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domingo, junho 12, 2016

Num céu azul, a beleza de um dia frio!

O que você faz a maior parte do seu tempo? Se inventariasse cada hora do seu dia, poderia  
responder por que propósito dispensa suas horas? Não importa cargo ou função, nem o tipo ou local de trabalho, o fato é que todos temos muitas tarefas para cumprir. E não adianta dizer que a vida seria mais tranquila se pudesse ficar em casa. Uma das fases mais “tarefeiras” da minha vida foi quando os meninos nasceram. Mesmo de licença-maternidade, havia dias em que me esquecia até de escovar os dentes.
Semana passada, não consegui pausas. Para compensar, no fim de semana, alguns momentos deixaram a minha vida mais colorida. Adorei estar com amigos e familiares, mas tive algumas experiências que posso chamar de epifanias e, nelas, estava só. Uma delas foi pedalando na praia, sentindo muito frio, observando o mar revolto. Senti uma gratidão enorme por ter tido a coragem de me exercitar, apesar do frio; de poder ver, ouvir e sentir o mar; de trocar cumprimentos com as pessoas que acordaram com a mesma disposição de se exercitar que eu; de ver e ouvir os pássaros; de compartilhar da alegria dos casais abraçados.
A outra experiência especial foi quando o sol abriu no meio do domingo. Eu estava na rede, lendo um livro bacana, debaixo do cobertor. Parei de ler e fiquei ali, quentinha, olhando aquele céu lindo, sentindo o sol aquecer um pouco o dia gelado. Que momento “delícia”! Estava em paz e feliz, de moleton velho e cobertor, contemplando a natureza. A felicidade está mesmo em coisas muito, mas muito simples!!! Gratidão!

domingo, outubro 12, 2014

Sai pra lá cansaço: quero uma semana cheia de energia e feliz!


Tantas coisas pra resolver de uma vez que, no balaio da vida – lugar onde filhos, trabalho, afetos e
torneira quebrada se misturam -, cada item ganhou um peso enorme. Andava tão cansada que decidi procurar um médico: devia ser anemia ou alguma outra doença a me tirar as forças. Precisava sair do lugar. Marquei a consulta com um clínico que me fora indicado e, no dia marcado, lá estava eu cheia de esperanças que um exame de sangue revelasse alguma fragilidade a ser imediatamente resolvida com vitaminas. Não foi bem o que aconteceu. O médico analisou os exames mais recentes e afirmou: “nenhum exame que você fizer vai apresentar dados novos”. Receitou vitaminas, mas alertou: “não deixe da fazer atividades físicas.”
Saí do consultório desanimada. O que fazer com a exaustão? Onde arrumar tempo pra não relaxar com a atividade física? E o que dizer dessa sensação de que jamais darei conta de todos os itens da minha agenda? Sentada no carro, me veio um pensamento, daqueles que mais parece uma voz – ainda que inaudível: “Você não está doente. É tudo uma questão de decidir”. Como decidir não me sentir exausta? A “voz” respondeu: “Decidir o jeito de encarar as situações que aparecem no seu dia.”
Eu sorri. Era simples, mas sensato. Afinal, uma torneira quebrada é... Com qual das opções abaixo você completaria a frase?:
( ) uma coisa rápida de resolver.
( ) um problema a mais na vida já tão corrida e atribulada.
( ) um transtorno porque mão de obra para esse tipo de reparo é difícil e desonesta.
( ) uma dessas situações chatas pelas quais mulher nenhuma deveria precisar passar.
Eu confesso que estava marcando todas as opções, menos a primeira. Não só para a torneira, mas para todas as outras coisas que preciso resolver. Vitaminas vão me fazer bem, mas a razão da exaustão era eu mesma, atribuindo um peso extremo a cada coisa que me acontece. Nesse contexto, um feijão queimado pode virar uma crise mundial.

Cheguei em casa, revisei minha agenda, olhei cada item com muita gratidão. Não era um olhar tolo, mas consciente, porque em cada “problema” realmente havia uma dádiva. Amanhã, começo o dia tendo que levar meu carro pra consertar, mas sinto-me grata porque pude usar hoje o carro do meu filho e porque a garantia do meu ainda não acabou. Xô, cansaço: escolho uma semana produtiva e com muita energia!

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Não estamos sós, nem somos tão originais assim!

Tive prenúncios, mas hoje veio a certeza: estou em um momento em que está tudo virando de cabeça pra baixo. Nada grave, mas muitas e muitas coisinhas para serem resolvidas em curto espaço de tempo, com muito desperdício de energia porque me tiraram do eixo. Não resisti e postei uma frase no Facebook, talvez porque tenha ouvido falar nas energias de Mercúrio retrógrado (não entendo de Astrologia, mas...), talvez porque só quisesse me sentir acompanhada, ou quem sabe por esse costume louco que as redes sociais nos trazem de compartilhar coisas.
O fato é que deu certo, seja lá a razão de tudo isso: vi que não estou sozinha, lembrei de que pedras e tropeços fazem parte de todas as jornadas, olhei um pouco mais pro outro e desviei a atenção de mim mesma, recuperei o centro e a tranquilidade. Afinal, daqui a pouco, nada disso estará mais por perto. Tudo passa mesmo, independente do nosso julgamento sobre o que é bom e ruim!
Tudo transcorre do jeito que deve ser e bem de acordo com a minha necessidade de desenvolvimento. A vida é generosa, mesmo quando a bomba d´água quebra, o cachorro entra em casa e suja tudo e depois faz o mesmo no escritório, o vizinho demole a casa aos poucos deixando poeira pra todos os lados, o cansaço vem antes do dia terminar, a lista de tarefas não se esgota e falta dinheiro pra tantas contas de início de ano. Essa mesma vida, me oferece amigos carinhosos, presentes inesperados, a gentileza e a solidariedade de pessoas que fazem parte do meu dia, um pé carregado de acerolas, a possibilidade de acompanhar meus clientes em diferentes processos e aprender com cada um deles e mais tanta coisa que não cabe em listas.

