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domingo, outubro 12, 2014

Sai pra lá cansaço: quero uma semana cheia de energia e feliz!


Tantas coisas pra resolver de uma vez que, no balaio da vida – lugar onde filhos, trabalho, afetos e
torneira quebrada se misturam -, cada item ganhou um peso enorme. Andava tão cansada que decidi procurar um médico: devia ser anemia ou alguma outra doença a me tirar as forças. Precisava sair do lugar. Marquei a consulta com um clínico que me fora indicado e, no dia marcado, lá estava eu cheia de esperanças que um exame de sangue revelasse alguma fragilidade a ser imediatamente resolvida com vitaminas. Não foi bem o que aconteceu. O médico analisou os exames mais recentes e afirmou: “nenhum exame que você fizer vai apresentar dados novos”. Receitou vitaminas, mas alertou: “não deixe da fazer atividades físicas.”
Saí do consultório desanimada. O que fazer com a exaustão? Onde arrumar tempo pra não relaxar com a atividade física? E o que dizer dessa sensação de que jamais darei conta de todos os itens da minha agenda? Sentada no carro, me veio um pensamento, daqueles que mais parece uma voz – ainda que inaudível: “Você não está doente. É tudo uma questão de decidir”. Como decidir não me sentir exausta? A “voz” respondeu: “Decidir o jeito de encarar as situações que aparecem no seu dia.”
Eu sorri. Era simples, mas sensato. Afinal, uma torneira quebrada é... Com qual das opções abaixo você completaria a frase?:
( ) uma coisa rápida de resolver.
( ) um problema a mais na vida já tão corrida e atribulada.
( ) um transtorno porque mão de obra para esse tipo de reparo é difícil e desonesta.
( ) uma dessas situações chatas pelas quais mulher nenhuma deveria precisar passar.
Eu confesso que estava marcando todas as opções, menos a primeira. Não só para a torneira, mas para todas as outras coisas que preciso resolver. Vitaminas vão me fazer bem, mas a razão da exaustão era eu mesma, atribuindo um peso extremo a cada coisa que me acontece. Nesse contexto, um feijão queimado pode virar uma crise mundial.

Cheguei em casa, revisei minha agenda, olhei cada item com muita gratidão. Não era um olhar tolo, mas consciente, porque em cada “problema” realmente havia uma dádiva. Amanhã, começo o dia tendo que levar meu carro pra consertar, mas sinto-me grata porque pude usar hoje o carro do meu filho e porque a garantia do meu ainda não acabou. Xô, cansaço: escolho uma semana produtiva e com muita energia!

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Não estamos sós, nem somos tão originais assim!

Tive prenúncios, mas hoje veio a certeza: estou em um momento em que está tudo virando de cabeça pra baixo. Nada grave, mas muitas e muitas coisinhas para serem resolvidas em curto espaço de tempo, com muito desperdício de energia porque me tiraram do eixo. Não resisti e postei uma frase no Facebook, talvez porque tenha ouvido falar nas energias de Mercúrio retrógrado (não entendo de Astrologia, mas...), talvez porque só quisesse me sentir acompanhada, ou quem sabe por esse costume louco que as redes sociais nos trazem de compartilhar coisas.
O fato é que deu certo, seja lá a razão de tudo isso: vi que não estou sozinha, lembrei de que pedras e tropeços fazem parte de todas as jornadas, olhei um pouco mais pro outro e desviei a atenção de mim mesma, recuperei o centro e a tranquilidade. Afinal, daqui a pouco, nada disso estará mais por perto. Tudo passa mesmo, independente do nosso julgamento sobre o que é bom e ruim!
Tudo transcorre do jeito que deve ser e bem de acordo com a minha necessidade de desenvolvimento. A vida é generosa, mesmo quando a bomba d´água quebra, o cachorro entra em casa e suja tudo e depois faz o mesmo no escritório, o vizinho demole a casa aos poucos deixando poeira pra todos os lados, o cansaço vem antes do dia terminar, a lista de tarefas não se esgota e falta dinheiro pra tantas contas de início de ano. Essa mesma vida, me oferece amigos carinhosos, presentes inesperados, a gentileza e a solidariedade de pessoas que fazem parte do meu dia, um pé carregado de acerolas, a possibilidade de acompanhar meus clientes em diferentes processos e aprender com cada um deles e mais tanta coisa que não cabe em listas.

Se não dou conta de perceber tudo isso, há a espiritualidade que só exige de mim a confiança de que estou amparada pelo que me transcende. A próxima vez que o cotidiano (Mercúrio retrógrado?) me tirar do eixo, vou lembrar rápido daquela frase que está até em para-choques de caminhões: “Ora, que melhora!” Vale pra todas as crenças e nos faz recordar de que não vivemos a esmo, mas amparados para evoluir e contribuir com a evolução do Mundo.

domingo, novembro 04, 2012

Conversando com a fonte interior


Perguntei pra Fonte: “Minhas curas passam necessariamente por ti. És remédio, elixir, renovação. Por que me afasto então? Por que me desequilibro e busco ajuda ao meu redor, se tudo o que preciso é me voltar para ti?”

A Fonte respondeu, incrédula: “O que está acontecendo? Estás tão próxima de mim. Por que não me sentes? Abre os olhos e enxerga até o que não queres ver. Assim poderá ser quem teme ser. Poderá fluir. Veja quem é você. Onde está agora? Não se permita não me sentir, porque eu fluo naturalmente em você. Você está prejudicando o seu sentir com o que não é essencial. Tira a roupa rápido. Esses momentos de dúvida são sempre de enfrentamento. Olhe-se no espelho e pergunte-se: Quem sou? O que sou? O que desejo? Ame-se incondicionalmente sob o risco de não amar mais ninguém. Adore-se. Respire intensamente, no dia a dia. Seja ele qual for. Faça tudo o que fizer amorosamente. Você é amor!
Retorne ao núcleo, se necessário. Para me sentir, para se sentir. O seu trabalho, a sua família: tudo isso é você. Viva tudo com alegria e amor, com equilíbrio, experimentando e respeitando as pessoas, amando a tudo e a todos. Não dê espaço para nenhum sentimento diferente. Na dúvida, viva. Pense e aja! Sob pena de não prosseguir. Eu amo, eu amo, eu amo! Eu sou, eu sou, eu sou!”

domingo, junho 24, 2012

Eu aceito...

