domingo, junho 12, 2016

Num céu azul, a beleza de um dia frio!

O que você faz a maior parte do seu tempo? Se inventariasse cada hora do seu dia, poderia  
responder por que propósito dispensa suas horas? Não importa cargo ou função, nem o tipo ou local de trabalho, o fato é que todos temos muitas tarefas para cumprir. E não adianta dizer que a vida seria mais tranquila se pudesse ficar em casa. Uma das fases mais “tarefeiras” da minha vida foi quando os meninos nasceram. Mesmo de licença-maternidade, havia dias em que me esquecia até de escovar os dentes.
Semana passada, não consegui pausas. Para compensar, no fim de semana, alguns momentos deixaram a minha vida mais colorida. Adorei estar com amigos e familiares, mas tive algumas experiências que posso chamar de epifanias e, nelas, estava só. Uma delas foi pedalando na praia, sentindo muito frio, observando o mar revolto. Senti uma gratidão enorme por ter tido a coragem de me exercitar, apesar do frio; de poder ver, ouvir e sentir o mar; de trocar cumprimentos com as pessoas que acordaram com a mesma disposição de se exercitar que eu; de ver e ouvir os pássaros; de compartilhar da alegria dos casais abraçados.
A outra experiência especial foi quando o sol abriu no meio do domingo. Eu estava na rede, lendo um livro bacana, debaixo do cobertor. Parei de ler e fiquei ali, quentinha, olhando aquele céu lindo, sentindo o sol aquecer um pouco o dia gelado. Que momento “delícia”! Estava em paz e feliz, de moleton velho e cobertor, contemplando a natureza. A felicidade está mesmo em coisas muito, mas muito simples!!! Gratidão!

quarta-feira, junho 08, 2016

Perdão!

Violência contra mulheres me toca, me choca. Sinto-me mal até quando acontece na ficção. Dói a minha alma. Sei que uma mulher comum como eu não consegue se desvencilhar facilmente de um homem. E isso falando da força física, porque em outros âmbitos há outros tipos de agressões que mulheres sofrem todos os dias e que também doem na alma, ainda que seja aos poucos, ainda que poucas se deem conta. Desabafo assim, porque desde o dia em que soube do estupro coletivo que aconteceu no Rio, o tema não sai da minha cabeça.
Sinto muito pela menina e pela violência que sofreu. Mas sinto muito pelos meninos-homens também, e chego a me culpar por sentir isso. Sou mãe e muitos daqueles meninos poderiam ser meus filhos. Tenho uma compaixão profunda desses que certamente não nasceram monstros. Hoje, alguns deles seriam capazes de cometer atrocidades que eu sequer ouso imaginar, mas são seres humanos. Como eu. Sinto amor e compaixão por esses jovens, que a nossa sociedade relegou à margem. Que eu, de alguma forma, também contribuí para marginalizar.
Seria mais fácil se eu conseguisse me imaginar diferente deles. Eles e eu. Mas não consigo. Sou tão parte disso tudo que tenho evitado os jornais para não me doer ainda mais. Tento fugir dessa realidade que abomino. Quero construir outra realidade, mas não dá para fazer isso mantendo meus olhos fechados a esse lado obscuro. Peço perdão a essa menina e a esses meninos-homens. Nenhum deles deveria estar em meio ao tráfico, às drogas, aos abusos sexuais, à falta de oportunidades e a tantas outras perversões sociais.
Neste momento, penso em formas de substituir essa culpa improdutiva que sinto - que quase me fez apagar esse post – por ações possíveis, capazes de fazer alguma diferença na vida de algum jovem. Eu continuo com a crença de que posso mudar o mundo… Se eu conseguir ignorar as vozes que dizem que isso não depende de mim e que o mal é tão grande que não pode ser combatido.

segunda-feira, janeiro 04, 2016

Aprendendo a amar

Nunca pensei que este fosse um aprendizado tão difícil. Eu tive a sorte de – nesta vida – estar cercada de muitos professores, dentre os quais, três destacam-se pelo afinco com que me aprimoram nesta arte de amar: os filhos. Estou sempre aprendendo.
Hoje, meu coração dói porque, em dias, um deles vai pra longe novamente. Não imaginei que fosse sentir tanto esta distância. Justo eu que sempre quis que os meus filhos vissem o Mundo como sua casa. Acredito tanto que nascemos para voar, longe ou perto, não importa, desde que nossos corações nos guiem. Essa é minha crença, mas a verdade é que sinto tanto a ausência desse menino-homem, pedaço de mim, que nem consigo pensar muito nesse sentimento. Evito-o, achando que assim ele não se mostrará. Ilusão! Agora começo minha contagem regressiva, sentindo cada dia, chorando porque as horas passam rápido demais e vejo que este é mais um grande aprendizado de amor. Sinto por quem? Por ele que está feliz, vivendo a sua vida e construindo com muita determinação e alegria o seu futuro? Ou será que sinto por mim que não tenho mais sua companhia diária, sua presença física?
Sinto não poder evitar (como se de fato isso fosse possível) as dificuldades da vida, não poder cuidar... Sinto porque ainda não consegui liberá-lo para partir. Meu coração ainda resiste a esse fluxo tão natural por puro apego. Talvez, lá no fundo, ainda não tenha aprendido que o amor liberta. E que qualquer coisa diferente não é bem amor. Não há amor que queira só pra si, que queira perto a qualquer custo, que impeça o outro de viver e evoluir. Eu achei que meu coração soubesse disso, mas pelo visto ele ainda está aprendendo! E eu agradeço a esse meu menino por mais essa oportunidade! Amo muito você, meu filho, onde quer que escolha estar.

