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domingo, outubro 12, 2014

Sai pra lá cansaço: quero uma semana cheia de energia e feliz!


Tantas coisas pra resolver de uma vez que, no balaio da vida – lugar onde filhos, trabalho, afetos e
torneira quebrada se misturam -, cada item ganhou um peso enorme. Andava tão cansada que decidi procurar um médico: devia ser anemia ou alguma outra doença a me tirar as forças. Precisava sair do lugar. Marquei a consulta com um clínico que me fora indicado e, no dia marcado, lá estava eu cheia de esperanças que um exame de sangue revelasse alguma fragilidade a ser imediatamente resolvida com vitaminas. Não foi bem o que aconteceu. O médico analisou os exames mais recentes e afirmou: “nenhum exame que você fizer vai apresentar dados novos”. Receitou vitaminas, mas alertou: “não deixe da fazer atividades físicas.”
Saí do consultório desanimada. O que fazer com a exaustão? Onde arrumar tempo pra não relaxar com a atividade física? E o que dizer dessa sensação de que jamais darei conta de todos os itens da minha agenda? Sentada no carro, me veio um pensamento, daqueles que mais parece uma voz – ainda que inaudível: “Você não está doente. É tudo uma questão de decidir”. Como decidir não me sentir exausta? A “voz” respondeu: “Decidir o jeito de encarar as situações que aparecem no seu dia.”
Eu sorri. Era simples, mas sensato. Afinal, uma torneira quebrada é... Com qual das opções abaixo você completaria a frase?:
( ) uma coisa rápida de resolver.
( ) um problema a mais na vida já tão corrida e atribulada.
( ) um transtorno porque mão de obra para esse tipo de reparo é difícil e desonesta.
( ) uma dessas situações chatas pelas quais mulher nenhuma deveria precisar passar.
Eu confesso que estava marcando todas as opções, menos a primeira. Não só para a torneira, mas para todas as outras coisas que preciso resolver. Vitaminas vão me fazer bem, mas a razão da exaustão era eu mesma, atribuindo um peso extremo a cada coisa que me acontece. Nesse contexto, um feijão queimado pode virar uma crise mundial.

Cheguei em casa, revisei minha agenda, olhei cada item com muita gratidão. Não era um olhar tolo, mas consciente, porque em cada “problema” realmente havia uma dádiva. Amanhã, começo o dia tendo que levar meu carro pra consertar, mas sinto-me grata porque pude usar hoje o carro do meu filho e porque a garantia do meu ainda não acabou. Xô, cansaço: escolho uma semana produtiva e com muita energia!

quarta-feira, abril 02, 2014

A felicidade cotidiana

Não passou muito tempo desde o dia em que fiz escolhas que mudaram radicalmente a minha vida. Há quem ainda me cobre explicações ou me recrimine. E todas essas pessoas têm razão. Até pra mim, às vezes, é difícil entender este caminho em que me meti. Mas há momentos, e muitos deles, em que sinto-me em paz e feliz. Abri mão de muitas coisas, entre elas o conforto de poder contar com pessoas que cuidavam da minha casa e da minha família há muitos anos. A minha vida ficou mais dura, mesmo. Casa grande, filhos, trabalho e todas as funções domésticas pra cuidar. Pra mim não é fácil. Nunca foi. Desde pequena, fui acostumada a sentar à mesa já posta e nem sei se retirava a louça. Por isso, momentos muito simples ganharam status de festa. E eu adoro!
Hoje foi um desses dias. Sinto-me muito feliz e abençoada. Preparei almoço e janta pra mim e pros filhos. Nada de especial, mas, com a correria diária, um peixe fresco frito no almoço, com arroz, feijão, salada e suco de acerola colhida no quintal viram um banquete. E quando consigo que sentem à mesa, desligo a televisão (às vezes, brigo pra isso, é verdade!) e conversamos sobre qualquer coisa. Para mim, é uma epifania! Na janta, um frango cozido com cenoura, me deixou nostálgica. Foi um dos pratos que aprendi a preparar quando casei por ser bom de congelar! Só tinha um filho à mesa, e justamente o de paladar mais exigente. Repetiu o prato enquanto conversávamos. Felicidade deve ser o nome do que sinto agora!

