este presente que recebo agora), então, também deve ter uma razão especial de ser e, por isso, compartilho este momento. Escrevendo, agora, tenho certeza de que tudo isso se transformará num livro, embora ainda não saiba muito bem nem como, nem quando, nem porque; mas creio que esta mesma força, que agora me dá o tempo e a urgência de me debruçar sobre todos esses textos, também se encarregará de responder a essas (irrelevantes?) questões.
Lembrei agora do samba de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, porque momentos como este realmente me fazem pensar “que existe uma força maior que nos guia”:

O poder da Criação

Não, ninguém faz samba só porque prefere
Força nenhuma no mundo interfere
Sobre o poder da criação
Não, não precisa se estar nem feliz, nem aflito
Nem se refugiar em lugar mais bonito
Em busca da inspiração
Não, ela é uma luz que chega de repente
Com a rapidez de uma estrela cadente
Que acende a mente e o coração
É, faz pensar que existe uma força maior que nos guia
Que está no ar,
Bem no meio da noite ou no claro do dia
Chega a nos angustiar
E o poeta se deixa levar por essa magia
E um verso vem vindo e vem vindo uma melodia
E o povo começa a cantar, lá laiá
Lá, lalaía, laiá

segunda-feira, setembro 26, 2011

O Sagrado Feminino e o Sagrado Masculino

Feminino e Masculino: divindades complementares
Um círculo de mulheres é uma experiência única e já escrevi sobre isso aqui. Acredito na força e na energia que emana de um grupo feminino. Depois de cerca de seis anos de reuniões mensais, o Círculo da Lua Nova, que visito esporadicamente, sentiu-se convidado a integrar o masculino em suas atividades, transformando-se em um grupo misto. Confesso que, naquele momento, não gostei muito da ideia, porque acho que ainda há muito o que desenvolver dentro desse universo do sagrado feminino, mas esta semana fui obrigada a rever meus conceitos.
Revivi essa questão quando me dei conta de que tive uma boa experiência nesse percurso do que é ser mãe, que registrei aqui, e do quanto o comentário de um homem me ajudou nesse processo. Justo naquele quesito em que imaginava que nenhum homem jamais pudesse me ajudar: o exercício da maternidade. Quando me dei conta de que a experiência do masculino integrara-se a minha para me propiciar uma nova visão diante de um contexto onde precisava atuar, qual seja, uma nova estrutura familiar, só pude sentir gratidão.
Fiquei mais surpresa ainda ao conversar com uma amiga e ouvir dela o quanto ela havia sido beneficiada na relação com a filha por um simples comentário também masculino. Tive que recuar para observar e fui visitar o Círculo da Lua Nova, neste fim de semana, onde encontrei dois homens: a energia continua sendo majoritariamente feminina. Mas é incontestável que, cada vez mais, a complementaridade das energias é o caminho do fortalecimento de ambas as polaridades.
Há muita coisa nova acontecendo no Universo, e mesmo aqueles que não buscam sintonias mais profundas com os mistérios que regem a Terra, percebem que há algo de diferente no ar. Neste cenário, não cabe mais a valorização exclusiva do sagrado feminino. Como mulher, contenho o mundo em mim, mas jamais serei capaz de me realizar plenamente sem a complementaridade essencial do masculino, que, hoje, vejo igualmente sagrado.
Em meio a tantas distorções sociais e culturais, ambos – homens e mulheres – desconectaram-se de suas essências. Não existem mais vítimas e algozes. Estamos todos juntos, como sempre estivemos, em busca dessa união sagrada e divina que é nosso maior propósito. Não se vive só e, ainda que sejamos centelhas de Deus, precisamos e precisaremos sempre do outro para exercer nossa divindade. Enquanto nos colocarmos em lados opostos, como num ringue, essa preciosa união não acontecerá. Quando integramos a sabedoria tão diversa de ambas as polaridades, ficamos mais fortes e aptos para essa jornada de desenvolvimento e amor. Estou certa de que está aqui – na INTEGRAÇÃO – o caminho para amenizar os tantos desencontros de si e do outro que presenciamos em nosso mundo moderno. E isso só conseguiremos exercitando a nossa habilidade mais grandiosa: a de AMAR!

domingo, setembro 25, 2011

Filme, pizza, pipoca e filho com muito amor!

Eu e eles!
Tive uma noite maravilhosa ontem com meu filho de 14 anos. Não estava planejado, mas um dos irmãos ficou com o pai; o outro, em casa de amigos; e eu, acostumada a vê-los sair com o pai no sábado à noite, já tinha feito outros arranjos. Fiquei surpresa quando o pai ligou e o filho, meio desanimado, falou que nós dois íamos pedir pizza para comer em casa! Surpresa e feliz, confesso! Seria um programa diferente, depois de uma tarde em que alugamos um filme e compramos bobagens para comer na sala de TV, recebemos avós e tio para ver o jogo do Flamengo e lanchar.
Escolhemos a pizza, fizemos o pedido, e vimos o filme embrulhados na manta do sofá da sala. Depois assistimos um pouco de programa humorístico.
Na hora de ir para cama, me dei conta de quão raros são esses momentos. Sou a única mulher nesse universo masculino que é a minha casa e o pai é muito presente, tomando para si a maior parte das funções de lazer, jogos e esportes. Afinal, as preferências deles são muito mais afins. Nenhum deles tem paciência para ir ao shopping comigo ou curte os programas culturais que eu adoro. Não gostam dos meus livros e detestam comida light e natureba. Mas ontem, antes de dormir, me dei conta de que é possível fazer pontes. E boas pontes!
Sou tarefeira, como muitas outras mulheres, e cuidando das incumbências do dia a dia, como compras, casa, trabalho, saúde dos filhos, contas a pagar e mais uma lista sem fim, acabo deixando de lado o que é mais relevante. Na tarde com ele, havia um tempo pra mim, mas não havia a preocupação com as tarefas que não poderiam ser realizadas naquele momento. Éramos nós e nossas questões e as pessoas que recebemos. E isso era suficiente porque havia amor em tudo o que estávamos fazendo.
A descoberta, claro, faz parte dessa nova composição familiar de pais separados, onde pai e mãe têm que achar um novo posicionamento, em um novo estilo de vida. Há conflitos, algumas desvantagens, mas o grande ganho é poder ser exatamente quem se é! É um processo, como tudo o mais, mas ontem pude me ver mais como a mãe que sou. Colocar o melhor de si onde quer que estejamos é sempre um bom começo para qualquer tipo de realização.
Tantas reflexões me fizeram recordar o nascimento dos meninos. Nunca admiti que eles tomassem mamadeiras, porque sempre achei que uma mãe pode, se quiser, amamentar seus filhos. Mas estou longe de ser uma exímia produtora de leite e para conseguir o meu intento, tinha que ter uma dedicação quase exclusiva. Então, a hora de amamentar, que acontecia a qualquer hora do dia, era sagrada. Deixava de lado as preocupações, o trabalho, os aborrecimentos e ficava ali, por conta daquele ser que se nutria de mim. Chegava ao ponto de atender a um telefonema com problemas de trabalho e, ao desligar, esquecer tudo e sorrir para me conectar ao que era mais relevante naquele momento. E tenho testemunhas...
O meu foco voltava-se para o filho no peito, não importava o que estivesse acontecendo ao meu redor. Acho que isso tem a ver com criar pontes. É tudo uma questão de onde se quer estar, com quem e porque. E o melhor é perceber que sempre tenho escolha e que, não importa o que tenha se passado, há material abundante dentro de mim para reestabelecer laços, pontes ou o que quer que se chamem os vínculos de amor, com meus filhos ou com quem mais eu escolher.


* No próximo post, escreverei sobre a integração dos aprendizados masculino e feminino. A experiência que descrevo aqui, originou-se do comentário de um homem, o que foi, pra mim, uma grata surpresa!

sábado, setembro 24, 2011

A Terra não para! Nem eu...

