O que você faz a
maior parte do seu tempo? Se inventariasse cada hora do seu dia,
poderia
responder por que propósito dispensa suas horas? Não importa
cargo ou função, nem o tipo ou local de trabalho, o fato é que
todos temos muitas tarefas para cumprir. E não adianta dizer que a
vida seria mais tranquila se pudesse ficar em casa. Uma das fases
mais “tarefeiras” da minha vida foi quando os meninos nasceram.
Mesmo de licença-maternidade, havia dias em que me esquecia até de
escovar os dentes.
Semana passada, não
consegui pausas. Para compensar, no fim de semana, alguns momentos
deixaram a minha vida mais colorida. Adorei estar com amigos e
familiares, mas tive algumas experiências que posso chamar de
epifanias e, nelas, estava só. Uma delas foi pedalando na praia,
sentindo muito frio, observando o mar revolto. Senti uma gratidão
enorme por ter tido a coragem de me exercitar, apesar do frio; de
poder ver, ouvir e sentir o mar; de trocar cumprimentos com as
pessoas que acordaram com a mesma disposição de se exercitar que
eu; de ver e ouvir os pássaros; de compartilhar da alegria dos
casais abraçados.
A outra experiência
especial foi quando o sol abriu no meio do domingo. Eu estava na
rede, lendo um livro bacana, debaixo do cobertor. Parei de ler e
fiquei ali, quentinha, olhando aquele céu lindo, sentindo o sol
aquecer um pouco o dia gelado. Que momento “delícia”! Estava em
paz e feliz, de moleton velho e cobertor, contemplando a natureza. A
felicidade está mesmo em coisas muito, mas muito simples!!!
Gratidão!
domingo, junho 12, 2016
Num céu azul, a beleza de um dia frio!
Marcadores:
dia dos namorados,
dia frio,
gratidao,
paz,
vida
quarta-feira, junho 08, 2016
Perdão!
Violência contra mulheres me toca, me choca. Sinto-me mal até quando acontece na
ficção. Dói a minha alma. Sei que uma mulher
comum como eu não consegue se desvencilhar facilmente de um homem. E
isso falando da força física, porque em outros âmbitos há outros
tipos de agressões que mulheres sofrem todos os dias e que também
doem na alma, ainda que seja aos poucos, ainda que poucas se deem
conta. Desabafo assim, porque desde o dia em que soube do estupro
coletivo que aconteceu no Rio, o tema não sai da minha cabeça.
Sinto muito pela
menina e pela violência que sofreu. Mas sinto muito pelos
meninos-homens também, e chego a me culpar por sentir isso. Sou mãe
e muitos daqueles meninos poderiam ser meus filhos. Tenho uma
compaixão profunda desses que certamente não nasceram monstros.
Hoje, alguns deles seriam capazes de cometer atrocidades que eu
sequer ouso imaginar, mas são seres humanos. Como eu. Sinto amor e
compaixão por esses jovens, que a nossa sociedade relegou à margem.
Que eu, de alguma forma, também contribuí para marginalizar.
Seria mais fácil se
eu conseguisse me imaginar diferente deles. Eles e eu. Mas não
consigo. Sou tão parte disso tudo que tenho evitado os jornais para
não me doer ainda mais. Tento fugir dessa realidade que abomino.
Quero construir outra realidade, mas não dá para fazer isso
mantendo meus olhos fechados a esse lado obscuro. Peço perdão a
essa menina e a esses meninos-homens. Nenhum deles deveria estar em meio ao
tráfico, às drogas, aos abusos sexuais, à falta de oportunidades e
a tantas outras perversões sociais.
Neste momento, penso
em formas de substituir essa culpa improdutiva que sinto - que quase
me fez apagar esse post – por ações possíveis, capazes de fazer alguma
diferença na vida de algum jovem. Eu continuo com a crença de que
posso mudar o mundo… Se eu conseguir ignorar as vozes que dizem que
isso não depende de mim e que o mal é tão grande que não pode ser
combatido.
Marcadores:
estupro,
feminino,
perdao,
responsabilidade social,
transformação
segunda-feira, janeiro 04, 2016
Aprendendo a amar
Nunca pensei que este
fosse um aprendizado tão difícil. Eu tive a sorte de – nesta vida
– estar cercada de muitos professores, dentre os quais, três
destacam-se pelo afinco com que me aprimoram nesta arte de amar: os
filhos. Estou sempre aprendendo.
Hoje, meu coração dói
porque, em dias, um deles vai pra longe novamente. Não imaginei que
fosse sentir tanto esta distância. Justo eu que sempre quis que os
meus filhos vissem o Mundo como sua casa. Acredito tanto que nascemos
para voar, longe ou perto, não importa, desde que nossos corações
nos guiem. Essa é minha crença, mas a verdade é que sinto tanto a
ausência desse menino-homem, pedaço de mim, que nem consigo pensar
muito nesse sentimento. Evito-o, achando que assim ele não se
mostrará. Ilusão! Agora começo minha contagem regressiva, sentindo
cada dia, chorando porque as horas passam rápido demais e vejo que
este é mais um grande aprendizado de amor. Sinto por quem? Por ele
que está feliz, vivendo a sua vida e construindo com muita
determinação e alegria o seu futuro? Ou será que sinto por mim que
não tenho mais sua companhia diária, sua presença física?
Sinto não poder evitar (como se de fato isso fosse possível) as dificuldades da vida, não poder cuidar... Sinto porque ainda não consegui liberá-lo para partir. Meu coração ainda resiste a esse fluxo tão natural por puro apego. Talvez, lá no fundo, ainda não tenha aprendido que o amor liberta. E que qualquer coisa diferente não é bem amor. Não há amor que queira só pra si, que queira perto a qualquer custo, que impeça o outro de viver e evoluir. Eu achei que meu coração soubesse disso, mas pelo visto ele ainda está aprendendo! E eu agradeço a esse meu menino por mais essa oportunidade! Amo muito você, meu filho, onde quer que escolha estar.
Sinto não poder evitar (como se de fato isso fosse possível) as dificuldades da vida, não poder cuidar... Sinto porque ainda não consegui liberá-lo para partir. Meu coração ainda resiste a esse fluxo tão natural por puro apego. Talvez, lá no fundo, ainda não tenha aprendido que o amor liberta. E que qualquer coisa diferente não é bem amor. Não há amor que queira só pra si, que queira perto a qualquer custo, que impeça o outro de viver e evoluir. Eu achei que meu coração soubesse disso, mas pelo visto ele ainda está aprendendo! E eu agradeço a esse meu menino por mais essa oportunidade! Amo muito você, meu filho, onde quer que escolha estar.