Claro que adoro conforto e tudo o mais que a vida tem de bom! Não sou louca! Mas o meu momento agora é esse. E em tudo, realmente, há algo de maravilhoso. Descobrir o prazer de cozinhar, preparar a comida da minha família, sentar à mesa para conversar sobre assuntos cotidianos e dividir tarefas (ainda que seja muito na marra!) é uma dádiva que recebi. Há beleza em tudo na vida! Até numa pia cheia de louça suja! :)

domingo, dezembro 09, 2012

Uma cota a mais de felicidade


Todo mundo quer ser feliz ou mais feliz. É um fato! Mas o surpreendente, pelo menos pra mim, é perceber que essa cota (a mais) de felicidade está sempre ao nosso alcance, apesar de, muitas vezes, parecer distante. Cada um tem seus motivos – conscientes ou inconscientes – para não usufruir de todas as coisas boas que lhe cabem, mas elas estão lá, esperando apenas que estendamos a mão para alcançá-las.
Hoje tive uma das muitas experiências que me fazem lembrar que nasci para ser feliz e que todas as vezes que caminho em direção contrária a isso, é por minha própria dificuldade de enxergar o óbvio e de viver simplesmente o momento presente. Claro que há muitas coisas que me fariam muito feliz, e que dependem de outras pessoas ou circunstâncias que ainda não se fizeram presentes. São meus desejos e sonhos. Mas há muito mais em cada momento da minha vida. E esse preâmbulo todo é só pra contar que hoje liguei a sauna da minha casa. Nada demais, não fosse ela estar sem uso há anos e o local servir de depósito para umas tranqueiras que não servem pra nada.
Eu adoro sauna, então hoje pensei: “o que me impede de ligar esse aparelho e curtir?”
Saí para caminhar na praia, aproveitando a trégua da chuva e o início de noite claro do horário de verão, e voltei pra ver se o aparelho ainda funcionava. Já tinha retirado as tranqueiras, então deixei aquecer um pouco e fiquei aproveitando aquele calorzinho alternado com o banho gelado. Fiquei tão feliz e me perguntei porque ainda não tinha tomado posse daquele pedacinho maravilhoso da casa. Sim, porque o espaço que habitamos, também precisa que o desejem, que o ocupem com a disponibilidade de usufruir do que ele tem para oferecer. Cuidar, usar, aproveitar e manter fazem parte dessa “relação” com tudo o que nos cerca.
Não me permitia aproveitar a sauna, não cuidava dela e também não usufruía do bem-estar que ela poderia me proporcionar. Falta de tempo pra cuidar, falta de tempo para usar, preguiça de ir pro quintal sozinha: o rol de desculpas é longo e custei muito a me dar conta dele. Perceber mais essa pequena autossabotagem, me faz arregalar os olhos para atentar para outras que às vezes causam essa impressão terrível de que a felicidade mora ao lado. A preguiça de caminhar na praia, sempre tão disponível pra mim; o filme que deixo pra “ver depois” até sair de cartaz; o almoço com os amigos que vai sendo adiado até que o tempo apareça; a exposição que “deixo pra lá” porque acontece longe de casa, e aqui já vou formando mentalmente uma lista de “pequenas desistências”. Hoje, vou desfazendo essa lista a medida em que se forma, porque desejo usufruir de cada uma das possibilidades que o presente me oferece. A felicidade só pode acontecer AGORA!

segunda-feira, julho 30, 2012

O que é viver?