Unidade!
Incessantemente, nosso planeta realiza movimentos de rotação, girando em torno de si mesma ao redor de um eixo em intervalos de 24 h, e rotação, rodopiando ao redor do Sol, como parte do sistema solar como o conhecemos. Esse movimento também é contínuo por parte de outros elementos que compõem outros sistemas do Universo e que, cada vez mais, são observados pelos cientistas intervindo em nosso Sistema Solar. Mas nada abala a Terra, que segue com os seus movimentos, firme em seu eixo, pelo menos nos últimos sabe-se lá quantos milhões de anos.
Com uma força dessas a me governar, mantendo meus pés no chão todos os dias, pergunto-me como posso, ao contrário da Mãe Terra, perder o eixo, rodopiando, às vezes, sem noção de mim. Não sou inabalável como ela e, portanto, muito mais suscetível a diversos estímulos, que eventualmente chegam de todos os lados: alguns provocados por mim mesma e outros que aparecem, como os meteoros e novos planetas que invadem nosso espaço sideral. Quando isso acontece, perco o eixo de mim e me movimento confusamente pelo meu espaço, que é apenas um pequeno ponto neste imenso sistema universal. Às vezes, chego a me perguntar se meu descompasso afeta, de alguma forma, todo o resto, visto que somos todos um. Mas acho que não! O Universo, em sua perfeição, tem seus mecanismos de compensação. E eu também!
Nem a poderosa força da gravidade nos impede de perder o eixo de vez em quando, mas é justamente ela, representada por fatores mais objetivos e, energeticamente, pelo elemento TERRA, que nos faz recuperar o centro. Se não se pode, hoje, imaginar o Planeta sem seu eixo, eu tenho a certeza – e falo por mim – que não posso “funcionar” bem sem o meu. Só que o que deveria ser fácil e natural, exige atenção e esforço contínuos, visto que muito do que me cerca me desfoca. São escolhas, digo sempre; controlo os meus passos e as energias de que me aproximo. Isso deveria ser verdade, mas tenho meus momentos de pluma no vento e, muitas vezes, acontece de me deixar levar por brisas ou ventanias, perdendo o foco no essencial. É o maior desastre, para quem busca sempre maior consciência de si: de repente deixo de me ver. Nessa hora, busco meus espelhos, espalhados à minha volta, por uma energia superior, sob a forma de pessoas que passam por minha vida, mostrando sombras, luzes, imagens que me fazem recuperar o melhor de mim. A cada um deles, sou amorosamente grata! Todos me ajudam a reconhecer e a lidar com partes de mim, contribuindo para a retomada do meu eixo e de um caminhar – ou rodopiar? - mais equilibrado!

sexta-feira, setembro 23, 2011

Fichas caindo

Não sei de onde vem esse termo, mas sei o que significa isso em minha vida. Desde que resolvi buscar aquele que julgo o único caminho: o de minha própria essência, sou surpreendida por “fichas” que caem. Até gostaria de não pensar e tentar descobrir o tempo todo a razão das minhas descobertas, mas o fato é que hoje absolutamente tudo o que experimento se reverte em preciosas fontes de aprendizado que compartilho com alegria e amor com outras pessoas. Então sigo percebendo e tentando desvendar minhas “fichas”.
Nas relações que estabeleço com o outro estão minhas maiores experiências. E assim, através de amigos, vou descobrindo um pouco de mim. Tudo maravilhoso, não fossem os ciclos da vida que se repetem até que reconheçamos e tratemos suas causas. E o reconhecimento, na maioria das vezes, acontece através das relações que mantemos com diferentes pessoas. Foi assim que, esta semana, me vi adolescente, repetindo padrões que me causaram sofrimento então, e que retornam com suas evidências, apresentando uma nova chance de serem transformados.
Reconhecer esses padrões é a parte mais difícil do jogo. Depois disso, buscar novas ações, novas formas de enxergar as situações e um “fazer” diferente que leve a resultados mais satisfatórios que no passado. Simples, para quem se libera das amarras do passado para viver apenas o presente, mas às vezes não conseguimos nos liberar tão facilmente. E a razão é uma só: não definimos para nós mesmos o jogo que queremos jogar. “Quem sou eu?” é a pergunta que sempre me faço, obtendo a cada dia respostas mais apuradas, mas jamais definitivas. No entanto, é através dela que aumento minhas chances de aproveitar as “fichas” que caem para criar histórias mais felizes, curando eventuais feridas do passado.
Em busca da minha essência, vou me revelando para mim mesma e me vendo de formas antes desconhecidas. E o melhor é que, em cada uma dessas descobertas, tenho a oportunidade desse fazer diferente, obtendo resultados que nunca antes obtive em minha vida! Será que isso é o que chamam de crescimento pessoal?

sábado, setembro 10, 2011

Você, você, você, você... sabe o que quer?

"Você quer" é um funk da Mulher Melão.
Quem pergunta ao outro: "Você quer?",
realmente sabe o que quer?
Nos últimos meses, andei experimentando um pouco dos programas noturnos. De um jeito bem inusitado, para quem passou grande parte da vida dormindo e levantando muito cedo, fazendo esportes e aproveitando o tempo ocioso com hobbies, livros e cinema. Adoro! Os dois lados! Sou geminiana e simplesmente sigo aproveitando o melhor que posso das múltiplas possibilidades da vida. No entanto, só agora comecei a notar o quanto é fácil esquecer de quem somos em uma noitada. Já que citei dois exemplos pessoais, explico através deles: enquanto corro, sei exatamente quem sou e, se não sei, há os insights propiciados pela natureza, pelo corpo e pela respiração que vão me conduzindo a esse lugar só meu! Nas festas, há muitos fatores de dispersão e, embora adore muitos deles, tenho que tomar algum cuidado para manter o eixo ou, se perdê-lo for uma opção, recuperá-lo rapidamente assim que possível.
Encontrar e manter este eixo é o que, na verdade, determinará o sucesso das nossas escolhas. O que pouca gente sabe é que esse desfocamento feminino é quase natural, em nossa cultura. Ontem, em um encontro na Bienal sobre mulheres e envelhecimento, Mirian Golndenberg (professora e pesquisadora de questões de gêneros e sexualidade), comparou mulheres europeias às brasileiras. Segundo suas pesquisas, a europeia é mais focada em si desde a juventude, enquanto a brasileira passa boa parte da vida esperando a aprovação, o olhar e o desejo do outro, investindo boa parte de seu tempo e dinheiro na manutenção de uma aparência sedutora. Nas palavras da professora: “sente falta da cantada masculina, ainda que grosseira”.
São fatos, baseados em pesquisas dessa docente da UFRJ. Nem precisei de tempo para me lembrar de algumas das minhas experiências desses últimos meses de mais badalação. Não há como negar que o corpo é um capital importante, especialmente para quem mora perto do mar. Eu, pessoalmente, gosto de me cuidar e me sinto bem fazendo algo que vá deixar minha pele e meu corpo mais bonitos. Também gosto de vestir roupas novas. Mas como todos os importantes limites da vida são tênues, já me vi escolhendo roupas, cores e saltos apenas para atrair o olhar do outro. Seria uma mentira dizer que não gosto de ser desejada. Óbvio que adoro! Mas, se essa busca não passar antes por mim, o resultado é catastrófico: me perco!
E o que parece óbvio, quase me passa despercebido. Saias, saltos, blusas e vestidos devem passar primeiro por nós e pelo nosso jeito único e especial de ser. Sou eu mesma aí na frente desse espelho? À noite, às vezes, vejo meninas e mulheres visivelmente desconfortáveis com seus saltos, sentindo frio (sem confessar), dançando o que não gosta. Está tudo certo! Afinal todas podemos fazer nossas escolhas. A pergunta que me faço e repasso é: “É isso mesmo o que você quer? É isso mesmo o que você é?”. Se for, tudo certo, vamos em frente. Mas, se descubro na produção, nos programas, no que consumo, algo que me causa desconforto e que me faz perder o eixo, é hora de acender a luz vermelha. Para tudo! Preciso cuidar de mim. O resto - a alegria, os bons amigos, o desejo recíproco – será mera consequencia, na vida de qualquer um que sabe realmente quem é e o que quer!

terça-feira, setembro 06, 2011

Ciclos de mulher

Do meu jardim: símbolo de mulher
Tudo era novo! Mas nem tanto! A vida repete-se em ciclos até que cada um deles seja consumado e dê lugar a um outro ciclo. De repente, estava diante de um sentimento tão novo e ao mesmo tempo tão antigo. Voltei no tempo. Quem estava ali não era só a mulher, mas, também a menina. Encontraram-se as duas, assustadas pelo tempo passado, pelo inusitado do encontro e pelo estranhamento com que se encaravam. Pensavam existirem por si só e seguiam alheias uma à outra. Que engano! Mal sabiam(os), mulher e menina, que não sobreviveremos uma à outra, mas coexistiremos sempre.
Desejos de mulher e medos de menina foram apenas algumas das emoções a serem conciliadas nesse encontro. Receios, ansiedades, inseguranças da menina, presentes em desejos, sonhos, conquistas da mulher. Tudo se repetia, mas, desta vez, havia a mulher para dar conta desse revival de sentimentos. Estava tudo lá, em registros antigos, do tempo em que só a menina existia. Uma ou outra rejeição na escola, o primeiro amor (ou o que ela pensava ser amor), a melhor amiga, os amigos do clube, as pernas finas, o corpo magro diante de algumas amigas que mais cedo tinham peitos e bundas... Tudo isso e muito mais vinham à tona.
Depois de se olharem muito, ambas deram a mão. Desta feita, a menina não estava sozinha. Havia como passar pelas emoções de uma outra forma. Já não havia menina, nem mulher. Fundiram-se em uma menina-mulher, acolhendo-se mutuamente. Finalmente, eram apenas uma! A menina-mulher começou, então, uma nova jornada, olhando com carinho suas experiências, acertos e desacertos, medos e tantas outras emoções. Tudo merecia seu lugar, dentro deste novo ser. O mundo lhe cabia e ela cabia nele! Foi aceitando cada sentimento com que se deparava. Agradecia a possibilidade, agora, de reviver, acolher e curar. Liberava-se assim, para novas experiências, para um novo caminho, só seu: aquele que sempre soubera que um dia trilharia!