Marcadores:
amor,
aprendizado,
familia,
mae com filhos
sábado, dezembro 26, 2015
Palavras que resgatam
Elas, sempre elas.
Grandes companheiras. Insistem em me tomar pela mão. Em me
conduzirem para o espaço interno em que sou senhora de mim. Eu
resisti. Numa teimosia tão tola e preguiçosa, quanto dolorida. Às
vezes, a gente se acostuma a dores. Acomodação. Inércia. Há
sempre algo que nos resgata. No meu caso, as PALAVRAS.
Começamos uma
conversa de mãe e filho. Eu: Acordei desanimada. Ele: Eu hoje também
estava assim. Eu: Passou como? Ele: Depois que eu treinei. Eu: Também
treinei de manhã, ajudou, mas agora o desânimo voltou. É chato.
Ele: É mesmo. Eu: A maior batalha que travamos nesta vida é conosco
mesmo. Ele: É mesmo. Mas passa...
Saí dessa breve
conversa mais confortada. Pela escuta. Pelo compartilhar de
sentimentos. E pela certeza de que há sempre algo que nos resgata.
No caso do filho, o esporte; no meu, as palavras. Eu já estava me
achando louca. Elas insistiam em me conduzir, mas eu resistia. Entre
a piscina, onde me encontrava, e a minha rendição às palavras,
havia o café, o panetone, um livro iniciado, uma bolsa para arrumar
e duas caixinhas que ficam sobre a mesa do corredor, onde bagulhos
amontoam-se: parafusos, tampas de caneta, papéis e notinhas de
mercado. Foi preciso dar conta de todos esses obstáculos para que
finalmente chegasse ao notebook. E as palavras, a mim.
Respiro
profundamente. Bastam alguns parágrafos de palavras soltas para que
me sinta alividada. Já conheço tanto e tão bem esse caminho que me
pergunto porque me abstive dele? Por que escolher caminhos mais
tortuosos quando há um mais reto, claro, limpo, que é o meu? Às
vezes, pareço carregar uma culpa ancestral que me faz acreditar não
ser merecedora da felicidade. Pareço? Pode ser mesmo que carregue
emoções de gerações anteriores somente para curar, purificar,
superar e permitir que meus descendentes não passem pelas mesmas
aflições.
Lembro dEle, o
Cristo, encarnado humano, com chagas suficientes para curar a
humanidade inteira. Sendo eu parte deste mesmo reino divino, não é
de surpreender que carregue também algo para transmutar nesta
jornada terrena. Humildemente, reconheço-me parte deste Universo,
com tantas e muitas imperfeições. Mas a cada uma delas, um
propósito para mim e para o outro. E de repente, só por causa das
benditas palavras, reconheço minha porção divina, identifico-me
com aquele que sabia tanto de amor, que era Ele próprio o Amor.
Por elas, pelas
palavras, renasço agora, como poderei renascer todos os dias em que
parte de mim morrer. Renasço com parte nova, transmutada, para
cuidar da próxima ferida que apontará para uma outra cura, dentre
muitas tantas que ainda processarei, por graça divina, nesta vida.
Marcadores:
amor,
aprendizado,
auto-conhecimento,
superação,
transformação,
vitoria
segunda-feira, março 30, 2015
"Encasulando"...
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.”
Eclesiastes 3:1-2
Os versículos bíblicos não saem da minha cabeça. Lembro, também, do filósofo grego Heráclito de Éfeso que dizia ser impossível entrar no mesmo rio duas vezes, visto que as águas já são outras e nós já não somos os mesmos, a cada instante. Sim, tudo o que existe está em permanente mudança ou transformação. Desde sempre. Mas saber disso não me ajuda a serenar. Preciso de muitos sinais e fico atenta, embora não me sinta em paz.
Heráclito mesmo dizia que a “a guerra é mãe e rainha de todas as coisas” e é nesse momento em que me encontro. Há uma “guerra” dentro de mim e tudo o que sei é que há algo a “tornar-se”, ou emergir em minha jornada. Também sei que o conflito cessará e dará lugar a algo íntegro, em unidade, ainda que a saiba passageira.
Preciso deixar ir e foram elas, mais uma vez, que me trouxeram sua medicina. Irmãs aladas, as borboletas, brindaram-me a com a medicina da transformação. São hábeis e conhecidas em processos de crescimento e evolução. Quem, senão elas, para lembrarem-me de que há etapas necessárias a todos os processos de transformação e de que as dificuldades podem ser transcendidas com leveza, naturalmente.
As borboletas rondaram-me por um dia inteiro, até que percebesse que este é um momento de voltar-me para mim mesma. “Encasular-me” um pouco. Sentir os movimentos do meu corpo, o ritmo da minha respiração, perceber as emoções que vêm e vão. Por ora, sou um pouco de tudo e, às vezes, só emoção. Mas recebo aqui e acolá esses cuidados do Universo. Paro agora. Aguardo um novo par de asas, alheia aos ventos e rumos que nos encontrarão. Apaziguo-me em mim.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.”
Eclesiastes 3:1-2
Os versículos bíblicos não saem da minha cabeça. Lembro, também, do filósofo grego Heráclito de Éfeso que dizia ser impossível entrar no mesmo rio duas vezes, visto que as águas já são outras e nós já não somos os mesmos, a cada instante. Sim, tudo o que existe está em permanente mudança ou transformação. Desde sempre. Mas saber disso não me ajuda a serenar. Preciso de muitos sinais e fico atenta, embora não me sinta em paz.Heráclito mesmo dizia que a “a guerra é mãe e rainha de todas as coisas” e é nesse momento em que me encontro. Há uma “guerra” dentro de mim e tudo o que sei é que há algo a “tornar-se”, ou emergir em minha jornada. Também sei que o conflito cessará e dará lugar a algo íntegro, em unidade, ainda que a saiba passageira.
Preciso deixar ir e foram elas, mais uma vez, que me trouxeram sua medicina. Irmãs aladas, as borboletas, brindaram-me a com a medicina da transformação. São hábeis e conhecidas em processos de crescimento e evolução. Quem, senão elas, para lembrarem-me de que há etapas necessárias a todos os processos de transformação e de que as dificuldades podem ser transcendidas com leveza, naturalmente.
As borboletas rondaram-me por um dia inteiro, até que percebesse que este é um momento de voltar-me para mim mesma. “Encasular-me” um pouco. Sentir os movimentos do meu corpo, o ritmo da minha respiração, perceber as emoções que vêm e vão. Por ora, sou um pouco de tudo e, às vezes, só emoção. Mas recebo aqui e acolá esses cuidados do Universo. Paro agora. Aguardo um novo par de asas, alheia aos ventos e rumos que nos encontrarão. Apaziguo-me em mim.