Sombra e luz, alegria e tristeza, recolhimento e expansão, morte e nascimento. Estamos em meio a polaridades, ou melhor: somos todos bi-polares. Temos em nós, os polos opostos de tudo o que há na vida. Ou será que alguém vive constantemente em expansão? A vida é cíclica e não há como evitar um ou outro momento de recolhimento. Mesmo sabendo disso, no entanto, ontem fiquei sem saber como lidar com a minha introspecção. Sábado a noite não é dia de recolhimento, repetia pra mim mesma! É dia de estar com amigos, beber, comemorar... Bom, não estava nessa “vibe” e chamei o momento de tristeza. Tão atazanada fiquei, que pouco consegui ler do meu livro maravilhoso. Também não consegui escrever! Fui dormir!
Não estava triste, agora sei! Não reconheci o simples fato de que a vida é feita de momentos, de que somos todos diferentes, de que se hoje você está de dieta pode ser que eu esteja com vontade de comer o mundo. Para cada pessoa que ri, com certeza há alguém que chora e que certamente sorrirá depois, quando outras pessoas estiverem chorando. E isso é maravilhoso e natural. A vida é movimento. Quem mandou eu esquecer disso? Se renego os momentos como o de ontem, choro e sofro desnecessariamente. Está certo que eu não queira me recolher o tempo todo, está certo também que aceitar um sentimento não é simplesmente acomodar-se a ele. Mas a aceitação traz a paz, reforça o amor próprio.
Ser alegre é saber acolher a tristeza, porque ela faz parte de mim! Há um mantra que alguns amigos repetem que é muito poderoso, que eu compartilho aqui: “Eu ilumino minhas sombras com amor e compaixão.” Isso não significa que eu vá exterminar as sombras ou que elas sejam indesejadas. Aprendi com um amigo fotógrafo que a sombra é tão importante para compor a foto quanto a luz: luz e sombra são matérias primas de sua arte, que jamais existiria sem uma ou outra. Mas esse mesmo amigo me diz: “Não dá pra explicar! As sombras devem ser aproveitadas!” Por isso parei de tentar entender! E mudo o meu mantra para “Eu aceito e amo cada um dos meus momentos com muita compaixão!”

segunda-feira, setembro 26, 2011

O Sagrado Feminino e o Sagrado Masculino

Feminino e Masculino: divindades complementares
Um círculo de mulheres é uma experiência única e já escrevi sobre isso aqui. Acredito na força e na energia que emana de um grupo feminino. Depois de cerca de seis anos de reuniões mensais, o Círculo da Lua Nova, que visito esporadicamente, sentiu-se convidado a integrar o masculino em suas atividades, transformando-se em um grupo misto. Confesso que, naquele momento, não gostei muito da ideia, porque acho que ainda há muito o que desenvolver dentro desse universo do sagrado feminino, mas esta semana fui obrigada a rever meus conceitos.
Revivi essa questão quando me dei conta de que tive uma boa experiência nesse percurso do que é ser mãe, que registrei aqui, e do quanto o comentário de um homem me ajudou nesse processo. Justo naquele quesito em que imaginava que nenhum homem jamais pudesse me ajudar: o exercício da maternidade. Quando me dei conta de que a experiência do masculino integrara-se a minha para me propiciar uma nova visão diante de um contexto onde precisava atuar, qual seja, uma nova estrutura familiar, só pude sentir gratidão.
Fiquei mais surpresa ainda ao conversar com uma amiga e ouvir dela o quanto ela havia sido beneficiada na relação com a filha por um simples comentário também masculino. Tive que recuar para observar e fui visitar o Círculo da Lua Nova, neste fim de semana, onde encontrei dois homens: a energia continua sendo majoritariamente feminina. Mas é incontestável que, cada vez mais, a complementaridade das energias é o caminho do fortalecimento de ambas as polaridades.
Há muita coisa nova acontecendo no Universo, e mesmo aqueles que não buscam sintonias mais profundas com os mistérios que regem a Terra, percebem que há algo de diferente no ar. Neste cenário, não cabe mais a valorização exclusiva do sagrado feminino. Como mulher, contenho o mundo em mim, mas jamais serei capaz de me realizar plenamente sem a complementaridade essencial do masculino, que, hoje, vejo igualmente sagrado.
Em meio a tantas distorções sociais e culturais, ambos – homens e mulheres – desconectaram-se de suas essências. Não existem mais vítimas e algozes. Estamos todos juntos, como sempre estivemos, em busca dessa união sagrada e divina que é nosso maior propósito. Não se vive só e, ainda que sejamos centelhas de Deus, precisamos e precisaremos sempre do outro para exercer nossa divindade. Enquanto nos colocarmos em lados opostos, como num ringue, essa preciosa união não acontecerá. Quando integramos a sabedoria tão diversa de ambas as polaridades, ficamos mais fortes e aptos para essa jornada de desenvolvimento e amor. Estou certa de que está aqui – na INTEGRAÇÃO – o caminho para amenizar os tantos desencontros de si e do outro que presenciamos em nosso mundo moderno. E isso só conseguiremos exercitando a nossa habilidade mais grandiosa: a de AMAR!

domingo, setembro 04, 2011

A distância do outro

Aconteceu comigo, mas é muito mais frequente do que se possa imaginar. Eu não conseguia
tocar pessoas que não fossem da minha família ou de um circulo de amizades muito restrito. No máximo, aquele beijo no rosto bem distante e formal. Nem sei como cheguei a este ponto, porque sempre fui muito afetuosa e carinhosa, mas só notei essa dificuldade quando, grávida do meu terceiro filho, fui procurar um curso de yoga. Meu primeiro mestre foi muito importante na minha vida e talvez ele nem saiba quanto. O tal do trenzinho no final da prática, onde todos massageavam um pouco as costas do companheiro da frente, ganhou uma ocupante cativo na primeira "fila": EU. Depois de conversar com o instrutor, eu aceitei receber o toque, desde que não tivesse que tocar ninguém.
Ele me ensinou a meditar, a acalmar uma mente inquieta demais e me apresentou a um tal
de Osho que falava coisas tão esquisitas que eu torcia o nariz e reclamava de seus
textos. Aquelas ideias não combinavam com minha vida, enquadrada por muitos dogmas e rígidas crenças. Amor permite liberdade e ainda por cima é antagônico ao apego. Essas e outras coisas não faziam muito sentido pra mim.
Os anos se passaram, eu revi minhas ideias sobre Osho. Seus livros viraram companheiros de cabeceira e, por mais incrível que possa parecer, um deles ajudou-me a conduzir meu casamento de forma saudável por mais tempo. Afinal, a liberdade está dentro e não fora de nós e foi assim que eu segui em minha busca, procurando sempre por mim mesma, meu eixo e razão de ser.
Com os muitos companheiros de caminho, fui aprendendo a compartilhar meu amor, minha vida e a abraçar. Descobri que o abraço, o toque são poderosos curativos da alma que, neste mundo, ainda se fere, possivelmente para facilitar alguns aprendizados. Aprendi muito sobre os cinco sentidos que envolvem relações mais profundas e plenas. Hoje, não prescindo do toque amoroso, que vai e vem na mesma medida, em todas as direções.
Às vezes, encontro em casa, paradoxalmente, minhas resistências. Normalmente ao filho que
chegou tarde ou aquele que deixou de fazer suas tarefas. Mas isso também me proporciona aprendizados. O importante é a descoberta dessa incrível troca de energias que está à disposição de
todos nós e que só nos exige o coração aberto. É preciso estar disponível para aceitar o amor que vem de todas as direções. Além disso, é preciso também estar disposto a retribuir, mesmo com muitas limitações, à generosidade do Universo, derrubando, gradualmente, as dificuldades impostas por preconceitos e ideias que nos foram impostas mas que não combinam em nada com a nossa essência. Quando olho pra trás, hoje, vejo o quanto valeu (e continua valendo) cada passo na direção do outro. Agradeço ao meu primeiro mestre de yoga, que começou a me empurrar rumo a uma vida de muitos abraços e mais plena!
Namastê!
O Amor permite a liberdade (texto de Osho)

