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segunda-feira, janeiro 04, 2016

Aprendendo a amar

Nunca pensei que este fosse um aprendizado tão difícil. Eu tive a sorte de – nesta vida – estar cercada de muitos professores, dentre os quais, três destacam-se pelo afinco com que me aprimoram nesta arte de amar: os filhos. Estou sempre aprendendo.
Hoje, meu coração dói porque, em dias, um deles vai pra longe novamente. Não imaginei que fosse sentir tanto esta distância. Justo eu que sempre quis que os meus filhos vissem o Mundo como sua casa. Acredito tanto que nascemos para voar, longe ou perto, não importa, desde que nossos corações nos guiem. Essa é minha crença, mas a verdade é que sinto tanto a ausência desse menino-homem, pedaço de mim, que nem consigo pensar muito nesse sentimento. Evito-o, achando que assim ele não se mostrará. Ilusão! Agora começo minha contagem regressiva, sentindo cada dia, chorando porque as horas passam rápido demais e vejo que este é mais um grande aprendizado de amor. Sinto por quem? Por ele que está feliz, vivendo a sua vida e construindo com muita determinação e alegria o seu futuro? Ou será que sinto por mim que não tenho mais sua companhia diária, sua presença física?
Sinto não poder evitar (como se de fato isso fosse possível) as dificuldades da vida, não poder cuidar... Sinto porque ainda não consegui liberá-lo para partir. Meu coração ainda resiste a esse fluxo tão natural por puro apego. Talvez, lá no fundo, ainda não tenha aprendido que o amor liberta. E que qualquer coisa diferente não é bem amor. Não há amor que queira só pra si, que queira perto a qualquer custo, que impeça o outro de viver e evoluir. Eu achei que meu coração soubesse disso, mas pelo visto ele ainda está aprendendo! E eu agradeço a esse meu menino por mais essa oportunidade! Amo muito você, meu filho, onde quer que escolha estar.

quarta-feira, abril 02, 2014

A felicidade cotidiana

Não passou muito tempo desde o dia em que fiz escolhas que mudaram radicalmente a minha vida. Há quem ainda me cobre explicações ou me recrimine. E todas essas pessoas têm razão. Até pra mim, às vezes, é difícil entender este caminho em que me meti. Mas há momentos, e muitos deles, em que sinto-me em paz e feliz. Abri mão de muitas coisas, entre elas o conforto de poder contar com pessoas que cuidavam da minha casa e da minha família há muitos anos. A minha vida ficou mais dura, mesmo. Casa grande, filhos, trabalho e todas as funções domésticas pra cuidar. Pra mim não é fácil. Nunca foi. Desde pequena, fui acostumada a sentar à mesa já posta e nem sei se retirava a louça. Por isso, momentos muito simples ganharam status de festa. E eu adoro!
Hoje foi um desses dias. Sinto-me muito feliz e abençoada. Preparei almoço e janta pra mim e pros filhos. Nada de especial, mas, com a correria diária, um peixe fresco frito no almoço, com arroz, feijão, salada e suco de acerola colhida no quintal viram um banquete. E quando consigo que sentem à mesa, desligo a televisão (às vezes, brigo pra isso, é verdade!) e conversamos sobre qualquer coisa. Para mim, é uma epifania! Na janta, um frango cozido com cenoura, me deixou nostálgica. Foi um dos pratos que aprendi a preparar quando casei por ser bom de congelar! Só tinha um filho à mesa, e justamente o de paladar mais exigente. Repetiu o prato enquanto conversávamos. Felicidade deve ser o nome do que sinto agora!

Claro que adoro conforto e tudo o mais que a vida tem de bom! Não sou louca! Mas o meu momento agora é esse. E em tudo, realmente, há algo de maravilhoso. Descobrir o prazer de cozinhar, preparar a comida da minha família, sentar à mesa para conversar sobre assuntos cotidianos e dividir tarefas (ainda que seja muito na marra!) é uma dádiva que recebi. Há beleza em tudo na vida! Até numa pia cheia de louça suja! :)

domingo, maio 13, 2012

Amor de mãe, amor do Mundo!

É o que digo para os filhos quando me despeço. Não sempre, claro, porque, às vezes, fico irritada, e esse sentimento é mestre em fazer de conta que o amor não está mais lá. Por puro charme. Afinal, essa irritação vem, na maior parte das vezes, porque fui contrariada e não exatamente pela gravidade do que os meninos fizeram. Mãe devia saber lidar com essas coisas, mas nem sempre é assim. A gente aprende a ser mãe, sendo; e aprende a amar, amando. Parece que os dois aprendizados andam juntos, mas o fato é que adoro quando eles retribuem o beijo e dizem: “eu te amo”. Muda o meu dia!
Dizem que todos os seres humanos nascem amorosos, sendo modificados pelo meio. Mas o amor sempre será o melhor curativo pra alma, gerador e regenerador; contudo, indefinível. Homens e mulheres estão perdidos em meio a muitos equívocos com nome de amor, mas muitos encontraram-se através desse sentimento. Não se explica, mas sabe-se que ele não limita, não condiciona, é o que é, não frustra porque não espera, deixa pleno porque soma, existe no silêncio porque não precisa de palavras, persiste quando vale a pena, distancia-se porque respeita a felicidade, acolhe o que não entende, não se extingue.
Mães aprendem com os filhos, mas o melhor mesmo é ver esse aprendizado refletir e multiplicar-se pela vida. Com certeza, o mundo é mais amoroso porque há muitas mães, de todos os tipos, nele! Por que assim como amar, qualquer maneira de ser mãe vale a pena! Parabéns, mamãe!

sábado, janeiro 28, 2012

A Vontade domina o Medo (Lanterna Verde)