Marcadores:
auto-conhecimento,
borboleta,
mudanças,
transformação
quarta-feira, outubro 22, 2014
A Pasta das Ideias
Estive organizando
papeis. Acumulo um monte deles: notas, cartões, panfletos, rabiscos,
desenhos. Tudo parece ter um porque. Quando preciso esvaziar as
mesas, organizo em pastas suspensas. Hoje abri a pasta das “Ideias”
para colocar mais uma delas que registrei em notas e folhetos com
informações. Fiquei um tempo olhando pras ideias antigas e novas. A
maioria delas são boas, mas ficaram ali, na pasta, envelhecendo.
Tirei da pasta algumas poucas coisas que ainda tenho vontade de fazer
e coloquei na agenda. Quantas ideias são desperdiçadas por motivos
que a gente sequer sabe enumerar.
A ideia boa chega com
energia boa. É só prestar atenção. Vem aquela ideia nova, os
olhos brilham e a gente fica entusiasmado ante a perspectiva da
realização. Nessa hora, o pior que se pode fazer é colocar a ideia
na “Pasta das Ideias”. Se essa pasta não for olhada em bem pouco
tempo, e a maioria das pessoas não o faz, a ideia que fez o olho
brilhar está condenada, no máximo, ao lugar das lembranças vagas.
Perde a energia criadora.
De verdade, o melhor
que se pode fazer quando a ideia surge é aproveitar a energia que a
acompanha: seguir o fluxo e agir a partir daí. Pode ser um primeiro
passo, uma primeira conversa, uma primeira pesquisa. Ideias nem
sempre dão certo, mas condená-las à morte dentro de uma pasta de
papel é deixar de aproveitar a inspiração, que muitas vezes vêm
de conexões importantes com o nosso ser mais profundo. Sim, pode não
dar em nada, e muitas não dão mesmo, mas também pode resultar em
algo fantástico. Só dá pra saber se dermos mais alguns passos.
Por isso, acabei com a
pasta das ideias, que mais parecia um túmulo!
UM PRESENTE PRA VOCÊ!
Todas as semanas, preparo alguma dica que possa ajudar a gente a sair do "piloto automático", refletindo um pouco sobre como podemos ser melhores e cada vez mais plenos. Se quiser receber as DICAS DE COACHING, é só clicar.
UM PRESENTE PRA VOCÊ!
Todas as semanas, preparo alguma dica que possa ajudar a gente a sair do "piloto automático", refletindo um pouco sobre como podemos ser melhores e cada vez mais plenos. Se quiser receber as DICAS DE COACHING, é só clicar.
Marcadores:
auto-conhecimento,
auto-estima,
organização,
realização,
transformação,
vida simples
domingo, outubro 12, 2014
Sai pra lá cansaço: quero uma semana cheia de energia e feliz!
Tantas coisas pra
resolver de uma vez que, no balaio da vida – lugar onde filhos,
trabalho, afetos e
torneira quebrada se misturam -, cada item ganhou
um peso enorme. Andava tão cansada que decidi procurar um médico:
devia ser anemia ou alguma outra doença a me tirar as forças.
Precisava sair do lugar. Marquei a consulta com um clínico que me
fora indicado e, no dia marcado, lá estava eu cheia de esperanças
que um exame de sangue revelasse alguma fragilidade a ser
imediatamente resolvida com vitaminas. Não foi bem o que aconteceu.
O médico analisou os exames mais recentes e afirmou: “nenhum exame
que você fizer vai apresentar dados novos”. Receitou vitaminas,
mas alertou: “não deixe da fazer atividades físicas.”
Saí do consultório
desanimada. O que fazer com a exaustão? Onde arrumar tempo pra não
relaxar com a atividade física? E o que dizer dessa sensação de
que jamais darei conta de todos os itens da minha agenda? Sentada no
carro, me veio um pensamento, daqueles que mais parece uma voz –
ainda que inaudível: “Você não está doente. É tudo uma questão
de decidir”. Como decidir não me sentir exausta? A “voz”
respondeu: “Decidir o jeito de encarar as situações que aparecem
no seu dia.”
Eu sorri. Era simples,
mas sensato. Afinal, uma torneira quebrada é... Com qual das opções
abaixo você completaria a frase?:
( ) uma coisa rápida
de resolver.
( ) um problema a
mais na vida já tão corrida e atribulada.
( ) um transtorno
porque mão de obra para esse tipo de reparo é difícil e desonesta.
( ) uma dessas
situações chatas pelas quais mulher nenhuma deveria precisar
passar.
Eu confesso que estava
marcando todas as opções, menos a primeira. Não só para a
torneira, mas para todas as outras coisas que preciso resolver.
Vitaminas vão me fazer bem, mas a razão da exaustão era eu mesma,
atribuindo um peso extremo a cada coisa que me acontece. Nesse
contexto, um feijão queimado pode virar uma crise mundial.
Cheguei em casa,
revisei minha agenda, olhei cada item com muita gratidão. Não era
um olhar tolo, mas consciente, porque em cada “problema”
realmente havia uma dádiva. Amanhã, começo o dia tendo que levar
meu carro pra consertar, mas sinto-me grata porque pude usar hoje o
carro do meu filho e porque a garantia do meu ainda não acabou. Xô,
cansaço: escolho uma semana produtiva e com muita energia!
Marcadores:
auto-estima,
espiritualidade,
falta de tempo,
felicidade,
transformação,
vida
quarta-feira, abril 02, 2014
A felicidade cotidiana
Não passou muito tempo
desde o dia em que fiz escolhas que mudaram radicalmente a minha
vida. Há quem ainda me cobre explicações ou me recrimine. E todas
essas pessoas têm razão. Até pra mim, às vezes, é difícil
entender este caminho em que me meti. Mas há momentos, e muitos
deles, em que sinto-me em paz e feliz. Abri mão de muitas coisas,
entre elas o conforto de poder contar com pessoas que cuidavam da
minha casa e da minha família há muitos anos. A minha vida ficou
mais dura, mesmo. Casa grande, filhos, trabalho e todas as funções
domésticas pra cuidar. Pra mim não é fácil. Nunca foi. Desde
pequena, fui acostumada a sentar à mesa já posta e nem sei se
retirava a louça. Por isso, momentos muito simples ganharam status
de festa. E eu adoro!