domingo, abril 24, 2011

Renascendo na Páscoa!

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. (Chico Xavier)
A frase ecoou na minha cabeça neste domingo de Páscoa. É isso que aprendi na minha formação religiosa: todos os anos repetia que Páscoa era um momento de renovação, renascimento, transformação. No ritual católico, passam-se 40 dias em que os devotos se reconhecem com pó (ou, simbolicamente, cinzas) para ressurgirem com Jesus, cuja ressurreição celebra-se na Páscoa. Eu sempre soube disso, faz parte do conjunto de crenças da minha família; mas a verdade é que eu nunca senti no meu coração o que, de fato, isso significava. Hoje, a famosa frase de Chico me parece perfeita. Acreditando ou não na ressurreição, todos temos uma nova oportunidade, todos os dias.
Andei meio na bronca com alguns ritos que celebram as oportunidades de recomeço pela via da culpa. Mas, pensando melhor, deixando a culpa de lado, há muito de verdadeiro no rito das cinzas. Ninguém se transforma sem virar pó e todas as crenças e filosofias repetem a mesma história, à sua maneira. A vida é pontuada de pequenas e grandes transformações. E isso independe das escolhas de cada um.
Penso em mães e filhos. Eles crescem, modificam-se e, com isso, as vidas das mães se transformam. Não há o que se possa fazer a esse respeito. No entanto, há mães que sofrem quando suas crias saem de casa; outras, que se negam a aceitar que as crianças cresceram; entre tantas outras histórias. Mas todas as mães se transformam. O que difere, a meu ver, é o nível de consciência desse processo, que pode trazer a aceitação e, junto com ela, a capacidade de deixar-se conduzir pelo fluxo da vida. Há, em tudo isso, uma inevitável parcela de dor, para os que crescem e assumem suas responsabilidades; para os que se veem obrigados a preencherem suas vidas com novas atividades.
Todos passam por algum desconforto para ingressar em uma nova fase e com outros aspectos da vida, não poderia ser diferente. Um corpo saudável, por exemplo, requer alimentação balanceada e o fim do consumo de alimentos que, para muitos, são fonte de prazer, como frituras, doces e refrigerantes. Quem nunca ouviu frases do tipo: “ficar sem refrigerante, pra mim, é a morte!” Estamos sempre deixando algumas coisas de lado para conquistar outras. E isso é inerente à vida.
No entanto, podemos resistir e manter-nos atados a fases, lugares, profissões que já não nos fazem bem. Escolha? Talvez. Para mim, é tudo questão de consciência. Este sim, o grande “barato” da vida! É ela quem nos conduz, de olhos abertos, pela aventura de viver, fazendo-nos sentir a “dor” da transformação e o imenso prazer de renascer. Então, desejo a você muitos renascimentos, nessa Páscoa, sem medo do “pó”, reconhecendo – de olhos bem abertos – as dores de deixar morrer os aspectos que precisam ser transformados para um glorioso ressurgir! Paz e alegria!

sábado, abril 09, 2011

Zona alvo ou zona de conforto?

Paisagem do meu percurso: um céu que conversa comigo.
Cansei da falta de empenho em retomar a atividade física. Sou filha de professor de Educação Física e praticar esporte, na minha casa, nunca foi opcional: “Faz bem pra saúde e pronto!”. Em meio a um ciclo de grandes mudanças que exigem muito de mim em todos os aspectos, tinha certeza de que a corrida podia ser uma grande aliada. Estava certa: posso treinar a qualquer horário; me obrigo a ficar ao ar livre, respirando a brisa do mar e absorvendo a energia do sol; recebo boas doses de endorfina; e queimo calorias, o que é sempre bom! Só não contava que meus treinos se transformassem em um novo desafio na minha vida.
Desde o início, quando procurei um amigo profissional de Educação Física, com experiência no treinamento de atletas, para preparar o meu treino, sabia que teria que exercitar meu ponto fraco: a disciplina. Mas há muito mais nesse programa de corrida do que eu poderia supor. A cada dia que concluo o treino, sinto que superei alguma coisa. Um dia é o mau humor, outro uma preguiça enorme, ainda tem o cansaço, a falta de tempo, os apelos dos programas de fim de semana que fazem com que pareça impossível parar por uma hora, os imprevistos do trabalho... A lista é enorme, mas há 60 dias supero isso tudo para correr quatro vezes por semana.
Já houve dias em que saí de casa chorando e voltei sorrindo; muitos, em que, olhando pro céu ou pro mar, agradeci ao Universo por poder usufruir daquele momento; outros em que tive alguns insights para problemas pessoais ou profissionais. O trabalho emocional (ou talvez espiritual) que faço em paralelo ao físico é tão intenso que desacostumei a usar fones de ouvido. Semana passada, resolvi levar o MP3 e desliguei-o no meio do percurso. Bastavam-me os meus ruídos internos e os sons da natureza.
Desafio maior, no entanto, é me manter na tal da Zona Alvo. Como acredito em sinais, sincronicidades, ressonância, entre outros conceitos afins; vejo aí outro desafio, que também extrapola e muito os meus treinos. Percebi isso quando o amigo treinador, disse que estava na hora de fazer um novo teste. Que incômodo! Cheguei a ter medo do que a esteira e o frequencímetro pudessem revelar. Na verdade, meu desejo, aqui como na vida, era voltar a me acomodar. “Deixa ficar mais confortável, pra mim”, pedi. Ele não entendeu o que era, na verdade, uma súplica e disse: “o corpo se adapta muito rápido no ritmo em que você está”.
Ainda não fiz a tal revisão da minha zona alvo. Estou mesmo querendo chegar a minha zona de conforto. No entanto, percebo que há um movimento alheio a mim, mas do qual faço parte, que está impelindo muita gente a novos caminhos. Desconstruir para construir parece-me quase um mantra para muitos. E quando se está chegando no que se imaginava o fim, surge algo novo para ser construído, que se traduz por uma ação, um desafio, um empreendimento, uma superação. Parece que o Universo está com pressa e se tem alguém disposto a seguir seu fluxo, ele não se faz de rogado e sai levando. Por isso, já sei que não vou fugir e em breve estarei reavaliando o alvo do meu treino, assim como tenho, constantemente, reavaliado os demais alvos da minha vida.

quinta-feira, março 03, 2011

Estou viva, obrigada!

