quinta-feira, julho 15, 2010

Super-mulheres existem?

Às vezes, tenho vontade de gritar e avisar aos homens que me cercam, especialmente aos meus três filhos, que sou uma mulher normal. Antigamente, adorava quando alguém me chamava de super-mulher; hoje, penso duas vezes antes de agradecer o “elogio”. Porque heróis não cansam, não dormem, têm poderes especiais para lidar com situações que ninguém mais consegue e existem para sanar os problemas da humanidade.
Eu gosto da parte dos poderes especiais, mas, há momentos (e muitos), em que eu desabo e preciso da ajuda de algum ser “super-poderoso” também. Quisera eu ser autossuficiente e viver em voos solos pronta para salvar o mundo. Mas nem de mim dou conta sempre. Às vezes, resisto, mas acabo por aceitar minhas limitações e entrego-me ao cansaço, às frustrações. Preciso dizer que não sou fraca, mas, antes de encontrar minha força, tenho que desabar um pouquinho: depois da queda eu arremeto.
O problema é que minhas criaturinhas, os homens da minha vida, esquecem da minha normalidade. Talvez quisessem mesmo ter uma mãe capaz de salvar o mundo, pelo menos o deles. E isso nem sempre é possível. É claro que há momentos em que eles também querem ser “normais” e dar com os burros n'água como os demais seres humanos, como eu mesma. Mas nem sempre é assim e, por isso, o meu desabafo. Quando eles decidem que não dão conta, nem sempre estou pronta para ajudar.
Revelar-me normal deve frustrá-los e, de certa forma, a mim também. Eles, por acreditarem que a mãe é mesmo uma super-mulher e terem que desmistificar a crença conforme amadurecem. Eu, pelo mesmo motivo! Pensando bem, quem disse que não tenho superpoderes? Até acredito que tenho mesmo! Esse jeitinho de contornar os conflitos e as demandas desses aspirantes a adultos deve ter alguma coisa a ver com uma fonte de energia em um país distante. Ou, quem sabe, em um país que existe mesmo em algum lugar dentro de mim. Mas, também quero ter a licença de ser “normal”, e, pra isso, às vezes, é preciso gritar que trabalhei o dia inteiro, estou cansada e não posso dar contas de questões que estão absolutamente ao alcance deles.
O que tenho visto é que todas as mulheres têm muito de super, inclusive eu, mas que nada lhes confere o dever de lutar contra o mundo sozinhas e em nome de filhos, pais, maridos. Talvez, a maior tarefa das mães seja exatamente a de se revelar como são para si mesmas e para seus filhos, na esperança de que também eles possam, em algum momento, utilizarem-se de seus poderes mágicos.

3 comentários:

Vanessa Cornélio disse...

ADOREI! Seu texto é muito pertinente. Não sou mãe, mas sou cadeirante. vivo sozinha por opção, trabalho muito, me divirto muito e isso pq sou muito positiva e faço vistas grossas para o q destoa... para os obstáculos enfim. As pessoas ficam tão acostumadas a ver eu me virar q nem param p pensar em qto é dificil e confundem com super-heroismo e desta forma deixam de oferecer sua ajuda. putz... é dificil

Anônimo disse...

Que lindo! Li todas as postagens,e amei!Estrei no blog,pelo Twitter da querida @emrismael.Que conheci apouco ,mas que já admiro muito!
Lindo, seus textos e reflexões.Vou virar fã! Adoro textos bem colocados.Sobretudo quando falam da vida, do cotidiano!Me vi aqui em varias situações. Muito sensivel você!Vou te seguir posso?
Meu nome é Dirlene Guarulhos!Bjs Parabens!Monica"

LP Coach disse...

Primeiro eu depois os meus amados. É um princípio básico: primeiro cuide do cavalo senão ele não o levará a lugar algum.

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