terça-feira, julho 06, 2010

Príncipes e princesas: quem são?


Vi ontem, sem poder fazer muita coisa, uma amiga com idade pra ser minha mãe chorar por causa de um namorado recém-arrumado que não responde há 15 dias às ligações telefônicas. Também ouvi as queixas de uma outra que há cinco anos mantém um casamento cujo pano de fundo é a total indiferença do marido e a consequente ausência de vida sexual. Em comum, ambas têm a falta de consciência de quem realmente são. Uma delas, inclusive, confessa que se acha horrível – embora seja uma mulher atraente – e desinteressante, incapaz de atrair o olhar de alguém.
Sei que as duas histórias replicam-se aos milhares no nosso universo feminino e isso me entristece. Até porque já fiz parte do grupo daquelas que não acreditam em si, do qual saí com muito esforço. Porque é tão difícil reconhecermo-nos como pessoas singulares com defeitos e inúmeras virtudes que podem atrair um sem número de pessoas, inserindo-nos em uma rede de amigos sinceros? Porque a maioria das mulheres acreditam, bem lá no fundo de si, que a felicidade virá com um gentil cavalheiro montado em um cavalo branco, como no filme “Uma Linda Mulher”? Eu também gostaria de ver Richard Gere, mesmo grisalho, com uma rosa vermelha aos meus pés, mas juro que não preciso dele nem de nenhum outro príncipe pra ser feliz.
A tristeza das minhas amigas, que é compartilhada por muito mais mulheres do que eu posso imaginar, é a razão da existência de um sem número de livros de auto-ajuda com títulos do tipo “Porque os homens amam as mulheres poderosas”, “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?”, “O que os homens dizem, o que as mulheres ouvem”, “O que os homens querem e as mulheres precisam saber”, que encontrei numa busca rápida numa loja virtual. Só que nenhum deles, por melhor que seja, responderá à questão mais básica: por que as mulheres não confiam em si mesmas? Por que acreditam, muitas vezes, que só serão felizes quando estiverem ao lado de seus príncipes, ou de algum substituto que o valha?
Longe de ser autoridade no assunto, acabei descobrindo, depois de 22 anos de relacionamento com o mesmo homem, que não há mágica maior do que a descoberta de si mesmo. Tenho amigas que desconfiam dessa afirmação e afirmam que uma boa conta bancária é suficiente para uma vida feliz. Mas eu nem levo isso à sério, porque essas, invariavelmente, deixam de pensar para se dizerem felizes e, quando começam a pensar, jamais recuperam o tempo perdido. Mas não há outro jeito. Estou convencida de que a busca de si é o que vai render a cada uma das mulheres (e aos homens também) a autoconfiança necessária para descobrir-se feliz, mesmo longe do príncipe (ou da princesa).
E tem mais: se o príncipe, por ventura, aparecer, a mulher que se reconhece como tal, independente da idade, do tipo de corpo, da conta bancária e da classe social, terá muito mais chance de desfrutar de um bom relacionamento. Sapo ou príncipe é uma questão de ponto de vista, acho eu. Do contrário, acabará como Gata Borralheira, vendo o seu príncipe procurar a felicidade ao lado de outras Cinderelas. Mas isso é assunto prum outro post.

Um comentário:

Ricardo disse...

Até que meu amigo príncipe Dag tem cara de sapo,não é mesmo?
Bj e belo texto,como sempre,muito bonito,e vc bonita e inteligente.
Seu amigo
Ricardo
Mande um abraço para o meu amigo Príncipe Dag Frog.

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