sábado, dezembro 26, 2015

Palavras que resgatam

Elas, sempre elas. Grandes companheiras. Insistem em me tomar pela mão. Em me conduzirem para o espaço interno em que sou senhora de mim. Eu resisti. Numa teimosia tão tola e preguiçosa, quanto dolorida. Às vezes, a gente se acostuma a dores. Acomodação. Inércia. Há sempre algo que nos resgata. No meu caso, as PALAVRAS.
Começamos uma conversa de mãe e filho. Eu: Acordei desanimada. Ele: Eu hoje também estava assim. Eu: Passou como? Ele: Depois que eu treinei. Eu: Também treinei de manhã, ajudou, mas agora o desânimo voltou. É chato. Ele: É mesmo. Eu: A maior batalha que travamos nesta vida é conosco mesmo. Ele: É mesmo. Mas passa...
Saí dessa breve conversa mais confortada. Pela escuta. Pelo compartilhar de sentimentos. E pela certeza de que há sempre algo que nos resgata. No caso do filho, o esporte; no meu, as palavras. Eu já estava me achando louca. Elas insistiam em me conduzir, mas eu resistia. Entre a piscina, onde me encontrava, e a minha rendição às palavras, havia o café, o panetone, um livro iniciado, uma bolsa para arrumar e duas caixinhas que ficam sobre a mesa do corredor, onde bagulhos amontoam-se: parafusos, tampas de caneta, papéis e notinhas de mercado. Foi preciso dar conta de todos esses obstáculos para que finalmente chegasse ao notebook. E as palavras, a mim.
Respiro profundamente. Bastam alguns parágrafos de palavras soltas para que me sinta alividada. Já conheço tanto e tão bem esse caminho que me pergunto porque me abstive dele? Por que escolher caminhos mais tortuosos quando há um mais reto, claro, limpo, que é o meu? Às vezes, pareço carregar uma culpa ancestral que me faz acreditar não ser merecedora da felicidade. Pareço? Pode ser mesmo que carregue emoções de gerações anteriores somente para curar, purificar, superar e permitir que meus descendentes não passem pelas mesmas aflições.
Lembro dEle, o Cristo, encarnado humano, com chagas suficientes para curar a humanidade inteira. Sendo eu parte deste mesmo reino divino, não é de surpreender que carregue também algo para transmutar nesta jornada terrena. Humildemente, reconheço-me parte deste Universo, com tantas e muitas imperfeições. Mas a cada uma delas, um propósito para mim e para o outro. E de repente, só por causa das benditas palavras, reconheço minha porção divina, identifico-me com aquele que sabia tanto de amor, que era Ele próprio o Amor.

Por elas, pelas palavras, renasço agora, como poderei renascer todos os dias em que parte de mim morrer. Renasço com parte nova, transmutada, para cuidar da próxima ferida que apontará para uma outra cura, dentre muitas tantas que ainda processarei, por graça divina, nesta vida.  

segunda-feira, março 30, 2015

"Encasulando"...

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.”
Eclesiastes 3:1-2 
Os versículos bíblicos não saem da minha cabeça. Lembro, também, do filósofo grego Heráclito de Éfeso que dizia ser impossível entrar no mesmo rio duas vezes, visto que as águas já são outras e nós já não somos os mesmos, a cada instante. Sim, tudo o que existe está em permanente mudança ou transformação. Desde sempre. Mas saber disso não me ajuda a serenar. Preciso de muitos sinais e fico atenta, embora não me sinta em paz.
Heráclito mesmo dizia que a “a guerra é mãe e rainha de todas as coisas” e é nesse momento em que me encontro. Há uma “guerra” dentro de mim e tudo o que sei é que há algo a “tornar-se”, ou emergir em minha jornada. Também sei que o conflito cessará e dará lugar a algo íntegro, em unidade, ainda que a saiba passageira.
Preciso deixar ir e foram elas, mais uma vez, que me trouxeram sua medicina. Irmãs aladas, as borboletas, brindaram-me a com a medicina da transformação. São hábeis e conhecidas em processos de crescimento e evolução. Quem, senão elas, para lembrarem-me de que há etapas necessárias a todos os processos de transformação e de que as dificuldades podem ser transcendidas com leveza, naturalmente.
As borboletas rondaram-me por um dia inteiro, até que percebesse que este é um momento de voltar-me para mim mesma. “Encasular-me” um pouco. Sentir os movimentos do meu corpo, o ritmo da minha respiração, perceber as emoções que vêm e vão. Por ora, sou um pouco de tudo e, às vezes, só emoção. Mas recebo aqui e acolá esses cuidados do Universo. Paro agora. Aguardo um novo par de asas, alheia aos ventos e rumos que nos encontrarão. Apaziguo-me em mim.

quarta-feira, outubro 22, 2014

A Pasta das Ideias

Estive organizando papeis. Acumulo um monte deles: notas, cartões, panfletos, rabiscos, desenhos. Tudo parece ter um porque. Quando preciso esvaziar as mesas, organizo em pastas suspensas. Hoje abri a pasta das “Ideias” para colocar mais uma delas que registrei em notas e folhetos com informações. Fiquei um tempo olhando pras ideias antigas e novas. A maioria delas são boas, mas ficaram ali, na pasta, envelhecendo. Tirei da pasta algumas poucas coisas que ainda tenho vontade de fazer e coloquei na agenda. Quantas ideias são desperdiçadas por motivos que a gente sequer sabe enumerar.
A ideia boa chega com energia boa. É só prestar atenção. Vem aquela ideia nova, os olhos brilham e a gente fica entusiasmado ante a perspectiva da realização. Nessa hora, o pior que se pode fazer é colocar a ideia na “Pasta das Ideias”. Se essa pasta não for olhada em bem pouco tempo, e a maioria das pessoas não o faz, a ideia que fez o olho brilhar está condenada, no máximo, ao lugar das lembranças vagas. Perde a energia criadora.
De verdade, o melhor que se pode fazer quando a ideia surge é aproveitar a energia que a acompanha: seguir o fluxo e agir a partir daí. Pode ser um primeiro passo, uma primeira conversa, uma primeira pesquisa. Ideias nem sempre dão certo, mas condená-las à morte dentro de uma pasta de papel é deixar de aproveitar a inspiração, que muitas vezes vêm de conexões importantes com o nosso ser mais profundo. Sim, pode não dar em nada, e muitas não dão mesmo, mas também pode resultar em algo fantástico. Só dá pra saber se dermos mais alguns passos.

Por isso, acabei com a pasta das ideias, que mais parecia um túmulo!