domingo, setembro 04, 2011

A distância do outro

Aconteceu comigo, mas é muito mais frequente do que se possa imaginar. Eu não conseguia
tocar pessoas que não fossem da minha família ou de um circulo de amizades muito restrito. No máximo, aquele beijo no rosto bem distante e formal. Nem sei como cheguei a este ponto, porque sempre fui muito afetuosa e carinhosa, mas só notei essa dificuldade quando, grávida do meu terceiro filho, fui procurar um curso de yoga. Meu primeiro mestre foi muito importante na minha vida e talvez ele nem saiba quanto. O tal do trenzinho no final da prática, onde todos massageavam um pouco as costas do companheiro da frente, ganhou uma ocupante cativo na primeira "fila": EU. Depois de conversar com o instrutor, eu aceitei receber o toque, desde que não tivesse que tocar ninguém.
Ele me ensinou a meditar, a acalmar uma mente inquieta demais e me apresentou a um tal
de Osho que falava coisas tão esquisitas que eu torcia o nariz e reclamava de seus
textos. Aquelas ideias não combinavam com minha vida, enquadrada por muitos dogmas e rígidas crenças. Amor permite liberdade e ainda por cima é antagônico ao apego. Essas e outras coisas não faziam muito sentido pra mim.
Os anos se passaram, eu revi minhas ideias sobre Osho. Seus livros viraram companheiros de cabeceira e, por mais incrível que possa parecer, um deles ajudou-me a conduzir meu casamento de forma saudável por mais tempo. Afinal, a liberdade está dentro e não fora de nós e foi assim que eu segui em minha busca, procurando sempre por mim mesma, meu eixo e razão de ser.
Com os muitos companheiros de caminho, fui aprendendo a compartilhar meu amor, minha vida e a abraçar. Descobri que o abraço, o toque são poderosos curativos da alma que, neste mundo, ainda se fere, possivelmente para facilitar alguns aprendizados. Aprendi muito sobre os cinco sentidos que envolvem relações mais profundas e plenas. Hoje, não prescindo do toque amoroso, que vai e vem na mesma medida, em todas as direções.
Às vezes, encontro em casa, paradoxalmente, minhas resistências. Normalmente ao filho que
chegou tarde ou aquele que deixou de fazer suas tarefas. Mas isso também me proporciona aprendizados. O importante é a descoberta dessa incrível troca de energias que está à disposição de
todos nós e que só nos exige o coração aberto. É preciso estar disponível para aceitar o amor que vem de todas as direções. Além disso, é preciso também estar disposto a retribuir, mesmo com muitas limitações, à generosidade do Universo, derrubando, gradualmente, as dificuldades impostas por preconceitos e ideias que nos foram impostas mas que não combinam em nada com a nossa essência. Quando olho pra trás, hoje, vejo o quanto valeu (e continua valendo) cada passo na direção do outro. Agradeço ao meu primeiro mestre de yoga, que começou a me empurrar rumo a uma vida de muitos abraços e mais plena!
Namastê!
O Amor permite a liberdade (texto de Osho)

domingo, agosto 28, 2011

Aprendendo a conviver comigo mesma

Alguns dos meus novos cremes
Cheguei em casa cansada e encontrei a casa vazia. Dizem que quem tem três filhos nunca fica só! Não é o caso! É uma situação tão nova para quem há pouco tempo tinha outra estrutura familiar e os filhos menores. De repente, senti uma enorme solidão. Estava só porque os três tinham ido pra casa do pai jantar e dormir. Demorou pouco pra me lembrar de que solidão é, na verdade, um estado de espírito. Não foram poucas as vezes que havia ficado sozinha anteriormente, por outros motivos. A diferença era que agora havia uma nova percepção da vida e nesse novo pacote, solidão tem chifre e cara feia, até a gente se dar conta de que isso também é fantasia.
Aquela história de que nunca estamos sós é a mais pura verdade. Estar só, agora sei, é uma questão de escolha. Ou de comodidade. Porque há sempre, em algum lugar, um amigo disposto a emprestar ouvidos, dar colo ou conselhos, que a gente sempre escuta somente se quiser. “Sai de casa. Vai pro bar, pro cinema, pra boate, pra qualquer lugar. Espanta a tristeza que ela vai embora.” “Essa fase é uma droga mesmo. Toma uma remédio e dorme que daqui a pouco isso passa.” Os conselhos são de todo tipo e alguns me fazem rir e isso já é suficiente para mudar a vibração do momento, se ela não estiver boa.
O melhor que eles dão é mesmo afeto e carinho num momento mais crítico em que acreditamos que os monstros da nossa fantasia têm, de fato, chifre e cara feia. Essa energia que eles enviam quando a gente fraqueja, chega mesmo de longe, porque a energia vem em ondas de qualquer lugar.
Mas nesse dia, não precisei de muito tempo para ter a certeza de que naquele momento em que estava sem os filhos, não estava só e de que podia escolher entre muitas coisas. Acabei optando por uma banho delicioso, com um monte de coisas cheirosas que tinha acabado de comprar e isso me fez feliz. Felicidade também é uma questão de escolha!

terça-feira, agosto 23, 2011

Você ficaria feliz com a "pessoa amada" em suas mãos?

Pule sete ondas, acenda sete velas, tome banho em sete cachoeiras e ao fim de sete dias terá a pessoa amada em suas mãos. Você acredita mesmo em receitas milagrosas? Vamos supor que isso aconteça e que, de fato, você consiga o seu intento. Já se perguntou se a pessoa amada estaria feliz em suas mãos? Pois é, felicidade não é restrita, ela se transforma e faz bem quando compartilhada. Felicidade em pacotes pra um não existe: é invenção de quem olha só pro seu umbigo.Está certo que ninguém depende do outro para ser feliz e que a felicidade está em coisas tão simples como morder uma maçã fresca e suculenta, mas uma vez que ela chegue ao seu coração ela transborda para quem estiver do lado. E o contrário também é verdadeiro. Quem não experimenta a felicidade, oferece ao mundo outra qualidade de sentimentos, e assim, vai formando sua rede social.
Voltando à “pessoa amada”, será que alguém acredita que a felicidade está em ter o outro em suas mãos? E que isso bastará para que alcance a plenitude? Será que alguém pensa que, numa relação a dois, o que vale pra um não vale pro outro ou que um pode ser feliz sem o outro? Já ouvi a frase : “O meu amor é suficiente para os dois.” Fiquei apavorada. De minha parte, quero experimentar relacionamentos transbordantes, em que sentimentos e emoções possam ser ofertados por livre e espontânea vontade, generosamente, por ambas as partes. Sabe aquela história em que ninguém pode ocupar seus espaços vazios, a não ser você mesmo e, aquela outra que diz que, uma vez plenos e conscientes de nós, podemos simplesmente somar com o outro, em vez de tirar dele o que precisamos para nós?
Não sou boa de contas, mas entre soma e subtração, prefiro a primeira. Estou certa de que qualquer relação só vale se for boa e prazerosa para todos os envolvidos. Caso contrário, uma das partes estará transbordando de energias nocivas e todos perderão a grande chance de aprender, aproveitar e, palavra de que mais gosto: usufruir da presença mútua. Não estou julgando os que fazem suas opções e trilham caminhos diferentes, mas “felicidade só pra mim” chama-se prazer egoísta, dura pouco e depois que passa deixa na boca gosto de ressaca.
Eu quero felicidade pra todos, com muita partilha de vida que inclui tudo o que me constitui e que vai além, mas não dispensa o prazer e o fruir. Mas, se mesmo assim, o que você deseja é a pessoa amada em suas mão, nem pense em experimentar a receita do primeiro parágrafo porque correrá o sério risco de precisar de sete vidas para alcançar o resultado esperado!