Se não dou conta de perceber tudo isso, há a espiritualidade que só exige de mim a confiança de que estou amparada pelo que me transcende. A próxima vez que o cotidiano (Mercúrio retrógrado?) me tirar do eixo, vou lembrar rápido daquela frase que está até em para-choques de caminhões: “Ora, que melhora!” Vale pra todas as crenças e nos faz recordar de que não vivemos a esmo, mas amparados para evoluir e contribuir com a evolução do Mundo.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Uma nova mulher, uma nova coach

Luz!
Levei um tempo para colocar os pés no chão. Foram nove meses olhando para mim mesma, para o outro e para o mundo; descobrindo coisas novas sobre esse conjunto (eu, o outro e o mundo) o tempo todo; despindo-me de máscaras que sequer sabia existir. O curso chegou ao fim, fui certificada como coach ontológico e isso só significa que o caminho continua, continua e continua. Não há fim quando desejamos ser melhores a cada dia. Não importam os cursos, a experiência de vida ou os livros lidos: o aprendizado é contínuo, infinito. Então, o coaching ontológico “só” um marco na minha linha da vida, mas um marco que merece ser muito celebrado, pois depois de nove meses me senti renascer. Há algo novo em cada pedaço de mim e um senso de propriedade que só faz crescer.
Então, me permiti umas semanas para me acostumar
a esse novo eu. Até porque tudo que é novo causa estranhamentos e eu ainda estou assim: estranha, aprendendo a usufruir desse novo mundo que se apresenta agora para mim. Comemorei (e ainda comemoro) com amigos, família, mas comigo mesma organizei uma celebração especial e realizei o sonho de conhecer a Ilha de Páscoa, um lugar cheio de encantos, magias, histórias, sinais. Lá esse novo conjunto – EU - sentiu-se abençoado pela natureza e por toda a energia que está impregnada nas rochas que formam aquela pequena ilha. Cada dia em Rapa Nui era um dia especial, que anunciava, confirmava, exibia, revelava de alguma forma o novo em meu ser!
Aos poucos estou conseguindo caminhar com esse conjunto de emoções, corpo e linguagem, que estabelece em mim uma nova (e ás vezes desajeitada) coerência. E desajeitado, aqui, não tem nada a ver com confuso. Vou enxergando com clareza, mas sem certezas, e sentindo vontade de experimentar o que a vida me oferece. Vou me definindo, sem pressa, como oferta para o mundo, feliz demais por poder acompanhar outras tantas vidas que também buscam evolução, aprendizado, desenvolvimento, plenitude, alegria, serenidade... Ser coach, pra mim, é algo mágico e não tem nada a ver com ter as respostas certas. Tem a ver com fazer parte desse movimento em que pessoas buscam viverem cada vez melhor consigo e com os outros em todos os âmbitos.



segunda-feira, julho 29, 2013

Você é bom em que?

Já parou pra pensar em quão longe você pode chegar? Eu já parei. Vi um caminho que me agradou demais, que me parece bem real, com ações bem sucedidas e de real valor, não só para o cliente-contratante, mas para o mundo em que estamos inseridos. Mas tive medo! Já aconteceu a você de ter medo de ser mais do que é? Temer as consequências de expor o que você tem de melhor e brilhar? Ou então recear colocar em prática uma ideia que, aos olhos dos que te cercam, pode parecer ousada demais?
Aconteceu comigo. Só eu sei o quanto me custou fazer minha primeira formação de coaching, no Instituto Holos. Eu sabia – daquele jeito que a mente não consegue compreender – que este seria um caminho sem volta e, mais, sabia que seria o MEU caminho. Mas tive muito medo. Tive medo de abrir mão dos diplomas, dos títulos, dos cargos, de enveredar por um caminho onde meu registro de jornalista no Ministério do Trabalho não fosse tão importante assim. Quem seria eu, nesse novo caminho?
O medo não era de todo injustificado. O primeiro curso foi uma descoberta feliz e transformadora. Havia, finalmente, encontrado o MEU caminho. Gosto de tudo o que sempre fiz, prezo minhas experiências profissionais, mas como coach acesso algo em mim que eu não conhecera nas atividades anteriores. Uns chamam de dom, outros de talento, mas pouco importa. O que eu sei é que descobri aquele algo mais que todos temos, mas que, às vezes, temos medo de tocar.
A cada sessão de coaching, a cada novo cliente, eu me descubro um pouco mais. O que emerge de cada conversa é o inesperado, mas é, sem dúvida, o que tanto eu quanto o meu cliente (ou o grupo, quando a sessão compreende mais pessoas) precisamos naquele momento. As sensações, de um lado e de outro, vão do bem-estar ao desconforto, mas, em todos os casos, são sinais que nos conduzem pela jornada que coach e coachee empreendemos juntos.
A cada agenda, sinto que fiz o melhor possível, e admitir que não posso entregar respostas, mas buscá-las junto com os coachees, é também meu exercício. O Coaching, como profissão, está ganhando espaço no mercado, tornando-se mais conhecido. No entanto, não sigo a onda. Faço hoje o que nasci pra fazer e aí reside o valor da minha escolha. Trago para minha prática profissional todas as minhas experiências e aprendizados de vida e acho que é exatamente isso que me torna única no que faço. Todos podemos ser únicos no que fazemos e atuarmos de forma brilhante no mundo, sem medo. Há uma razão singular para que eu enfrente meu medo de brilhar: só assim poderei ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo, a começar por meus filhos!
Para me inspirar, lembro do discurso de Mandela, em sua posse, em 1994:
"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?...Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo".