“Amiga, agora vou viver!” Escutei isso e perguntei de imediato: “Ótimo, mas o que é viver?” Para ela, “viver” é sair à noite pra dançar, ir ao teatro e ao cinema, entre outras coisas que o seu namorado não gosta de fazer. Para ele, certamente, “viver” tem outro significado. Conversamos sobre as atividades que ela pretende retomar, porque, como diz, tem que fazer o que gosta, e eu fiquei com essa pergunta na cabeça, que, na verdade, sempre me faço: “O que é viver pra você?” 
Lembrei de um amigo que está passando por uma fase turbulenta em muitos aspectos da vida que anda amuado e entristecido há meses. É uma pessoa muito próxima e querida, com quem converso muito. Há mais de um ano não o escuto dizer nem um dia que está feliz. Por amá-lo tanto, esta semana, fiquei pensando em como ajudá-lo e naquilo que podia fazer além de mostrar, de alguma forma, quase diariamente, que estou por perto. Fiquei me perguntando se ele poderia estar bem diante dos problemas que está enfrentando e entendi que, sim, ele poderia estar bem. Desde que aceitasse que tudo é transitório, que a natureza está à disposição de todos para reenergizar e reequilibrar nossos espíritos e que estamos cercados de amigos de todo tipo justamente para enfrentar melhor os desafios da jornada da vida. Felicidade não é circunstancial, concluí, é uma questão de escolha. O que seria “viver” para esse meu amigo? Por que ele não sente que está “vivendo” nesse momento da sua vida?
Pensando nele e nessa definição muito pessoal do que é “viver”, me dei conta de que ele não está “vivendo” porque perdeu-se de si mesmo. Tem lá os seus motivos. Assim como eu, que muitas vezes, esqueço da minha vocação inata à felicidade e tenho que me perguntar “O que é mesmo viver, hein?” Mas reencontrar o caminho também é uma escolha e a felicidade, mesmo sendo uma condição sempre possível, exige algum esforço, ainda que seja aquele de abandonar um antigo padrão e de ver a situação que se vive com um novo olhar. Felizmente, não estamos sozinhos. Há sempre amigos, sinais e acontecimentos para nos lembrarem o que é “viver” e nos ajudarem a retomar nosso caminho, seja ele qual for! E aí? Já descobriu o que é viver pra você?

sábado, abril 07, 2012

Só porque acordei feliz!

Hoje acordei feliz e precisava contar isso pra você. Não que eu precise que se orgulhe de mim, mas porque sempre acho que a felicidade compartilhada cresce e fica mais vistosa e mais sentida. Não pense que a compartilho hoje porque é coisa rara que ela amanheça comigo. Nada disso; é bem ao contrário. Esse é um sentimento que me tem sido muito comum. Está certo que continuo com aqueles momentos em que choro, bato o pé e peço a gentileza de um colo amigo, mas eles não desmerecem nem atenuam o brilho desse estado de ser que me pertence agora.
Tenho um amigo, que você não conhece, que acha graça quando falo de felicidade e me associa, de forma zombeteira, a escritores de autoajuda. Eu não ligo. Acho que sou um pouco assim mesmo, mais pela beleza da vida do que pelas lentes com que escolhi enxergá-la. Aliás, “escolher” é mesmo a palavra chave desse meu estado de espírito que não passa! Quando vejo que a minha conta bancária encolheu ou quando me sinto só e acho que estes são motivos para meu aborrecimento, sinto que tudo o que experimento é fruto de minhas escolhas e isso de alguma forma me deixa muito feliz.
Afinal, escolher não significa, de forma alguma, acertar sempre. Nem saberia dizer se mais acerto ou erro, mas o que sei e o que me faz feliz é que escolho. Escolho por mim mesma e assumo todas as consequencias das minhas escolhas, ainda que algumas sejam mais difíceis de aceitar. Sou responsável por minha vida, tanto quando você é responsável pela sua. E isso me tira todas as chances de ser vítima de alguma situação ou de alguém. Escolho a todo momento, inclusive agora, quando decidi compartilhar o que sinto. Não estou rindo às gargalhadas, tenho muitas coisas a fazer, engordei dois quilos, tenho roupas pra lavar, mas consigo sentir o coração cheio, pleno. E nele, “que não é tão simples quanto pensa, cabe o que não cabe na despensa...” Um beijo e um dia amoroso ê feliz pra você também!

segunda-feira, março 19, 2012

Minha intuição não me engana!