sábado, agosto 13, 2011

Compromisso com a felicidade

Há coisas na vida que são mágicas, se não a vida toda, cheia de probabilidades e surpresas. Uma delas, propiciada pela tecnologia, é a possibilidade de escrever, publicar e interagir com as pessoas que leem o que escrevemos, através da internet. O blog, pra mim, é uma dessas mágicas. Sabemos que um texto, depois de publicado, segue seu destino e ganha vida própria. E assim, um comentário que recebi esta semana de um texto publicado em 2009 sobre relacionamentos e expectativas, me colocou pra pensar num momento bem oportuno da minha vida.
Na oportunidade inequívoca de aprendizado que representam os relacionamentos, é quase impossível não se deparar com as expectativas. Uns mais, outros menos, poucos nunca. Em algum grau, nos pegamos esperando algo do outro que ele não pode dar. E, na maioria das vezes, esquecemos de dizê-lo, perdendo a chance de administrar nossos sentimentos e de aprofundar um relacionamento pelo diálogo.
Hoje, percebo em amigos de todas as idades e gostos, e até em mim mesma, o receio de lidar com o compromisso com o outro. Nas letras das músicas que meus filhos escutam, há muitas menções a relacionamentos baseados no prazer, no momento, na atração, e tudo isso está muito bem. Eles acham muito divertido e, não vou negar, eu também. Mas aí está uma grande armadilha para nós, seres humanos de todas as gerações.
Levados pelas frustrações que nós mesmos buscamos através das expectativas, especialmente daquelas não declaradas, e por modelos de relacionamentos calcados no controle e na posse, criou-se o “modelo” da aversão a compromissos. Então, poucos “têm” um namorado ou uma namorada, porque, de alguma forma, descobriram que isso não é coisa que se “tem” mesmo. Num relacionamento saudável e satisfatório não se tem registro de posse do outro. Por outro lado, poucos “são” namorados e namoradas, no melhor sentido que essa palavra pode ter: o de, segundo o Aurélio, “cortejar e inspirar amor”.
Relacionamentos não têm regra, e eu torço para que meus meninos entendam isso logo! Eu já travei meu compromisso comigo e com a minha felicidade. Sem modelos e, justamente por isso, avessa a um ou outro padrão. Caso contrário, na justa busca por uma vida mais plena, corro o sério risco de enfiar-me em outra prisão, aquela que, hoje, dita como os novos relacionamentos devem ser. Não posso negar que as músicas que meus filhos cantam grudam na cabeça e são ótimas, em algumas situações, para dançar. Mas elas não são meu modelo de vida, e espero que não sejam o deles também! Vou desviando dos padrões e buscando relações genuínas, em sintonia com a minha essência. Agradeço, e muito, ao Universo, cada oportunidade de aprendizado que as pessoas que cruzam meu caminho representam.

domingo, agosto 07, 2011

Amor em gotas

As lágrimas escorriam. Eu não conseguia saber exatamente porque. Não eram lágrimas de hoje ou de ontem, mas de muitos, muitos anos atrás. De gerações anteriores, talvez. Pensei em tantas outras mulheres, companheiras do hoje e ancestrais dos tempos mais remotos. As lágrimas eram de todas nós. Não havia culpados, mas assim mesmo eu precisava me perdoar. Era o melhor que podia fazer por mim. Perdoar a mim, pedir perdão ao outro. Fazer diferente de tudo o que me ensinaram ao longo desta existência. O que eu queria era acessar um conhecimento adormecido há séculos, e que, naquele momento, seria curativo e um grande mentor.
Do que estou falando? De relacionamentos: a maior oportunidade que o Universo nos concede de evolução. Em se tratando de homens e mulheres, muitos de nós estamos ainda no primitivismo. Imersos em carências e padrões, esquecendo o tempo todo que, se a razão nos diferencia de todas as demais espécies, é a capacidade de amar que nos iguala, e que a junção dos dois nos torna singulares.
Está certo que não é fácil. Homens caçam, mulheres cuidam. Homens focam e lançam setas ao alvo, mulheres espalham-se e multiplicam-se. Homens ejaculam, mulheres acolhem. E sempre foi assim, certo? Talvez. Se os papéis se misturaram em relação a todas as atividades, em relação à biologia humana, mulheres continuam acolhendo, parindo, amamentando, pelo menos até onde eu sei. Porque nunca se sabe quão longe a ciência pode nos levar. Pode ser que, por isso mesmo, continuemos acreditando em histórias de que deveríamos desconfiar, esperando telefones tocarem, querendo ser carregadas no colo.
As lágrimas continuavam a escorrer. Não escolho mais caminhos fáceis. Se há a oportunidade de aprender, eu me entrego e sigo em frente. Não quero a experiência de ontem, quero o resgate do essencial, do que existe de mais humano e genuíno em todos nós. Quero o amor, que começa dentro de mim. E isso me parece ao mesmo tempo tão ancestral e futurista. De repente, paro de chorar. Escrever é minha cura, e amar é meu dom. A energia que me chega é tão intensa que sorrio, como que em meio a uma chuva de pétalas rosas. Na cama em que escrevo, elas caem apenas sobre mim, enviadas pela generosidade do Universo. Tenho muito a aprender, lágrimas pra derramar, mas uma infinita capacidade de amar.
Não sou de muitas regras, que não aquelas que sinto no meu coração: este centro de força – localizado no centro de peito. Ele me restaura, me energiza, me transborda. É ele quem me comanda agora e me transporta, como num filme de ficção, a um lugar tão sereno e amoroso que as lágrimas escorrem novamente. Choro, de gratidão e amor. Experimento extremos na loucura mais saudável que o ser humano pode ter: a de amar. Sinto-me curada e em profunda paz. Transbordo de amor infinito e, em unidade com muitas outras mulheres, seco as lágrimas de tantas outras que amanheceram com os olhos inundados porque esqueceram que, acima de tudo, está o seu dom de amar. E que este dom começa dentro de cada uma de nós estendendo-se ao infinito, resgatando gerações passadas e futuras.

sábado, agosto 06, 2011

Mais um dia de Alice

O coração acelera, o estômago parece que tranca, a mente divaga e o foco fica quase impossível. Acontece, às vezes. E ontem foi a minha vez. Não consegui deter o turbilhão de emoções que encheram meu dia. Era inútil a tentativa de controlar, entender e compreender o que se passava. Tudo o que aconteceu no meu dia ontem era muito intenso e diverso. Eu, tarefeiramente, tentava organizar e enquadrar o que acontecia. Não adiantou, como jamais adiantará qualquer tentativa de racionalizar o fluxo da vida.
O resultado foi desastroso. Exauri ao final do dia. E custei a entender que precisava ficar só, quieta, e dormir. Nem tudo o que é bom é fácil, como nem tudo o que é difícil é ruim. No entanto, a nossa mente faz uma grande confusão e muitas associações que redundam em esgotamento e sofrimento inúteis. O caminho do conhecer a si mesmo é longo e, muitas vezes, paramos em algum ponto, como Alice (aquela do País das Maravilhas), perguntando para onde vamos. Sabemos o caminho, mas são tantas coisas acontecendo simultaneamente, que no esforço de compreender, nos perdemos. E o que perdemos não é, de fato, o caminho. Ele sempre estará lá. Caminhos não saem do lugar. Na verdade, perdemo-nos da nossa “mente que sabe” ou sabedoria interior ou o nome que preferir para designar nossa essência, que é divina, amorosa, curadora e dotada de um conhecimento muito superior aquele que conseguimos controlar, escrever, enquadrar.
Pensando bem, ontem tive meu dia de Alice, encolhendo e crescendo muitas vezes durante um só dia, encontrando pessoas de todo o tipo dentro e fora de mim, rainhas boas e más. Foi, sem dúvida, um dia de Alice, onde tudo que se atropelava poderia ter simplesmente passado, não fosse minha necessidade de explicar, entender, reter. Ganhei pouco, nesta tentativa; e fiquei com a exaustão de ser. Hoje, estou sob meus cuidados, me receitando coisas que equilibram e fazem bem. Vou manter, à minha volta, pessoas que entendam que, como no conto de fadas, interessante e desinteressante, sonho e realidade, são, no fundo, a mesma coisa ou, talvez, absolutamente nada!

- O que você sabe sobre esse caso do roubo das tortas? - perguntou o Rei para Alice.
Nada – respondeu Alice.
Absolutamente nada? - insistiu o Rei.
Absolutamente nada – confirmou Alice.
Isso é muito interessante – disse o Rei, virando-se para os jurados.
Eles estavam justamente começando a anotar isso nas lousas, quando o Coelho Branco os interrompeu.
Desinteressante é o que vossa majestade quer dizer (…)
Desinteressante, é claro, foi o que eu quis dizer – corrigiu-se o Rei rapidamente. Depois continuou repetindo para si mesmo em voz baixa: interessante... desinteressante... desinteressante... interessante... - como se estivesse tentando avaliar qual palavra soava melhor.
Alguns jurados anotavam interessante e outros desinteressante. Alice pôde perceber isso (…) “Mas isso não faz diferença nenhuma”, pensou.
Alice no País das Maravilhas

sábado, julho 23, 2011

Ópera ou sanduíche de botequim? Historinha sobre as possibilidades da vida...