Minha área de treino de corrida!
Levei mais de uma hora para calçar os tênis e sair de casa, tamanha a preguiça de correr. Saí com a animação de quem vai ao médico. Mais do que cumprir o programa de treinamento, naquele dia, estava buscando uma dose de endorfina extra, que pudesse aumentar meu bem estar. Há dias em que qualquer leveza pesa e aquele era um desses dias. Na saída do condomínio, encontro um amigo retornando da corrida. Ele me cumprimenta com um sorriso e diz: “Estamos vivos, né? Isso já tá bom demais, hein?” Eu sorri de volta e pensei que era a melhor frase que podia escutar naquela manhã. Ganhei mais alguns sorrisos dos seguranças da portaria, cruzei com conhecidos no calçadão da praia, vi a família de corujas do terreno vazio. Cada detalhe fazia a diferença: era, realmente, maravilhoso estar viva.
Não posso dizer que a corrida foi fácil, mas obrigou-me a sair de casa, vencer o mau humor e observar cada sinal da natureza generosa que me cerca. Mar, sol, montanhas, areia da praia... além das pessoas que faziam o mesmo que eu. Algumas, com certeza, também se desafiaram pra calçar seu par de tênis de manhã.
Lembrei do filho caçula que, diante dos comentários após a rápida leitura matutina do jornal - havia acidentes, mortes, previsões de catástrofes ambientais globais – lançou-me a pergunta: “mãe, por que você me trouxe pra esse mundo horrível?” Eu respondi a ele com muita convicção: “porque é o melhor mundo que eu conheço. Se eu conhecesse outro melhor, com certeza você teria nascido nele.”
Falei com o coração e com gratidão, porque realmente há muito a fazer por aqui. Cada filho é um importante companheiro de jornada. Aprendemos uns com os outros o tempo todo. E isso é minha grande dádiva. E agora, recordo-me de um sábio que pegando dois grãos de areia do mar, colocou nas mãos e disse: “o que são esses dois grãos diante dessa praia? Assim é o planeta, como o conhecemos, diante do Universo. Não sabemos nada da vida, tudo isso aqui é muito pouco frente à grandiosidade que nos envolve.”

sábado, fevereiro 26, 2011

Diferentes, todos somos!

Quem não tem uma particularidade, uma característica que ninguém mais tem? No entanto, muitas vezes rejeitamos nossas singularidades por medo. Tememos nosso poder pessoal, a força que nos faz brilhar. É perceptível aquele que se aceita seu brilho interior. Essa pessoa sorri de si mesmo, compreende seus deslizes, reconhece as próprias dificuldades e singularidades com alegria. Mas não é o mais comum. O que mais se vê é a briga interna de cada um para ser menos do que é. O discurso pró-evolução e desenvolvimento pessoal, algumas vezes, é uma desculpa para domar seu lado genial. Chego a pensar que os dons mais especiais causam desconforto e são tratados como fardos. O resultado não poderia ser outro: instaura-se a dissonância pelo conflito de atitudes e pensamentos. E, se há sofrimento para as pessoas ao redor daquele que vive nesse conflito, ele em nada se compara ao que experimenta o próprio sujeito, pela rejeição de parte de si.
Porém, o pior mesmo é a impossibilidade de realização que advém desse sentimento. Se cada um tem seu dom, tem também seu caminho, sua missão, seu trajeto, e deixar isso de lado dificulta a vida de muitos. É como se esmerar no plantio de um trigal e não colher, deixando as espigas de milho apodrecerem e secarem ao sol sem que sirvam de alimento para uma comunidade de famintos. Não importa quem somos ou de onde viemos: todos temos dons. Se ainda não os achamos é porque não nos permitimos encontrá-los. Cada pessoa tem algo que a torna única e que é sua forma de alimentar o mundo e deixar “pegadas” por onde passar. Mas que nos incomoda a ponto de rejeitarmos o que temos de mais especial? Não deveria haver sofrimento na realização de si mesmo. A única explicação possível que encontro é a falta de confiança. E, para isso, o único remédio é seguir em frente até conquistar essa confiança e conseguir distribuir ao mundo suas “espigas de milho”. De cabeça erguida.
Para combater a rigidez que nos imobiliza em alguns momentos, experimente um coração frouxo, aberto. Deixe-se conduzir. Pense na vida como um balé, onde cada um pode dançar com leveza. Não há sofrimento no fluir. Permita-se. Entregue-se. Destrave cada parte de você que o/a impede de prosseguir. Tudo isso dá trabalho? É preciso dedicação intensiva? Nada nos é pedido que não sejamos capazes de realizar. Como seria o mundo se nenhum “fruto” (dom) fosse sonegado? Quem dá de si nunca está só, ainda que pareça estar entregando o bem mais precioso que tem.