Hoje foi um desses
dias. Sinto-me muito feliz e abençoada. Preparei almoço e janta pra
mim e pros filhos. Nada de especial, mas, com a correria diária, um
peixe fresco frito no almoço, com arroz, feijão, salada e suco de
acerola colhida no quintal viram um banquete. E quando consigo que
sentem à mesa, desligo a televisão (às vezes, brigo pra isso, é
verdade!) e conversamos sobre qualquer coisa. Para mim, é uma
epifania! Na janta, um frango cozido com cenoura, me deixou
nostálgica. Foi um dos pratos que aprendi a preparar quando casei
por ser bom de congelar! Só tinha um filho à mesa, e justamente o
de paladar mais exigente. Repetiu o prato enquanto conversávamos.
Felicidade deve ser o nome do que sinto agora!
Claro que adoro
conforto e tudo o mais que a vida tem de bom! Não sou louca! Mas o
meu momento agora é esse. E em tudo, realmente, há algo de
maravilhoso. Descobrir o prazer de cozinhar, preparar a comida da
minha família, sentar à mesa para conversar sobre assuntos
cotidianos e dividir tarefas (ainda que seja muito na marra!) é uma
dádiva que recebi. Há beleza em tudo na vida! Até numa pia cheia
de louça suja! :)
Marcadores:
conversa,
dialogo,
familia,
felicidade,
mae com filhos,
relacionamento,
vida simples
quinta-feira, março 06, 2014
O tempo de aprender a amar
| Nascer do sol em Tongariki, Rapa Nui |
Parece engraçado, mas se há uma situação, qualquer que seja, que não consigo deixar para trás é porque ainda há vínculos, quaisquer que sejam, a ser desfeitos. Faria diferente se soubesse como e se não o faço é porque ainda preciso aprender algo com a situação que retenho. Também me pergunto porque não escolho abreviar meu tempo de aprendizado, já que poderia perceber mais rapidamente o processo a vivenciar e simplesmente seguir, com mais leveza. Mas e se a leveza, por si, ainda é uma lição a aprender?
Tudo é cíclico, e a minha vida não é diferente das demais. Percebo que o sofrimento pode ser ampliado, não pelo processo que ainda experimento, mas pela não-aceitação do meu próprio tempo de aprender. Julgo-me tanto e encho-me de expectativas a meu respeito, que deixo de me conceder o lenitivo do amor e da aceitação de mim. Amor não por quem eu pareço ou gostaria de ser, mas pelo conjunto do que sou no presente, em essência, com máscaras e sem elas, com resistências e aprendizados mais lentos, com avanços e aprendizados mais rápidos. Entender que faço escolhas a partir do menu que consigo ver, pode me ajudar a ser mais complacente comigo.
Sim, posso ampliar a visão sempre, enxergar novos menus, ousar novas escolhas, mas há um tempo que é meu, o meu tempo de aprender. E, nesta quarta-feira de cinzas, que simbolicamente em minha cultura é um renascer, me declaro amor incondicional, de uma forma mais profunda que experimentei antes. Amo incondicionalmente o ser que sou e, ao declarar isso, já me surgem vários julgamentos sobre quem sou e sinto-me tentada a fazer-me uma promessa já que não fiz nenhuma de muito peso para 2014: Prometo ao ser que sou não julgar-me mais. Não há espaço para julgamentos onde há amor e aceitação!
Marcadores:
amor,
auto-conhecimento,
auto-estima,
carnaval,
superação,
transformação
quinta-feira, fevereiro 06, 2014
Não estamos sós, nem somos tão originais assim!
O fato é que deu
certo, seja lá a razão de tudo isso: vi que não estou sozinha,
lembrei de que pedras e tropeços fazem parte de todas as jornadas,
olhei um pouco mais pro outro e desviei a atenção de mim mesma,
recuperei o centro e a tranquilidade. Afinal, daqui a pouco, nada
disso estará mais por perto. Tudo passa mesmo, independente do nosso
julgamento sobre o que é bom e ruim!
Tudo transcorre do
jeito que deve ser e bem de acordo com a minha necessidade de
desenvolvimento. A vida é generosa, mesmo quando a bomba d´água
quebra, o cachorro entra em casa e suja tudo e depois faz o mesmo no
escritório, o vizinho demole a casa aos poucos deixando poeira pra
todos os lados, o cansaço vem antes do dia terminar, a lista de
tarefas não se esgota e falta dinheiro pra tantas contas de início
de ano. Essa mesma vida, me oferece amigos carinhosos, presentes
inesperados, a gentileza e a solidariedade de pessoas que fazem parte
do meu dia, um pé carregado de acerolas, a possibilidade de
acompanhar meus clientes em diferentes processos e aprender com cada
um deles e mais tanta coisa que não cabe em listas.
Se não dou conta de
perceber tudo isso, há a espiritualidade que só exige de mim a
confiança de que estou amparada pelo que me transcende. A próxima
vez que o cotidiano (Mercúrio retrógrado?) me tirar do eixo, vou
lembrar rápido daquela frase que está até em para-choques de
caminhões: “Ora, que melhora!” Vale pra todas as crenças e nos
faz recordar de que não vivemos a esmo, mas amparados para evoluir e
contribuir com a evolução do Mundo.
Marcadores:
auto-conhecimento,
coaching,
espiritualidade,
existência,
redes sociais,
transformação,
vida
segunda-feira, fevereiro 03, 2014
Uma nova mulher, uma nova coach
![]() |
| Luz! |
Levei um tempo para
colocar os pés no chão. Foram nove meses olhando para mim mesma,
para o outro e para o mundo; descobrindo coisas novas sobre esse
conjunto (eu, o outro e o mundo) o tempo todo; despindo-me de
máscaras que sequer sabia existir. O curso chegou ao fim, fui
certificada como coach ontológico e isso só significa que o caminho
continua, continua e continua. Não há fim quando desejamos ser
melhores a cada dia. Não importam os cursos, a experiência de vida
ou os livros lidos: o aprendizado é contínuo, infinito. Então, o
coaching ontológico “só” um marco na minha linha da vida, mas
um marco que merece ser muito celebrado, pois depois de nove meses me
senti renascer. Há algo novo em cada pedaço de mim e um senso de
propriedade que só faz crescer.
Então, me permiti umas
semanas para me acostumar
a esse novo eu. Até porque tudo que é
novo causa estranhamentos e eu ainda estou assim: estranha,
aprendendo a usufruir desse novo mundo que se apresenta agora para
mim. Comemorei (e ainda comemoro) com amigos, família, mas comigo
mesma organizei uma celebração especial e realizei o sonho de
conhecer a Ilha de Páscoa, um lugar cheio de encantos, magias,
histórias, sinais. Lá esse novo conjunto – EU - sentiu-se
abençoado pela natureza e por toda a energia que está impregnada
nas rochas que formam aquela pequena ilha. Cada dia em Rapa Nui era
um dia especial, que anunciava, confirmava, exibia, revelava de
alguma forma o novo em meu ser!