sexta-feira, março 08, 2013

Violetas em casa: cuidando e nutrindo a vida


Já tive uma coleção linda de violetas. Aquela planta que a gente compra baratinho no supermercado, coloca na mesa e quando morre joga fora, com vaso e tudo. Pois é, eu gosto delas a ponto de, quando a minha coleçãozinha estava no auge, comprar livros pra me instruir. Multiplicava, adubava, entre outros cuidados. Até que uma praga bobinha exterminou algumas. Fiquei tão chateada, sem tempo para os cuidados que a tal da praga exigia, que descuidei nas regas, e, assim, perdi minhas plantinhas. No ano passado, resolvi voltar a cuidar do meu jardim, que andava muito abandonado. Na onda, comprei novos vasinhos de violeta, comecei a regar, a replantar e elas estão indo. A primeira mudinha nova já começa a vingar. Olho pra elas todos os dias, rego alguns dias e fico muito feliz com os resultados, que me fazem pensar que as violetas reproduzem exatamente o que acontece nos demais aspectos da minha vida.
Sucesso profissional, por exemplo, carece da mesma gama de cuidados que as minha violetas. Contínuos, regulares, em volume e intensidade adequados. A aquisição de conhecimentos nutre a nossa carreira, tanto quanto bons contatos e conversas que deixam nossas mentes mais férteis. Transferência do que se aprende, é como a multiplicação das minhas violetas, só amplia o que já se tem. Participar de palestras e demais eventos que tenham afinidade com a área de atuação escolhida, são tão saudáveis quanto ler livros e revistas, acompanhar sites e ler artigos sobre assuntos que trazem frescor ao que o já sabemos. Exige tempo, é claro, assim como as minhas plantas, no entanto, mais importante que o tempo é a regularidade. Quando incorporamos esses cuidados à nossa rotina, os efeitos aparecem imediata e significativamente em nosso desempenho profissional.
E o que dizer dos relacionamentos? Filhos, amigos, cônjuges, pais, namorados: para manutenção de relacionamentos prazerosos, profícuos e satisfatórios, todos demandam cuidados, nos mesmos padrões das violetas. Não há forma de ver uma relação crescer e vingar senão pelos cuidados regulares. Digo aos meus filhos, diariamente, como um mantra, que os amo. E, ás vezes, pergunto se eles já sabem desse amor. São todos homens, mas, nessa hora, olham-me com ternura, fingindo aquele enfado próprio da adolescência, e dizem, “claro, né mãe”. Mas penso que esta é uma forma de não deixá-los esquecer e de alimentar esse amor, para que eles possa multiplicá-lo pela vida. Com seus amigos e com as figuras femininas que passarem por suas vidas: das namoradas às avós.
Há relacionamentos que começam despretensiosamente, mas que recebem tantos cuidados que vão crescendo, estruturando-se, ganhando corpo e quando vemos já estão lá, ocupando uma parte importante da nossa vida. Só porque foram regados e adubados, tal qual minhas violetas. Parece bobagem dizer “eu te amo” todos os dias, ligar pra saber como foi a reunião ou o trajeto de casa pro trabalho, se o outro chegou no horário na consulta de rotina. De novo, não é o tempo, mas a regularidade, que promove o crescimento saudável. A falta deles é exatamente como a falta da rega para as plantas: faz as relações murcharem até se deteriorarem de vez.
Poderia falar de tantos outros aspectos da vida, como o espiritual, o físico e o financeiro cuja vitalidade depende de cuidados com as mesmas características. Em nenhum aspecto, no entanto, tanto cuidado impede o surgimento de pragas. Elas estão por toda a parte e podem dizimar não só uma coleção de plantas, mas também uma carreira ou uma relação. Nessa hora, não tem jeito: há que se priorizar e dedicar mais tempo aquilo que se pretende recuperar. Aceitando o fato de que, às vezes, o caminho é simplesmente deixar ir e aceitar a transformação... da carreira, do emprego, da relação, da planta, da própria vida. A despeito de nossos cuidados, a despeito de nossos quereres.

sábado, janeiro 19, 2013

Conversa com a prima


Quero me desculpar. Um dia desses, disse a você que estamos errando na arte de viver. Mentira. Acertamos tanto que chegamos ao ponto de nos avaliarmos profundamente, revendo nossos padrões familiares, nossas escolhas afetivas e rumos profissionais. Por isso (e só por isso!) nos questionamos e revemos onde e como podemos fazer ainda melhor. Quando saímos do caminho da acomodação, corremos riscos, experimentamos o novo e, consequentemente, nos perdemos, como acontece nos novos caminhos.
Não precisamos nos cobrar tanto. Precisamos, sim, estarmos advertidas de que, se a novidade é o que nos leva à evolução, exige novos aprendizados e o aprender é exatamente assim: dá-nos – muitas vezes - a sensação de que jamais daremos conta de tanto “conteúdo”. No entanto, a persistência faz com que esse sentimento seja substituído, depois de algum tempo, pelo prazer de ter aprendido uma nova lição. Lembra quando tivemos que inserir química e física em nosso estoque de conhecimentos? Eu me lembro bem desse momento! De um lado o orgulho e a alegria e de estar diante da novidade que representavam as novas disciplinas, os livros com assuntos dos quais jamais ouvira falar. De outro, as dificuldades diante de assuntos tão complexos. Para entender Química, tive que estudar horas e horas diariamente, sozinha.
Em outras áreas da vida, não é muito diferente! Escolhemos evoluir, aprender mais, aumentar nossa “grade curricular” e, pronto, isso basta para que experimentemos novas situações numa velocidade que parece além da nossa capacidade. Nos colocamos em cheque com muita frequência e, por isso, ficamos assim: quase perdidas diante de pequenas grandes decisões. Basta olharmos um pouco pra trás para vermos que, depois que assimilamos o novo, ficamos mais fortes e felizes. Hoje, eu peço a Deus: “Não me deixe cair na tentação da acomodação e me dê ânimo para ser tudo o que posso ser nesta vida”. Ah, preciso agradecer, também, por ter sempre companhias como a sua para me apoiar nesta jornada maravilhosa.

segunda-feira, julho 30, 2012

O que é viver?