UM PRESENTE PRA VOCÊ!
Todas as semanas, preparo alguma dica que possa ajudar a gente a sair do "piloto automático", refletindo um pouco sobre como podemos ser melhores e cada vez mais plenos. Se quiser receber as DICAS DE COACHING, é só clicar.

domingo, outubro 12, 2014

Sai pra lá cansaço: quero uma semana cheia de energia e feliz!


Tantas coisas pra resolver de uma vez que, no balaio da vida – lugar onde filhos, trabalho, afetos e
torneira quebrada se misturam -, cada item ganhou um peso enorme. Andava tão cansada que decidi procurar um médico: devia ser anemia ou alguma outra doença a me tirar as forças. Precisava sair do lugar. Marquei a consulta com um clínico que me fora indicado e, no dia marcado, lá estava eu cheia de esperanças que um exame de sangue revelasse alguma fragilidade a ser imediatamente resolvida com vitaminas. Não foi bem o que aconteceu. O médico analisou os exames mais recentes e afirmou: “nenhum exame que você fizer vai apresentar dados novos”. Receitou vitaminas, mas alertou: “não deixe da fazer atividades físicas.”
Saí do consultório desanimada. O que fazer com a exaustão? Onde arrumar tempo pra não relaxar com a atividade física? E o que dizer dessa sensação de que jamais darei conta de todos os itens da minha agenda? Sentada no carro, me veio um pensamento, daqueles que mais parece uma voz – ainda que inaudível: “Você não está doente. É tudo uma questão de decidir”. Como decidir não me sentir exausta? A “voz” respondeu: “Decidir o jeito de encarar as situações que aparecem no seu dia.”
Eu sorri. Era simples, mas sensato. Afinal, uma torneira quebrada é... Com qual das opções abaixo você completaria a frase?:
( ) uma coisa rápida de resolver.
( ) um problema a mais na vida já tão corrida e atribulada.
( ) um transtorno porque mão de obra para esse tipo de reparo é difícil e desonesta.
( ) uma dessas situações chatas pelas quais mulher nenhuma deveria precisar passar.
Eu confesso que estava marcando todas as opções, menos a primeira. Não só para a torneira, mas para todas as outras coisas que preciso resolver. Vitaminas vão me fazer bem, mas a razão da exaustão era eu mesma, atribuindo um peso extremo a cada coisa que me acontece. Nesse contexto, um feijão queimado pode virar uma crise mundial.

Cheguei em casa, revisei minha agenda, olhei cada item com muita gratidão. Não era um olhar tolo, mas consciente, porque em cada “problema” realmente havia uma dádiva. Amanhã, começo o dia tendo que levar meu carro pra consertar, mas sinto-me grata porque pude usar hoje o carro do meu filho e porque a garantia do meu ainda não acabou. Xô, cansaço: escolho uma semana produtiva e com muita energia!

quarta-feira, abril 02, 2014

A felicidade cotidiana

Não passou muito tempo desde o dia em que fiz escolhas que mudaram radicalmente a minha vida. Há quem ainda me cobre explicações ou me recrimine. E todas essas pessoas têm razão. Até pra mim, às vezes, é difícil entender este caminho em que me meti. Mas há momentos, e muitos deles, em que sinto-me em paz e feliz. Abri mão de muitas coisas, entre elas o conforto de poder contar com pessoas que cuidavam da minha casa e da minha família há muitos anos. A minha vida ficou mais dura, mesmo. Casa grande, filhos, trabalho e todas as funções domésticas pra cuidar. Pra mim não é fácil. Nunca foi. Desde pequena, fui acostumada a sentar à mesa já posta e nem sei se retirava a louça. Por isso, momentos muito simples ganharam status de festa. E eu adoro!
Hoje foi um desses dias. Sinto-me muito feliz e abençoada. Preparei almoço e janta pra mim e pros filhos. Nada de especial, mas, com a correria diária, um peixe fresco frito no almoço, com arroz, feijão, salada e suco de acerola colhida no quintal viram um banquete. E quando consigo que sentem à mesa, desligo a televisão (às vezes, brigo pra isso, é verdade!) e conversamos sobre qualquer coisa. Para mim, é uma epifania! Na janta, um frango cozido com cenoura, me deixou nostálgica. Foi um dos pratos que aprendi a preparar quando casei por ser bom de congelar! Só tinha um filho à mesa, e justamente o de paladar mais exigente. Repetiu o prato enquanto conversávamos. Felicidade deve ser o nome do que sinto agora!

Claro que adoro conforto e tudo o mais que a vida tem de bom! Não sou louca! Mas o meu momento agora é esse. E em tudo, realmente, há algo de maravilhoso. Descobrir o prazer de cozinhar, preparar a comida da minha família, sentar à mesa para conversar sobre assuntos cotidianos e dividir tarefas (ainda que seja muito na marra!) é uma dádiva que recebi. Há beleza em tudo na vida! Até numa pia cheia de louça suja! :)