Aos poucos estou
conseguindo caminhar com esse conjunto de emoções, corpo e
linguagem, que estabelece em mim uma nova (e ás vezes desajeitada)
coerência. E desajeitado, aqui, não tem nada a ver com confuso. Vou
enxergando com clareza, mas sem certezas, e sentindo vontade de
experimentar o que a vida me oferece. Vou me definindo, sem pressa,
como oferta para o mundo, feliz demais por poder acompanhar outras
tantas vidas que também buscam evolução, aprendizado,
desenvolvimento, plenitude, alegria, serenidade... Ser coach, pra
mim, é algo mágico e não tem nada a ver com ter as respostas
certas. Tem a ver com fazer parte desse movimento em que pessoas
buscam viverem cada vez melhor consigo e com os outros em todos os
âmbitos.
Marcadores:
auto-conhecimento,
coaching,
nascimento,
natureza,
realização,
transformação,
vida
domingo, outubro 06, 2013
Parir é natural?
![]() |
| Depois do primeiro banho... |
Nasceu Flora! Filha de
sobrinha por afinidade e não por consaguinidade, ocupou um espaço
no meu coração que sequer sabia existir. Bastou vê-la para que ela
marcasse território como minha sobrinha-neta e me relembrasse que
amor não depende de regras, de condições, de permissões e pode
ser renovado todos os dias. Ainda na barriga da mãe, sentia, daquele
jeito que as mulheres sentem sem explicar como nem porque, que ela
viria ao mundo tranquilamente, de um jeito que só ela sabia como
seria. Pois bem, a mãe aguardou pacientemente umas duas semanas,
depois de um alarme falso, o tempo da menina. Vieram as primeiras
contrações, a confirmação do início do trabalho de parto, a
internação marcada para 20h para acompanhamento pela obstetra e...
a mãe foi para sala de parto às19h25m e Flora nasceu às 19h35m do
dia 1 de outubro! “Parto meteórico”, conta a mãe.
Eu fiquei maravilhada!
Minha sobrinha havia sido agraciada com um parto maravilhoso, tão
rápido que mal teve tempo de sentir dor. Por pouco a obstetra perde
a chance de acompanhar o nascimento. No dia seguinte, ambas estavam
ótimas e a mãe, se não havia conhecido “sofrimento” do parto,
também foi poupada de dores no pós-parto. Eu vibrei: tive três
filhos e nunca consegui ter um parto normal. Quando engravidei do
primeiro filho, achava que parir era uma coisa tão natural que
poderia fazê-lo assistida por qualquer médico. Assim foi que não
valorizei a escolha do obstetra e acreditei cegamente quando a médica
disse-me que não poderia ter o sonhado parto normal e agendou a
cesárea de acordo com a disponibilidade de sua agenda.
Descobri depois que a
história talvez pudesse ter sido diferente, mas conformei-me porque
amamentei meus três meninos que nasceram com muita saúde! Minha
sobrinha foi mais esperta e me colocou a par de algo que desconhecia:
o quanto é difícil arranjar um obstetra que trabalhe pelo plano de
saúde e que faça parto normal. Passou por vários médicos, até
achar uma profissional em que tivesse confiança e que trabalhasse
respeitando o tempo da vida que suas pacientes gestam. Optou por
atendimento particular. Parir, pelo visto, não é mais tão natural,
pelo menos aqui no Rio.
Fui visitar Flora na
clínica e saí de lá pensando em meu primeiro parto. Se minha
sobrinha, inteligente, advogada, não perguntasse aos médicos que
visitou, na primeira consulta, a real disposição deles para fazer o
parto normal, talvez tivesse perdido a chance de ser abençoada com
esse parto “meteórico”, saudável pra mãe e filha. Tivesse ela
agendado o parto, como muitas mães fazem modernosamente para
comodidade e “alegria” de médicos, familiares e demais
envolvidos, teria perdido a oportunidade de fazer essa transição de
vida com sua filha, que parece ser tranquila, embora nada me tire da
cabeça que esta menina será assertiva, resoluta e de temperamento
bem definido.
O pai não teve tempo
de filmar direito o nascimento da menina, mas, certamente terá uma
filha mais saudável em muitos aspectos somente pelo tipo de parto
escolhido. Minha sobrinha ficou pouquíssimo tempo na maternidade,
onde entregou às visitas as lembrancinhas que ela mesma fez. Não
teve festa, doces especiais e bebidas para recepcionar os convidados
na clínica. Nem daria tempo para aderir à “moda” (?) que cerca
nascimentos badalados no Rio. Se Flora nasceu de um jeito “fora de
moda”, certamente foi pra nos lembrar que a vida é natural e que
pagamos um custo alto sempre que esquecemos isso.
Marcadores:
cesarea,
dia das crianças,
familia,
nascimento,
parto,
vida simples
terça-feira, outubro 01, 2013
Música para acordar!
Preciso descobrir que
animal é esse que me acorda de madrugada com o seu som. Acho
engraçado.
![]() |
| Pássaros do meu "quintal" |
Curiosamente, no
momento em que experiências vividas passam por mim para encontrar
seu lugar, liberando-me para viver o presente, volto-me para a minha
ancestralidade. A vida é circular. Reconhecer a importância de cada
pessoa que me antecedeu em minha árvore genealógica me dá uma
dimensão maior de mim mesma. Sinto a força de pertencer a um grupo
familiar e segurança para alçar voos mais altos: a qualquer momento
posso voltar às raízes. E sempre volto.
Tenho vivido cada dia
de minha jornada intensamente. Não desperdiço um. Nem que a escolha
de um determinado dia seja perceber, reconhecer, acolher alguma
resistência ao novo que se apresenta sempre, ao medo diante do
desconhecido, à raiva oculta e outras tantas emoções que fazem
parte da minha vida. Às vezes, vai-se o dia sem que dê conta
daquela emoção. Durmo com ela. Não há jeito. Posso acordar e
encontrá-la no mesmo lugar. Ou não. Há emoções que
misteriosamente diluem-se na noite, enquanto durmo. Nada é perda de
tempo porque tudo sou eu. E se volto ao ponto de onde saí, sinto
gratidão, porque desse ponto descubro o quanto percorri. É como
voltar pra casa, nesse caminho que faço dentro e fora de mim.