“Amiga, agora vou viver!” Escutei isso e perguntei de imediato: “Ótimo, mas o que é viver?” Para ela, “viver” é sair à noite pra dançar, ir ao teatro e ao cinema, entre outras coisas que o seu namorado não gosta de fazer. Para ele, certamente, “viver” tem outro significado. Conversamos sobre as atividades que ela pretende retomar, porque, como diz, tem que fazer o que gosta, e eu fiquei com essa pergunta na cabeça, que, na verdade, sempre me faço: “O que é viver pra você?” 
Lembrei de um amigo que está passando por uma fase turbulenta em muitos aspectos da vida que anda amuado e entristecido há meses. É uma pessoa muito próxima e querida, com quem converso muito. Há mais de um ano não o escuto dizer nem um dia que está feliz. Por amá-lo tanto, esta semana, fiquei pensando em como ajudá-lo e naquilo que podia fazer além de mostrar, de alguma forma, quase diariamente, que estou por perto. Fiquei me perguntando se ele poderia estar bem diante dos problemas que está enfrentando e entendi que, sim, ele poderia estar bem. Desde que aceitasse que tudo é transitório, que a natureza está à disposição de todos para reenergizar e reequilibrar nossos espíritos e que estamos cercados de amigos de todo tipo justamente para enfrentar melhor os desafios da jornada da vida. Felicidade não é circunstancial, concluí, é uma questão de escolha. O que seria “viver” para esse meu amigo? Por que ele não sente que está “vivendo” nesse momento da sua vida?
Pensando nele e nessa definição muito pessoal do que é “viver”, me dei conta de que ele não está “vivendo” porque perdeu-se de si mesmo. Tem lá os seus motivos. Assim como eu, que muitas vezes, esqueço da minha vocação inata à felicidade e tenho que me perguntar “O que é mesmo viver, hein?” Mas reencontrar o caminho também é uma escolha e a felicidade, mesmo sendo uma condição sempre possível, exige algum esforço, ainda que seja aquele de abandonar um antigo padrão e de ver a situação que se vive com um novo olhar. Felizmente, não estamos sozinhos. Há sempre amigos, sinais e acontecimentos para nos lembrarem o que é “viver” e nos ajudarem a retomar nosso caminho, seja ele qual for! E aí? Já descobriu o que é viver pra você?

domingo, junho 24, 2012

Eu aceito...

Sombra e luz, alegria e tristeza, recolhimento e expansão, morte e nascimento. Estamos em meio a polaridades, ou melhor: somos todos bi-polares. Temos em nós, os polos opostos de tudo o que há na vida. Ou será que alguém vive constantemente em expansão? A vida é cíclica e não há como evitar um ou outro momento de recolhimento. Mesmo sabendo disso, no entanto, ontem fiquei sem saber como lidar com a minha introspecção. Sábado a noite não é dia de recolhimento, repetia pra mim mesma! É dia de estar com amigos, beber, comemorar... Bom, não estava nessa “vibe” e chamei o momento de tristeza. Tão atazanada fiquei, que pouco consegui ler do meu livro maravilhoso. Também não consegui escrever! Fui dormir!
Não estava triste, agora sei! Não reconheci o simples fato de que a vida é feita de momentos, de que somos todos diferentes, de que se hoje você está de dieta pode ser que eu esteja com vontade de comer o mundo. Para cada pessoa que ri, com certeza há alguém que chora e que certamente sorrirá depois, quando outras pessoas estiverem chorando. E isso é maravilhoso e natural. A vida é movimento. Quem mandou eu esquecer disso? Se renego os momentos como o de ontem, choro e sofro desnecessariamente. Está certo que eu não queira me recolher o tempo todo, está certo também que aceitar um sentimento não é simplesmente acomodar-se a ele. Mas a aceitação traz a paz, reforça o amor próprio.
Ser alegre é saber acolher a tristeza, porque ela faz parte de mim! Há um mantra que alguns amigos repetem que é muito poderoso, que eu compartilho aqui: “Eu ilumino minhas sombras com amor e compaixão.” Isso não significa que eu vá exterminar as sombras ou que elas sejam indesejadas. Aprendi com um amigo fotógrafo que a sombra é tão importante para compor a foto quanto a luz: luz e sombra são matérias primas de sua arte, que jamais existiria sem uma ou outra. Mas esse mesmo amigo me diz: “Não dá pra explicar! As sombras devem ser aproveitadas!” Por isso parei de tentar entender! E mudo o meu mantra para “Eu aceito e amo cada um dos meus momentos com muita compaixão!”

segunda-feira, abril 23, 2012

Sem palavras...