quinta-feira, março 06, 2014

O tempo de aprender a amar

Nascer do sol em Tongariki, Rapa Nui
Quarta-feira de cinzas se foi. A despeito dos desejos e ideias que possamos ter do que vem antes e depois desse dia, há algo a ser começado. Eu já não faço contas de quantas vezes começo e recomeço desde que me dei conta de que tudo tem um ciclo de vida. Há algo novo para acontecer todos os dias. É um movimento tão natural que eu sou forçada a me indagar acerca da resistência. De onde ela vem? Por que, às vezes, é tão difícil soltar? Por que me imputo o sofrimento do desejo da permanência em um mundo visivelmente impermanente? E aí lembro de uma frase de botequim: “se não acabou é porque não chegou ao fim”.
Parece engraçado, mas se há uma situação, qualquer que seja, que não consigo deixar para trás é porque ainda há vínculos, quaisquer que sejam, a ser desfeitos. Faria diferente se soubesse como e se não o faço é porque ainda preciso aprender algo com a situação que retenho. Também me pergunto porque não escolho abreviar meu tempo de aprendizado, já que poderia perceber mais rapidamente o processo a vivenciar e simplesmente seguir, com mais leveza. Mas e se a leveza, por si, ainda é uma lição a aprender?
Tudo é cíclico, e a minha vida não é diferente das demais. Percebo que o sofrimento pode ser ampliado, não pelo processo que ainda experimento, mas pela não-aceitação do meu próprio tempo de aprender. Julgo-me tanto e encho-me de expectativas a meu respeito, que deixo de me conceder o lenitivo do amor e da aceitação de mim. Amor não por quem eu pareço ou gostaria de ser, mas pelo conjunto do que sou no presente, em essência, com máscaras e sem elas, com resistências e aprendizados mais lentos, com avanços e aprendizados mais rápidos. Entender que faço escolhas a partir do menu que consigo ver, pode me ajudar a ser mais complacente comigo.
Sim, posso ampliar a visão sempre, enxergar novos menus, ousar novas escolhas, mas há um tempo que é meu, o meu tempo de aprender. E, nesta quarta-feira de cinzas, que simbolicamente em minha cultura é um renascer, me declaro amor incondicional, de uma forma mais profunda que experimentei antes. Amo incondicionalmente o ser que sou e, ao declarar isso, já me surgem vários julgamentos sobre quem sou e sinto-me tentada a fazer-me uma promessa já que não fiz nenhuma de muito peso para 2014: Prometo ao ser que sou não julgar-me mais. Não há espaço para julgamentos onde há amor e aceitação!

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Não estamos sós, nem somos tão originais assim!

Tive prenúncios, mas hoje veio a certeza: estou em um momento em que está tudo virando de cabeça pra baixo. Nada grave, mas muitas e muitas coisinhas para serem resolvidas em curto espaço de tempo, com muito desperdício de energia porque me tiraram do eixo. Não resisti e postei uma frase no Facebook, talvez porque tenha ouvido falar nas energias de Mercúrio retrógrado (não entendo de Astrologia, mas...), talvez porque só quisesse me sentir acompanhada, ou quem sabe por esse costume louco que as redes sociais nos trazem de compartilhar coisas.
O fato é que deu certo, seja lá a razão de tudo isso: vi que não estou sozinha, lembrei de que pedras e tropeços fazem parte de todas as jornadas, olhei um pouco mais pro outro e desviei a atenção de mim mesma, recuperei o centro e a tranquilidade. Afinal, daqui a pouco, nada disso estará mais por perto. Tudo passa mesmo, independente do nosso julgamento sobre o que é bom e ruim!
Tudo transcorre do jeito que deve ser e bem de acordo com a minha necessidade de desenvolvimento. A vida é generosa, mesmo quando a bomba d´água quebra, o cachorro entra em casa e suja tudo e depois faz o mesmo no escritório, o vizinho demole a casa aos poucos deixando poeira pra todos os lados, o cansaço vem antes do dia terminar, a lista de tarefas não se esgota e falta dinheiro pra tantas contas de início de ano. Essa mesma vida, me oferece amigos carinhosos, presentes inesperados, a gentileza e a solidariedade de pessoas que fazem parte do meu dia, um pé carregado de acerolas, a possibilidade de acompanhar meus clientes em diferentes processos e aprender com cada um deles e mais tanta coisa que não cabe em listas.

Se não dou conta de perceber tudo isso, há a espiritualidade que só exige de mim a confiança de que estou amparada pelo que me transcende. A próxima vez que o cotidiano (Mercúrio retrógrado?) me tirar do eixo, vou lembrar rápido daquela frase que está até em para-choques de caminhões: “Ora, que melhora!” Vale pra todas as crenças e nos faz recordar de que não vivemos a esmo, mas amparados para evoluir e contribuir com a evolução do Mundo.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Uma nova mulher, uma nova coach

Luz!
Levei um tempo para colocar os pés no chão. Foram nove meses olhando para mim mesma, para o outro e para o mundo; descobrindo coisas novas sobre esse conjunto (eu, o outro e o mundo) o tempo todo; despindo-me de máscaras que sequer sabia existir. O curso chegou ao fim, fui certificada como coach ontológico e isso só significa que o caminho continua, continua e continua. Não há fim quando desejamos ser melhores a cada dia. Não importam os cursos, a experiência de vida ou os livros lidos: o aprendizado é contínuo, infinito. Então, o coaching ontológico “só” um marco na minha linha da vida, mas um marco que merece ser muito celebrado, pois depois de nove meses me senti renascer. Há algo novo em cada pedaço de mim e um senso de propriedade que só faz crescer.
Então, me permiti umas semanas para me acostumar
a esse novo eu. Até porque tudo que é novo causa estranhamentos e eu ainda estou assim: estranha, aprendendo a usufruir desse novo mundo que se apresenta agora para mim. Comemorei (e ainda comemoro) com amigos, família, mas comigo mesma organizei uma celebração especial e realizei o sonho de conhecer a Ilha de Páscoa, um lugar cheio de encantos, magias, histórias, sinais. Lá esse novo conjunto – EU - sentiu-se abençoado pela natureza e por toda a energia que está impregnada nas rochas que formam aquela pequena ilha. Cada dia em Rapa Nui era um dia especial, que anunciava, confirmava, exibia, revelava de alguma forma o novo em meu ser!
Aos poucos estou conseguindo caminhar com esse conjunto de emoções, corpo e linguagem, que estabelece em mim uma nova (e ás vezes desajeitada) coerência. E desajeitado, aqui, não tem nada a ver com confuso. Vou enxergando com clareza, mas sem certezas, e sentindo vontade de experimentar o que a vida me oferece. Vou me definindo, sem pressa, como oferta para o mundo, feliz demais por poder acompanhar outras tantas vidas que também buscam evolução, aprendizado, desenvolvimento, plenitude, alegria, serenidade... Ser coach, pra mim, é algo mágico e não tem nada a ver com ter as respostas certas. Tem a ver com fazer parte desse movimento em que pessoas buscam viverem cada vez melhor consigo e com os outros em todos os âmbitos.



domingo, outubro 06, 2013

Parir é natural?