Eu não sabia que havia
escolhido um período sabático. Podia tê-lo aproveitado melhor,
tivesse eu dado-lhe este nome. Palavras mudam a vida. Agora sei
disso. Chamei-o de período de transição e tomei-o para mim de
forma mais dura do que precisava. Não vou dizer deveria. Porque, em
se tratando de vida, “dever” não me parece o melhor verbo. Nem
sempre dou conta, com meu corpo e minha emoção, do “dever”.
Quando continuo achando que “devo”, o que posso me parece tão
pouco. Fiz o melhor que pude ou o melhor que quis, e, se resisti quando poderia
simplesmente deixar fluir e aproveitar, talvez tenha sido para
experimentar outros sentimentos e colecionar maior diversidade deles.
Todos ajudam imensamente no trabalho que conduzo hoje.
Agora, ao som das
cigarras, que parecem ter substituído o misterioso e barulhento
pássaro, agradeço. Só descobri meu sabático quando ele parece
estar chegando ao final. Sinto-me iniciando uma nova fase, uma nova
jornada. E me dou conta de que, de novo, não há nada de novo. De
verdade, recomeço todos os dias. Pena que, em alguns dias, tão
envolvida nos “deveres”, nem me dê conta das novidades que a
vida me traz. Como não me dei conta do sabático. Por isso escolhi
abrir os olhos e escrever. Não queria correr o risco de deixar essa
sinfonia passar despercebida, tornar-se irrelevante. Estão todos
acordados: amanheceu e, além das cigarras, outros tantos pássaros
juntam-se à sinfonia. Agradeço, desperta, ao Universo generoso. A
maior beleza de fazer o que posso é que as possibilidades são
sempre infinitas e, a cada dia, posso descobrir novos “poderes”.
Bom dia!
Marcadores:
existência,
mudanças,
natureza,
possibilidades
segunda-feira, agosto 12, 2013
Gratidão pela vida de um grande amigo
| Uma das conversas de acampamento. Gratidão, Flávio! |
Ontem, meu caçula fez
16 anos. Antes de apagar o bolo, recebemos a notícia da morte de
Flávio
Gameleira. Meus pais entristeceram. Eu, também. “Quem é
Flávio?”, perguntou o aniversariante. O irmão mais velho disse
logo: “O médico que fez o parto da vovó quando ela teve a mamãe
e o tio.” E eu completei: “E que auxiliou no seu nascimento e de
seu segundo irmão”. E aí comecei a pensar no que este homem
representava pra minha família. Eu o conheci como um amigo dos meus
pais, ginecologista da minha mãe. Cresci e ele foi o meu primeiro
ginecologista. Como médico, esteve presente em muitas (senão todas)
situações difíceis da família. Mas ele também gostava de
acampar, de viver, de conversar, de se divertir, de estar com os
amigos e com a família. E assim, aproveitamos muito da sua
companhia.
Entrei no Facebook. Um
dos filhos tinha postado um comunicado e as mensagens não paravam de
chegar. Comecei a sentir menos tristeza e uma profunda gratidão de
ter convivido com esse homem. Como médico, viu metade dos moradores
de Campo Grande (estimativa modesta?) chegarem a este mundo. Suas
pacientes não confiavam em outro “doutor”. Como a minha mãe,
havia muitas outras que retardaram sua aposentadoria. Como amigo, era
igualmente carismático. Tanto que, recém-casada, vi meu marido
rapidamente transformar-se em mais um de seus amigos. E foi seu
jeitinho de conversar que fez com que eu tivesse meu primeiro trailer
e voltasse a acampar, ainda que o marido não gostasse muito da vida
de campista. Acho que ele gostava mais das conversas com Flávio do
que do camping.
Ontem à noite fui
relembrando os muitos momentos em que ele esteve ao nosso lado como
profissional e amigo: firme, leal, sincero, cuidadoso, atencioso,
divertido, bom de papo. Há muito pouco tempo, minha mãe, numa
internação de emergência, pediu: “liga pra Flávio”. Ele não
poderia fazer nada, até porque a área de especialidade era outra,
mas ouvi-lo confortava e dava segurança. Difícil é dissociar
Flávio de sua companheira Cilu, uma pessoa carinhosa, amiga,
acolhedora e, pra mim, um grande exemplo de vida. É pra ela que,
agora, desejo que o conforto e o amor que ele nos dispensou em vida
retornem e pacifiquem seu coração sereno. E rezo pra que a tristeza
de seus familiares possa ser abrandada pela beleza de ver tantas
pessoas gratas por terem desfrutado e compartilhado da vida de Flávio
Gameleira. Obrigada, Senhor!
segunda-feira, agosto 05, 2013
Tudo novo, de novo!
Há algumas semanas, os
dias do lixo reciclável, aqui em casa, são movimentados! Sacos e
sacos de
papéis e utensílios plásticos vão para o portão,
resultados de uma limpeza que aos poucos acontece por aqui. Junto com
ela, uma limpeza interna também vai acontecendo, abrindo tantos
espaços que, não raro, acordo mais cedo com a sensação de que sou
um pote vazio, pronto para ser preenchido pela vida, com tudo o que
desconheço!
Hoje, segunda-feira,
começo mais uma semana de vida! Não tenho ideia alguma do que
acontecerá, de como me sentirei, mas sinto o frescor do novo até
nos lençóis velhos. Honro e agradeço por cada dia que vivi, até
hoje, e vou em frente, esta semana, vivendo em um campo de
possibilidades que me parecem infinitas.
O recomeço é uma
dádiva que nos é concedida pela vida a todo instante. Hoje, passo o
dia tranquila, lembrando-me de que tudo que carrego comigo nessa
jornada é de minha escolha e de que tudo que me pesa pode ser
deixado ao longo do caminho a qualquer momento. Agradeço
intensamente ao Universo generoso e desejo que eu, você, nossos pais
e nossos filhos possamos perceber e usufruir das abundantes
possibilidades com que a vida nos presenteia.
Marcadores:
auto-conhecimento,
motivação,
mudanças,
possibilidades,
recomeço,
superação,
transformação
segunda-feira, julho 29, 2013
Você é bom em que?
Aconteceu
comigo. Só eu sei o quanto me custou fazer minha primeira formação
de coaching, no Instituto Holos. Eu sabia – daquele jeito que a
mente não consegue compreender – que este seria um caminho sem
volta e, mais, sabia que seria o MEU caminho. Mas tive muito medo.
Tive medo de abrir mão dos diplomas, dos títulos, dos cargos, de
enveredar por um caminho onde meu registro de jornalista no
Ministério do Trabalho não fosse tão importante assim. Quem seria
eu, nesse novo caminho?