domingo, fevereiro 20, 2011

Uma história de muito amor

Soube da chegada da Luisa dentro da piscina. Acompanhei um pouco do desejo de seu pai, meu professor de natação, e sua esposa por um filho, que seria a estreia dele como pai. A menina nasceu e trouxe pro meu professor uma oportunidade de ver a vida por novos ângulos. Eu podia notar que ele, em pouco tempo, tornara-se uma pessoa melhor. Ficou mais flexível, amável, compreensível e sensível, entre outras qualidades que eu não saberia pontuar. Não convivia com a família, parei de nadar alguns anos depois do nascimento da menina, mas reaproximei-me de seu pai, pelas vias do caminho espiritual. Tornamo-nos companheiros de jornada, com respeito e grande afeto.
A notícia da morte repentina de Luisa, justamente dentro de uma piscina, ambiente em que foi criada, me chocou (e a tantas outras pessoas). Primeiro, achei que fosse uma piada de mau gosto, depois soube da toda a história e revoltei-me. O que o Universo queria dizer com tudo isso? Queria abraçar o meu amigo e sua família, mas não sabia o que dizer. E aí comecei a repetir pra mim mesma: vou aprender com a dor dele. Revisitando os fatos, tão carregados de simbolismo, eu me vi diante de duas opções: acreditar que para tudo na vida havia um propósito Divino, crença que eu compartilhava com meu amigo, ou esquecer tudo a que havia me dedicado nos últimos anos, no campo espiritual, e declarar a crueldade dos fatos.
Fiquei com a primeira opção e, uns dias depois de ter recebido a notícia, um e-mail de uma amiga mostrava-me que o pai da Luisa tinha feito a mesma escolha. Em meio a toda a sua dor, lutando contra sua humanidade, que chorava a perda, reuniu amigos e falou que gostaria que essa experiência fosse marcada tão somente pelo amor. Não havia outro sentido para a morte da sua filha, a quem tanto amara, que este: “A sua breve vida foi pontuada de sorrisos, alegria e amor, e agora não poderia ser diferente”.
A tradicional “missa de sétimo dia” foi substituída por um encontro fraterno com a manifestação de várias religiões, homenagens dos amigos (da criança e de seus pais), e a leitura de uma mensagem psicografada recebida pela família, assinada pelo avô materno já desencarnado. Estava tudo bem. Luisa fora acolhida, cumprira sua missão, que seus pais ficassem em paz.
O pai abriu e encerrou o evento agradecendo aos amigos, a quem abraçou carinhosamente durante longo tempo, porque eram muitos. E, nas duas oportunidades, ressaltou o amor como a principal dádiva da vida da filha que se fora. Seu pedido, era que a passagem de Luisa levasse uma mensagem de amor ao coração de cada pessoa. Que todos refletissem no quanto estavam sendo amorosos com seus filhos, com seus companheiros e amigos. Ele, certamente, aprendeu muito sobre o amor com sua primeira filha, tanto que teve mais uma alguns anos depois: “ela tem nos ajudado muito a superar esse momento, com a sua alegria e leveza”.
Não se vive, chora, ama ou ri sozinho. Meu amigo e sua família não estão só e conseguiram transformar o triste episódio em uma história de amor, uma bonita mensagem de vida. A saudade será permanente, mas o amor curará as feridas dessa família, apresentando novos sentidos à vida. Amor é uma energia que não conhece limites. O amor verdadeiro é infantil e generoso, como Luisa; reverbera, derrama-se, contagia. Cada um ama como pode, é verdade. E eu sempre digo que, mesmo com muitos defeitos, amo da melhor forma que posso. Mas, para amar, é preciso sentir o coração de criança. E se há mesmo um propósito para tudo sob o sol, talvez por isso, Luisa tenha ido tão cedo: para nos lembrar de amar como crianças que somos e sempre seremos. Ela adormeceu para nos acordar!

domingo, dezembro 19, 2010

A felicidade de compartilhar

Bull, um grande irmão que, junto com Bill, zela por
essa maravilhosa "aldeia"
Tem gente que diz que falo demais. Pode ser. Sou meio excessiva mesmo, vou fundo no que gosto: livros, trabalho, estudo, lazer, comida... Há sempre uma bola da vez para os meus excessos e uma contínua busca pelo equilíbrio, o caminho do meio. Mas há limites para compartilhar, abraçar, amar, sorrir? Acho que não. Por isso não me canso de dar e receber isso tudo, com o adendo de que cada troca me deixa com uma nova lição, um novo aprendizado.
Na Aldeia do Sol, um sítio voltado para vivências, cerimônias e práticas xamânicas, as trocas (e, consequentemente, os aprendizados) se dão em ritmo acelerado. É um “intensivão” evolutivo. Desde a minha primeira tenda do suor, há cerca de quatro anos, elegi esse lugar para recarregar as baterias e celebrar a vida. Cada vivência me traz muitas surpresas, novos aprendizados e, invariavelmente, retorno com o coração abastecido de amor. Nesse caso, acho que o excesso não faz mal nenhum.
Dessa vez, confesso que senti o coração apertar a caminho de casa. Sabia dos bons combates que me aguardavam e o desejo era ficar, cercada de amor, amigos, paz, canto dos pássaros, lua cheia, fogueira, boa comida, rezas e tambores. Imediatamente lembrei da passagem da bíblia em que, antes da crucificação, durante as últimas horas de liberdade de Jesus, um apóstolo pede para que fiquem acampados no monte, na tentativa de estender os sentimentos de segurança e paz. Lá estava eu querendo a mesma coisa, temendo perder a plenitude que tinha experimentado.
Cheguei em casa e abraçar meu filho mais novo já dissipou o aperto no coração. Havia muito amor para partilhar e senti toda a boa energia que recebi na aldeia tomar conta de mim novamente. Depois, liguei o computador para baixar as fotos e me conectei com alguns amigos de quem me despedira há algumas horas. E aquela energia foi ganhando mais força. Há sentimentos que aumentam quando repartidos, contrariando todas as lógicas. Então, digo mesmo, pra quem quiser ouvir, que estou feliz, conheço um lugar mágico e tenho amigos que me amam muito.
Me dei conta de que a maior mágica da aldeia somos nós, que, regularmente ou não, circulamos por lá! Não teria como contar, por exemplo, quantas horas de abraços (dados e recebidos) experimentei neste fim de semana. Nem quantas vezes senti meu coração vibrar em diferentes direções. Muito menos o poder dos insights que me economizarão muitas sessões de terapia. Aliás, me dei conta de uma coisa muito mais óbvia: de que sempre precisamos aprender (ou reaprender) algo muito simples, posto bem à vista, mas ignorado pela mente racional e “inteligente”. “O essencial é invisível aos olhos”, dizia o Pequeno Príncipe, e eu ainda me esqueço e caio na armadilha de acreditar que eles é que vão me conduzir ao conhecimento.
* Mais sobre o mesmo:
Nem dá tempo de comemorar a vitória - sobre uma vivência com um índio lakota, em maio/2010
Tenda do Suor - Uma breve explicação e alguns links

sábado, novembro 20, 2010

Um gesto de amor... Vamos ao abraço?