Depois do primeiro banho...
Nasceu Flora! Filha de sobrinha por afinidade e não por consaguinidade, ocupou um espaço no meu coração que sequer sabia existir. Bastou vê-la para que ela marcasse território como minha sobrinha-neta e me relembrasse que amor não depende de regras, de condições, de permissões e pode ser renovado todos os dias. Ainda na barriga da mãe, sentia, daquele jeito que as mulheres sentem sem explicar como nem porque, que ela viria ao mundo tranquilamente, de um jeito que só ela sabia como seria. Pois bem, a mãe aguardou pacientemente umas duas semanas, depois de um alarme falso, o tempo da menina. Vieram as primeiras contrações, a confirmação do início do trabalho de parto, a internação marcada para 20h para acompanhamento pela obstetra e... a mãe foi para sala de parto às19h25m e Flora nasceu às 19h35m do dia 1 de outubro! “Parto meteórico”, conta a mãe.
Eu fiquei maravilhada! Minha sobrinha havia sido agraciada com um parto maravilhoso, tão rápido que mal teve tempo de sentir dor. Por pouco a obstetra perde a chance de acompanhar o nascimento. No dia seguinte, ambas estavam ótimas e a mãe, se não havia conhecido “sofrimento” do parto, também foi poupada de dores no pós-parto. Eu vibrei: tive três filhos e nunca consegui ter um parto normal. Quando engravidei do primeiro filho, achava que parir era uma coisa tão natural que poderia fazê-lo assistida por qualquer médico. Assim foi que não valorizei a escolha do obstetra e acreditei cegamente quando a médica disse-me que não poderia ter o sonhado parto normal e agendou a cesárea de acordo com a disponibilidade de sua agenda.
Descobri depois que a história talvez pudesse ter sido diferente, mas conformei-me porque amamentei meus três meninos que nasceram com muita saúde! Minha sobrinha foi mais esperta e me colocou a par de algo que desconhecia: o quanto é difícil arranjar um obstetra que trabalhe pelo plano de saúde e que faça parto normal. Passou por vários médicos, até achar uma profissional em que tivesse confiança e que trabalhasse respeitando o tempo da vida que suas pacientes gestam. Optou por atendimento particular. Parir, pelo visto, não é mais tão natural, pelo menos aqui no Rio.
Fui visitar Flora na clínica e saí de lá pensando em meu primeiro parto. Se minha sobrinha, inteligente, advogada, não perguntasse aos médicos que visitou, na primeira consulta, a real disposição deles para fazer o parto normal, talvez tivesse perdido a chance de ser abençoada com esse parto “meteórico”, saudável pra mãe e filha. Tivesse ela agendado o parto, como muitas mães fazem modernosamente para comodidade e “alegria” de médicos, familiares e demais envolvidos, teria perdido a oportunidade de fazer essa transição de vida com sua filha, que parece ser tranquila, embora nada me tire da cabeça que esta menina será assertiva, resoluta e de temperamento bem definido.

O pai não teve tempo de filmar direito o nascimento da menina, mas, certamente terá uma filha mais saudável em muitos aspectos somente pelo tipo de parto escolhido. Minha sobrinha ficou pouquíssimo tempo na maternidade, onde entregou às visitas as lembrancinhas que ela mesma fez. Não teve festa, doces especiais e bebidas para recepcionar os convidados na clínica. Nem daria tempo para aderir à “moda” (?) que cerca nascimentos badalados no Rio. Se Flora nasceu de um jeito “fora de moda”, certamente foi pra nos lembrar que a vida é natural e que pagamos um custo alto sempre que esquecemos isso.

terça-feira, outubro 01, 2013

Música para acordar!

Preciso descobrir que animal é esse que me acorda de madrugada com o seu som. Acho engraçado.
Pássaros do meu "quintal"
Vivendo numa Cidade como o Rio, poderia ser acordada por muitos barulhos: sirenes, caminhões, batidas de carros, tiros, música alta, gritos... Em vez de aborrecida, fico grata, por poder acordar com o som do que me parece um pássaro. Hoje, levanto-me. Vou aproveitar o momento para agradecer. Desde que comecei a escrever este blog, em 2009, tenho abraçado transformações profundas em minha jornada de vida. Se alguém me pedisse, há cinco anos, uma projeção do futuro, jamais descreveria-o como o meu presente. Sequer imaginaria-o.
Curiosamente, no momento em que experiências vividas passam por mim para encontrar seu lugar, liberando-me para viver o presente, volto-me para a minha ancestralidade. A vida é circular. Reconhecer a importância de cada pessoa que me antecedeu em minha árvore genealógica me dá uma dimensão maior de mim mesma. Sinto a força de pertencer a um grupo familiar e segurança para alçar voos mais altos: a qualquer momento posso voltar às raízes. E sempre volto.
Tenho vivido cada dia de minha jornada intensamente. Não desperdiço um. Nem que a escolha de um determinado dia seja perceber, reconhecer, acolher alguma resistência ao novo que se apresenta sempre, ao medo diante do desconhecido, à raiva oculta e outras tantas emoções que fazem parte da minha vida. Às vezes, vai-se o dia sem que dê conta daquela emoção. Durmo com ela. Não há jeito. Posso acordar e encontrá-la no mesmo lugar. Ou não. Há emoções que misteriosamente diluem-se na noite, enquanto durmo. Nada é perda de tempo porque tudo sou eu. E se volto ao ponto de onde saí, sinto gratidão, porque desse ponto descubro o quanto percorri. É como voltar pra casa, nesse caminho que faço dentro e fora de mim.
Eu não sabia que havia escolhido um período sabático. Podia tê-lo aproveitado melhor, tivesse eu dado-lhe este nome. Palavras mudam a vida. Agora sei disso. Chamei-o de período de transição e tomei-o para mim de forma mais dura do que precisava. Não vou dizer deveria. Porque, em se tratando de vida, “dever” não me parece o melhor verbo. Nem sempre dou conta, com meu corpo e minha emoção, do “dever”. Quando continuo achando que “devo”, o que posso me parece tão pouco. Fiz o melhor que pude ou o melhor que quis, e, se resisti quando poderia simplesmente deixar fluir e aproveitar, talvez tenha sido para experimentar outros sentimentos e colecionar maior diversidade deles. Todos ajudam imensamente no trabalho que conduzo hoje.