Essa foto só foi possível, porque, ao meu lado, havia um
 parceiro que buscava me proporcionar uma experiencia inesquecível! 
Está tudo bem, subir, descer, vou pro barco, olhe, pare, entre tantas outras frases são ditas debaixo d'água sem palavras. Os gestos são a forma de comunicação dos mergulhadores. O aprendizado começou por aí. Eu queria falar, às vezes, gritar, chorar, fazer caretas e tinha que me restringir aos gestos. Na maioria das vezes, o jeito para não ter que ir à superfície, era respirar, olhar para dentro de mim e simplesmente usufruir daquele momento. E esse foi só o início de um final de semana que eu pensava ser somente destinado ao aprendizado de técnicas de um curso básico de mergulho.
As aulas que aconteceram em 3 dias de muitos mergulhos me mostraram que há muito mais sob a água do que eu poderia supor. Não bastasse a beleza exuberante da vida marinha, o ritmo próprio e dinâmico que todos os seres sob a água têm, havia uma das regras básicas do mergulho autônomo a serem respeitadas: ninguém deve mergulhar só! Esse exercício, por si mesmo, já torna um ser humano mais atento aos demais seres vivos de sua própria espécie. Atenção ao ritmo do outro, generosidade para abrir mão de alguns interesses em prol da dupla, disponibilidade para não pensar em mais nada além do companheiro se este estiver em perigo, compreender o outro por gestos, olhares e outros códigos que vão surgindo com o tempo, são alguns fatos dessa experiência que pode e deve ser reproduzida for a d'água.
No fundo do mar, sob as bençãos da energia rege os oceanos, não há duas pessoas, mas uma dupla de cuja interação depende o sucesso do mergulho. Naquele espaço sagrado, onde, muitas vezes, consegue-se esquecer os danos causados por nós mesmos, os homens, à natureza; dois viram um facilmente quando entregam-se à natureza reconhecendo-a como parte de si mesmos. Diante dos espetáculos oferecidos pela Mãe Terra, lembro sempre que sou parte de tudo o que presencio e experimento e agradeço pelos aprendizados que vem, como dizem nossos amigos lakotas, de todas as minhas relações! Aho MITAKUYE OYASIN!

domingo, abril 08, 2012

Amor próprio de Páscoa pra mim e pra você!

https://www.facebook.com/lucianaluna.bolosartisticos
Às vezes, acho que a vida prega peças e que alguém, em algum lugar, sorri quando alguns dos meus planos desfazem-se pela vida, especialmente os do campo afetivo. Para falar a verdade, quando consigo deixar de lado as expectativas, até eu sorrio e acho mesmo graça das improbabilidades que eu teimo em transformar em certezas. Mas como também acredito que nada acontece por acaso, sigo confiante de que há um propósito escondido em cada acontecimento. Na área afetiva, entre tantos encontros e desencontros, sempre achei que o Universo tinha planos muito nobres pra mim, mas me aborrecia porque nenhum deles satisfazia os meus caprichos.
Hoje, lendo uma coluna sobre o “vazio do amor próprio” no jornal, me dei conta do quanto progredi em relação a mim mesma. Continuo perdida entre encontros e desencontros, aproveitando os aprendizados de cada experiência, mas há algo diferente em mim. Já não me importo se aquela companhia potencial, ideal na minha fantasia, perde para sempre o número do meu telefone e nem responde quando timidamente digo “oi” no Facebook. Há algo, hoje, que me faz escolher o que parecia inusitado há algum tempo atrás. Nunca pensei em declinar o convite para uma balada para ficar em casa com meus filhos num sábado a noite, mas aconteceu!
Se aquela companhia, que parecia tão agradável na madrugada de sexta, desapareceu, com certeza não é tão bacana assim. Claro que ainda faço birra, especialmente quando minha criança mimada se revela, e diz “quero porque quero”. No entanto, entender que caprichos, mesmo quando realizados, não dão conta de me fazer feliz faz parte desse pacote novo que vejo crescer em mim. Tenho certeza que o propósito do Universo tem a ver com essa coisa maravilhosa chamada amor próprio. Sinto, agora, que cada encontro é uma celebração da vida, minha e do outro! Não preciso, mesmo, de alguém que me complete ou que faça algo por mim: quero apenas estar ao lado de pessoas que possam desfrutar da vida tanto quanto eu, busquem o seu próprio caminho e celebrem, ao meu lado, cada minuto de vida que nos é concedido.
Desejo uma vida leve, simples, onde qualquer relação seja importante pelo que oferecemos um ao outro, pela verdade das intenções, e não pelo tempo de duração ou pelas mensagens e telefonemas das semanas seguintes. Afinal de contas, não é a quantidade que torna os contatos relevantes. Quando a sementinha do amor próprio vai florescendo, o “follow up” das relações torna-se desnecessário e a caixinha particular de fantasias e expectativas fica guardada com os brinquedos daquela criança mimada e birrenta, que vai aprendendo que, para amar, de fato, alguém, é preciso, primeiro, conhecer o verdadeiro amor por si mesmo! Um domingo de Páscoa com muito amor próprio pra você!

sábado, abril 07, 2012

Só porque acordei feliz!

Hoje acordei feliz e precisava contar isso pra você. Não que eu precise que se orgulhe de mim, mas porque sempre acho que a felicidade compartilhada cresce e fica mais vistosa e mais sentida. Não pense que a compartilho hoje porque é coisa rara que ela amanheça comigo. Nada disso; é bem ao contrário. Esse é um sentimento que me tem sido muito comum. Está certo que continuo com aqueles momentos em que choro, bato o pé e peço a gentileza de um colo amigo, mas eles não desmerecem nem atenuam o brilho desse estado de ser que me pertence agora.
Tenho um amigo, que você não conhece, que acha graça quando falo de felicidade e me associa, de forma zombeteira, a escritores de autoajuda. Eu não ligo. Acho que sou um pouco assim mesmo, mais pela beleza da vida do que pelas lentes com que escolhi enxergá-la. Aliás, “escolher” é mesmo a palavra chave desse meu estado de espírito que não passa! Quando vejo que a minha conta bancária encolheu ou quando me sinto só e acho que estes são motivos para meu aborrecimento, sinto que tudo o que experimento é fruto de minhas escolhas e isso de alguma forma me deixa muito feliz.
Afinal, escolher não significa, de forma alguma, acertar sempre. Nem saberia dizer se mais acerto ou erro, mas o que sei e o que me faz feliz é que escolho. Escolho por mim mesma e assumo todas as consequencias das minhas escolhas, ainda que algumas sejam mais difíceis de aceitar. Sou responsável por minha vida, tanto quando você é responsável pela sua. E isso me tira todas as chances de ser vítima de alguma situação ou de alguém. Escolho a todo momento, inclusive agora, quando decidi compartilhar o que sinto. Não estou rindo às gargalhadas, tenho muitas coisas a fazer, engordei dois quilos, tenho roupas pra lavar, mas consigo sentir o coração cheio, pleno. E nele, “que não é tão simples quanto pensa, cabe o que não cabe na despensa...” Um beijo e um dia amoroso ê feliz pra você também!