Conheci a Amma em sua vinda ao Rio, há cerca de 3 anos. A programação, no Hotel Intercontinental em São Conrado, previa muitas atividades e, em alguns horários, meditação coletiva, cânticos e abraços. Sim, abraços! E milhares de pessoas faziam filas para ganhar o abraço dessa mulher que é capaz de ficar até 30 horas seguidas abraçando pessoas, dizendo mantras em seus ouvidos e distribuindo balinhas. São SÓ abraços, mas com eles, essa indiana cura espiritualmente a muitos milhares e ainda conquista adesões para suas obras sociais que ajudam aos necessitados de todo o mundo, especialmente da Índia.
A energia que senti naquele dia me marcou a ponto de poder revivê-la anos depois. Ganhei meu abraço sei lá que horas da madrugada. Devo ter esperado umas 7 horas por aquele momento, sem ver o tempo passar. Enquanto esperava absorvia a energia maravilhosa que emanava de milhares de pessoas de todos os pontos do país que viajaram e sentavam lá só para fazer o mesmo que eu: compartilhar amor. Famílias, crianças de colo, adolescentes, idosos... pessoas de todas as raças cores e idades aglomeravam-se organizados por voluntários.
No refeitório, alimentação a preços baixos para que todos pudessem se manter durante as longas jornadas de abraços. A um canto do refeitório, um pratinho que havia sido usado pela Amma, ficava à disposição daqueles que queriam temperar seu ensopado indiano com um pouco da comida daquela que é considerada santa por muitos. Eu chamei de “baba” da Amma e coloquei uma colher, feliz, em meu prato.
Lembrei disso tudo agora, por causa de uma frase que uma amiga postou no Facebook. E aí pensei nas muitas pessoas que conheço que se esquecem de seu valor e dizem: “não sou bom o suficiente”, “não posso ser exemplo pra ninguém”, “não tenho o que dar ao outro”. Será que não sabem dar um abraço? O mundo não precisa de muito mais que isso. A grandiosidade está nas pequenas coisas que, de tão pequenas, passam tão despercebidas, a ponto de fazerem falta ao equilíbrio do Planeta.
O amor é a força mais transformadora que existe e, para ampliá-la, multiplicá-la, recebê-la, tudo o que precisamos é dar. Quanto mais se dá-amor, mais se recebe, numa operação que subverte todas as leis da matemática: o amor nunca subtrai. O melhor é que qualquer pessoa, em qualquer estágio da vida, com ou sem problemas emocionais, financeiros, fraquezas e tristezas pode fazer esse movimento. E amando, é capaz de encontrar uma força terapêutica para si mesmo. Foi assim com a Amma, quando descobriu seu potencial de amar e curar. É claro que a missão dela é mais ampla, mas quem não sabe abraçar? Experimente agora. Abrace alguém ao seu lado, com amor, sem pressa, e veja o que acontece.

sexta-feira, julho 09, 2010

Para que mais?

Os excessos têm sido a causa de muitos males. Talvez neles resida a maior parte dos problemas da humanidade atual. Exagero? Não! Basta refletir sobre o que as pessoas têm feito em prol de si mesmas para obterem mais e mais. Em todas as esferas da vida, há quem queira mais e mais. O que ocorre é que, quando se tem mais do que precisa, tira-se algo de alguém. Desequilibra-se uma balança que rege o fluxo da vida. Quando desequilibrada, essa balança dá origem ao caos social que se experimenta hoje.
Que excessos há em sua vida? Eles começam com o simples uso irracional de recursos naturais. Hoje corre-se o risco de habitar-se um planeta desprovido de águas limpas, busca-se novas fontes de energias e vê-se a deterioração de belas paisagens naturais pelos excessos cometidos contra a natureza de onde ainda se extrai mais e mais.
Nas relações humanas, vemos o mesmo tipo de abuso que gera um sentimento corrente de desconfiança. Isso para não falar daqueles que à custa de práticas desonestas, em qualquer proporção - pois não há diferença entre “se dar bem” com um real ou com um milhão - acumulam bens que deveriam estar nas mãos de outros.
Há muito o que se refletir, porque todos nós, em alguma medida, cometemos excessos que contribuem para desequilibrar essa balança pojetada pelo Criador. Se não gostamos das consequências que experimentamos hoje, que tal fazermos nossa parte? Pode ser que perdendo algo estejamos ganhando e contribuindo para um mundo mais fraterno.
* Texto/mensagem enviado por um amigo

segunda-feira, junho 28, 2010

Essa tal da felicidade existe?

Fazia muito tempo que eu não me sentia assim: um lixo. Há relações que fazem a vida da gente perder o sentido (ou pelo menos parte dele) e a gente nem se dá conta, presos em uma rede tecida cuidadosa e diariamente pela conformação e pela acomodação cotidianas. Assim, devidamente enredados, enquadramos nossos desejos, controlamos nossos impulsos (e pulsos) mais essenciais, e sonhamos sonhos que julgamos impossíveis, relegados às experiências do bem-vindo sono.
Já ouvi a frase: “você sempre teve esse sonho de ser feliz” e amaldiçoei meus sonhos. Culpei-os da minha dor e, logo em seguida, pensei em desistir de grande parte deles. É que tenho muitos sonhos. A desistência parecia-me um caminho natural, estaria seguindo os passos de muitas pessoas da minha família e nessa trilha não há riscos. Há ainda o bônus das justificativas para erros e infelicidades. Algo do tipo: “em caso de sinistro, a responsabilidade será de quem antecedeu você e ensinou-o a agir assim”. Eu mesma já escutei pessoas justificando-se, dizendo que foram criadas assim ou que cresceram em um ambiente de tal forma, entre tantas outras desculpas.
Pensando melhor, desistir do sonho de ser feliz, por mais “ridículo” que alguns possam considerá-lo, parece-me com desistir da vida. Lembro-me das vezes, há muitos anos, em que achava que essa seria a única saída para meus pensamentos desenquadrados. Aquele tempo ficou para trás, mas há momentos em que a dor é inevitável, como agora.
Está bem, mas então pra que essa insistência em querer ser feliz? Você conhece alguém feliz? Não, de fato não conheço ninguém feliz todo o tempo. E, para falar a verdade, não tenho a pretensão de sê-lo. Acho, realmente, que essa estabilidade deve ser algo como o nirvana, o paraíso ou a iluminação, de acordo com a crença de cada um. Não, essa felicidade, não deverá ser mesmo pra agora. Mas nem isso me faz desistir. Acredito que, nesse caso, conta o meio e não o fim; a busca e não o tesouro. Nesse percurso, os loucos que acreditam poder ser felizes, encontram pedaços de felicidade. Com certeza, espalhados por alguma mão divina para estimular o caminhar ou dar alento quando o “normal” parece ser desistir. Os pedacinhos de felicidade estão por toda parte, até em lugares onde não imaginamos encontrá-los, mas só poderão ser percebidos por pessoas que têm a coragem de, ainda que por momentos, viver a sua verdade mais verdadeira, a sua essência divina, o lugar onde homens e deuses misturam-se.