O
medo não era de todo injustificado. O primeiro curso foi uma
descoberta feliz e transformadora. Havia, finalmente, encontrado o
MEU caminho. Gosto de tudo o que sempre fiz, prezo minhas
experiências profissionais, mas como coach acesso algo em mim que eu
não conhecera nas atividades anteriores. Uns chamam de dom, outros
de talento, mas pouco importa. O que eu sei é que descobri aquele
algo mais que todos temos, mas que, às vezes, temos medo de tocar.
A
cada sessão de coaching, a cada novo cliente, eu me descubro um
pouco mais. O que emerge de cada conversa é o inesperado, mas é,
sem dúvida, o que tanto eu quanto o meu cliente (ou o grupo, quando
a sessão compreende mais pessoas) precisamos naquele momento. As
sensações, de um lado e de outro, vão do bem-estar ao desconforto,
mas, em todos os casos, são sinais que nos conduzem pela jornada que
coach e coachee empreendemos juntos.
A
cada agenda, sinto que fiz o melhor possível, e admitir que não
posso entregar respostas, mas buscá-las junto com os coachees, é
também meu exercício. O Coaching, como profissão, está ganhando
espaço no mercado, tornando-se mais conhecido. No entanto, não sigo
a onda. Faço hoje o que nasci pra fazer e aí reside o valor da
minha escolha. Trago para minha prática profissional todas as minhas
experiências e aprendizados de vida e acho que é exatamente isso
que me torna única no que faço. Todos podemos ser únicos no que
fazemos e atuarmos de forma brilhante no mundo, sem medo. Há uma
razão singular para que eu enfrente meu medo de brilhar: só assim
poderei ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo, a começar por meus
filhos!
Para
me inspirar, lembro do discurso de Mandela, em sua posse, em 1994:
"Nosso
grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é
que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa
escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?...Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo".
Nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?...Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo".
Marcadores:
coaching,
realização,
sucesso,
trabalho,
transformação,
vida
sexta-feira, maio 31, 2013
Desejos, experiências e conquistas
![]() |
| Alheio a tudo, ele segue seu curso... |
“A
vida tem seu fluxo e absolutamente nada acontece por acaso. O que, a
princípio, pode parecer uma experiência ruim, pode ser exatamente o
que a gente precisa pra evoluir, andar pra frente, virar páginas,
enxergar a vida com todas as suas possibilidades. Recuar, estancar ou
avançar são opções individuais, feitas de acordo com as condições
pessoais de cada um.”
Postei
essa reflexão no Facebook, porque me esqueço com frequência de que
a vida é processual e quando me percebo, aqui e ali, reclamando (no
meu caso, chorando seria mais adequado, porque sou chorona demais) de
algumas experiências, preciso me lembrar de que tudo passa. O
caminho do meio é sempre uma busca. Falamos do desapego, mas
esquecemos que isso inclui não tentar reter o que é bom, porque as
boas experiências também são finitas e, tanto quanto aquelas que
não apreciamos, têm a sua função em nossas vidas. Com
isso em mente, fica mais fácil viver. Tudo passa sempre.
E essa mesma tecnologia que me permite compartilhar reflexões,
maravilhosamente propicia também interações que promovem novas e
producentes reflexões e aqui estou a escrever pensando num
comentário que fala das “experiências desnecessárias”. Parei
pra pensar no que é desnecessário e imediatamente me veio a imagem
de um rio, correndo com seu fluxo, em seu leito. Nem ele pode evitar
as pedras: às vezes, abraça-as, sem estardalhaço; mas, outras,
choca-se produzindo espirros de água, para depois seguir seu curso
normalmente. Penso que somos assim. Se a experiência acontece, é
porque ainda não podemos evitá-la, precisamos senti-la para
aprender algo que nos falta e seguir nosso fluxo de vida.
Há algumas que procuramos, guiados por nossos desejos ou caprichos,
alheios às advertências do senso comum ou da nossa própria
sabedoria interior. Não conseguimos evitar e, de novo, penso que
seja porque ainda temos algo para aprender, e, às vezes, para
ensinar, nestas situações a que somos impelidos simplesmente pelo
desejo. Não se trata de ver a vida com lentes “cor de rosa”, mas
só agimos de acordo com as nossas possibilidades e abrir mão do
julgamento a nosso próprio respeito é também um grande e
importante aprendizado. Aos poucos, nessa busca, vou me permitindo o
inevitável: errar. Ser compassiva comigo é o primeiro passo para
exercitar a compaixão com o outro. E se o resultado das minhas ações
respingarem como a água do rio que se joga contra as pedras, saberei
que cada respingo é precioso, advindo de mais uma necessária
experiência.
Fico alerta, rogo por proteção e auxílio, mas meu caminho é
construído por cada uma dessas experiências e lá vou eu, como um
rio estabanado, seguindo o meu fluxo, esbarrando e abraçando pedras.
Dizem que bons pais não furtam aos filhos as experiências da vida,
mas acodem-nos quando precisam. Comigo, o Universo generoso tem
funcionado assim: não me impede lágrimas, mas seca-as, todas, a seu
(ou melhor dizendo, ao MEU) tempo.
Lembrei de Fernando Pessoa...
MAR
PORTUGUÊS
Ó
mar salgado, quanto do teu salSão lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena?
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
domingo, abril 07, 2013
O Tigre e as Formigas
Acabei
de ver As Aventuras de Pi. Filme lindo, cheio de efeitos belíssimos.
Acabado o filme, fui à geladeira e me vi rodeada de formigas
enormes. Devem aproveitar a madrugada para se espalharem pela casa.
Imediatamente lembrei-me de Pi. Cada um cria um Tigre para se fazer
acompanhar durante momentos da vida. Como se desenvolve a relação
com esse “tigre”, é escolha pessoal de cada um, mas é fato que
demanda tempo, atenção, energia, esforço e, sobretudo, ESPERANÇA.
Essa me parece a grande força a mover Pi dia após dia.
E
o que tem a ver tigres com formigas? É que insetos e pequenos
problemas domésticos têm feito parte do meu dia a dia, de uma forma
muito mais intensa do que jamais experimentei. Parece exagero, mas o
somatório de pequenos eventos têm me tirado o sono, já que cuido
de uma grande casa praticamento sozinha. Daí, quando vi as formigas,
na madrugada, pensei no quanto nossa vida é semelhante à jornada de
Pi. Há tempestades, ocorrências na vida de todos nós, mas nós é
que damos a dimensão do que nos cerca. Posso ver minha formigas como
inimigas, mais um problema ou como sinais e aliadas para me trazerem
uma noção da vida mais plena.
Só
quando o propósito é claro e firme, como a vontade de viver de Pi,
pode-se escolher para as ocorrência da vida imagens que nos façam
bem e nos tornem mais fortes ao longo da jornada, capazes de chegar
aonde se deseja.