A reunião havia acabado mais tarde do que o esperado, mas não era tarde o suficiente para evitar o pior horário de saída do centro da Cidade, que me faz levar até duas horas num percurso que poderia fazer em média em 60 minutos. Andei vagarosamente pelas ruas não só à procura de um caixa eletrônico, mas também pensando no que poderia fazer para aproveitar meu tempo no Centro do Rio. Observei as pessoas nos bares e me dei conta de que casais bem vestidos seguiam em direção ao Teatro Municipal. Resolvi seguir os casais para conferir a programação, lembrando que andava com muita vontade de assistir a uma ópera.
Sim, em cerca de 40 minutos, começaria Nabucco, de Verdi, e ainda havia ingressos disponíveis. Avaliei, olhei bem para a imponência do Teatro Municipal, ainda mais majestoso quando iluminado, dei meia volta e fui embora. Estava muito cansada para voltar para casa dirigindo muito mais tarde, quando o programa se encerraria. Mas estava feliz. Não assisti à ópera, mas dar-me conta de que aquela era uma possibilidade real para mim, encheu-me de contentamento. Com certeza, não posso fazer tudo o que desejo, mas a consciência de todas as possibilidades que a vida me oferece já é motivo de celebração.
Conheço pessoas que, tristemente, não conseguem enxergar essas muitas possibilidades, restringindo-se ao cotidiano massacrante, à rotina; muitas vezes, de forma automática e inconsciente. Resolvi brindar às possibilidades realizando um pequeno desejo. Desde o dia anterior, sonhava com um sanduíche de carne assada ou rosbife, desses em que a carne é cortada na hora, no balcão do botequim. Sentei num boteco, pedi uma cerveja pra acompanhar, e sorri diante do enorme prazer que me concedia naquele momento. Estava cansada demais para ópera, mas não para um sanduíche de carne com cerveja. Caminhei até o carro; o momento crítico do trânsito já havia passado. Estava feliz por conseguir enxergar minha vida e suas muitas possibilidades, e por poder escolher entre os variados itens do cardápio da vida.
*** Encerrando esse texto, dou-me conta do quanto botequim e ópera são díspares. Acho graça dessa ambivalência tão tipicamente geminiana...

terça-feira, julho 19, 2011

“Just do it!”

Cansei de escutar isso de um amigo ao longo desses últimos dois anos. Eu dizia que entendia, afinal já havia percebido que a vida é feita de ações e que de nada valem pensamentos e emoções que não se realizam ou concretizam ou seja lá que verbo for. Achava que já estava tudo claro pra mim e que não precisaria mais escutar isso de ninguém. “Just do it!” Enganei-me! Por mais absurdo que possa parecer, só hoje começo a entender essa frase. Somente faça!
Porque demorei tanto a compreender algo aparentemente tão simples? Medo e culpa não justificam, mas talvez ajudem muita gente, eu inclusive, a explicar porque passos pequenos são tão difíceis. Cada vez que escutava do meu amigo a frase “Just do it!”, surgia uma voz dentro de mim que desejava gritar pra ele: “já estou indo, não está vendo?” Eu não sabia que isso era pouco.
Pra agir, fazer, realizar é preciso arriscar, deixando o medo de lado. É preciso planejar, sim, mas não a ponto de jamais tirar esse planejamento do papel. É preciso se perdoar pelos erros cometidos; se amar para erguer-se, não importa quão dura tenha sido a queda. É simples, é só fazer! Mas só hoje me dei conta de que ainda estava presa a muitas crenças que me impediam de seguir em frente. E a maior delas é a de que não nasci pra errar, de que os erros ridicularizam e enfraquecem. Ora, é justamente o oposto: quanto mais se erra, maiores as chances de acerto. As estatísticas comprovam.
“Just do it!”, então, requer mais do que talento e recursos: exige coragem de ir em frente com a certeza de que qualquer que seja o resultado ele será passageiro, afinal tudo na vida passa. Exige ação imediata, porque, em alguns casos, a razão atrapalha. Exige, também, simplicidade, porque, quando se encara a vida como se cada ato fosse muito difícil e custoso, “Just do it!” torna-se impossível. Há sempre um impedimento que normalmente não se consegue explicar. Um bom exercício é escrever o que nos impede de tomar determinada atitude. É comum, neste exercício, dar-se conta de que o empecilho é, na verdade, ilusão, e de que o único risco que corremos é mesmo o de errar. Simples assim!

domingo, julho 17, 2011

Relacionamentos que enriquecem ou empobrecem?

Ninguém pode nos dar nada que já não tenhamos em nós mesmos; muito menos tirar o que temos dentro de nós. Por que é, então, que há relações que nos enriquecem e outras que parecem nos empobrecer? Arrisco dizer que funcionamos como imãs, atraindo e repelindo relacionamentos de acordo com os nossos pensamentos e sentimentos. Todas as pessoas que passam por nossas vidas, sem exceção, são professores e têm algo para nos ensinar, nem que a lição seja descobrir, por fim, que comportamento em nós não queremos perpetuar e, por outro lado, o que nos faz realmente felizes.
Ainda assim, me intriga que nossas escolhas – porque elas sempre determinam o que fazemos, certo? - nos levem a situações que nos fazem mal. Se temos o poder de escolher, porque criamos armadilhas aprisionantes? E o pior, porque custamos a aprender, precisando que a vida, circular como é, repita-se em determinados aspectos até que tenhamos discernimento para decidir por caminhos mais adequados? Não tenho todas as respostas e nem sei se o que tenho para ofertar está correto, mas acredito que a chave para relações mais plenas sejam o amor verdadeiro e a consciência do EU.
Por amor verdadeiro, entendo aquele que começa dentro de nós, com o AMOR PRÓPRIO, sem o qual nunca teremos a capacidade de viver relações plenas e livres. Já CONSCIÊNCIA DO EU, é como chamo a compreensão de quem somos, além de nossa mente, em nossas essências divinas. Fiz uma pequena lista para mim, para evitar novas armadilhas, embora algumas, reconheço, sejam necessárias para promover aprendizado. Mas não precisam ser repetidas, obviamente!
- Preste atenção aos seus sentimentos. Eles são a manifestação de nossa essência e sinalizam o caminho por onde devemos ir. Comece a observar o que sente perto das pessoas, fazendo um laboratório consigo mesmo. Muitas vezes não nos observamos com cuidado e perdemos ótimas chances de nos conhecermos mais profundamente. Não podemos nos afastar de todas as pessoas que produzem em nós sensações desagradáveis, mas podemos impedir que elas nos afetem.
- Proteja-se com bons pensamentos! A aproximação de pessoas que parecem nos deixar mais “pobres” é inevitável, mas a partir do momento em que temos essa clareza, podemos lançar mão dos bons pensamentos para evitar que essas pessoas nos afetem. Lembre-se de situações que lhe fazem bem, sorria, e veja a diferença!
- Expresse seus sentimentos com muita clareza. Muitas vezes quem está ao nosso lado não sabe o que nos incomoda. Portanto, comunique-se com educação, mas claramente. Quando falamos o que sentimos e o que queremos, ajudamos o outro a entender um pouco mais a nosso respeito, além de fortalecer nosso EU interior.
- Não se culpe pelas escolhas erradas. Elas fazem parte do nosso processo de aprendizagem e evolução. Escolhemos mal, muitas vezes, guiados por padrões mentais que não nos servem mais. O resultado nunca é bom, mas, se aprendermos rápido, através da auto-observação, podemos evitar novos erros.
- Ame-se muito! Em toda e qualquer situação, resgate esse sentimento de plenitude que existe dentro de você. O valor que nos damos é o mesmo que outras pessoas nos dão; o amor próprio faz com que pessoas maravilhosas aproximem-se de nós.
- Dê o melhor de você a pessoas perto de quem se sente bem. Diga isso a elas porque é muito bom saber que somos queridos. Perto dessas pessoas – e o coração diz quem elas são – temos que estar não só receptivos, mas também dispostos a dar o melhor de nós, para que a mágica dessas conexões especiais possa acontecer, trazendo benefícios para todos.

segunda-feira, julho 04, 2011

Um grupo de mulheres, uma experiência de coaching

Pouca gente sabe, mas este ano fiz formação em coaching. Tive que vencer algumas resistências porque nunca me imaginei fazendo um trabalho desse tipo, mas precisava me munir de instrumentos para lidar com lideranças nas empresas em que atuo. No entanto, o que eu não imaginava mesmo é que estava me preparando para esse trabalho há muitos anos. A metodologia – que escolhi a dedo por ter convergência com minhas áreas de estudo e interesse – permite que eu agregue todos os cursos de diferentes áreas que fiz nos últimos 8 anos. Desde o curso, tenho tido uma sucessão de surpresas e, a cada uma, a confirmação de que estou num caminho muito especial.
A palavra coach pode ser traduzida por técnico, mas faria mais sentido se fosse um facilitador ou orientador de potenciais, já que o nosso papel é ajudar as pessoas a se desenvolverem em determinados aspectos, despertando o seu melhor em diferentes áreas da vida. Não importa o objetivo do coachee (o cliente do coach), o importante é que, através do processo, ele consiga evoluir, exercitando ou liberando os seus próprios potenciais. Para isso, trabalho com uma visão ampla do ser humano, também chamada de holística.
Tudo começa com uma revisão da visão que cada um tem do mundo e termina... Bem, não dá pra dizer como termina, mas dá pra assegurar que o processo sempre traz insights poderosos para todos os envolvidos. Com o intuito de ampliar a experiência desse crescimento compartilhado, formei um grupo de mulheres que, há seis semanas, reúne-se em minha casa. Somos cinco amigas em busca contínua de evolução, desejando ângulos diferentes para enxergarmos e atuarmos sobre questões das nossas vidas que ainda não produzem os resultados que desejamos. É um trabalho experimental, mas pautado pela metodologia do Sistema Isor, reconhecida internacionalmente, que fundamenta a formadação que escolhi. A cada semana, seguimos a agenda proposta, enriquecendo o trabalho com nossas vivências.
Mas o que eu não podia imaginar é que esse grupo fosse se tornando tão poderoso e que as possibilidades de desenvolvimento para cada uma de nós fossem ficando tão ricas. Hoje, ao fim de mais uma reunião, fiquei pensando no quanto obtemos com as nossas partilhas. Assisti à ocorrência de vários insights, à manifestação do interesse genuíno de umas pelas outras, à abertura de espaços internos para que as transformações desejadas ocorram. Como se trata de um grupo, pelo processo de ressonância, identificamos em nós aspectos das outras participantes. Interessando-se, ouvindo, olhando a outra, chegamos a lugares de nós mesmas que, de outra forma, permaneceriam inacessíveis.
Com muito amor, encerramos mais uma reunião. Cada uma com sua própria conquista. De repente, me vi agradecendo pela oportunidade de colocar todos os pedaços de mim em um trabalho para o qual, talvez, eu esteja me preparando há muito mais tempo do que penso.

sábado, junho 18, 2011

Saboreando a vida...