O anel que canaliza a VONTADE! Adorei! 
Esta semana, em um trabalho terapêutico em grupo, analisamos as perspectivas pessoais para o ano de 2012, tendo por base, entre outros elementos, a numerologia e os arcanos maiores do tarô. Para o meu ano, o número 16, a Torre, que traz grandes mudanças, o ruir das estruturas, perdas. Não foi por acaso que, na virada do ano, senti meu coração tão apertado. Tinha certeza de que algo que não conheço está por vir. Mas o novo só chega quando se abre espaço, ou, como na carta da torre, quando o que existe é destruído. Tenho medo! Desapegar-se do conhecido e arriscar-se pelo desconhecido é assustador. A psicanálise diz que esse movimento remete a um dos maiores medos do ser humano, o que se sente diante da morte, da finitude. A morte, nos processos de mudança, atinge algo que nos é familiar, mas que, verdade seja dita, já não nos serve.
Medo, morte... Tá faltando mais o que? Tá faltando dizer que ontem vi, com meu filho, o filme Lanterna Verde. A escolha foi dele, não se trata de uma obra-prima, mas se, como dizem, nada na vida é por acaso, a ocasião foi perfeita. O filme começa com a morte de um Lanterna Verde e, mostra, logo no início, que, mesmo para os detentores dos super poderes do anel verde, nada é para sempre. O anel, então, escolhe um substituto à altura para, dotado de novos (e super) poderes, lutar contra o mal. E quem é a grande representação do mal? Uma criatura alimentada pelo medo, uma energia tão poderosa que é capaz de destruir tudo por onde passa, inclusive os tais heróis verdes.
A energia verde, que torna os guardiões da paz planetária poderosos, é a VONTADE! Canalizada e potencializada através do anel, essa energia é capaz de tudo, desde que o guardião não tenha medo ou descrença. Ele precisa acreditar que tudo – e qualquer coisa - é possível desde que ele tenha a vontade! Se ele fraqueja na vontade, abrindo espaço para a dúvida e o medo, seus poderes ficam mais frágeis. A criatura do mal, no filme, se fortalece com esses sentimentos, que habitam todos eles, até o pequeno grupo de ancestrais imortais que comanda todos os guardiões. A cada pessoa por quem passa, a criatura se fortalece, num somatórios de “medos” que a energiza, aumentando seu potencial destrutivo. Ninguém sobrevive ao MEDO!
E o nosso herói, cuja vida é modificada depois que o anel o escolhe como guardião? Ele tem tanto medo que não consegue dominar sua vontade. Aliás, é esse sentimento – que ele não confessa nem pra si mesmo – que o impede de conquistar as coisas que mais deseja na vida, incluindo, claro, a mulher amada! Mas é justamente quando olha pro seu próprio medo, aceitando sua humanidade e suas limitações, é que consegue fortalecer sua vontade, combatendo o MAL. É claro que isso exige muito dele! É um embate difícil, onde ele precisa acessar suas crenças, renovar sua fé e acreditar, a cada instante, que está dando tudo o que pode para vencer! E ele, claro, vence! Não poderia ser diferente, não é?
O filme tem muito mais, mas qualquer semelhança com os meus sentimentos diante deste 2012 de mais mudanças não é mera coincidência. O medo tem mania de bater na minha porta e é preciso muita vontade para vencê-lo! O bom é saber que basta isso – a minha VONTADE – para chegar tão longe quanto as vibrações deste ano pretendem me levar. É uma batalha diária, mas a vitória é certa, porque já vi o fim desse filme e ele é maravilhoso! Como o herói humano, conto com amigos que, com muito amor, me ajudam a retornar ao meu centro e reencontrar a força que tenho dentro de mim, capaz de me tornar igualmente superpoderosa! Mas, como ele, também não estou dispensada das lutas, das feridas e das quedas. Não sei o que rege seu ano (amanhã publico um post pra todo mundo fazer essas continhas), mas sejam quais forem os monstros que enfrentar, a VONTADE está dentro de você! Vamos em frente 2012!

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Eu te amo!

É o que digo para os meus filhos quando me despeço. Não sempre, claro, porque, às vezes, fico irritada e esse sentimento é mestre em fazer de conta que o amor não está mais lá. Por puro charme. Afinal, essa irritação vem, na maior parte das vezes, porque fui contrariada e não exatamente pela gravidade do que os meninos fizeram. Basta eu não saber lidar com as respostas, não aceitar as ações ou não ser atendida nos meus pedidos e pronto: vem o mal humor. Mãe devia saber lidar com essas coisas, mas nem sempre é assim que acontece. A gente aprende a ser mãe sendo e aprende a amar, amando. Parece que os dois aprendizados andam juntos, mas o fato é que adoro quando eles retribuem o beijo e dizem: “eu te amo”. Muda o meu dia!
Eu nasci amorosa, mas acho que essa não é uma qualidade exclusiva minha. Dizem que todos os seres humanos nascem assim, podendo (e quase sempre são) ser modificados pelo meio. Eu mesma passei por meus processos de endurecimento, mas o amor continua sendo minha energia preferida. É um curativo pra alma, gerador e regenerador e, com tudo isso, indefinível. E quem precisa definir o amor? Quando a gente sente essa energia ela se basta e a vida flui de outra forma. Duvida? Aproxime-se de um cachorro e direcione pra ele seus melhores sentimentos. O que acontece? Ele late, corre, chega mais perto, se joga no chão. Nem precisa afagar, embora ele deseje muito isso, e ele sentirá e demonstrará o quanto está feliz. Pra mim, isso é amor.
Não sei se há muitos tipos de amor, ou se o amor é uma energia só que direcionamos de forma diferente para cada pessoa que encontramos. No entanto, digo que amo, ou, pelo menos, tento amar. E sou mais feliz quando amo, assim do jeito que estou escrevendo agora, da forma mais generosa que eu consigo. Amo tanto que consigo sentir quem eu amo, mesmo sem ver. Não é assim com os filhos? E até com os animais? Sabemos o que pensam, o que sentem, mesmo que não falem. Por que não com todas as pessoas?
Homens e mulheres estão perdidos em meio a muitos equívocos com nome de amor, mas, certamente, muitos encontraram-se através desse sentimento. Não se explica, mas sabe-se que ele não limita, não condiciona, é o que é, não frustra porque não espera, deixa tão pleno porque soma, existe no silêncio porque não precisa de palavras, persiste quando vale a pena, distancia-se porque respeita a felicidade, acolhe o que não entende, não se extingue. Dizem que o amor atravessa os séculos; eu acredito, tão abundante que é. Amor mesmo, nunca é pouco! O oposto de tudo isso pode ser chamado de amor, também; mas, para mim, é outra coisa!

domingo, novembro 27, 2011

Uma tarde de “comadres”

"Conversa de Comadre", arte naïf de Wilson Pessoa
Todo momento é único, mas o que experimentei ontem com um grupo de amigas que veio passar uma tarde comigo foi mágico. Ando tão empenhada no resgate das “conversas de comadres” que, há muitos e muitos anos atrás, eram a razão da força e da magia feminina, que ver isso acontecendo espontaneamente em minha casa foi um deleite, não só pelo prazer da companhia, mas também por me demonstrar na prática o quanto essas reuniões são saudáveis.
O que fizemos? Falamos, comemos, rimos; falamos, comemos, rimos; falamos, comemos, rimos. E o mais incrível, ao contrário do que dizem por aí que nós mulheres adoramos falar dos outros, falamos apenas de nós mesmas. Não me recordo de um momento em que uma pessoa de fora daquele círculo fosse objeto importante de nossa atenção. Estávamos todas felizes e partilhando experiências, comuns ou não, mas extremamente unidas pelo desejo de absorver a sabedoria umas das outras. Óbvio que isso se deu de forma natural. Sempre digo que essa capacidade de enlace faz parte da nossa natureza, mas há um ingrediente imprescindível pra essa “coisa” funcionar: o amor. A única condição para que essas conversas fluam naturalmente trazendo tantos benefícios para cada uma é o desejo genuíno de estar ali, presente, inteira e interessada em todo o grupo. E assim foi.
Por isso mesmo, a tal da “fofoca” não compareceu. Havia tanto a falar de nós. O rol de assuntos não tem fim e uma reunião entre amigas também não tem hora. Começamos às 17h e acabamos perto das 24h. Um observador externo teria nos confundido com adolescentes, embora as faixas etárias também fossem muito diversas (e superiores), mas ele não teria errado. Quem se derramava em assuntos em volta da mesa eram meninas, aquelas que conservamos alegremente dentro de nós. E elas tinham tudo o que, por momentos, depois de anos, e afastadas das “conversas de comadres”, podemos achar que perdemos: alegria, divertimento, sagacidade, amorosidade, intuição, curiosidade, espontaneidade, paciência, tolerância, fome (quem estava de dieta esqueceu desse assunto), inteligência, perspicácia, malícia, honestidade, coragem, ousadia.
Foram horas mágicas, energizantes, terapêuticas, rejuvenescedoras... Hoje, quando acordei, olhei para o meu rosto e me senti mais jovem! Agradeci a Deus. Não apenas pela alegria das horas passadas, mas por experimentar de forma tão gostosa aquilo que venho aplicando e replicando em meu trabalho. Precisamos, urgentemente, de espaços de confiança, onde possamos derramar nossas almas, livrar-nos de máscaras, exercitarmos a liberdade de ser. Necessitamos resgatar as reuniões de mulheres, que gradativamente foram extintas a partir da Inquisição. Apoiada pelas “comadres”, a vida fica mais plena e feliz; e os aprendizados, mais ricos e eficazes. Amor compartilhado é amor multiplicado!
++ Comadre em espanhol significa, segundo Clarissa Pinkola Estés, “Eu sou sua mãe e ao mesmo tempo você é minha mãe”, identificando mulheres que cuidam umas das outras em uma relação em que a alma está sempre incluída.