Em
tempo: A
medicina da FORMIGA é a estratégia
da paciência.
Construtora, agressiva e resistente, elas têm consciência de que
sozinhas não são nada, mas, embora muito pequenas, junto com sua
comunidade podem exercer força poderosíssima. É
o sucesso por meio do esforço, aliado ao exame
cuidadoso e à organização.
Marcadores:
animal de poder,
existência,
filme,
organização,
xamanismo
sexta-feira, março 08, 2013
Violetas em casa: cuidando e nutrindo a vida
Já tive uma coleção
linda de violetas. Aquela planta que a gente compra baratinho no
supermercado, coloca na mesa e quando morre joga fora, com vaso e
tudo. Pois é, eu gosto delas a ponto de, quando a minha coleçãozinha
estava no auge, comprar livros pra me instruir. Multiplicava,
adubava, entre outros cuidados. Até que uma praga bobinha exterminou
algumas. Fiquei tão chateada, sem tempo para os cuidados que a tal
da praga exigia, que descuidei nas regas, e, assim, perdi minhas
plantinhas. No ano passado, resolvi voltar a cuidar do meu jardim,
que andava muito abandonado. Na onda, comprei novos vasinhos de
violeta, comecei a regar, a replantar e elas estão indo. A primeira
mudinha nova já começa a vingar. Olho pra elas todos os dias, rego
alguns dias e fico muito feliz com os resultados, que me fazem pensar
que as violetas reproduzem exatamente o que acontece nos demais
aspectos da minha vida.
Sucesso profissional,
por exemplo, carece da mesma gama de cuidados que as minha violetas.
Contínuos, regulares, em volume e intensidade adequados. A aquisição
de conhecimentos nutre a nossa carreira, tanto quanto bons contatos e
conversas que deixam nossas mentes mais férteis. Transferência do
que se aprende, é como a multiplicação das minhas violetas, só
amplia o que já se tem. Participar de palestras e demais eventos que
tenham afinidade com a área de atuação escolhida, são tão
saudáveis quanto ler livros e revistas, acompanhar sites e ler
artigos sobre assuntos que trazem frescor ao que o já sabemos. Exige
tempo, é claro, assim como as minhas plantas, no entanto, mais
importante que o tempo é a regularidade. Quando incorporamos esses
cuidados à nossa rotina, os efeitos aparecem imediata e
significativamente em nosso desempenho profissional.
E o que dizer dos
relacionamentos? Filhos, amigos, cônjuges, pais, namorados: para
manutenção de relacionamentos prazerosos, profícuos e
satisfatórios, todos demandam cuidados, nos mesmos padrões das
violetas. Não há forma de ver uma relação crescer e vingar senão
pelos cuidados regulares. Digo aos meus filhos, diariamente, como um
mantra, que os amo. E, ás vezes, pergunto se eles já sabem desse
amor. São todos homens, mas, nessa hora, olham-me com ternura,
fingindo aquele enfado próprio da adolescência, e dizem, “claro,
né mãe”. Mas penso que esta é uma forma de não deixá-los
esquecer e de alimentar esse amor, para que eles possa multiplicá-lo
pela vida. Com seus amigos e com as figuras femininas que passarem
por suas vidas: das namoradas às avós.
Há relacionamentos que
começam despretensiosamente, mas que recebem tantos cuidados que vão
crescendo, estruturando-se, ganhando corpo e quando vemos já estão
lá, ocupando uma parte importante da nossa vida. Só porque foram
regados e adubados, tal qual minhas violetas. Parece bobagem dizer
“eu te amo” todos os dias, ligar pra saber como foi a reunião ou
o trajeto de casa pro trabalho, se o outro chegou no horário na
consulta de rotina. De novo, não é o tempo, mas a regularidade, que
promove o crescimento saudável. A falta deles é exatamente como a
falta da rega para as plantas: faz as relações murcharem até se
deteriorarem de vez.
Poderia falar de tantos
outros aspectos da vida, como o espiritual, o físico e o financeiro
cuja vitalidade depende de cuidados com as mesmas características.
Em nenhum aspecto, no entanto, tanto cuidado impede o surgimento de
pragas. Elas estão por toda a parte e podem dizimar não só uma
coleção de plantas, mas também uma carreira ou uma relação.
Nessa hora, não tem jeito: há que se priorizar e dedicar mais tempo
aquilo que se pretende recuperar. Aceitando o fato de que, às vezes,
o caminho é simplesmente deixar ir e aceitar a transformação... da
carreira, do emprego, da relação, da planta, da própria vida. A
despeito de nossos cuidados, a despeito de nossos quereres.
Marcadores:
natureza,
relacionamento,
trabalho,
transformação,
vida,
vida simples,
violeta
sexta-feira, fevereiro 08, 2013
As tiriricas e a criança birrenta
![]() |
| Na natureza, até as tiriricas falam... |
Definitivamente, os
acontecimentos na vida não são como imaginamos, mas, como creio que
há uma condução universal no fluxo da vida que atua ao lado do meu
livre arbítrio, penso que em tudo há um propósito e, certamente,
uma oportunidade de aprendizado e evolução. O preâmbulo é pra
dizer que apesar de saber disso tudo, ainda me entristeço, como
“criança birrenta”, esquecendo que confiar, aceitar e agradecer
são os melhores antídotos para qualquer dor. Nessa hora, distrair a
mente qual uma “criança birrenta”, evitando o foco no
indesejado, ajuda a recuperar o eixo. E foi assim que encontrei as
tiriricas do meu jardim.
Lembro que minha mãe
aproveitava os dias de chuva para limpar o gramado e como a fruta
nunca cai muito longe do pé, aqui estou eu às voltas com as
tiriricas e outros “matinhos”. Procurar a origem da plantinha,
arrancar pela raiz, sujar as unhas de terra, ajudar com a pá a
retirar a raiz profunda, observar as plantas ao redor, ver a grama
limpa, sentir as gotas da chuva da noite. Pronto: estou longe de
estar bonita, neste momento, mas estou mais inteira. A “criança
birrenta” acalmou-se. Por ora, estou apaziguada. O jardim está
mais limpo. E eu agradeço por ter descoberto, nas indesejáveis
tiriricas, uma forma de me reconectar. A vida é sempre mais simples
do que penso. O melhor está sempre próximo de mim. Através das
tiriricas, redescobri um pouco de mim mesma. Olho, agora, para as
borboletas...
Marcadores:
auto-conhecimento,
jardim,
motivação,
superação
Assinar:
Postagens (Atom)



.jpg)