Estar no mar me faz feliz!
Acordei mesmo com a intuição de que algo maravilhoso e inesperado aconteceria. Uma alegria de viver junto com a certeza de que a vida me traria algo de melhor naquele dia. Só não sabia o que. Passei o dia atenta a todas as coisas boas que me aconteceram porque sabia que o tal “bem e bom” que previa podia estar em qualquer lugar! E estava! O resultado não podia ser melhor. Ao fim do dia, fiz um balanço pra ver se minha intuição me pregara uma peça.
Não me decepcionei: não ganhei na loteria, mas computei, com alegria, todos os pequenos grandes eventos de que normalmente nem me dou conta e que me fazem, de fato, feliz. Consegui arrumar horário para fazer exercícios, acabei um artigo que estava me consumindo, tive a resposta de um e-mail importante, encontrei amigos queridos que não via há muito tempo, vi a chuva cair e refrescar a Cidade, terminei um grupo de coaching que evoluiu muito durante o processo. Isso para citar alguns motivos para sorrir. Havia muito mais. E sempre há! O presente que recebia era a consciência de que há muito mais para celebrar e de que a atenção a esses eventos nos faz valorizar o que é realmente importante.
Essa mesma consciência tem trazido momentos de muita emoção e me ajudado a perceber que a felicidade está mesmo nas pequenas coisas. Pergunto-me sempre: o que faz você realmente feliz? As respostas que obtenho de mim mesma não tem a ver com o material. O carro novo, o vestido e o presente caro acabam perdendo, se o assunto for felicidade, para um momento com os filhos, a conversa gostosa com um amigo, a caminhada à beira-mar, uma noite iluminada, um por de sol e tantas outras coisas que tornam a minha vida sempre melhor.
Foi assim que percebi que, ao fim de um dia exaustivo, onde precisei fazer faxina e muitos outros serviços domésticos, com a prática de quem há muitos anos não pegava numa vassoura, estava muito feliz. E isso era tão concreto que consegui esquecer meu cansaço físico para caminhar no calçadão da praia. Foi uma resposta silenciosa a quem me perguntou, quando me viu com a vassoura na mão, se era assim que eu dizia que procurava a felicidade. Não a procuro, já a encontrei!

terça-feira, setembro 06, 2011

Ciclos de mulher

Do meu jardim: símbolo de mulher
Tudo era novo! Mas nem tanto! A vida repete-se em ciclos até que cada um deles seja consumado e dê lugar a um outro ciclo. De repente, estava diante de um sentimento tão novo e ao mesmo tempo tão antigo. Voltei no tempo. Quem estava ali não era só a mulher, mas, também a menina. Encontraram-se as duas, assustadas pelo tempo passado, pelo inusitado do encontro e pelo estranhamento com que se encaravam. Pensavam existirem por si só e seguiam alheias uma à outra. Que engano! Mal sabiam(os), mulher e menina, que não sobreviveremos uma à outra, mas coexistiremos sempre.
Desejos de mulher e medos de menina foram apenas algumas das emoções a serem conciliadas nesse encontro. Receios, ansiedades, inseguranças da menina, presentes em desejos, sonhos, conquistas da mulher. Tudo se repetia, mas, desta vez, havia a mulher para dar conta desse revival de sentimentos. Estava tudo lá, em registros antigos, do tempo em que só a menina existia. Uma ou outra rejeição na escola, o primeiro amor (ou o que ela pensava ser amor), a melhor amiga, os amigos do clube, as pernas finas, o corpo magro diante de algumas amigas que mais cedo tinham peitos e bundas... Tudo isso e muito mais vinham à tona.
Depois de se olharem muito, ambas deram a mão. Desta feita, a menina não estava sozinha. Havia como passar pelas emoções de uma outra forma. Já não havia menina, nem mulher. Fundiram-se em uma menina-mulher, acolhendo-se mutuamente. Finalmente, eram apenas uma! A menina-mulher começou, então, uma nova jornada, olhando com carinho suas experiências, acertos e desacertos, medos e tantas outras emoções. Tudo merecia seu lugar, dentro deste novo ser. O mundo lhe cabia e ela cabia nele! Foi aceitando cada sentimento com que se deparava. Agradecia a possibilidade, agora, de reviver, acolher e curar. Liberava-se assim, para novas experiências, para um novo caminho, só seu: aquele que sempre soubera que um dia trilharia!