sábado, maio 29, 2010

A Força do Destino // Trabalhando em sintonia com o Universo

Acredito em destino. Acho, sinceramente, que cada um de nós nasce com uma missão. No entanto, também creio no livre arbítrio, que permite que nossas escolhas possam delinear o caminho que seguimos, independente dessa tal missão. Temos total liberdade para ir por esta ou aquela via. Mas e o que chamo de destino? Pra que serve, se podemos fazer o que quiser? No meu entendimento é o prumo (ou rumo), o lar interior, o caminho onde as coisas fluem. Podemos optar por outras direções daquelas que nascemos pra seguir, e dar tudo certo, mas teremos o dobro de obstáculos a enfrentar.
Isso é o que acredito. Mas até ontem não tinha percebido a força que isso tudo tem. Força do destino? Talvez! Pra mim, no entanto, é o que se sente quando nos aproximamos daquilo que chamo de missão. Deve ter outros nomes por aí, mas não importa. Fui conduzida a essa percepção por uma emoção que não consigo descrever como alegria ou tristeza. Talvez pudesse chamar de certeza de que há algo muito especial acontecendo em minha vida.
Desde o ano passado, tenho tentado juntar ao meu trabalho a minha alma. Não sei se é possível entender, mas me dividia entre a técnica, o fazer correto; e as minhas buscas pessoais, onde estava sempre às voltas com sentimentos e emoções. De fato, não sabia como me juntar num só pacote, mas comecei a seguir os sinais: um curso aqui, um livro acolá, uma palestra mais adiante, um site, a dica de um amigo... Quando sentia a tal da emoção pensava: “deve ser por aqui, vamos ver o que mais há nessa direção”. Mas não tinha nenhuma clareza do que fazia, embora fizesse assim mesmo.
Mas isso passou. Como já disse, começo a ter certeza de que estou no MEU caminho. E há indícios de que estou acertando os passos. Ontem, o sinal veio através de pessoas que comentaram um texto que escrevi pro Site da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE), uma delas a minha dermatologista, que acompanha minha vida profissional há mais de 15 anos. Foi através dela que me dei conta de que havia algo maior nesse momento da minha jornada: talvez a tal força do destino, por mais piegas e lugar-comum que isso possa parecer.
Comecei a juntar tudo o que tem acontecido em todos os âmbitos da minha vida e percebi um movimento que me transcende. Em meu íntimo, sei que isso tem a ver com a tal da missão, com estar aberto aos sinais que recebo todos os dias, muitas vezes através de comentários dos filhos. Mas nada disso torna o caminho mais fácil. Os passos são meus, cada busca é empreendida por mim e toda conquista depende de muito esforço. As dádivas do Universo pressupõem responsabilidade e, se por um lado, sinto-me imensamente gratificada e grata por toda ajuda que percebo à minha volta; por outro, vejo que há muito trabalho a fazer e que terei que vencer a preguiça e a acomodação em muitos momentos.
O que muda então? Acho que a aglutinação, a capacidade de agregar fatos, pessoas e sinais em um mesmo caminho. Sabe aquela coisa do Universo conspirar a favor? É isso! Há um algo mais quando vivemos a nossa essência. Não tenho dúvidas. E se me esforço para contar isso aqui é porque sei que muita gente busca esse “sentir”. Quando chegamos ao ponto de não saber o que fazer, olhando para muitos caminhos que surgem, temos que atentar para os sinais. Acredite, eles são tão banais quanto divinos, e podem vir, por exemplo, numa frase dita por um filho na saída apressada do carro, na porta da escola.

domingo, maio 16, 2010

Nem dá nem tempo de comemorar a vitória


Quem acredita que existe um mundo que transcende a compreensão humana, vive em busca do equilíbrio entre o que vê e compreende e o que sente, mas não explica nem mostra. É o meu caso. A espiritualidade faz parte de mim tanto quanto o mundo material e sigo buscando a convivência entre ambos e os aprendizados que se pode obter dos dois lados. Em qualquer um desses caminhos, acumulo conquistas, derrotas, tropeções, risadas e lágrimas. Mas não posso dizer que esteja parada. Persigo a evolução em ambas as esferas, mas o movimento constante me mostra que ainda há muito a percorrer.Acabo de voltar da Aldeia de Sol, um local propício a práticas nativas, dessa vez conduzidas pelo índio lakota Vernon Foster (Wakia Un nanee). Os rituais, com a ajuda dos participantes, foram muito intensos, mas, desde o sábado, só tinha o que agradecer. Estava muito emocionada por conquistas pessoais pelas quais trabalhara e pedira muito naquele mesmo lugar. Embora o impacto das mudanças desejadas estivesse provocando um pouco de sofrimento, todas as experiências, pra mim, representavam um grande processo de cura. Estava em paz, energizada e saí da tenda do suor consciente de minha força, condição feminina e ancestralidade.
Presunçosamente, achava que já tinha resolvido todas as minhas questões, então era só curtir a boa maré. Mas presunção e autoconfiança têm significados distintos. Por ignorância ou falta de humildade, cerrei os olhos para um processo que ainda me causava dor, julgando-o resolvido. Ainda não sabia que, quando entramos numa jornada de autoconhecimento, não há como esconder o lixo sob o tapete: ele sempre acaba aparecendo. E, em uma das práticas conduzidas pelo lakota, psicólogo e terapeuta, a emoção fluiu, como tinha que ser. A força que eu sentira desde o início do fim de semana, abriu uma brecha para liberar o medo e a fragilidade que eu teimava em esconder de mim mesma. Estava tudo lá! Não havia como não ver, num choro compulsivo, pedaços doloridos, mascarados por de mim.
Estava em grupo, no meio de pessoas muito amorosas com quem compartilho parte da minha jornada, e o resultado não poderia ter sido melhor. Reconheci minha dolorosa fragilidade, aceitei-a, acolhi e, com amor, tive ajuda para enfrentá-la, num poderoso processo de cura. O que me fez refletir , no entanto, não foi o choro, nem a ajuda dos amigos, mas o surgimento de um sentimento que eu achava inexistente, num momento em que pensava que não havia muito mais a conquistar. Já havia conseguido superar uma das maiores dificuldades da minha vida. O que mais poderia surgir?
Estou e estarei sempre aprendendo. O Universo, em sua perfeição, não dá descanso aos que desejam evoluir, seja em que campo for da vida. Profissão, espiritualidade, relacionamentos, saúde: há sempre o que melhorar. Quando superamos um desafio, outro surge imediatamente. Mas eu ainda ignorava essa dinâmica da vida, ou, pelo menos, fingia. Quando me preparava para aproveitar uma possível zona de conforto, surge novo incômodo, requerendo novo aprendizado.
Sem tristezas. Não há fim, mas há resultados. Sinto-me, de fato, mais forte e consciente a cada dia e isso é motivo de muita alegria. E talvez, porque esteja fortalecida, o Universo também cuida para não dar tréguas. Dá-me a capacidade e os obstáculos a superar na justa medida. E isso tem dado muito certo: estou com muito mais agilidade no cair e levantar e cada vez mais apta a conviver em harmonia com os companheiros de caminho.