sexta-feira, março 23, 2012

Mudamos, todos!

Tudo muda o tempo todo, mas eu gostaria que você tivesse permanecido igual. Está certo que estou sempre procurando aceitar e entender a impermanência, viver de acordo com o fluir da vida, mas, mesmo assim, ainda lamento a sua mudança. Não posso dizer que seja fácil abrir mão daquilo que um dia me fez tão feliz. Para mim, ainda não é! A gente, sem perceber, apega-se a fases da vida e sai lamentando os seus movimentos mais naturais: o crescimento do filho, a morte da flor, o amor que se modificou, a amizade distante, o objeto perdido... Ninguém reclama da cura de uma doença, do amor que chegou, da puberdade anunciada, dos novos amigos. Tudo isso é bem-vindo. Só esquecemos de que o bom só surge exatamente porque nada é permanente. Ele também se vai. E até o que não parece tão bom tem uma razão de ser.
A vida tem um movimento tão particular e peculiar que aceitá-lo talvez seja o maior exercício de uma existência para a maioria de nós. Você mudou e eu, com certeza, também mudei. Mas é preciso distanciar-me de mim para que eu possa perceber. Só de longe consigo ver que, no fluxo da vida, também fiz meus movimentos. Afastei-me e aproximei-me de pessoas, desejei e repeli tantas outras, ganhei rugas e dores que não tinha, mas aprendi coisas de que sequer suspeitava ser capaz de saber.
Acompanho as estações com o meu corpo, com os meus humores e os dias ganham, cada um, cores que nunca tiveram antes. Se ainda não aceito que você tenha mudado, é só uma questão de tempo. Isso também passará, quando eu perceber que nossas linhas da vida cruzaram-se caprichosamente por obra do destino ou do que quer que seja que está acima da minha compreensão humana, e que, juntas, traçaram outras linhas, outros desenhos, que se modificarão com novos encontros, com as linhas de outras vidas. Essa “tessitura” sim, é permanente. Carregamos pela eternidade.

terça-feira, dezembro 27, 2011

O que guarda um ovo?

O NOVO, a VIDA! E é isso que desejo a você em 2012: coragem para quebrar a casca que protege a vida! Estamos sempre prontos para nascer e renascer, ainda que fiquemos meio tontos cada vez que o ovo se rompe: DE NOVO! Feliz 2012!
* O vídeo abaixo lembrou-me de como é difícil romper com a casca do nOVO.

domingo, agosto 28, 2011

Aprendendo a conviver comigo mesma

Alguns dos meus novos cremes
Cheguei em casa cansada e encontrei a casa vazia. Dizem que quem tem três filhos nunca fica só! Não é o caso! É uma situação tão nova para quem há pouco tempo tinha outra estrutura familiar e os filhos menores. De repente, senti uma enorme solidão. Estava só porque os três tinham ido pra casa do pai jantar e dormir. Demorou pouco pra me lembrar de que solidão é, na verdade, um estado de espírito. Não foram poucas as vezes que havia ficado sozinha anteriormente, por outros motivos. A diferença era que agora havia uma nova percepção da vida e nesse novo pacote, solidão tem chifre e cara feia, até a gente se dar conta de que isso também é fantasia.
Aquela história de que nunca estamos sós é a mais pura verdade. Estar só, agora sei, é uma questão de escolha. Ou de comodidade. Porque há sempre, em algum lugar, um amigo disposto a emprestar ouvidos, dar colo ou conselhos, que a gente sempre escuta somente se quiser. “Sai de casa. Vai pro bar, pro cinema, pra boate, pra qualquer lugar. Espanta a tristeza que ela vai embora.” “Essa fase é uma droga mesmo. Toma uma remédio e dorme que daqui a pouco isso passa.” Os conselhos são de todo tipo e alguns me fazem rir e isso já é suficiente para mudar a vibração do momento, se ela não estiver boa.
O melhor que eles dão é mesmo afeto e carinho num momento mais crítico em que acreditamos que os monstros da nossa fantasia têm, de fato, chifre e cara feia. Essa energia que eles enviam quando a gente fraqueja, chega mesmo de longe, porque a energia vem em ondas de qualquer lugar.
Mas nesse dia, não precisei de muito tempo para ter a certeza de que naquele momento em que estava sem os filhos, não estava só e de que podia escolher entre muitas coisas. Acabei optando por uma banho delicioso, com um monte de coisas cheirosas que tinha acabado de comprar e isso me fez feliz. Felicidade também é uma questão de escolha!