Agora, ao som das cigarras, que parecem ter substituído o misterioso e barulhento pássaro, agradeço. Só descobri meu sabático quando ele parece estar chegando ao final. Sinto-me iniciando uma nova fase, uma nova jornada. E me dou conta de que, de novo, não há nada de novo. De verdade, recomeço todos os dias. Pena que, em alguns dias, tão envolvida nos “deveres”, nem me dê conta das novidades que a vida me traz. Como não me dei conta do sabático. Por isso escolhi abrir os olhos e escrever. Não queria correr o risco de deixar essa sinfonia passar despercebida, tornar-se irrelevante. Estão todos acordados: amanheceu e, além das cigarras, outros tantos pássaros juntam-se à sinfonia. Agradeço, desperta, ao Universo generoso. A maior beleza de fazer o que posso é que as possibilidades são sempre infinitas e, a cada dia, posso descobrir novos “poderes”. Bom dia!

segunda-feira, agosto 12, 2013

Gratidão pela vida de um grande amigo

Uma das conversas de acampamento. Gratidão, Flávio!
Ontem, meu caçula fez 16 anos. Antes de apagar o bolo, recebemos a notícia da morte de Flávio
Gameleira. Meus pais entristeceram. Eu, também. “Quem é Flávio?”, perguntou o aniversariante. O irmão mais velho disse logo: “O médico que fez o parto da vovó quando ela teve a mamãe e o tio.” E eu completei: “E que auxiliou no seu nascimento e de seu segundo irmão”. E aí comecei a pensar no que este homem representava pra minha família. Eu o conheci como um amigo dos meus pais, ginecologista da minha mãe. Cresci e ele foi o meu primeiro ginecologista. Como médico, esteve presente em muitas (senão todas) situações difíceis da família. Mas ele também gostava de acampar, de viver, de conversar, de se divertir, de estar com os amigos e com a família. E assim, aproveitamos muito da sua companhia.
Entrei no Facebook. Um dos filhos tinha postado um comunicado e as mensagens não paravam de chegar. Comecei a sentir menos tristeza e uma profunda gratidão de ter convivido com esse homem. Como médico, viu metade dos moradores de Campo Grande (estimativa modesta?) chegarem a este mundo. Suas pacientes não confiavam em outro “doutor”. Como a minha mãe, havia muitas outras que retardaram sua aposentadoria. Como amigo, era igualmente carismático. Tanto que, recém-casada, vi meu marido rapidamente transformar-se em mais um de seus amigos. E foi seu jeitinho de conversar que fez com que eu tivesse meu primeiro trailer e voltasse a acampar, ainda que o marido não gostasse muito da vida de campista. Acho que ele gostava mais das conversas com Flávio do que do camping.

Ontem à noite fui relembrando os muitos momentos em que ele esteve ao nosso lado como profissional e amigo: firme, leal, sincero, cuidadoso, atencioso, divertido, bom de papo. Há muito pouco tempo, minha mãe, numa internação de emergência, pediu: “liga pra Flávio”. Ele não poderia fazer nada, até porque a área de especialidade era outra, mas ouvi-lo confortava e dava segurança. Difícil é dissociar Flávio de sua companheira Cilu, uma pessoa carinhosa, amiga, acolhedora e, pra mim, um grande exemplo de vida. É pra ela que, agora, desejo que o conforto e o amor que ele nos dispensou em vida retornem e pacifiquem seu coração sereno. E rezo pra que a tristeza de seus familiares possa ser abrandada pela beleza de ver tantas pessoas gratas por terem desfrutado e compartilhado da vida de Flávio Gameleira. Obrigada, Senhor!

segunda-feira, agosto 05, 2013

Tudo novo, de novo!

Há algumas semanas, os dias do lixo reciclável, aqui em casa, são movimentados! Sacos e sacos de
papéis e utensílios plásticos vão para o portão, resultados de uma limpeza que aos poucos acontece por aqui. Junto com ela, uma limpeza interna também vai acontecendo, abrindo tantos espaços que, não raro, acordo mais cedo com a sensação de que sou um pote vazio, pronto para ser preenchido pela vida, com tudo o que desconheço!
Hoje, segunda-feira, começo mais uma semana de vida! Não tenho ideia alguma do que acontecerá, de como me sentirei, mas sinto o frescor do novo até nos lençóis velhos. Honro e agradeço por cada dia que vivi, até hoje, e vou em frente, esta semana, vivendo em um campo de possibilidades que me parecem infinitas.

O recomeço é uma dádiva que nos é concedida pela vida a todo instante. Hoje, passo o dia tranquila, lembrando-me de que tudo que carrego comigo nessa jornada é de minha escolha e de que tudo que me pesa pode ser deixado ao longo do caminho a qualquer momento. Agradeço intensamente ao Universo generoso e desejo que eu, você, nossos pais e nossos filhos possamos perceber e usufruir das abundantes possibilidades com que a vida nos presenteia.

segunda-feira, julho 29, 2013

Você é bom em que?

