terça-feira, setembro 07, 2010

Pra que sofrer por amor?

Há algumas semanas, escutei com carinho o choro de uma grande amiga. A caminho do aeroporto, ela temia reencontrar um homem com quem se envolvera há alguns meses em contatos diários virtuais e alguns poucos presenciais. Deveria estar contente, mas sabia que esse encontro seria apenas para confirmar o que ambos já haviam conversado de tantas outras formas: continuariam apenas amigos. E ela chorava como menina, pelas expectativas frustradas, porque estava certa de que havia tido um encontro especial e conhecido um novo tipo de sentimento, que às vezes chamava de “amor”.
Diante daquela emoção, que eu, como ouvinte, não conseguia alcançar plenamente, apeguei-me a tudo o que ela acabava de relatar para consolá-la e ajudá-la, quem sabe, a enxergar seus sentimentos com mais clareza. Apelei pro amor que ela dizia ter conhecido. Não era ele verdadeiro? Diferente de tudo o que já havia sentido? Então, por que tristeza? Não deveria ela estar feliz por ser capaz de tal sentimento? Poderia contentar-se apenas por senti-lo e por ser correspondida ainda que de forma diferente da que desejava.
Estava claro pra mim, mas não pra ela, que misturava aquele amor que chamava de “sublime”, à rejeição que sentira ao ser deslocada para o papel de amiga. Divorciada há vários anos, bonita e cuidadosa com a sua aparência, minha amiga estava acostumada a relacionamentos onde o corpo era o atributo mais importante e o gatilho para romances fortuitos. Dessa vez tinha sido diferente. O corpo não era o mobilizador daquele envolvimento. Havia muito mais e o suficiente para uma amizade sincera, rara.
Perguntei-lhe se acreditava que um amor, da forma como ela descrevia, era excludente, exigente e dominador. Era uma provocação, porque já a ouvira falar o oposto muitas vezes. Agora era a ocasião de experimentar esse amor em cuja defesa ela discursava para as amigas mais próximas. Se tinha vontade de chorar, que chorasse. Mas que se sentisse, ao menos, grata por tudo o que esse amor tinha lhe trazido. E havia sido tanto que até eu – na condição de amiga – secretamente invejava as trocas, os aprendizados, a evolução e uma certa nobreza que parecia emanar daquele estranho relacionamento que acompanhava de perto.
Ela fez sua viagem. Retornou ilesa, mais segura de si. Mas, ainda hoje, chorou no meu colo, sem saber o porquê. Amigos servem pra isso também! Abracei-a e ela sorriu. Acha que sua tristeza tem a ver com aquele sentimento grande demais para se dar conta ou entender, mas muito bonito. Ela não gosta que eu o chame de platônico. Seca as lágrimas e conta novas histórias: está aprendendo a controlar suas expectativas e a usufruir das relações que surgem em seu caminho com mais liberdade e alegria. Diz que fica triste, como hoje, porque, nas suas palavras, “um encontro tão perfeito de almas” não acontece todos os dias e porque gostaria que aquele sentimento, que ela não conseguia explicar, evoluísse. Bom, de alguma forma, ele deve ter evoluído.
Quando ela consegue olhar pra dentro de si, reconhece que aprendeu a amar-se e que isso tem sido o melhor motor para sua vida. E, mais importante, aprendeu a amar tudo o que está a seu redor, tornando-se uma amiga melhor. Chora no meu colo, mas escuta, também, as minhas histórias. E eu tenho tantas. Também choro com ela. Aprendemos e caminhamos juntas!

5 comentários:

Patrícia Gonçalves disse...

Que bonito moça, bonito aprendizado!


beijo carinhoso!

Mônica disse...

Eu aprendo, tu aprendes, nós aprendemos... vamos conjugando esse verbo na vida! Obrigada! Beijo.

Li Balbinno disse...

Que lindo! Tomara sua amiga entenda que nunca esteve sozinha! Ser sua amiga traz essa consequencia.
Bjs!

Naira Lemos disse...

Mônica querida, é tão bom passar por aqui...
Além de um lindo, teu blog nos instiga à refletir sobre tanta coisa... Thanks!
Abreijos,
Naira

LP Coach disse...

Amor e amizade são sinônimos em muitas situações. Amo muito meus amigos verdadeiros e tenha uma grande amizade pelo meu grande amor. Tem hora que os dois sentimentos se confundem, porque neles nção existe o sentimento de posse.
bjs

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