sábado, agosto 06, 2011

Mais um dia de Alice

O coração acelera, o estômago parece que tranca, a mente divaga e o foco fica quase impossível. Acontece, às vezes. E ontem foi a minha vez. Não consegui deter o turbilhão de emoções que encheram meu dia. Era inútil a tentativa de controlar, entender e compreender o que se passava. Tudo o que aconteceu no meu dia ontem era muito intenso e diverso. Eu, tarefeiramente, tentava organizar e enquadrar o que acontecia. Não adiantou, como jamais adiantará qualquer tentativa de racionalizar o fluxo da vida.
O resultado foi desastroso. Exauri ao final do dia. E custei a entender que precisava ficar só, quieta, e dormir. Nem tudo o que é bom é fácil, como nem tudo o que é difícil é ruim. No entanto, a nossa mente faz uma grande confusão e muitas associações que redundam em esgotamento e sofrimento inúteis. O caminho do conhecer a si mesmo é longo e, muitas vezes, paramos em algum ponto, como Alice (aquela do País das Maravilhas), perguntando para onde vamos. Sabemos o caminho, mas são tantas coisas acontecendo simultaneamente, que no esforço de compreender, nos perdemos. E o que perdemos não é, de fato, o caminho. Ele sempre estará lá. Caminhos não saem do lugar. Na verdade, perdemo-nos da nossa “mente que sabe” ou sabedoria interior ou o nome que preferir para designar nossa essência, que é divina, amorosa, curadora e dotada de um conhecimento muito superior aquele que conseguimos controlar, escrever, enquadrar.
Pensando bem, ontem tive meu dia de Alice, encolhendo e crescendo muitas vezes durante um só dia, encontrando pessoas de todo o tipo dentro e fora de mim, rainhas boas e más. Foi, sem dúvida, um dia de Alice, onde tudo que se atropelava poderia ter simplesmente passado, não fosse minha necessidade de explicar, entender, reter. Ganhei pouco, nesta tentativa; e fiquei com a exaustão de ser. Hoje, estou sob meus cuidados, me receitando coisas que equilibram e fazem bem. Vou manter, à minha volta, pessoas que entendam que, como no conto de fadas, interessante e desinteressante, sonho e realidade, são, no fundo, a mesma coisa ou, talvez, absolutamente nada!

- O que você sabe sobre esse caso do roubo das tortas? - perguntou o Rei para Alice.
Nada – respondeu Alice.
Absolutamente nada? - insistiu o Rei.
Absolutamente nada – confirmou Alice.
Isso é muito interessante – disse o Rei, virando-se para os jurados.
Eles estavam justamente começando a anotar isso nas lousas, quando o Coelho Branco os interrompeu.
Desinteressante é o que vossa majestade quer dizer (…)
Desinteressante, é claro, foi o que eu quis dizer – corrigiu-se o Rei rapidamente. Depois continuou repetindo para si mesmo em voz baixa: interessante... desinteressante... desinteressante... interessante... - como se estivesse tentando avaliar qual palavra soava melhor.
Alguns jurados anotavam interessante e outros desinteressante. Alice pôde perceber isso (…) “Mas isso não faz diferença nenhuma”, pensou.
Alice no País das Maravilhas

sábado, julho 23, 2011

Ópera ou sanduíche de botequim? Historinha sobre as possibilidades da vida...

A reunião havia acabado mais tarde do que o esperado, mas não era tarde o suficiente para evitar o pior horário de saída do centro da Cidade, que me faz levar até duas horas num percurso que poderia fazer em média em 60 minutos. Andei vagarosamente pelas ruas não só à procura de um caixa eletrônico, mas também pensando no que poderia fazer para aproveitar meu tempo no Centro do Rio. Observei as pessoas nos bares e me dei conta de que casais bem vestidos seguiam em direção ao Teatro Municipal. Resolvi seguir os casais para conferir a programação, lembrando que andava com muita vontade de assistir a uma ópera.
Sim, em cerca de 40 minutos, começaria Nabucco, de Verdi, e ainda havia ingressos disponíveis. Avaliei, olhei bem para a imponência do Teatro Municipal, ainda mais majestoso quando iluminado, dei meia volta e fui embora. Estava muito cansada para voltar para casa dirigindo muito mais tarde, quando o programa se encerraria. Mas estava feliz. Não assisti à ópera, mas dar-me conta de que aquela era uma possibilidade real para mim, encheu-me de contentamento. Com certeza, não posso fazer tudo o que desejo, mas a consciência de todas as possibilidades que a vida me oferece já é motivo de celebração.
Conheço pessoas que, tristemente, não conseguem enxergar essas muitas possibilidades, restringindo-se ao cotidiano massacrante, à rotina; muitas vezes, de forma automática e inconsciente. Resolvi brindar às possibilidades realizando um pequeno desejo. Desde o dia anterior, sonhava com um sanduíche de carne assada ou rosbife, desses em que a carne é cortada na hora, no balcão do botequim. Sentei num boteco, pedi uma cerveja pra acompanhar, e sorri diante do enorme prazer que me concedia naquele momento. Estava cansada demais para ópera, mas não para um sanduíche de carne com cerveja. Caminhei até o carro; o momento crítico do trânsito já havia passado. Estava feliz por conseguir enxergar minha vida e suas muitas possibilidades, e por poder escolher entre os variados itens do cardápio da vida.
*** Encerrando esse texto, dou-me conta do quanto botequim e ópera são díspares. Acho graça dessa ambivalência tão tipicamente geminiana...