Já parou pra pensar em quão longe você pode chegar? Eu já parei. Vi um caminho que me agradou demais, que me parece bem real, com ações bem sucedidas e de real valor, não só para o cliente-contratante, mas para o mundo em que estamos inseridos. Mas tive medo! Já aconteceu a você de ter medo de ser mais do que é? Temer as consequências de expor o que você tem de melhor e brilhar? Ou então recear colocar em prática uma ideia que, aos olhos dos que te cercam, pode parecer ousada demais?
Aconteceu comigo. Só eu sei o quanto me custou fazer minha primeira formação de coaching, no Instituto Holos. Eu sabia – daquele jeito que a mente não consegue compreender – que este seria um caminho sem volta e, mais, sabia que seria o MEU caminho. Mas tive muito medo. Tive medo de abrir mão dos diplomas, dos títulos, dos cargos, de enveredar por um caminho onde meu registro de jornalista no Ministério do Trabalho não fosse tão importante assim. Quem seria eu, nesse novo caminho?
O medo não era de todo injustificado. O primeiro curso foi uma descoberta feliz e transformadora. Havia, finalmente, encontrado o MEU caminho. Gosto de tudo o que sempre fiz, prezo minhas experiências profissionais, mas como coach acesso algo em mim que eu não conhecera nas atividades anteriores. Uns chamam de dom, outros de talento, mas pouco importa. O que eu sei é que descobri aquele algo mais que todos temos, mas que, às vezes, temos medo de tocar.
A cada sessão de coaching, a cada novo cliente, eu me descubro um pouco mais. O que emerge de cada conversa é o inesperado, mas é, sem dúvida, o que tanto eu quanto o meu cliente (ou o grupo, quando a sessão compreende mais pessoas) precisamos naquele momento. As sensações, de um lado e de outro, vão do bem-estar ao desconforto, mas, em todos os casos, são sinais que nos conduzem pela jornada que coach e coachee empreendemos juntos.
A cada agenda, sinto que fiz o melhor possível, e admitir que não posso entregar respostas, mas buscá-las junto com os coachees, é também meu exercício. O Coaching, como profissão, está ganhando espaço no mercado, tornando-se mais conhecido. No entanto, não sigo a onda. Faço hoje o que nasci pra fazer e aí reside o valor da minha escolha. Trago para minha prática profissional todas as minhas experiências e aprendizados de vida e acho que é exatamente isso que me torna única no que faço. Todos podemos ser únicos no que fazemos e atuarmos de forma brilhante no mundo, sem medo. Há uma razão singular para que eu enfrente meu medo de brilhar: só assim poderei ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo, a começar por meus filhos!
Para me inspirar, lembro do discurso de Mandela, em sua posse, em 1994:
"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?...Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo".

sexta-feira, maio 31, 2013

Desejos, experiências e conquistas

Alheio a tudo, ele segue seu curso...
A vida tem seu fluxo e absolutamente nada acontece por acaso. O que, a princípio, pode parecer uma experiência ruim, pode ser exatamente o que a gente precisa pra evoluir, andar pra frente, virar páginas, enxergar a vida com todas as suas possibilidades. Recuar, estancar ou avançar são opções individuais, feitas de acordo com as condições pessoais de cada um.”
Postei essa reflexão no Facebook, porque me esqueço com frequência de que a vida é processual e quando me percebo, aqui e ali, reclamando (no meu caso, chorando seria mais adequado, porque sou chorona demais) de algumas experiências, preciso me lembrar de que tudo passa. O caminho do meio é sempre uma busca. Falamos do desapego, mas esquecemos que isso inclui não tentar reter o que é bom, porque as boas experiências também são finitas e, tanto quanto aquelas que não apreciamos, têm a sua função em nossas vidas. Com isso em mente, fica mais fácil viver. Tudo passa sempre.
E essa mesma tecnologia que me permite compartilhar reflexões, maravilhosamente propicia também interações que promovem novas e producentes reflexões e aqui estou a escrever pensando num comentário que fala das “experiências desnecessárias”. Parei pra pensar no que é desnecessário e imediatamente me veio a imagem de um rio, correndo com seu fluxo, em seu leito. Nem ele pode evitar as pedras: às vezes, abraça-as, sem estardalhaço; mas, outras, choca-se produzindo espirros de água, para depois seguir seu curso normalmente. Penso que somos assim. Se a experiência acontece, é porque ainda não podemos evitá-la, precisamos senti-la para aprender algo que nos falta e seguir nosso fluxo de vida.
Há algumas que procuramos, guiados por nossos desejos ou caprichos, alheios às advertências do senso comum ou da nossa própria sabedoria interior. Não conseguimos evitar e, de novo, penso que seja porque ainda temos algo para aprender, e, às vezes, para ensinar, nestas situações a que somos impelidos simplesmente pelo desejo. Não se trata de ver a vida com lentes “cor de rosa”, mas só agimos de acordo com as nossas possibilidades e abrir mão do julgamento a nosso próprio respeito é também um grande e importante aprendizado. Aos poucos, nessa busca, vou me permitindo o inevitável: errar. Ser compassiva comigo é o primeiro passo para exercitar a compaixão com o outro. E se o resultado das minhas ações respingarem como a água do rio que se joga contra as pedras, saberei que cada respingo é precioso, advindo de mais uma necessária experiência.
Fico alerta, rogo por proteção e auxílio, mas meu caminho é construído por cada uma dessas experiências e lá vou eu, como um rio estabanado, seguindo o meu fluxo, esbarrando e abraçando pedras. Dizem que bons pais não furtam aos filhos as experiências da vida, mas acodem-nos quando precisam. Comigo, o Universo generoso tem funcionado assim: não me impede lágrimas, mas seca-as, todas, a seu (ou melhor dizendo, ao MEU) tempo.

Lembrei de Fernando Pessoa...

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar! 

Valeu a pena? 

Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

domingo, abril 07, 2013

O Tigre e as Formigas


Acabei de ver As Aventuras de Pi. Filme lindo, cheio de efeitos belíssimos. Acabado o filme, fui à geladeira e me vi rodeada de formigas enormes. Devem aproveitar a madrugada para se espalharem pela casa. Imediatamente lembrei-me de Pi. Cada um cria um Tigre para se fazer acompanhar durante momentos da vida. Como se desenvolve a relação com esse “tigre”, é escolha pessoal de cada um, mas é fato que demanda tempo, atenção, energia, esforço e, sobretudo, ESPERANÇA. Essa me parece a grande força a mover Pi dia após dia.
E o que tem a ver tigres com formigas? É que insetos e pequenos problemas domésticos têm feito parte do meu dia a dia, de uma forma muito mais intensa do que jamais experimentei. Parece exagero, mas o somatório de pequenos eventos têm me tirado o sono, já que cuido de uma grande casa praticamento sozinha. Daí, quando vi as formigas, na madrugada, pensei no quanto nossa vida é semelhante à jornada de Pi. Há tempestades, ocorrências na vida de todos nós, mas nós é que damos a dimensão do que nos cerca. Posso ver minha formigas como inimigas, mais um problema ou como sinais e aliadas para me trazerem uma noção da vida mais plena.
Só quando o propósito é claro e firme, como a vontade de viver de Pi, pode-se escolher para as ocorrência da vida imagens que nos façam bem e nos tornem mais fortes ao longo da jornada, capazes de chegar aonde se deseja.
Em tempo: A medicina da FORMIGA é a estratégia da paciência. Construtora, agressiva e resistente, elas têm consciência de que sozinhas não são nada, mas, embora muito pequenas, junto com sua comunidade podem exercer força poderosíssima. É o sucesso por meio do esforço, aliado ao exame cuidadoso e à organização.