Aquecendo a vida com o elemento FOGO
Tenho escrito pouco no blog, mas não tenho me cobrado mais do que o passo seguinte. Um passo de cada vez tem sido meu lema, visto que ando às voltas com ciclos de mudanças em quase todos os domínios da minha vida. Além da não me cobrar mais do que o hoje, aprendi a saborear cada momento, cada um desses passos. E foi assim que esqueci do tal do inferno astral que dizem anteceder em 30 dias a data de nascimento.
Quando me lembro do mês de maio, anterior ao meu aniversário, me dou conta de que passei boa parte do mês doente e finalizei processos emocionais com todas as consequências que isso traz, pra todos os envolvidos. Mas nem assim lembrei desse tal de inferno astral. Pensando no que o momento presente queria me ensinar, mesmo quando estava com dor – física ou emocional, agradecia a oportunidade da experiência. Confesso que, durante esses últimos dias, houve momentos em que, por motivos objetivos ou não, duvidei de que conseguiria chegar ao próximo dia. Mas tudo passa. E, verdade seja dita, ignorei esse inferno astral. Fiz esse balanço meio que por acaso, numa conversa com amigos, no dia do meu aniversário... mas aí já não havia mais riscos: qualquer energia de perturbação, segundo algumas crenças, já teria se dissipado.
O resultado da experiência de viver um dia de cada vez tem aparecido em pequenos e grandes acontecimentos no meu dia a dia. Mais presente, sinto-me, também, mais conectada ao fluxo universal, experimentando situações de sincronicidade, que, em outras fases, chamaria simplesmente de coincidência. Quando meu desejo é genuíno, vejo as situações mais difíceis se resolverem e, mesmo acreditando no fluxo da vida, custo a perceber que não há obra do acaso, mas uma conjuntura influenciada por meus pensamentos.
Poderia listar um monte de acontecimentos, pequenos e grandes, que me pegam de surpresa todos os dias, quando abro mão das expectativas, permitindo-me fluir ao ritmo da vida. É claro que não mantenho essa “vibe” o tempo todo e, muitas vezes, me pego querendo controlar a minha vida, a do outro e a de quem mais passar por perto... Nessa hora, tudo desanda, perco o eixo e sofro. Mas é jogo rápido, a maior conquista não é a perfeição, mas a agilidade para retormar o caminho de sua busca... Conto sempre com esse misterioso fluxo da vida para me empurrar de volta para o caminho!

sábado, maio 28, 2011

Não dá pra nos desligarmos de nós mesmos

Ela desligou o telefone. Não concordava com a minha opinião, então irritou-se, disse “tchau” secamente e, sem esperar resposta, encerrou a conversa colocando o fone no gancho, como se dizia na época em que todos os telefones tinham gancho. Eu não me incomodei, mas fiquei pensando sobre a dificuldade que todos temos de aceitar o diferente. Talvez porque, bem no fundo, naquele lugar que chamam de inconsciente, sabemos que o outro, independente do que faz ou pensa, é também um pedaço de nós. Ignorar, evitar e repudiar passam a ser, então, estratégias de defesa daquilo que não queremos como nosso.
Nem adianta fechar os olhos, fazer de conta que nada disso é verdade. Enquanto nos esforçamos por negá-lo, nosso lado “indesejável” continua lá, tão ignorante como a parte de nós que finge não reconhecê-lo. Se nada disso faz sentido pra você, pense naquele desejo que você considerou mais sórdido que passou por sua cabeça. Como eu, você deve ter negado rapidamente, dizendo: “cruzes, sai de mim, absurdo, esquece, isso não te pertence...” O pior é que esses pensamentos nos pertencem. Até podemos fingir que nos afastamos deles, mas eles voltam, de outra forma em outra situação. Chega a ser engraçado, se nos distanciamos de nós e ficamos observando nosso esforço mental em sermos bons e corretos ou o oposto disso tudo, como acontece com tantas pessoas do tipo “eu tenho que manter a minha fama de mau”.
O telefone desligou e eu me perguntei se eu também não estava, como ela, negando essa parte de mim que ela expressou e da qual discordei. Talvez. Mas eu não poderia opinar ou perguntar sobre o fato? De novo, talvez. Relacionamentos, tal como a vida, não seguem uma lógica, embora um amigo da área de exatas, jure de pés juntos que sim. Ouvir o que não se quer e falar o que se pensa constituem a base dos verdadeiros diálogos, mas quem consegue? É preciso muita maturidade, ou na falta dela, muito amor, para transpor os próprios limites. Com o telefone desligado, penso que é preciso mais que amor pelo outro: é imprescindível ter amor por si mesmo. Só com muita compaixão por mim, posso ser condescendente com tudo o que me compõe, incluindo o sórdido, o dúbio, o mau. Quando reconheço que além de luz, sou sombra, e que o outro – não importa qual seja – está dentro de mim, assim como eu nele, fica mais fácil conversar, sem desligar o telefone.
Da próxima vez que eu não quiser escutar alguém, vou dizer pra mim mesma: “fica, tem mais de você aí do que pensa.”

quinta-feira, maio 26, 2011

O endereço da felicidade

A porta emperrou. De repente, eu que sempre tive “meus” homens por perto - pai, marido, irmão – me vi pensando numa saída, já que me faltam jeito e força para dar conta dessa situação. Acho que ela ficará emperrada até que uma mão mais forte, quem sabe de um filho, possa colocar a coisa no lugar. Só que a mente não se dá por satisfeita e vai além, questionando todas as implicações de, de repente, não ter essa mão forte bem pertinho.
Gosto desse sentimento que conheci dentro de mim: o de me perceber plena, de luzes e sombras, de risos e lágrimas, de medo e coragem. É tão forte que, mesmo debilitada como agora, com uma gripe que me deixou da cama, me pego sorrindo, agradecendo a Deus cada movimento da minha vida. Mas abrir mão de toda essa proteção que tinha ao meu redor também expõe as minhas fraquezas e é com elas que a minha mente brinca nesse exato instante, perguntando-me quem irá me amparar, nesta e em outras situações? Com que braço forte poderei contar?
Óbvio que meu Universo está todo carregado de simbolismos. Braços fortes, muitas vezes, revelam uma fragilidade enorme e, quase sempre, precisam ser amparados por um outro tipo de força. Esta sim, não me falta. Mas não sou autossuficiente. Estou longe de sê-lo. Gosto de amigos por perto, de aconchego e de mais um monte coisas inerentes à minha natureza humana, feminina, singular. Gosto tanto de compartilhar, que “me” publico em um blog porque acredito que assim me junto a outras pessoas fortalecendo uma energia comum. Além disso, vivo cutucando meus companheiros de jornada para dividir os momentos que mais me assombram.
No entanto, reconhecer minhas necessidades, gostos e afinidades, não significa trocar o endereço da minha felicidade. Já sei de coração que ele fica em mim mesma, e quando a ilusão de não ter ninguém por perto se aproxima, pego um cartão imaginário, onde consta esse simples endereço. A estratégia é tão verdadeira que invariavelmente dá certo. E aí, aquele recado que não chega, a mão que falta para colocar a porta no lugar, o telefone que não toca, e o encontro esperado com ansiedade ficam todos guardados em seus devidos lugares, inofensivos. E o melhor desse recurso é que a prática torna-o cada vez mais eficaz.