domingo, setembro 04, 2011

A distância do outro

Aconteceu comigo, mas é muito mais frequente do que se possa imaginar. Eu não conseguia
tocar pessoas que não fossem da minha família ou de um circulo de amizades muito restrito. No máximo, aquele beijo no rosto bem distante e formal. Nem sei como cheguei a este ponto, porque sempre fui muito afetuosa e carinhosa, mas só notei essa dificuldade quando, grávida do meu terceiro filho, fui procurar um curso de yoga. Meu primeiro mestre foi muito importante na minha vida e talvez ele nem saiba quanto. O tal do trenzinho no final da prática, onde todos massageavam um pouco as costas do companheiro da frente, ganhou uma ocupante cativo na primeira "fila": EU. Depois de conversar com o instrutor, eu aceitei receber o toque, desde que não tivesse que tocar ninguém.
Ele me ensinou a meditar, a acalmar uma mente inquieta demais e me apresentou a um tal
de Osho que falava coisas tão esquisitas que eu torcia o nariz e reclamava de seus
textos. Aquelas ideias não combinavam com minha vida, enquadrada por muitos dogmas e rígidas crenças. Amor permite liberdade e ainda por cima é antagônico ao apego. Essas e outras coisas não faziam muito sentido pra mim.
Os anos se passaram, eu revi minhas ideias sobre Osho. Seus livros viraram companheiros de cabeceira e, por mais incrível que possa parecer, um deles ajudou-me a conduzir meu casamento de forma saudável por mais tempo. Afinal, a liberdade está dentro e não fora de nós e foi assim que eu segui em minha busca, procurando sempre por mim mesma, meu eixo e razão de ser.
Com os muitos companheiros de caminho, fui aprendendo a compartilhar meu amor, minha vida e a abraçar. Descobri que o abraço, o toque são poderosos curativos da alma que, neste mundo, ainda se fere, possivelmente para facilitar alguns aprendizados. Aprendi muito sobre os cinco sentidos que envolvem relações mais profundas e plenas. Hoje, não prescindo do toque amoroso, que vai e vem na mesma medida, em todas as direções.
Às vezes, encontro em casa, paradoxalmente, minhas resistências. Normalmente ao filho que
chegou tarde ou aquele que deixou de fazer suas tarefas. Mas isso também me proporciona aprendizados. O importante é a descoberta dessa incrível troca de energias que está à disposição de
todos nós e que só nos exige o coração aberto. É preciso estar disponível para aceitar o amor que vem de todas as direções. Além disso, é preciso também estar disposto a retribuir, mesmo com muitas limitações, à generosidade do Universo, derrubando, gradualmente, as dificuldades impostas por preconceitos e ideias que nos foram impostas mas que não combinam em nada com a nossa essência. Quando olho pra trás, hoje, vejo o quanto valeu (e continua valendo) cada passo na direção do outro. Agradeço ao meu primeiro mestre de yoga, que começou a me empurrar rumo a uma vida de muitos abraços e mais plena!
Namastê!
O Amor permite a liberdade (texto de Osho)

sábado, agosto 13, 2011

Compromisso com a felicidade

Há coisas na vida que são mágicas, se não a vida toda, cheia de probabilidades e surpresas. Uma delas, propiciada pela tecnologia, é a possibilidade de escrever, publicar e interagir com as pessoas que leem o que escrevemos, através da internet. O blog, pra mim, é uma dessas mágicas. Sabemos que um texto, depois de publicado, segue seu destino e ganha vida própria. E assim, um comentário que recebi esta semana de um texto publicado em 2009 sobre relacionamentos e expectativas, me colocou pra pensar num momento bem oportuno da minha vida.
Na oportunidade inequívoca de aprendizado que representam os relacionamentos, é quase impossível não se deparar com as expectativas. Uns mais, outros menos, poucos nunca. Em algum grau, nos pegamos esperando algo do outro que ele não pode dar. E, na maioria das vezes, esquecemos de dizê-lo, perdendo a chance de administrar nossos sentimentos e de aprofundar um relacionamento pelo diálogo.
Hoje, percebo em amigos de todas as idades e gostos, e até em mim mesma, o receio de lidar com o compromisso com o outro. Nas letras das músicas que meus filhos escutam, há muitas menções a relacionamentos baseados no prazer, no momento, na atração, e tudo isso está muito bem. Eles acham muito divertido e, não vou negar, eu também. Mas aí está uma grande armadilha para nós, seres humanos de todas as gerações.
Levados pelas frustrações que nós mesmos buscamos através das expectativas, especialmente daquelas não declaradas, e por modelos de relacionamentos calcados no controle e na posse, criou-se o “modelo” da aversão a compromissos. Então, poucos “têm” um namorado ou uma namorada, porque, de alguma forma, descobriram que isso não é coisa que se “tem” mesmo. Num relacionamento saudável e satisfatório não se tem registro de posse do outro. Por outro lado, poucos “são” namorados e namoradas, no melhor sentido que essa palavra pode ter: o de, segundo o Aurélio, “cortejar e inspirar amor”.
Relacionamentos não têm regra, e eu torço para que meus meninos entendam isso logo! Eu já travei meu compromisso comigo e com a minha felicidade. Sem modelos e, justamente por isso, avessa a um ou outro padrão. Caso contrário, na justa busca por uma vida mais plena, corro o sério risco de enfiar-me em outra prisão, aquela que, hoje, dita como os novos relacionamentos devem ser. Não posso negar que as músicas que meus filhos cantam grudam na cabeça e são ótimas, em algumas situações, para dançar. Mas elas não são meu modelo de vida, e espero que não sejam o deles também! Vou desviando dos padrões e buscando relações genuínas, em sintonia com a minha essência. Agradeço, e muito, ao Universo, cada oportunidade de aprendizado que as pessoas que cruzam meu caminho representam.