sexta-feira, março 08, 2013

Violetas em casa: cuidando e nutrindo a vida


Já tive uma coleção linda de violetas. Aquela planta que a gente compra baratinho no supermercado, coloca na mesa e quando morre joga fora, com vaso e tudo. Pois é, eu gosto delas a ponto de, quando a minha coleçãozinha estava no auge, comprar livros pra me instruir. Multiplicava, adubava, entre outros cuidados. Até que uma praga bobinha exterminou algumas. Fiquei tão chateada, sem tempo para os cuidados que a tal da praga exigia, que descuidei nas regas, e, assim, perdi minhas plantinhas. No ano passado, resolvi voltar a cuidar do meu jardim, que andava muito abandonado. Na onda, comprei novos vasinhos de violeta, comecei a regar, a replantar e elas estão indo. A primeira mudinha nova já começa a vingar. Olho pra elas todos os dias, rego alguns dias e fico muito feliz com os resultados, que me fazem pensar que as violetas reproduzem exatamente o que acontece nos demais aspectos da minha vida.
Sucesso profissional, por exemplo, carece da mesma gama de cuidados que as minha violetas. Contínuos, regulares, em volume e intensidade adequados. A aquisição de conhecimentos nutre a nossa carreira, tanto quanto bons contatos e conversas que deixam nossas mentes mais férteis. Transferência do que se aprende, é como a multiplicação das minhas violetas, só amplia o que já se tem. Participar de palestras e demais eventos que tenham afinidade com a área de atuação escolhida, são tão saudáveis quanto ler livros e revistas, acompanhar sites e ler artigos sobre assuntos que trazem frescor ao que o já sabemos. Exige tempo, é claro, assim como as minhas plantas, no entanto, mais importante que o tempo é a regularidade. Quando incorporamos esses cuidados à nossa rotina, os efeitos aparecem imediata e significativamente em nosso desempenho profissional.
E o que dizer dos relacionamentos? Filhos, amigos, cônjuges, pais, namorados: para manutenção de relacionamentos prazerosos, profícuos e satisfatórios, todos demandam cuidados, nos mesmos padrões das violetas. Não há forma de ver uma relação crescer e vingar senão pelos cuidados regulares. Digo aos meus filhos, diariamente, como um mantra, que os amo. E, ás vezes, pergunto se eles já sabem desse amor. São todos homens, mas, nessa hora, olham-me com ternura, fingindo aquele enfado próprio da adolescência, e dizem, “claro, né mãe”. Mas penso que esta é uma forma de não deixá-los esquecer e de alimentar esse amor, para que eles possa multiplicá-lo pela vida. Com seus amigos e com as figuras femininas que passarem por suas vidas: das namoradas às avós.
Há relacionamentos que começam despretensiosamente, mas que recebem tantos cuidados que vão crescendo, estruturando-se, ganhando corpo e quando vemos já estão lá, ocupando uma parte importante da nossa vida. Só porque foram regados e adubados, tal qual minhas violetas. Parece bobagem dizer “eu te amo” todos os dias, ligar pra saber como foi a reunião ou o trajeto de casa pro trabalho, se o outro chegou no horário na consulta de rotina. De novo, não é o tempo, mas a regularidade, que promove o crescimento saudável. A falta deles é exatamente como a falta da rega para as plantas: faz as relações murcharem até se deteriorarem de vez.
Poderia falar de tantos outros aspectos da vida, como o espiritual, o físico e o financeiro cuja vitalidade depende de cuidados com as mesmas características. Em nenhum aspecto, no entanto, tanto cuidado impede o surgimento de pragas. Elas estão por toda a parte e podem dizimar não só uma coleção de plantas, mas também uma carreira ou uma relação. Nessa hora, não tem jeito: há que se priorizar e dedicar mais tempo aquilo que se pretende recuperar. Aceitando o fato de que, às vezes, o caminho é simplesmente deixar ir e aceitar a transformação... da carreira, do emprego, da relação, da planta, da própria vida. A despeito de nossos cuidados, a despeito de nossos quereres.

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

As tiriricas e a criança birrenta

Na natureza, até as tiriricas falam...

Definitivamente, os acontecimentos na vida não são como imaginamos, mas, como creio que há uma condução universal no fluxo da vida que atua ao lado do meu livre arbítrio, penso que em tudo há um propósito e, certamente, uma oportunidade de aprendizado e evolução. O preâmbulo é pra dizer que apesar de saber disso tudo, ainda me entristeço, como “criança birrenta”, esquecendo que confiar, aceitar e agradecer são os melhores antídotos para qualquer dor. Nessa hora, distrair a mente qual uma “criança birrenta”, evitando o foco no indesejado, ajuda a recuperar o eixo. E foi assim que encontrei as tiriricas do meu jardim.
Lembro que minha mãe aproveitava os dias de chuva para limpar o gramado e como a fruta nunca cai muito longe do pé, aqui estou eu às voltas com as tiriricas e outros “matinhos”. Procurar a origem da plantinha, arrancar pela raiz, sujar as unhas de terra, ajudar com a pá a retirar a raiz profunda, observar as plantas ao redor, ver a grama limpa, sentir as gotas da chuva da noite. Pronto: estou longe de estar bonita, neste momento, mas estou mais inteira. A “criança birrenta” acalmou-se. Por ora, estou apaziguada. O jardim está mais limpo. E eu agradeço por ter descoberto, nas indesejáveis tiriricas, uma forma de me reconectar. A vida é sempre mais simples do que penso. O melhor está sempre próximo de mim. Através das tiriricas, redescobri um pouco de mim mesma. Olho, agora, para as borboletas...

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