sábado, maio 15, 2010

Voltei: estou aqui no PRESENTE

Um comentário no blog, num momento de ansiedade, lembrou-me que eu estava fugindo do momento presente. Acho que, de alguma forma, naquele momento, eu e aquela leitora que comentou no “Simplesmente Agora” dialogamos. Intriga-me essa imensa teia em que estamos enredados, independente de nossa vontade e que me conecta a pessoas de formas distintas e, às vezes, inimagináveis. Lembrei-me da conhecida frase de Shakespeare, no diálogo entre Hamlet e Iago: “há mais mistérios entre o céu e a terra que pode conjecturar uma vã filosofia”. Senti-me o Iago, com tantas indagações.
O despertar que me veio através do comentário recordou-me de quem eu sou e de minha rede interna que me leva ao centro de mim. Acredito que eu, parte da rede, seja por mim mesma uma pequena teia de intrincadas relações com um centro, que chamo simplesmente de essência divina. Quando reconecto-me ao fluxo da vida, assenhoro-me de mim mesma, e, por isso, naquele texto, falei da “técnica” do agora. É uma maneira de lidar com os temores que o novo e o desconhecido me causam.
Todos os dias temos novas experiências. Mesmo que não percebamos. Pode ser um corte de cabelo diferente, um esmalte de unha de cor inusitada, uma nova pessoa que ingressa em nossas redes de relacionamentos, um olhar que nos atinge de forma mais contundente, o sorriso do porteiro e por aí seguimos numa lista interminável. Cada uma das novidades nos afeta de forma diferente e, às vezes, imperceptível. Mas por que algumas nos causam tanto medo e ansiedade? Talvez essas sejam as experiências mais profundas e o sentimento que provocam não seja medo, mas temor, respeito, por tudo o que poderão representar em nossas vidas.
De qualquer forma, agora, nesse exato instante, estou deixando esses sentimentos e dúvidas de lado. Nunca terei mesmo a certeza do que está por vir e nenhum oráculo poderá me assegurar dos resultados dos meus movimentos presentes. Então, viverei “simplesmente o agora” porque acabo de me dar conta de que fugir desse instante será sempre uma fuga de mim mesma. O respeito e o temor não paralisam, demonstram-me a importância dos próximos movimentos da minha vida. Amo e aprendo com todos eles e agradeço a cada instante as relações que vou estabelecendo ao longo da minha jornada, capazes de, num momento de novidade, ajudarem-me a perceber o presente, o único espaço que importa. E se me afasto dele, não há problema, não estou só e não me faltam sinais apontando para onde devo estar a cada instante.

domingo, maio 02, 2010

Todo dia é dia de cura

Ontem foi dia de cura, pra mim. Mas, pensando bem, todos os dias deveriam ser assim. Diariamente, somos expostos a todos os tipos de energias. Algumas enchem-nos de alegria e vitalidade e ajudam em nossa caminhada cotidiana; outras, fazem exatamente o contrário, intencionalmente ou não. Sabe aquela história do “seca-pimenteira”, que todos nós já ouvimos alguma vez? Quem duvida? Eu não. O problema não está nessa alternância de energias, pois o bem e o mal fazem parte de nós, mas em nos mantermos ignorantes do que acontece conosco. É raro encontrar alguém que siga, todo o tempo, os preceitos que, na Bíblia cristã, são representados pela frase “orai e vigiai”.
Justamente por me esquecer disso tudo, às vezes sinto-me mais frágil. Desatenta a mim mesma, fico mais exposta a toda sorte de energias. Nessa hora, minha ignorância humana chega a me fazer crer que preciso de mais vitaminas ou de uma visita ao médico; quando tudo o que preciso, de fato, é me harmonizar. Se acredito que sou matéria energética, devo acreditar que atraio ou repilo outras energias de acordo com meu padrão. Então, se me mantenho num padrão vibratório de boa frequência, estou protegida dos desequilíbrios provocados por outras energias, certo?
Tudo muito lógico, só que ninguém consegue se manter imune todo o tempo, daí a importância de estarmos sempre atentos, especialmente à qualidade de nossos pensamentos. E, se nossa distração, causa-nos um desconforto de que não damos conta, então o melhor é procurar uma ajuda. Todos temos recursos à volta de que podemos lançar mão nessas horas: religião, amigos, terapeutas... Vivemos em grupos e não pode ser diferente quando nos sentimos fraquejar. Hoje, tive a preciosa ajuda de uma amiga, mas contou mesmo a minha disposição de jogar luz nas “sombras” que me afligiam. “Orai e vigiai.”

sábado, abril 24, 2010

Xô, preguiça!

Preguiça. Às vezes gosto dela, às vezes não. Quando tudo o que se quer é relaxar depois de um dia intenso de trabalho, acho-a bem-vinda. Mas, quando ela apresenta-se pesada e quase impedindo a gente de se levantar da cama, não a vejo com bons olhos. E tenho reparado que ela nunca vem sozinha, acompanha-se de alguma frustração acumulada, desejos não-realizados, noites mal-dormidas, pensamentos confusos, pequenas decepções e tantas outras “coisinhas” de quem nem nos damos conta. Mas o fato é que ela está lá. E, justamente porque nem sempre consigo perceber que tipo de sentimento abriu a porta para que ela entrasse (sim, poque é preciso abrir a porta para essa senhora), é que tenho tanta dificuldade de mandá-la embora.
Só que ontem consegui encontrar dentro de mim uma forma de lidar com essa preguiça, que deve ter ganho outros nomes pelo mundo afora. Para alguns pode parecer tolo, mas está funcionando com um pequeno esforço. Fecho os olhos, deixando os pensamentos livres para passear em outro lugar que não a minha mente (numa espécie de meditação), e encontro um recanto de paz e alegria. Não é fácil, porque, para os acometidos de preguiça, melhor do que qualquer esforço, é encontrar a ajuda externa que não requer dispêndio de energia. Já experimentei isso também. E gostei. Receber ajuda amiga é sempre uma dádiva, mas não fortalece tanto quanto o esforço próprio de manter-se bem e ativo.
Ter a certeza de que, dentro de mim, há recursos suficientes pra lidar com “preguiças” inesperadas é muito bom. Permite que eu lance mão do poder inerente à minhas essência. Não me livra de novos ataques de preguiça ou de qualquer outro sentimento que dificulte o meu caminhar. Não há como permanecer imune. A certeza, no entanto, de que, com um pequeno esforço e alguma vontade, posso acessar uma parte de mim capaz de reagir, me deixa confiante. Agora, pouco mais de uma hora depois de acordar sem vontade de sair da cama, vou caminhar. E não contarei com o sol para me animar, mas com essa fonte de energia que está dentro de mim mesma. Bom dia pra você também!
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