quinta-feira, maio 26, 2011

O endereço da felicidade

A porta emperrou. De repente, eu que sempre tive “meus” homens por perto - pai, marido, irmão – me vi pensando numa saída, já que me faltam jeito e força para dar conta dessa situação. Acho que ela ficará emperrada até que uma mão mais forte, quem sabe de um filho, possa colocar a coisa no lugar. Só que a mente não se dá por satisfeita e vai além, questionando todas as implicações de, de repente, não ter essa mão forte bem pertinho.
Gosto desse sentimento que conheci dentro de mim: o de me perceber plena, de luzes e sombras, de risos e lágrimas, de medo e coragem. É tão forte que, mesmo debilitada como agora, com uma gripe que me deixou da cama, me pego sorrindo, agradecendo a Deus cada movimento da minha vida. Mas abrir mão de toda essa proteção que tinha ao meu redor também expõe as minhas fraquezas e é com elas que a minha mente brinca nesse exato instante, perguntando-me quem irá me amparar, nesta e em outras situações? Com que braço forte poderei contar?
Óbvio que meu Universo está todo carregado de simbolismos. Braços fortes, muitas vezes, revelam uma fragilidade enorme e, quase sempre, precisam ser amparados por um outro tipo de força. Esta sim, não me falta. Mas não sou autossuficiente. Estou longe de sê-lo. Gosto de amigos por perto, de aconchego e de mais um monte coisas inerentes à minha natureza humana, feminina, singular. Gosto tanto de compartilhar, que “me” publico em um blog porque acredito que assim me junto a outras pessoas fortalecendo uma energia comum. Além disso, vivo cutucando meus companheiros de jornada para dividir os momentos que mais me assombram.
No entanto, reconhecer minhas necessidades, gostos e afinidades, não significa trocar o endereço da minha felicidade. Já sei de coração que ele fica em mim mesma, e quando a ilusão de não ter ninguém por perto se aproxima, pego um cartão imaginário, onde consta esse simples endereço. A estratégia é tão verdadeira que invariavelmente dá certo. E aí, aquele recado que não chega, a mão que falta para colocar a porta no lugar, o telefone que não toca, e o encontro esperado com ansiedade ficam todos guardados em seus devidos lugares, inofensivos. E o melhor desse recurso é que a prática torna-o cada vez mais eficaz.

sábado, março 19, 2011

Sexo santo

Fiquei assustada com a matéria que li em O Globo, intitulada Namoro Santo, que trata de um movimento (será isso mesmo?) que estimula as pessoas a deixarem o sexo para depois do casamento em prol de relações mais felizes e estáveis. Há o caso do rapaz que não beija a namorada na boca para “não esquentar em baixo”, da profissional liberal de 29 anos que mantém sua virgindade como um troféu e da ex-atriz que, há oito anos sem namorar, diz que só vai ter vida sexual novamente após um novo casamento.
Fui criada para casar virgem, em uma família católica que ensinou-me a ver o sexo como tabu: fora do casamento, uma transa era considerada pecado. Percorri um longo caminho para ficar de bem com a minha sexualidade. E ainda não coloquei ponto final nessa história porque acho que o caminho do corpo, assim como o do espírito, é contínuo. A conquista do respeito ao próprio corpo passa pelo respeito ao corpo do outro, e o conhecimento de si mesmo permite maior conhecimento do corpo físico. E, pelo pouco que sei, essa jornada acompanha toda a existência, desde a primeira percepção que adquirimos de nós mesmos, ainda na primeira infância.
Por isso fico assustada com os extremos, tanto daqueles que optam por banalizar o sexo quanto dos que tentam enquadrá-lo em padrões rígidos. Respeito todas as opiniões, sei o que desejo pra mim, mas lamento que uma das maiores fontes de prazer, realização e equilíbrio para nós, humanos, ainda seja tratado como tabu. Pergunto-me se um movimento pelo sexo santo, não traria mais resultados à humanidade. Imagino quanta energia densa seria dissolvida se mais pessoas fizessem do sexo um meio para relações mais plenas consigo e com o outro, valendo-se desse maravilhoso recurso para enriquecimento do processo evolutivo que todos nós, independente de escolhas e crenças, temos a cumprir na Terra.