domingo, maio 08, 2011

Mãe Geminiana

Minha homenagem às mães de todos os tipos
Nasci pra ser mãe. Antes de qualquer outra função. Gestação me intriga desde que me entendo por gente. Mas também o que se poderia esperar da menina que tinha a maior casinha de bonecas do bairro? Cresci entre panelas, xícaras e bonecas, muitas bonecas. Trocava fraldas, vestia-as com as roupinhas que tinha usado quando bebê, usava mantas e cueiros e dava mamadeiras. Sempre assistida por minha mãe, que fazia questão de comprar presentes para minhas filhas me darem. Não esqueço o dia em que ganhei uma linda panela de pressão (do tamanho de uma xícara, claro!).
Cresci um pouquinho, mas continuei a brincar de bonecas. Descobri as de porcelana em uma temporada no exterior e me encantei. Ainda tenho minha primeira boneca de porcelana, que ganhei aos 18 anos, e batizei de Ana Carolina. “Será o nome da minha filha”, dizia. Tive a fase de esculpir e desenhar mulheres gestantes. Achava – como ainda acho – a gravidez um grande milagre. Não veio a Ana Carolina, e sim três meninos. E, mesmo tendo a certeza de que nasci pra maternidade, me constituí como mãe sobre milhares de paradoxos, tal como em outras áreas da minha vida.
Sempre fui do tipo que escolhia a babá antes de saber o nome do filho, brigava com o marido mas jamais com a babá, mas nunca abri mão das minhas madrugadas com os bebês, quando cuidava das cólicas e dos choros de razão desconhecida. Em festas de criança, muitas vezes preferia o papo com os pais dos coleguinhas às brincadeiras infantis, mas nunca me passou pela cabeça ter menos de dois filhos. Adotava as papinhas industrializadas sem pudor, mas fazia questão da amamentação exclusiva até os seis meses: encho a boca para dizer que meus filhos nunca tomaram mamadeira. Me esquivo da culpa, dizendo que faço o melhor que posso, mas me torturo com a alergia dos meninos; no fundo, acredito que a alergia mistura-se tanto a fatores emocionais que me sinto culpada nas crises de asma ou rinite doa garotos.
No meio dessa dança de opostos, me pego, às vezes, sonhando escondida (até de mim mesma) com mais um bebê. Pura maluquice, que estou tentando curar, e esse seria o pior dos paradoxos, não fosse o fato de acabar de me dar conta de que não tenho dedicado tantas horas do meu dia àquela que me parece ser uma de minhas funções primordiais. Mais um no meio de tantos outro com que convivo! Vida de mãe geminiana!

sábado, maio 07, 2011

Forte, nada! Eu só queria um abraço!

Tsunamis, tornados, enchentes, a morte do Osama... nada disso foi suficiente para tirar de mim essa sensação de que nada me abalará. Há bem pouco tempo, uma amiga se queixou do tempo que ficou em casa com uma gripe que a tirou de circulação por 10 dias. Disse pra ela o que costumo dizer a todos que passam por alguma situação mais difícil: “pense no que o Universo está tentando lhe ensinar neste momento. Aprenda e confie, porque daqui a pouco passa. Usufrua de cada momento da sua vida, porque todos trazem o seu ensinamento.” Lindo, mas esqueci de repetir isso pra mim durante os mais de sete dias em que fiquei na cama com Dengue.
Como diz um outro amigo meu – em brilhante e claro português: “pimenta no …. dos outros é refresco”. Foi mais ou menos assim que aconteceu. Durante os dias da dengue, houve momentos em que eu achava que não suportaria a dor, o mal estar e a prostração. Não tinha ânimo pra nada e até ouvir dos amigos as palavrinhas mágicas “vai passar”, me irritava. Aliás, esse foi outro dos sintomas: um enorme transtorno do humor. Momentos de irritação se alternavam com outros de profunda tristeza em que eu me achava a última – mas a última mesmo – dos mortais.
Tive vontade de pegar o telefone e dizer pra um amigo muito querido que o odeio e que o acho egoísta e centrado demais em si mesmo, além de arrogante. Ainda bem que ele não estava no skipe e que eu pouco conseguia ficar no computador. Também pensei em desistir do projeto iniciado, de pedir ao ex-marido que não se mude e à vida que pare esse ciclo de mudanças em que me encontro. As palavras “Não vou dar conta” ecoavam na minha cabecinha. Liguei pra minha médica e perguntei se havia chances de eu estar enlouquecendo. Ela me tranquilizou, receitou um remedinho pra deixar as coisas mais claras e pimba: a dengue começou a dar um tempo.
Está certo, devia ter respirado mais fundo no momento da crise, acreditado mais na transitoriedade das coisas e na força que me acompanha, mas ao invés disso chorei. E chorei tanto que escutei de ex-marido e de filhos: “para de chorar, engole esse choro”. Aí é que eu chorava mais. Como assim que nem chorar eu podia? Até de uma das médicas ouvi: seja forte diante da vida. Na hora não dava pra responder, mas agora eu diria pra ela: se choro fosse sinônimo de fraqueza, o mundo, governado por pessoas que não choram, estaria muito melhor.
Ufa, está indo embora. Ainda estou fraca, mas já recobrei a lucidez, coloquei o notebook no colo, estou pronta para repensar algumas coisas da vida porque eu não sou inatingível – alíás, até mosquito me derruba. Mas de ação imediata, estou mudando meu discurso a todos os amigos que tiverem gripes, perdas, dores e sei lá mais o que: está certo que tudo passa, que nós temos protetores maravilhosos, que somos seres de luz, mas quando tudo isso parecer história distante e nada mais fizer muito sentido pra você, sabe o que eu lhe direi? Nada! Mas vou até você e vou te abraçar durante quanto tempo for necessário para aquecer seu coração e você perceber que sim, o Universo é amoroso e que só isso importa. Pode ter certeza disso!

segunda-feira, abril 25, 2011

E o sapo virou príncipe!

Charmoso morador da Aldeia do Sol
Bastou um beijo para que o homem, que ela consideraria, a princípio, sem encantos, virasse um príncipe. É muito mais fácil do que se pensa. Especialmente, porque se conta com a ajuda de um contexto sócio-cultural que ensina às meninas a comportarem-se como princesas, brincarem de casinhas e vestirem rosa choque.
Minha sobrinha de 8 anos, com toda a modernidade, ainda faz tudo isso e sonha ser a Yasmim. Será que alguma coleguinha dela não teve festa de princesas? Sim, porque elas são tantas que foram reunidas em um grande tema central pela indústria das festas infantis. Então temos um evento, com muitas princesas lindas e muitos príncipes igualmente maravilhosos.
Nada contra. Adoro princesas, já me emocionei com Ariel, sonhei com um passeio no tapete de Aladim e desejei abrir a porta para o portador de um pé de sapato que me falta. Só me pergunto quanta frustração esses sonhos já não acarretaram para aquelas que descobrem que seus príncipes não passam de sapos.
E é tão fácil fabricá-los. Com tantos elementos no imaginário, basta um beijo, como na história, para que ele se transforme aos nossos olhos. Se posso criar minha realidade, posso criar príncipes, certo? Errado, penso eu! Podemos criar, transformar, promover tudo que nos cerca, a partir das nossas ações, mas não podemos criar o outro de acordo com nossos desejos. Cada um é um, e um sapo, provavelmente, sempre será um sapo. Ainda que o seu beijo desperte a imaginação, haverá o momento em que ele será o que sempre foi: um sapo. E o que se tem contra os sapos? Já ouvi dizer que eles têm o seu charme!
A indústria dos mitos têm contribuído com a nova geração – e conosco também – com a produção de novos símbolos. É sinal de que tem mais gente pensando em equilibrar essa balança, dando a sapos e príncipes pesos iguais, contanto que genuínos. Dando à mocinha o direito de escolher entre um e outro e de ser feliz ao lado de um ogro, como Shrek, sem ter que passar a vida buscando príncipes idealizados!

domingo, abril 24, 2011

Renascendo na Páscoa!

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. (Chico Xavier)
A frase ecoou na minha cabeça neste domingo de Páscoa. É isso que aprendi na minha formação religiosa: todos os anos repetia que Páscoa era um momento de renovação, renascimento, transformação. No ritual católico, passam-se 40 dias em que os devotos se reconhecem com pó (ou, simbolicamente, cinzas) para ressurgirem com Jesus, cuja ressurreição celebra-se na Páscoa. Eu sempre soube disso, faz parte do conjunto de crenças da minha família; mas a verdade é que eu nunca senti no meu coração o que, de fato, isso significava. Hoje, a famosa frase de Chico me parece perfeita. Acreditando ou não na ressurreição, todos temos uma nova oportunidade, todos os dias.
Andei meio na bronca com alguns ritos que celebram as oportunidades de recomeço pela via da culpa. Mas, pensando melhor, deixando a culpa de lado, há muito de verdadeiro no rito das cinzas. Ninguém se transforma sem virar pó e todas as crenças e filosofias repetem a mesma história, à sua maneira. A vida é pontuada de pequenas e grandes transformações. E isso independe das escolhas de cada um.
Penso em mães e filhos. Eles crescem, modificam-se e, com isso, as vidas das mães se transformam. Não há o que se possa fazer a esse respeito. No entanto, há mães que sofrem quando suas crias saem de casa; outras, que se negam a aceitar que as crianças cresceram; entre tantas outras histórias. Mas todas as mães se transformam. O que difere, a meu ver, é o nível de consciência desse processo, que pode trazer a aceitação e, junto com ela, a capacidade de deixar-se conduzir pelo fluxo da vida. Há, em tudo isso, uma inevitável parcela de dor, para os que crescem e assumem suas responsabilidades; para os que se veem obrigados a preencherem suas vidas com novas atividades.
Todos passam por algum desconforto para ingressar em uma nova fase e com outros aspectos da vida, não poderia ser diferente. Um corpo saudável, por exemplo, requer alimentação balanceada e o fim do consumo de alimentos que, para muitos, são fonte de prazer, como frituras, doces e refrigerantes. Quem nunca ouviu frases do tipo: “ficar sem refrigerante, pra mim, é a morte!” Estamos sempre deixando algumas coisas de lado para conquistar outras. E isso é inerente à vida.
No entanto, podemos resistir e manter-nos atados a fases, lugares, profissões que já não nos fazem bem. Escolha? Talvez. Para mim, é tudo questão de consciência. Este sim, o grande “barato” da vida! É ela quem nos conduz, de olhos abertos, pela aventura de viver, fazendo-nos sentir a “dor” da transformação e o imenso prazer de renascer. Então, desejo a você muitos renascimentos, nessa Páscoa, sem medo do “pó”, reconhecendo – de olhos bem abertos – as dores de deixar morrer os aspectos que precisam ser transformados para um glorioso ressurgir! Paz e alegria!

quinta-feira, abril 21, 2011

Saindo da cama!