terça-feira, abril 12, 2011

Night medicine: o bem está em todo lugar

Amigos...
A vida noturna nunca foi meu forte. Sou do dia, da praia, das montanhas, da natureza... Mas também gosto muito de dançar, de ouvir música, de ir a shows e, ultimamente, estou experimentando um Rio que eu mal conhecia: o das boites, das casas noturnas, dos shows e rodas de samba. Confesso que mesmo me divertindo, às vezes canso. Em alguns lugares, a diversão é vazia e aparente, tão superficial quanto as relações que se estabelecem. Assim, decidi ficar em casa o fim de semana com meus livros e filmes. Também não gostei. Havia algo de melancólico na minha decisão. Por isso, no sábado, seguindo o que chamo de voz interior, liguei pra um amigo que, ao contrário de mim, curte a noite como poucos, e fui encontrá-lo em um bar, perto de casa.
Esse amigo nunca está só e diz que uma de suas qualidade é agregar pessoas. Sua companhia, além de amiga, é sempre divertida. Através dele, fiz novos amigos e vamos constituindo uma rede que só cresce. A noite foi ótima. Afinal, conectada com a minha essência, que mesmo aventureira, aprecia muitas coisas da vida urbana, posso escolher acompanhar o grupo em programas que só me fazem bem.
No último sábado, especialmente, experimentei que esse bem estar que muitas vezes buscamos nos templos, nas conexões espirituais e nas terapias de cura, está, na verdade, em todo lugar. Ali, no bar, com um grupo de amigos, a minha melancolia deu lugar a uma alegria genuína. A conversa, a música, a companhia, tudo conjugava-se para que aquele momento exercesse em mim um efeito terapêutico. O desafio, como sempre, é o equilíbrio: não passar do ponto com aquela bebida de que eu tanto gosto, não esticar a noite além daquilo que me fará bem, não ceder aos convites que não têm a ver comigo.
A intuição fala, difícil é apurar os ouvidos para escutá-la sempre. Ou para abrir mão da vontade pura e simples que muitas vezes aliena-se dessa voz interior. No sábado, ela me conduziu a um grupo de amigos queridos. O resultado é que acordei no domingo revigorada, feliz, conectada comigo e com meus propósitos, confiante e livre daquela melancolia que só conduz a extremos, ao mundo do sim ou do não. Ninguém é só da noite ou do dia, só urbano ou rural: o equilíbrio é a base de uma vida mais plena e feliz e o meu desafio nessa jornada da vida. Obrigada amigos – da noite e do dia – por me acompanharem!

quinta-feira, março 31, 2011

Verdade ou mentira?

Fiquei algum tempo me olhando no espelho. Meu corpo não aprendeu a mentir. Ainda que eu tente ensiná-lo com alguns truques que as mulheres conhecem bem, ele permanece alheio a mim e segue no seu ritmo. Ou seria este o ritmo da vida, marcado pelo som do vento, das ondas, da chuva, da música da noite eclética, do choro de crianças, dos gritos adolescentes, dos choros das desilusões? Não sei definir este ritmo, se é que isso é possível; mas sei que, seja ele qual for, é seguido por meu corpo.
Quando saio à noite e ouso marcar mais os olhos, equilibrar-me em saltos e espremer-me em roupas, pergunto-me quem sou eu diante do espelho. Quero sempre ter certeza de que não estou fugindo de mim e de que estou apenas brincando de viver. Mas quem precisa de maquiagem pra mentir quando se tem à volta um mundo inteiro de ilusões? Hoje, diante do indefectível espelho, sem maquiagem, enxerguei sentimentos que fazia de conta não perceber. É por isso que às vezes tento virar-lhes as costas: eles são inconvenientes, estão sempre revelando coisas, tirando véus, sem sequer perguntar: “dá licença, por favor?”
De repente, lá estava eu, brincando de jogo da verdade comigo mesma; importando-me com o que dissera na véspera que não era importante; desejando o que acabara de descartar. Verdade ou mentira? Nem sei se dá pra responder, mas encarar-me no espelho já está bom. É o que me é possível. Afinal, de todas as mentiras, a que me incomoda mais é a que digo pra mim mesma. Se minto pra mim, do que não serei capaz na relação com o outro?
Verdade ou mentira? Acho que, realmente, nunca saberei. Afinal, quem está preparado para viver na verdade?

sábado, março 19, 2011

Sexo santo

Fiquei assustada com a matéria que li em O Globo, intitulada Namoro Santo, que trata de um movimento (será isso mesmo?) que estimula as pessoas a deixarem o sexo para depois do casamento em prol de relações mais felizes e estáveis. Há o caso do rapaz que não beija a namorada na boca para “não esquentar em baixo”, da profissional liberal de 29 anos que mantém sua virgindade como um troféu e da ex-atriz que, há oito anos sem namorar, diz que só vai ter vida sexual novamente após um novo casamento.
Fui criada para casar virgem, em uma família católica que ensinou-me a ver o sexo como tabu: fora do casamento, uma transa era considerada pecado. Percorri um longo caminho para ficar de bem com a minha sexualidade. E ainda não coloquei ponto final nessa história porque acho que o caminho do corpo, assim como o do espírito, é contínuo. A conquista do respeito ao próprio corpo passa pelo respeito ao corpo do outro, e o conhecimento de si mesmo permite maior conhecimento do corpo físico. E, pelo pouco que sei, essa jornada acompanha toda a existência, desde a primeira percepção que adquirimos de nós mesmos, ainda na primeira infância.
Por isso fico assustada com os extremos, tanto daqueles que optam por banalizar o sexo quanto dos que tentam enquadrá-lo em padrões rígidos. Respeito todas as opiniões, sei o que desejo pra mim, mas lamento que uma das maiores fontes de prazer, realização e equilíbrio para nós, humanos, ainda seja tratado como tabu. Pergunto-me se um movimento pelo sexo santo, não traria mais resultados à humanidade. Imagino quanta energia densa seria dissolvida se mais pessoas fizessem do sexo um meio para relações mais plenas consigo e com o outro, valendo-se desse maravilhoso recurso para enriquecimento do processo evolutivo que todos nós, independente de escolhas e crenças, temos a cumprir na Terra.
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