segunda-feira, setembro 26, 2011

O Sagrado Feminino e o Sagrado Masculino

Feminino e Masculino: divindades complementares
Um círculo de mulheres é uma experiência única e já escrevi sobre isso aqui. Acredito na força e na energia que emana de um grupo feminino. Depois de cerca de seis anos de reuniões mensais, o Círculo da Lua Nova, que visito esporadicamente, sentiu-se convidado a integrar o masculino em suas atividades, transformando-se em um grupo misto. Confesso que, naquele momento, não gostei muito da ideia, porque acho que ainda há muito o que desenvolver dentro desse universo do sagrado feminino, mas esta semana fui obrigada a rever meus conceitos.
Revivi essa questão quando me dei conta de que tive uma boa experiência nesse percurso do que é ser mãe, que registrei aqui, e do quanto o comentário de um homem me ajudou nesse processo. Justo naquele quesito em que imaginava que nenhum homem jamais pudesse me ajudar: o exercício da maternidade. Quando me dei conta de que a experiência do masculino integrara-se a minha para me propiciar uma nova visão diante de um contexto onde precisava atuar, qual seja, uma nova estrutura familiar, só pude sentir gratidão.
Fiquei mais surpresa ainda ao conversar com uma amiga e ouvir dela o quanto ela havia sido beneficiada na relação com a filha por um simples comentário também masculino. Tive que recuar para observar e fui visitar o Círculo da Lua Nova, neste fim de semana, onde encontrei dois homens: a energia continua sendo majoritariamente feminina. Mas é incontestável que, cada vez mais, a complementaridade das energias é o caminho do fortalecimento de ambas as polaridades.
Há muita coisa nova acontecendo no Universo, e mesmo aqueles que não buscam sintonias mais profundas com os mistérios que regem a Terra, percebem que há algo de diferente no ar. Neste cenário, não cabe mais a valorização exclusiva do sagrado feminino. Como mulher, contenho o mundo em mim, mas jamais serei capaz de me realizar plenamente sem a complementaridade essencial do masculino, que, hoje, vejo igualmente sagrado.
Em meio a tantas distorções sociais e culturais, ambos – homens e mulheres – desconectaram-se de suas essências. Não existem mais vítimas e algozes. Estamos todos juntos, como sempre estivemos, em busca dessa união sagrada e divina que é nosso maior propósito. Não se vive só e, ainda que sejamos centelhas de Deus, precisamos e precisaremos sempre do outro para exercer nossa divindade. Enquanto nos colocarmos em lados opostos, como num ringue, essa preciosa união não acontecerá. Quando integramos a sabedoria tão diversa de ambas as polaridades, ficamos mais fortes e aptos para essa jornada de desenvolvimento e amor. Estou certa de que está aqui – na INTEGRAÇÃO – o caminho para amenizar os tantos desencontros de si e do outro que presenciamos em nosso mundo moderno. E isso só conseguiremos exercitando a nossa habilidade mais grandiosa: a de AMAR!

domingo, setembro 25, 2011

Filme, pizza, pipoca e filho com muito amor!

Eu e eles!
Tive uma noite maravilhosa ontem com meu filho de 14 anos. Não estava planejado, mas um dos irmãos ficou com o pai; o outro, em casa de amigos; e eu, acostumada a vê-los sair com o pai no sábado à noite, já tinha feito outros arranjos. Fiquei surpresa quando o pai ligou e o filho, meio desanimado, falou que nós dois íamos pedir pizza para comer em casa! Surpresa e feliz, confesso! Seria um programa diferente, depois de uma tarde em que alugamos um filme e compramos bobagens para comer na sala de TV, recebemos avós e tio para ver o jogo do Flamengo e lanchar.
Escolhemos a pizza, fizemos o pedido, e vimos o filme embrulhados na manta do sofá da sala. Depois assistimos um pouco de programa humorístico.
Na hora de ir para cama, me dei conta de quão raros são esses momentos. Sou a única mulher nesse universo masculino que é a minha casa e o pai é muito presente, tomando para si a maior parte das funções de lazer, jogos e esportes. Afinal, as preferências deles são muito mais afins. Nenhum deles tem paciência para ir ao shopping comigo ou curte os programas culturais que eu adoro. Não gostam dos meus livros e detestam comida light e natureba. Mas ontem, antes de dormir, me dei conta de que é possível fazer pontes. E boas pontes!
Sou tarefeira, como muitas outras mulheres, e cuidando das incumbências do dia a dia, como compras, casa, trabalho, saúde dos filhos, contas a pagar e mais uma lista sem fim, acabo deixando de lado o que é mais relevante. Na tarde com ele, havia um tempo pra mim, mas não havia a preocupação com as tarefas que não poderiam ser realizadas naquele momento. Éramos nós e nossas questões e as pessoas que recebemos. E isso era suficiente porque havia amor em tudo o que estávamos fazendo.
A descoberta, claro, faz parte dessa nova composição familiar de pais separados, onde pai e mãe têm que achar um novo posicionamento, em um novo estilo de vida. Há conflitos, algumas desvantagens, mas o grande ganho é poder ser exatamente quem se é! É um processo, como tudo o mais, mas ontem pude me ver mais como a mãe que sou. Colocar o melhor de si onde quer que estejamos é sempre um bom começo para qualquer tipo de realização.
Tantas reflexões me fizeram recordar o nascimento dos meninos. Nunca admiti que eles tomassem mamadeiras, porque sempre achei que uma mãe pode, se quiser, amamentar seus filhos. Mas estou longe de ser uma exímia produtora de leite e para conseguir o meu intento, tinha que ter uma dedicação quase exclusiva. Então, a hora de amamentar, que acontecia a qualquer hora do dia, era sagrada. Deixava de lado as preocupações, o trabalho, os aborrecimentos e ficava ali, por conta daquele ser que se nutria de mim. Chegava ao ponto de atender a um telefonema com problemas de trabalho e, ao desligar, esquecer tudo e sorrir para me conectar ao que era mais relevante naquele momento. E tenho testemunhas...
O meu foco voltava-se para o filho no peito, não importava o que estivesse acontecendo ao meu redor. Acho que isso tem a ver com criar pontes. É tudo uma questão de onde se quer estar, com quem e porque. E o melhor é perceber que sempre tenho escolha e que, não importa o que tenha se passado, há material abundante dentro de mim para reestabelecer laços, pontes ou o que quer que se chamem os vínculos de amor, com meus filhos ou com quem mais eu escolher.