Acordo daquele mesmo lado da cama e lá vou eu para mais um dia; farei tudo igual. Chega! Eu preciso gritar “Para tudo!” de vez em quando. Olhar o vizinho no olho, ao dizer bom dia; prestar atenção às marchas do carro e à velocidade que conduzo com a aceleração; saborear a comida; e outras sei lá quantas mais ações que executo sem me dar conta, diariamente.
Mas há o outro lado! Há hábitos que persigo loucamente, com a esperança de, algum dia, inseri-los na lista das ações automáticas. Tem sido assim com a corrida: quero precisar dela e, sem perceber, torná-la indispensável ao meu cotidiano. Há dois meses, sigo um programa personalizado, da forma mais disciplinada que posso. Em meu planejamento pessoal, o próximo passo será entrar para a academia, que um dia esteve na minha lista de itens automáticos. Também quero transformar em hábito os posts do blog, a alimentação sem doces e frituras, a leitura diária dos livros da imensa pilha da minha cabeceira, o controle dos pensamentos negativos. Acredito que, com tudo isso, teria uma vida melhor.
Oops! Pensando melhor, em meio a essa confusão que faço entre a nobreza do hábito e a automatização da rotina, fico com a minha pessoal e intransferível liberdade de escolha. E com todos os conflitos com que a exerço! Quero a disciplina da corrida, mas não quero deixar de perceber meu corpo quando corro, com o respirar forte, a batida do coração acelerada, a força das pernas, o fato de ali me perceber viva. Da mesma forma, desejo uma alimentação saudável, mas sem abrir mão de eventualmente chutar o balde e comer uma coxinha de galinha ou uma barra de chocolate, reconhecendo que gosto das sensações que alguns alimentos produzem em mim.
Não acredito na vida sem prazer e há muitas teorias sobre o tema. Acho que Freud foi o percursor delas, mas vou deixá-las quietas agora. Quero que o desejo de conhecer mais acerca do meu trabalho e da vida me impulsione à leitura regular e me ajude a superar os trechos mais enfadonhos daquele livro que não consigo acabar. Ao mesmo tempo, quero me conceder fins de semana sem nenhuma leitura, acompanhando amigos ou simplesmente olhando para o céu e o mar. Pra mim, isso é vida!
Se o hábito faz o monge e o cachimbo deixa a boca torta, quero subverter ocasionalmente todas as ordens. Vou passar uma semana dormindo do outro lado da cama, só para me provocar. Vou organizar minha fila de livros, mas sem sobreaviso vou pular a ordem para priorizar um romance que estou sempre deixando pra depois e me entregar à leitura só pelo prazer de sonhar. Já me disseram que o princípio do prazer não pode reger uma vida saudável e bem sucedida, e é por isso que me esforço. Reconheço os bons efeitos de alguns hábitos e regras. Transformo em hábito a organização disciplinada da minha agenda. Desde que nada disso me impeça de cancelar todos os compromissos num dia eventual só porque decidi passar o dia com uma pessoa querida.
Nada contra os que mantêm vidas bem estruturadas, regradas e organizadas. Acho até que os invejo. Ataco, no entanto, o automatismo, que tira da vida o sabor e a espontaneidade. Se mudar o lado da cama é difícil, experimentarei dormir no chão, atravessada ou em outra cama. Até perceber e escolher como vou ocupar, não só a minha cama, mas todo o tempo precioso da minha vida.

* Cotidiano, de Chico Buarque

terça-feira, abril 19, 2011

Mudando o lado da cama

Das duas uma: ou a cama de casal é muito grande para ser ocupada por uma só pessoa ou o hábito é algo mais difícil de ser quebrado do que eu pensava. Escrevo isso porque, numa noite de insônia, me peguei rabiscando em meu caderno, restrita ao mesmo lado da cama que ocupei por 22 anos. Já faz um ano que venho exercitando a ocupação plena desse espaço, mas ainda me pego pendendo para o lado que me coube, em um dos muitos acordos que fazem os casais.
Ocupar a cama foi um dos primeiros desafios que enfrentei depois de guardar a aliança. E não era pelo ato em si, mas por todo o simbolismo que a cama carrega para uma família. Até os filhos, em inevitáveis momentos, dividem-na conosco; desde o nascimento, nas noites em que a cólica ou a necessidade de amamentar parecem maiores que nós; nos dias em que o medo do escuro inunda o sono infantil; ou, ainda, quando uma doença nos faz levantar para verificar a temperatura e o estado geral mais vezes do suportamos.
Agora é diferente. Olho para cama sabendo que aquele espaço todo me pertence, e experimento novas formas de ocupá-lo, por mim mesma. Dormi com livros, computador, jornais, revistas, mudei o lugar do travesseiro, juntei novos travesseiros, abri os braços; mas, mesmo assim, acabo acordando do mesmo lado. Nessa fase, cada gesto tem um significado, e observá-los de forma distanciada chega a ser engraçado.
Não sei quanto tempo um hábito demora pra se formar, mas vamos combinar que a rotina é poderosa e, arrisco dizer, perigosa. Quando nos damos conta, pela força da necessária repetição cotidiana, estamos lá, com mais um item na lista das ações que automatizamos. E são tantos os itens dessa lista, que, muitas vezes, viramos autômatos, quase zumbis. Deitamos e nem percebemos, comemos e não sentimos o sabor da comida, cumprimentamos pessoas na rua sem olhá-las de fato. Ainda há quem diga, no fim do dia, às vezes, num tom de orgulho pelo dever cumprido: “hoje nem tive tempo de respirar”.
* Continuação amanhã!

terça-feira, abril 12, 2011

Night medicine: o bem está em todo lugar

Amigos...
A vida noturna nunca foi meu forte. Sou do dia, da praia, das montanhas, da natureza... Mas também gosto muito de dançar, de ouvir música, de ir a shows e, ultimamente, estou experimentando um Rio que eu mal conhecia: o das boites, das casas noturnas, dos shows e rodas de samba. Confesso que mesmo me divertindo, às vezes canso. Em alguns lugares, a diversão é vazia e aparente, tão superficial quanto as relações que se estabelecem. Assim, decidi ficar em casa o fim de semana com meus livros e filmes. Também não gostei. Havia algo de melancólico na minha decisão. Por isso, no sábado, seguindo o que chamo de voz interior, liguei pra um amigo que, ao contrário de mim, curte a noite como poucos, e fui encontrá-lo em um bar, perto de casa.
Esse amigo nunca está só e diz que uma de suas qualidade é agregar pessoas. Sua companhia, além de amiga, é sempre divertida. Através dele, fiz novos amigos e vamos constituindo uma rede que só cresce. A noite foi ótima. Afinal, conectada com a minha essência, que mesmo aventureira, aprecia muitas coisas da vida urbana, posso escolher acompanhar o grupo em programas que só me fazem bem.
No último sábado, especialmente, experimentei que esse bem estar que muitas vezes buscamos nos templos, nas conexões espirituais e nas terapias de cura, está, na verdade, em todo lugar. Ali, no bar, com um grupo de amigos, a minha melancolia deu lugar a uma alegria genuína. A conversa, a música, a companhia, tudo conjugava-se para que aquele momento exercesse em mim um efeito terapêutico. O desafio, como sempre, é o equilíbrio: não passar do ponto com aquela bebida de que eu tanto gosto, não esticar a noite além daquilo que me fará bem, não ceder aos convites que não têm a ver comigo.
A intuição fala, difícil é apurar os ouvidos para escutá-la sempre. Ou para abrir mão da vontade pura e simples que muitas vezes aliena-se dessa voz interior. No sábado, ela me conduziu a um grupo de amigos queridos. O resultado é que acordei no domingo revigorada, feliz, conectada comigo e com meus propósitos, confiante e livre daquela melancolia que só conduz a extremos, ao mundo do sim ou do não. Ninguém é só da noite ou do dia, só urbano ou rural: o equilíbrio é a base de uma vida mais plena e feliz e o meu desafio nessa jornada da vida. Obrigada amigos – da noite e do dia – por me acompanharem!
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