segunda-feira, março 14, 2011

Sonhar, mas um sonho possível

“Sonhos são totalmente realizáveis? Ou servem apenas para ficarem na mente?” A pergunta foi feita por uma jornalista, em entrevista sobre o workshop Diário do Futuro, que idealizei em parceria com o amigo Fabio Betti. Não pensei duas vezes antes de responder: “Só quem sonha realiza.” Quando afirmo isso, me refiro a tantas provas que já tive, em minha vida e na de amigos, de que nossos pensamentos são poderosos instrumentos, capazes de trabalhar contra ou a favor de nossas próprias realizações.
Mas quem faria mal a si mesmo? Qualquer pessoa que não consiga vigiar seus pensamentos o tempo todo. Assim como eu e você. Se a maioria de nós não consegue pleno domínio das “minhocas” que passeiam em nossa mente, pelo menos podemos – como pessoas comuns – ampliar nossa consciência acerca delas. Quanto mais presença tivermos em nossas vidas, mais protegidos estaremos do poder malévolo dos pensamentos. E poderemos, usá-los a nosso favor.
Quantas pessoas que você conhece que mantêm vigilância constante sobre os pensamentos arredios? Eu não conheço uma, mas isso não ameniza meu desconforto quando me dou conta que estou jogando contra mim mesma. Quase esqueço que sonhos se materializam não porque sou uma boba romântica, mas porque, quando os acredito reais, canalizo para eles uma energia criadora capaz de transformá-los no que chamamos de realidade.
E foi assim que me dei conta de que estava quase desistindo de um sonho. Aceitei quando me disseram que sonhava um sonho impossível. Fiquei triste, mas me resignei. Faz parte da vida. E nesse conflito interno, ao qual estava totalmente alheia, senti minha própria energia ruir. A mente briga em silêncio e quando escutamos algum som, o estrago já foi feito. Percebi a tempo de reverter a luta e recuperar minha melhor posição. Não sei porque, mas, nessas ocasiões, percebo ter mais facilidade de acreditar em “não” do que em “sim”. É, minha amiga jornalista, sonhos são totalmente realizáveis, mas você tem que acreditar de verdade neles!

domingo, março 13, 2011

Como se fosse o último dia da minha vida...

Com amigos na terça-feira do carnaval de 2011
No café da manhã, diante das notícias do jornal, pergunto: “será que é verdade essa história de que o mundo se acaba em 2012?”. A resposta, mesmo num tom irritadiço, me fez sorrir: “e isso importa?” Realmente, não importa. Não há nada que se possa fazer diante das forças da natureza, do inevitável e do desconhecido. Mas há muito o que se pode fazer quando lembramos que nosso espaço de vida é o agora. Se estamos vivendo da melhor forma que podemos, não importa até quando viveremos. E isso vale para todas as áreas da vida. Quando era adolescente, achava que a frase “viva cada dia como se fosse o último de sua vida” fosse sinônimo de bagunça e zoeira. Hoje, já sei que viver o melhor que posso a cada dia inclui relevar o motorista que me xinga; TENTAR não perder a cabeça diante do atrevimento dos filhos adolescentes; desejar bom dia ao presidente da empresa com o mesmo amor com que desejo bom dia ao recepcionista; escutar quando quero ficar em silêncio; e falar quando tudo o que desejava era emudecer.
Sim, estou a cada dia mais convicta de que nascemos pra ser felizes. Embora muitos ainda digam e pensem o contrário, não consigo mais acreditar em frases como “a vida é uma luta”, “cada um com a sua cruz”, “ser mãe é padecer num paraíso”, entre outras tantas. Acredito que cada momento traz as suas lições e que o aprendizado não é sinônimo de sofrimento. Não sei se é porque sempre gostei de estudar, mas não vejo necessidade de tristeza em lições difíceis. Podemos substituir o sofrimento, por força, garra, determinação, otimismo e tantos outros sentimentos mais construtivos.
Hoje, no último bloco de carnaval que pude acompanhar, olhei pro céu e pensei em como podia ser simplesmente feliz. Estava ali, por escolha minha, com amigos, fazendo a parte que me cabia naquele momento: brincar, sorrir, curtir a vida. Encerrei um fim de semana de muita festa, quase um abuso para quem está com muito trabalho pra fazer, mas em cada programa pensava que estava festejando a vida. Amanhã trabalharei com afinco e dedicação com a mesma alegria. Terei reuniões difíceis, mas darei o melhor de mim; me sentirei em algum momento sozinha, mas ligarei pra algum amigo; sentirei um frio na barriga quando for iniciar um novo trabalho com um grupo de executivos, mas seguirei em frente. Estarei o tempo todo solidária com os que sofrem no Japão e em outros países, farei minhas orações, enviarei boas energias; mas viverei cada instante como se fosse o último da minha vida. A gente nunca sabe o que pode acontecer no próximo minuto.