* No próximo post, escreverei sobre a integração dos aprendizados masculino e feminino. A experiência que descrevo aqui, originou-se do comentário de um homem, o que foi, pra mim, uma grata surpresa!

domingo, maio 08, 2011

Mãe Geminiana

Minha homenagem às mães de todos os tipos
Nasci pra ser mãe. Antes de qualquer outra função. Gestação me intriga desde que me entendo por gente. Mas também o que se poderia esperar da menina que tinha a maior casinha de bonecas do bairro? Cresci entre panelas, xícaras e bonecas, muitas bonecas. Trocava fraldas, vestia-as com as roupinhas que tinha usado quando bebê, usava mantas e cueiros e dava mamadeiras. Sempre assistida por minha mãe, que fazia questão de comprar presentes para minhas filhas me darem. Não esqueço o dia em que ganhei uma linda panela de pressão (do tamanho de uma xícara, claro!).
Cresci um pouquinho, mas continuei a brincar de bonecas. Descobri as de porcelana em uma temporada no exterior e me encantei. Ainda tenho minha primeira boneca de porcelana, que ganhei aos 18 anos, e batizei de Ana Carolina. “Será o nome da minha filha”, dizia. Tive a fase de esculpir e desenhar mulheres gestantes. Achava – como ainda acho – a gravidez um grande milagre. Não veio a Ana Carolina, e sim três meninos. E, mesmo tendo a certeza de que nasci pra maternidade, me constituí como mãe sobre milhares de paradoxos, tal como em outras áreas da minha vida.
Sempre fui do tipo que escolhia a babá antes de saber o nome do filho, brigava com o marido mas jamais com a babá, mas nunca abri mão das minhas madrugadas com os bebês, quando cuidava das cólicas e dos choros de razão desconhecida. Em festas de criança, muitas vezes preferia o papo com os pais dos coleguinhas às brincadeiras infantis, mas nunca me passou pela cabeça ter menos de dois filhos. Adotava as papinhas industrializadas sem pudor, mas fazia questão da amamentação exclusiva até os seis meses: encho a boca para dizer que meus filhos nunca tomaram mamadeira. Me esquivo da culpa, dizendo que faço o melhor que posso, mas me torturo com a alergia dos meninos; no fundo, acredito que a alergia mistura-se tanto a fatores emocionais que me sinto culpada nas crises de asma ou rinite doa garotos.
No meio dessa dança de opostos, me pego, às vezes, sonhando escondida (até de mim mesma) com mais um bebê. Pura maluquice, que estou tentando curar, e esse seria o pior dos paradoxos, não fosse o fato de acabar de me dar conta de que não tenho dedicado tantas horas do meu dia àquela que me parece ser uma de minhas funções primordiais. Mais um no meio de tantos outro com que convivo! Vida de mãe geminiana!

domingo, abril 24, 2011

Renascendo na Páscoa!

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. (Chico Xavier)
A frase ecoou na minha cabeça neste domingo de Páscoa. É isso que aprendi na minha formação religiosa: todos os anos repetia que Páscoa era um momento de renovação, renascimento, transformação. No ritual católico, passam-se 40 dias em que os devotos se reconhecem com pó (ou, simbolicamente, cinzas) para ressurgirem com Jesus, cuja ressurreição celebra-se na Páscoa. Eu sempre soube disso, faz parte do conjunto de crenças da minha família; mas a verdade é que eu nunca senti no meu coração o que, de fato, isso significava. Hoje, a famosa frase de Chico me parece perfeita. Acreditando ou não na ressurreição, todos temos uma nova oportunidade, todos os dias.
Andei meio na bronca com alguns ritos que celebram as oportunidades de recomeço pela via da culpa. Mas, pensando melhor, deixando a culpa de lado, há muito de verdadeiro no rito das cinzas. Ninguém se transforma sem virar pó e todas as crenças e filosofias repetem a mesma história, à sua maneira. A vida é pontuada de pequenas e grandes transformações. E isso independe das escolhas de cada um.
Penso em mães e filhos. Eles crescem, modificam-se e, com isso, as vidas das mães se transformam. Não há o que se possa fazer a esse respeito. No entanto, há mães que sofrem quando suas crias saem de casa; outras, que se negam a aceitar que as crianças cresceram; entre tantas outras histórias. Mas todas as mães se transformam. O que difere, a meu ver, é o nível de consciência desse processo, que pode trazer a aceitação e, junto com ela, a capacidade de deixar-se conduzir pelo fluxo da vida. Há, em tudo isso, uma inevitável parcela de dor, para os que crescem e assumem suas responsabilidades; para os que se veem obrigados a preencherem suas vidas com novas atividades.
Todos passam por algum desconforto para ingressar em uma nova fase e com outros aspectos da vida, não poderia ser diferente. Um corpo saudável, por exemplo, requer alimentação balanceada e o fim do consumo de alimentos que, para muitos, são fonte de prazer, como frituras, doces e refrigerantes. Quem nunca ouviu frases do tipo: “ficar sem refrigerante, pra mim, é a morte!” Estamos sempre deixando algumas coisas de lado para conquistar outras. E isso é inerente à vida.
No entanto, podemos resistir e manter-nos atados a fases, lugares, profissões que já não nos fazem bem. Escolha? Talvez. Para mim, é tudo questão de consciência. Este sim, o grande “barato” da vida! É ela quem nos conduz, de olhos abertos, pela aventura de viver, fazendo-nos sentir a “dor” da transformação e o imenso prazer de renascer. Então, desejo a você muitos renascimentos, nessa Páscoa, sem medo do “pó”, reconhecendo – de olhos bem abertos – as dores de deixar morrer os aspectos que precisam ser transformados para um glorioso ressurgir! Paz e alegria!

terça-feira, abril 19, 2011

Mudando o lado da cama

Das duas uma: ou a cama de casal é muito grande para ser ocupada por uma só pessoa ou o hábito é algo mais difícil de ser quebrado do que eu pensava. Escrevo isso porque, numa noite de insônia, me peguei rabiscando em meu caderno, restrita ao mesmo lado da cama que ocupei por 22 anos. Já faz um ano que venho exercitando a ocupação plena desse espaço, mas ainda me pego pendendo para o lado que me coube, em um dos muitos acordos que fazem os casais.
Ocupar a cama foi um dos primeiros desafios que enfrentei depois de guardar a aliança. E não era pelo ato em si, mas por todo o simbolismo que a cama carrega para uma família. Até os filhos, em inevitáveis momentos, dividem-na conosco; desde o nascimento, nas noites em que a cólica ou a necessidade de amamentar parecem maiores que nós; nos dias em que o medo do escuro inunda o sono infantil; ou, ainda, quando uma doença nos faz levantar para verificar a temperatura e o estado geral mais vezes do suportamos.
Agora é diferente. Olho para cama sabendo que aquele espaço todo me pertence, e experimento novas formas de ocupá-lo, por mim mesma. Dormi com livros, computador, jornais, revistas, mudei o lugar do travesseiro, juntei novos travesseiros, abri os braços; mas, mesmo assim, acabo acordando do mesmo lado. Nessa fase, cada gesto tem um significado, e observá-los de forma distanciada chega a ser engraçado.
Não sei quanto tempo um hábito demora pra se formar, mas vamos combinar que a rotina é poderosa e, arrisco dizer, perigosa. Quando nos damos conta, pela força da necessária repetição cotidiana, estamos lá, com mais um item na lista das ações que automatizamos. E são tantos os itens dessa lista, que, muitas vezes, viramos autômatos, quase zumbis. Deitamos e nem percebemos, comemos e não sentimos o sabor da comida, cumprimentamos pessoas na rua sem olhá-las de fato. Ainda há quem diga, no fim do dia, às vezes, num tom de orgulho pelo dever cumprido: “hoje nem tive tempo de respirar”.
* Continuação amanhã!

domingo, abril 03, 2011

Parabéns, filho!

