quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Uma oportunidade e muito aprendizado

Deixar a escola aos 14 anos. Decisão difícil. Impensável para 99% dos pais que conheço. Um dilema para mim até ontem, quando, de fato, decidi: João Vitor não vai voltar este ano para escola. É claro que a concordância do pai pesou muito na minha aquiescência, mas o “sim” só foi dado mesmo quando decidi escutar o meu coração, a despeito das opiniões de amigos. Ele (o coração) ensurdeceu pra falta de grana para investimentos mais dispendiosos, como torneios pelo país e fora dele, e gritou: “deixa, vai!”
Os argumentos eram incontestáveis e eu cedi, feliz. Mas, no auge da tensão, ouvi um conselho: “defina, como mãe e não como amiga, aquilo de que você abre mão e aquilo de que você não abre mão, que a decisão sai.” Defini: quero muito ensinar meus filhos a procurarem a sua felicidade, esteja ela onde estiver. É isso!
Na verdade, sei que não posso dizer se João, hoje com 15 anos, será ou não um tenista de destaque no cenário internacional, que é o que, de fato, ele deseja. Mas posso assegurar que estou dando a ele o incentivo que posso para realizar seu sonho. Porque nada, nada mesmo, é impossível para aqueles que têm sonhos e acreditam-se capazes de realizá-los. Sendo assim, ele terá que aprender, agora, o que eu ainda estou aprendendo: que todos temos que fazer a nossa parte, mesmo quando a vida é generosa.
De toda forma, a vida já me mostrou, também, que toda as vezes que nos permitimos ousar obtemos resultados inimagináveis. Só não brilham mesmo aqueles que empacam, seja por medo de errar ou por preguiça de descer das nuvens para arregaçar as mangas e trabalhar por suas realizações. Sim, porque tudo é possível, mas do céu só cai chuva, neve e afins.
Conversamos muito para que ele entendesse as nossas limitações financeiras (afinal, ele tem outros irmãos); a necessidade da disciplina para organizar a vida de uma forma alternativa, sem o modelo pronto e fechado das escolas; a retomada dos estudos em outras bases; o cuidado com a alimentação. Ele terá que aprender a focar no seu desejo, avaliar suas conquistas e tentar entender, com nossa ajuda, que o seu maior inimigo em quadra é ele mesmo. Eu ainda estou aprendendo isso na vida e, vez em quando, me pego fazendo cara feia pra afastar os meus fantasmas. Portanto, se o meu filho conseguir levar o aprendizado dessa experiência para as outras áreas da sua vida, já estarei recompensada. É claro que ele quer ir muito além e, nessa viagem, estamos juntos.

2 comentários:

Fabio Betti disse...

Depois de ler o seu texto, fiquei com vontade de deixar um comentário, mas a única frase que emergiu foi: linda a sua partilha!

Ana de Brito disse...

Apoio é o que posso dar. Acho que ele já é um grande vencedor, afinal resolveu fazer o diferente e isso deve ter dado um medo danado, mas mesmo assim ele deciciu. Determinado seu menino!
Parabéns!

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