Aniversário de filho é dia de festa e eu adoro, mas nunca consegui achar que era só isso! Pra mim, sempre é dia de muito mais. Celebro a vida, o milagre concedido por eles tornarem-se homens através de mim, sem esquecer todos os aprendizados que essa dádiva traz consigo. Tenho certeza de que estamos juntos – como mãe e filho – por algum motivo muito especial. Percebo o quanto somos toscos em nossas deficiências e dificuldades humanas e que, juntos, temos uma grande oportunidade de nos aperfeiçoarmos.
Hoje é dia do filho mais velho, já um homem. Grande companheiro. Grande desafio. Aprendemos juntos desde que ele foi concebido, com os primeiros enjoos, com o processo de me tornar mãe e de dividir minha vida. Não tenho dúvidas de que nossos aprendizados acontecem em paralelo e de que temos, igualmente, uma tonelada de coisas pra aprender. Os índios dizem que todas as relações são sagradas e fonte de desenvolvimento, mas relacionamento de mãe e filho, certamente, potencializa em muitas e muitas vezes essa possibilidade.
Tudo é propositalmente delicado. Uma palavra, um bater de portas, a cara feia, as manias, as diferenças. Aceitar é a chave e só é possível para quem aprende a conjugar o verbo amar, abrindo mão do controle. Quem ama orienta, compartilha experiências, é enfático quando necessário. E isso não significa, pelo menos pra mim, abrir mão de si mesmo. Ser mãe exige dedicação, desde a concepção. Vive-se de acordo com a vida que cresce dentro e fora da gente. Madrugadas de aleitamento viram vigílias pelo filho na rua, preocupações com cólica e espirros transformam-se em zelo pela saúde do adulto, o desejo de ver a cria bem alimentada parece que permanece, o coração apertado pelas pequenas e grandes crueldades infantis que acontecem nos primeiros círculos sociais – normalmente marcadas por mordidas – acompanha os relacionamentos adolescentes na descoberta da afetividade e da sexualidade. E a lista segue. Mas eu digo que mãe é gente, que também precisa “curtir” a vida e rejeito a máxima de que preciso “padecer no paraíso” cumprir minha missão.
Se não consigo me eximir de toda a culpa que acompanha a mulher que se equilibra entre mil e uma funções, aceito minha condição de aprendiz para confessar erros e dizer que faço o melhor que posso. Ainda que possa parecer pouco. Alguns dos meus desafios são não me achar sempre certa; aceitar que, mesmo quando me contrariam, meus filhos têm uma sabedoria inata; abrir mão do controle que só traz frustração. Sendo mãe, me reservo alguns direitos, mesmo que os filhos não os reconheçam. Se me dizem como querem viver, digo pra eles também como quero viver. Falo da lei da ação e reação e tento – com todas as minhas limitações – remediar minhas falhas como amor.
Quando não sei o que fazer ou o que dizer, coloco um filho no colo ou, na impossibilidade do toque, irradio amor. Tenho certeza de que isso é o melhor que eu posso fazer, ainda que seja um amor restrito, limitado, que, muitas vezes, deseja mais a obediência e o cumprimento de seus desejos e mandos do que a troca aberta e verdadeira. Mas isso também é aprendizado e, por tudo isso, me vejo impelida a dar graças. Inquestionavelmente, sou uma pessoa muito melhor por causa desse filho que me deu o nobre título de mãe.

domingo, fevereiro 20, 2011

Uma história de muito amor

Soube da chegada da Luisa dentro da piscina. Acompanhei um pouco do desejo de seu pai, meu professor de natação, e sua esposa por um filho, que seria a estreia dele como pai. A menina nasceu e trouxe pro meu professor uma oportunidade de ver a vida por novos ângulos. Eu podia notar que ele, em pouco tempo, tornara-se uma pessoa melhor. Ficou mais flexível, amável, compreensível e sensível, entre outras qualidades que eu não saberia pontuar. Não convivia com a família, parei de nadar alguns anos depois do nascimento da menina, mas reaproximei-me de seu pai, pelas vias do caminho espiritual. Tornamo-nos companheiros de jornada, com respeito e grande afeto.
A notícia da morte repentina de Luisa, justamente dentro de uma piscina, ambiente em que foi criada, me chocou (e a tantas outras pessoas). Primeiro, achei que fosse uma piada de mau gosto, depois soube da toda a história e revoltei-me. O que o Universo queria dizer com tudo isso? Queria abraçar o meu amigo e sua família, mas não sabia o que dizer. E aí comecei a repetir pra mim mesma: vou aprender com a dor dele. Revisitando os fatos, tão carregados de simbolismo, eu me vi diante de duas opções: acreditar que para tudo na vida havia um propósito Divino, crença que eu compartilhava com meu amigo, ou esquecer tudo a que havia me dedicado nos últimos anos, no campo espiritual, e declarar a crueldade dos fatos.
Fiquei com a primeira opção e, uns dias depois de ter recebido a notícia, um e-mail de uma amiga mostrava-me que o pai da Luisa tinha feito a mesma escolha. Em meio a toda a sua dor, lutando contra sua humanidade, que chorava a perda, reuniu amigos e falou que gostaria que essa experiência fosse marcada tão somente pelo amor. Não havia outro sentido para a morte da sua filha, a quem tanto amara, que este: “A sua breve vida foi pontuada de sorrisos, alegria e amor, e agora não poderia ser diferente”.
A tradicional “missa de sétimo dia” foi substituída por um encontro fraterno com a manifestação de várias religiões, homenagens dos amigos (da criança e de seus pais), e a leitura de uma mensagem psicografada recebida pela família, assinada pelo avô materno já desencarnado. Estava tudo bem. Luisa fora acolhida, cumprira sua missão, que seus pais ficassem em paz.
O pai abriu e encerrou o evento agradecendo aos amigos, a quem abraçou carinhosamente durante longo tempo, porque eram muitos. E, nas duas oportunidades, ressaltou o amor como a principal dádiva da vida da filha que se fora. Seu pedido, era que a passagem de Luisa levasse uma mensagem de amor ao coração de cada pessoa. Que todos refletissem no quanto estavam sendo amorosos com seus filhos, com seus companheiros e amigos. Ele, certamente, aprendeu muito sobre o amor com sua primeira filha, tanto que teve mais uma alguns anos depois: “ela tem nos ajudado muito a superar esse momento, com a sua alegria e leveza”.
Não se vive, chora, ama ou ri sozinho. Meu amigo e sua família não estão só e conseguiram transformar o triste episódio em uma história de amor, uma bonita mensagem de vida. A saudade será permanente, mas o amor curará as feridas dessa família, apresentando novos sentidos à vida. Amor é uma energia que não conhece limites. O amor verdadeiro é infantil e generoso, como Luisa; reverbera, derrama-se, contagia. Cada um ama como pode, é verdade. E eu sempre digo que, mesmo com muitos defeitos, amo da melhor forma que posso. Mas, para amar, é preciso sentir o coração de criança. E se há mesmo um propósito para tudo sob o sol, talvez por isso, Luisa tenha ido tão cedo: para nos lembrar de amar como crianças que somos e sempre seremos. Ela adormeceu para nos acordar!

terça-feira, janeiro 11, 2011

Os filhos erraram e culpa é de quem?

A cena de Passione que me fez refletir sobre mães e filhos
Ele nasceu com o nariz tão afilado e torneado que chamava a atenção das pessoas na maternidade. Mas tinha um senão, queria olhar logo a vida de frente e levantava o pescoço sem nenhuma firmeza ainda, esfregando o nariz no travesseiro. Aquilo me enlouquecia. Aquela pontinha de nariz afundando na cama, porque ele queria ficar de pescoço em pé logo que nasceu. E chorava, chorava muito e sem parar. Foi em julho, mas tinha que ficar com o ar ligado quase o dia inteiro, porque bastava a temperatura subir um pouco para ele começar a gritar. Isso sem falar nas madrugadas, quando berrava pra mamar, pra arrotar, pra dormir. E eu, estranhamente, nem ligava. As madrugadas eram o meu momento de ter ele só pra mim, sem ter que deixar o mais velho de lado. Amamentava, feliz e paciente, a noite inteira. Nem eu mesmo acredito nisso, mas era verdade. Quando a babá chegava, por volta das 8h, entregava a criança e ia tirar um cochilo.
Lembrei disso tudo porque sábado resolvi ver um capítulo de novela – coisa muito inusitada pra mim – e assisti, em Passione, a uma cena bonita entre Fernanda Montenegro e Vera Holtz. Ambas dialogavam sobre os filhos, culpando-se e questionando-se sobre o porquê de eles serem tão diferentes daquilo com que sonharam. Não sei se foi o texto de Sílvio de Abreu ou o talento das duas atrizes ou as duas coisas misturadas, mas acabei pensando na minha relação com os meninos.
Vejo que cada um dos três nasceu com sua própria personalidade e traços pessoais e singulares que se manifestaram desde o dia do nascimento. O do meio, além do nariz afilado, conserva essa inquietude diante da vida e o problema do calor. Se eu não reclamar, passa o dia no ar condicionado. Ainda é o filho que mais me demanda emocionalmente, como em sua fase de bebê, quando devia acordar de madrugada para ter a mãe só pra ele.
O mais velho foi um pouco injustiçado. Primeiro filho, deu-me de presente sua calma e tranquilidade. Dormia a noite inteira e, durante o dia, quase não dava trabalho. Podia ficar horas deitado no berço. Mas eu reclamava do menino que acordava às 5h da manhã. Não sabia, que normalmente eles (os filhos bebês) exigem muito mais do que isso. O tempo passou e até hoje, esse menino – já feito homem – conserva a mesma tranquilidade. Pode ficar horas em seu quarto sem que ninguém se dê conta sequer de que está em casa.
O mais novo evitou os extremos. Dormia bem, mas era levado; regrado, mas brincalhão. Talvez por conta de ser o terceiro, acabou se tornando independente mais cedo. Hoje, mantém essa essência: busca o equilíbrio no que faz. Se exagera por um lado, compromete-se a equilibrar do outro. Na escola, por exemplo, deixa os afazeres de lado, até que as notas caiam. Quando isso acontece, faz o que for preciso, sem recorrer à ajuda, para elevar a nota e ficar na média, que é o suficiente para ele. No futebol, é diferente. Já federado, pensando na profissionalização, dá o seu melhor o tempo todo, mas compensa os excessos com a disciplina dos tratamentos fisioterapêuticos, dieta e sono regular.
Então, voltando à cena da novela, não fico buscando em mim as razões para as ações deles. Sei que cada um veio ao mundo com características próprias e desafios pessoais que eu tento respeitar. Ressalto que tento, porque eu também vim ao mundo com minhas características e desafios que eles devem aprender a respeitar. Há reclamações e incompreensões de todos os lados, mas eu administro a minha culpa, reconhecendo os meus erros e afirmando que estou fazendo o meu melhor. Nenhum deles vive os meus sonhos, têm os deles próprios, e a mim cabe apenas o suporte para que sigam em frente, seja qual for o caminho que escolherem. Digo pra eles que a felicidade vem de assumirem as consequências por suas escolhas e a liberdade de refazê-las a cada instante. Eles ainda não entenderam muito bem essa parte e ainda querem dividir comigo mais do que posso suportar.
Assim como não sou responsável por suas essências, não posso ser responsável pelas escolhas que fazem. Também faço as minhas que incluem, inclusive, errar no meu papel de mãe. Aprendo sobre a vida junto com eles, todo o tempo. Sem culpas, mas com responsabilidade.

domingo, novembro 21, 2010

Acampando com filhos

Não sou modelo de nada, muito menos de maternidade. Erro muito, acerto um pouco, mas sempre tenho a certeza de que estou dando o melhor de mim e de que estou aprendendo alguma coisa com essa experiência. Meus três meninos têm um pai muito presente e, logo que começaram a crescer, descobriram muito mais afinidades com ele do que comigo. Agora, que todos são adolescentes, contabilizo as interseções que mantenho com eles: poucas, mas intensas. Consigo ver filme no dvd de casa, com pipoca; jogar Rummikub, Uno e Combate; cantar no videoke; e, recentemente, resgatei o “acampar”. Para dizer o que isso representa em nossas vidas, tenho que contar uma história.
Desde a adolescência, tenho uma paixão, que nem eu própria entendo, por campings, mas não consegui a adesão do pai dos meninos. Então, assim que o caçula começou a andar, comprei uma barraca, atualizei meu título do CCB e resolvi acampar com os três. Nossos acampamentos aconteciam pelo menos duas vezes por ano, com a preciosa ajuda da babá. Temos lembranças inesquecíveis. Acampados, fizemos amigos; aprendemos a velejar; e conhecemos lugares novos e encantadores. Só que os meninos cresceram, a babá deixou de acompanhá-los, começaram os treinos esportivos, e acampar foi ficando mais difícil, já que os momentos de folga eram escassos.
Este ano, resolvi retomar a diversão. Comprei uma barraca bem simples de montar e desmontar, pensando em reduzir o trabalho de todos e aguardei uma oportunidade para estrear. Consegui convencer a dois filhos e aos meus pais de me acompanhar na aventura no feriado de 15 de novembro. Escolhi um camping no estado do Rio (Teresópolis) e com boa infraestrutura, mas as coisas não saíram bem como planejei. A chuva foi constante, e o frio, bem maior que o esperado, mas o saldo final foi positivo.
A simplicidade da barraca desapareceu diante do pedido dos meninos de levar todos os apetrechos que acumulamos ao longo dos anos: geladeira, fogão, panelas, pratos, talheres, mesas, cadeiras, tenda e lonas, entre outras parefernálias. A pedido deles, comprei os clássicos pacotes de macarrão instantâneo e arrumei o carro com toda a tralha. E aí começou minha grande surpresa. Descobri o quanto meus filhos tinham crescido, ajudando a mim e aos avós; assumindo, por vezes, papéis de protagonistas, usando a força - já de homens - para levantar coisas pesadas, apertar e afrouxar cordas, entre outras atividades comuns a acampamentos.
Dormimos juntos, curtimos frio e jogamos muito Uno. Ele curtiram os avós que inventavam brincadeiras e passatempos para quando a chuva apertava. Apesar de vivermos em contato estreito com a natureza, eles chamaram a minha atenção para o joão-de-barro que passeava por nossa barraca, para o céu, para o pôr do sol. Tivemos nossas brigas também, perdi meu Blackberry correndo de loja em loja para procurar um fusível para um aparelho nosso que quebrou, mas, na volta, já estávamos combinando o próximo, com menos tralhas, mas com o mesmo propósito de ficarmos juntos e vivermos experiências diferentes.
** Fico devendo fotos, que estavam no Blackberry perdido.

domingo, setembro 19, 2010

Desabafo de mãe

Quem faz terapia acaba se deparando com a mãe. No relacionamento com a mãe, dizem os terapeutas (e eu acredito), residem grande parte das neuroses e conflitos humanos. Mesmo sabendo disso, no entanto, não há muito o que fazer. Nós, mães, acabamos repetindo erros e cometendo outros que nossas mães não cometeram porque não conseguimos fazer diferente. Temos nossas limitações, atenuadas aqui e ali com terapias, rezas, simpatias e o que mais se acreditar capaz de nos ajudar a sermos pessoas (e mães) melhores.
Por isso mesmo, ontem, quando meu filho do meio, que havia passado o dia com mal estar, disse pra mim que eu quase não o via, eu respondi (quase) sem culpa: “vejo-o tanto quanto posso. Pode ter certeza de que passo com você o maior tempo que consigo. Pode ser pouco, mas não tenho conseguido fazer muito melhor”. Esse mesmo filho havia pedido que visse um filme com ele, já que estava doente. Também pediu-me remédio, espaço em minha cama, a compra da passagem do próximo torneio de tênis, água de coco porque havia ficado o dia inteiro sem comer, cafuné e carinho. Eu tinha um trabalho pra fazer, que havia adiado durante a semana e que preciso entregar na segunda-feira, mas aquiesci. É bom estar com os filhos e trocar demonstrações de carinho.
Mas a gota d'água foi escutar dele: “mãe, você tá muito gordinha. Está há quatro ou cinco dias sem caminhar. Queria que você ficasse forte de novo e magrinha”. Pronto, minha vontade foi de desabar! Expliquei que estava trabalhando muito porque nossas despesas aumentaram bastante e que, além disso, estava fazendo cursos, o que me fazia chegar em casa esgotada e sem nenhuma vontade de “malhar”. Mas a explicação não foi suficiente para aplacar em mim o sentimento de “não dou conta”. Durante todo o dia havia ficado com o filho mais novo em uma feijoada para angariar fundos para o seu time de futebol, onde aproveitei para encontrar uma amiga da faculdade com sua família, que não via há muito tempo; conhecer as mães dos outros atletas e “enfiar o pé na jaca”.
Durante o dia recebi três telefonemas de amigos diferentes que estão passando por problemas sérios em suas vidas e precisavam desabafar. Mesmo sem saber sempre o que dizer, sei que ouvir e dizer que faço parte de suas vidas em momentos difíceis faz a diferença nessas horas. Já recebi essa ajuda, era chegada a hora de retribuir. Não havia como somar todas essas variáveis sem chegar à conclusão de que realmente não dou conta. Ou dou, com restrições, alguma culpa e um pouco de frustração por não manter o corpo em forma e passar menos tempo do que gostaria com os meninos.
É um post-desabafo! Quem sabe agravado pelas variações de humor de que fico refém no período pré-menstrual! Ainda tem isso: a TPM. Não devo ser mesmo mãe de três filhos por acaso. Somos desafios, uns para os outros.

quinta-feira, julho 15, 2010

Super-mulheres existem?

Às vezes, tenho vontade de gritar e avisar aos homens que me cercam, especialmente aos meus três filhos, que sou uma mulher normal. Antigamente, adorava quando alguém me chamava de super-mulher; hoje, penso duas vezes antes de agradecer o “elogio”. Porque heróis não cansam, não dormem, têm poderes especiais para lidar com situações que ninguém mais consegue e existem para sanar os problemas da humanidade.
Eu gosto da parte dos poderes especiais, mas, há momentos (e muitos), em que eu desabo e preciso da ajuda de algum ser “super-poderoso” também. Quisera eu ser autossuficiente e viver em voos solos pronta para salvar o mundo. Mas nem de mim dou conta sempre. Às vezes, resisto, mas acabo por aceitar minhas limitações e entrego-me ao cansaço, às frustrações. Preciso dizer que não sou fraca, mas, antes de encontrar minha força, tenho que desabar um pouquinho: depois da queda eu arremeto.
O problema é que minhas criaturinhas, os homens da minha vida, esquecem da minha normalidade. Talvez quisessem mesmo ter uma mãe capaz de salvar o mundo, pelo menos o deles. E isso nem sempre é possível. É claro que há momentos em que eles também querem ser “normais” e dar com os burros n'água como os demais seres humanos, como eu mesma. Mas nem sempre é assim e, por isso, o meu desabafo. Quando eles decidem que não dão conta, nem sempre estou pronta para ajudar.
Revelar-me normal deve frustrá-los e, de certa forma, a mim também. Eles, por acreditarem que a mãe é mesmo uma super-mulher e terem que desmistificar a crença conforme amadurecem. Eu, pelo mesmo motivo! Pensando bem, quem disse que não tenho superpoderes? Até acredito que tenho mesmo! Esse jeitinho de contornar os conflitos e as demandas desses aspirantes a adultos deve ter alguma coisa a ver com uma fonte de energia em um país distante. Ou, quem sabe, em um país que existe mesmo em algum lugar dentro de mim. Mas, também quero ter a licença de ser “normal”, e, pra isso, às vezes, é preciso gritar que trabalhei o dia inteiro, estou cansada e não posso dar contas de questões que estão absolutamente ao alcance deles.
O que tenho visto é que todas as mulheres têm muito de super, inclusive eu, mas que nada lhes confere o dever de lutar contra o mundo sozinhas e em nome de filhos, pais, maridos. Talvez, a maior tarefa das mães seja exatamente a de se revelar como são para si mesmas e para seus filhos, na esperança de que também eles possam, em algum momento, utilizarem-se de seus poderes mágicos.

quinta-feira, julho 08, 2010

Os amigos imaginários de Ana Luiza (e de todos nós)

"A minha imaginação é minha melhor amiga; meus animais nunca me deixam sozinha." A frase é de Ana Luiza, 5 anos, filha de uma amiga do trabalho. Ficou ao meu lado enquanto eu trabalhava no notebook e quando perguntei se gostaria de desenhar pra passar o tempo, ela disse que não. Afirmou que preferia brincar com sua imaginação. Daí em diante, surgiram, em uma sala de 12 metros quadrados, cavalos, um cachorro chamado Pluto que fez cocô na minha cabeça porque estava muito apertado, ratos amigos que saem da mesa e sobem pelo braço, um macaco que se balança no lustre, entre outros animais.
Nada de tédio ou reclamações. A menina estava acompanhada de seus melhores amigos com quem divertia-se e conversava. Fico pensando que todos nós, em algum instante de nossas vidas, já colecionamos amigos imaginários. É o recurso que, crianças, usamos para enfrentar momentos em que simplesmente não há muito o que fazer, senão deixar a vida passar. Sem angústia com solidão ou a falta do que fazer. Como Ana Luiza, quando estava ao meu lado, esperando paciente e criativamente a mãe aplicar provas aos alunos para levá-la pra casa.
O que me pergunto é porque a maioria de nós perde, quase  completamente, a capacidade de imaginar. Os fatos reais tornam-se a única possibilidade de nossas vidas, ainda que a ciência esteja produzindo provas cada vez mais contundentes de que a realidade. como a maioria de nós concebe, pode ser recriada a partir de nossas crenças e sentimentos. Quando crianças, conservamos a capacidade de recriar o nosso mundo. Está certo que faz parte do amadurecimento e da transformação em seres adultos o desenvolvimento de competências internas para lidarmos com a realidade de forma saudável, embora nem sempre agradável. No entanto, estou certa de que conservar uma pouco da imaginação infantil – habilidade inata - para recriar momentos e evitar sofrimentos desnecessários seria um recurso saudável e ao alcance de todos nós. Agora, paro de escrever porque o macaco da Ana Luiza joga baseball pela sala e eu vou brincar com ele também!

domingo, junho 20, 2010

Futebol é assim mesmo!

A primeira vez a gente nunca esquece. É o que dizem né? E com os filhos temos uma primeira vez quase que diariamente. Desde que saem da barriga da gente, vamos acostumando com a primeira mamada, o primeiro xixi, a primeira consulta ao pediatra, numa lista sem fim. Se com o tempo deixamos de registrar nos álbuns as primeiras vezes, jamais deixamos de guardar em nossas mentes a primeira pergunta embaraçosa, a primeira namorada que cruzou o batente da porta de casa, a primeira chamada na escola... e a primeira “demissão” ou dispensa ou seja lá como se fala em futebol.
Meu filho mais novo joga futebol desde muito pequeno. E bem. Tanto que participou de um seleção do Flamengo, quando ainda frequentava escolinhas, e foi jogar em Portugal pelo clube. Há pouco mais de um ano, foi federado pela primeira vez. Foi uma grande alegria. Não tinha salário, mas tinha compromisso de profissional, apesar da pouca idade. E pressões que eu não imaginava que uma criança pudesse suportar. Ganhou habilidade e técnica com o treinamento. Tudo ótimo, até hoje quando soube, em uma reunião com os pais, que o time foi extinto, fundindo-se a um time maior e que ele, junto com outros colegas, havia sido dispensado. Foi a primeira dispensa e, pra mãe, acostumada a ver o filho passar em testes, peneiras e sobressair-se em campo, uma grande decepção.
Eu não entendo nada mesmo de futebol, mas sei que é assim mesmo. Nesse meio, todo mundo sabe que nem todas as decisões são técnicas e que os critérios são, muitas vezes, subjetivos; mas eu fui pega de surpresa. Caí do cavalo. Como assim? Dispensarem meu menino? Foi o meu primeiro sentimento. Saí da sala assim que ouvi o nome dele. Transtornada. Não pensei que me sentiria assim diante de algo que simplesmente “acontece”.
A primeira vez não se esquece mesmo. Acho que transferi para aquele momento toda a minha dificuldade com recusas e negações. Tomou conta de mim a menina mimada que não sabe o que fazer quando contrariada, levando a questão para o lado pessoal e alimentando um grande complexo de rejeição. Desabei por minutos. Era com ele, mas talvez chorasse mais por mim mesma. Uma mistura confusa e insconsciente de sentimentos. Custei a separar o que era meu do que era do filho.
Mas havia mais. Essa mania de mãe achar que filho não vai dar conta da vida. Logo eu que incentivo todo mundo a ter suas experiências, tomar suas próprias decisões, arcar com a responsabilidade de suas atitudes, estava lá na linha de frente do bloco “deixa eu sofrer por você, porque essa dor é minha”. Mães, às vezes, sãs tontas e, na ânsia de proteger a cria, arvoram-se com super-poderes que jamais terão. Não se pode sentir dor de filho. Ainda que se queira. Cada passo da vida deles pertence só a eles, mas tem horas – como hoje – em que eu esqueço. Como meu “bebê” estava longe, em um campeonato de futebol, só fui vê-lo à noite. Eu arrasada, ele me consolando: “Futebol é assim mesmo, mãe! E, se eu quiser, poderei escolher entre dois clubes pra começar a treinar já na próxima semana.”
É assim, então? Eu sofrendo e você, preparadíssimo para as rasteiras da vida, tirando essa decepção de letra? Será que eu e o pai dessa criança fizemos um bom trabalho? Acho que sim! Mas custo a me convencer de que nossa tarefa seja só a de estar por perto, observando o fluxo da vida, apoiando quando necessário e aprendendo, como hoje, com cada primeira vez. Obrigada, filho!
* E assim que tiver novidades, posto aqui a nova camisa do menino!

terça-feira, junho 01, 2010

Educação inovadora? Estamos preparados para arriscar?

Quando escolhi a escola do meu primeiro filho sabia o que queria: um lugar que propiciasse a ele suas próprias descobertas. Não queria um modelo tradicional de ensino, eu mesma não havia frequentado um. Buscava algo mais moderno, que estimulasse a inteligência, a criatividade e o pensamento crítico. E assim foi. Escolhi a dedo as escolas que os três frequentaram, pelo menos até um certo ponto. Os meninos crescem e antes mesmo de virarem homens começam a fazer suas escolhas. Em função delas, deixaram a escola internacional que eu amava, localizada em uma grande área verde a 5 minutos da nossa casa, e foram estudar em escolas bem tradicionais, que jamais teriam sido minha primeira escolha. E estão felizes.
Eu me adaptei e descobri logo que cada um deles tinha seu próprio desejo e que este em nada tinha a ver com os meus. Para resumir: um quer ser jogador de futebol, é federado em futebol de salão e de campo; outro, jogador de tênis, e estuda, hoje, por apostilas para se dedicar ao tênis com maior intensidade; e há aquele que, às vésperas de fazer vestibular, diz que quer ser barman. Ótimo. Digo aos três que sejam responsáveis por suas escolhas e que assumam os riscos de cada um de seus passos. Que sejam felizes.
Aos amigos, às vezes, me queixo. Queria ter filhos que gostassem de estudo, livros e cultura. O mais difícil, no entanto, foi ter que escolher escolas que se encaixassem às suas aspirações nada acadêmicas. Pensava não ter conseguido alcançar o meu objetivo e achava que havia falhado na minha busca de oferecer a meus filhos uma educação inovadora. Hoje, me dei conta que não. E fiquei feliz ao perceber que estou cumprindo aquele plano que tracei quando da chegada do primeiro filho. Estou sendo o mais inovadora que posso na educação deles. Cada um está tendo a chance de realizar seu sonho, arcando com o custo de suas escolhas. O apoio materno acontece de forma sutil e em momentos em que lhes falta maturidade para superar os inevitáveis obstáculos.
Devo confessar que sinto uma ponta de inveja das amigas que têm filhos com notas excelentes, alguns em universidades federais. No entanto, levo poucos minutos para perceber que meus filhos fizeram e fazem suas próprias escolhas, rompendo com muitos paradigmas, inclusive aqueles que nortearam a minha educação. Ao rever meus posicionamentos em relação à vida acadêmica e ao processo formal de aprendizagem, estava ensinando a eles o que eu mais desejava: que podem ousar sempre se o objetivo for a felicidade. E que devem fazê-lo por eles mesmos e não por seus pais. Assim, mesmo errando muito como mãe, coloco-me também na posição de aprendiz e, junto com eles, sigo aprendendo minhas lições.
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