terça-feira, dezembro 28, 2010

A boa energia que chega de todos os lugares

Todos os anos escrevo uma mensagem pessoal para desejar Boas Festas aos amigos. Meu objetivo é que essa mensagem possa alcançar cada um, apesar de ser enviada coletivamente, e que possa estar carregada da minha própria energia. É uma forma de personalizar o envio automático e mecânico, bem adequado a nossa falta de tempo. Pensei bastante e, pela primeira vez, anexei à minha mensagem o cartão da empresa. O fato, para mim, foi significativo, visto que trabalhei durante todo o ano na construção de uma “Mônica” mais coerente e integrada em todos os seus papéis.
Mas o que mais me surpreendeu foi a forma como a mensagem alcançou pessoas distantes e o efeito que suas respostas, agradecimento e votos de sucesso tiveram em mim. De repente, visualizei minha vida como uma partida esportiva com uma grande torcida na arquibancada. Isso me encheu de boas energias e me fez sorrir a cada mensagem. Algumas eram muito breves, mas isso não impedia que carregassem consigo o sentimento do amigo fisicamente distante.
Me surpreendi e gostei da troca de energias via e-mail. Nem sempre estive aberta à tamanha troca de vibrações. Os sinais, as dádivas, o melhor da vida, o amor, entre tantas outras coisas, espalham-se por todos os lugares e chegam a todos, sem exceção, pelos mais variados canais. Pena que nem sempre fazemos a nossa parte. Muitas vezes, nos fechamos na correria cotidiana e nas ideias e expectativas que trazemos conosco, sem percebermos pequenas coisas, como um simples e-mail com a palavra “Obrigado!”, podem fazer a diferença no nosso dia e, às vezes, na nossa vida.
A chuva que cai inesperadamente durante o dia, um aperto de mão, um olhar, uma mensagem no celular, um toque, um sorriso, uma flor que nasce, uma foto no Facebook e mais um sem fim de singelos acontecimentos podem trazer para nossa vida uma energia especial. Tudo o que precisamos é ficar atentos e acreditar que aquele fato aconteceu especialmente para nós. Vamos aproveitar?

quarta-feira, agosto 25, 2010

Prazer, felicidade e doce de feijão

Moti - doce de arroz com feijão japonês
Acabo de comer meu sexto doce de arroz e feijão da tarde. Para quem se sente incomodada com 4kg a mais. a atitude é uma sabotagem do propósito de emagrecer. Mas não consegui controlar o desejo de saborear esses doces que adoro e que dificilmente encontro. Acabei de comprá-los num passeio à Liberdade, bairro paulista que não visitava há mais de 20 anos. O prazer momentâneo me custará caro já que terei que ser mais severa em outras ações rumo à meta do corpo mais magro.
Isso tudo acontece enquanto tento trabalhar num pré-projeto para realizar um grade sonho que é o de cursar um mestrado. Estou empacada. Adoro estudar, a ideia central do projeto faz meus olhos brilharem, mas estruturar tudo o que li e penso implica num trabalho árduo e no retorno a um academicismo do qual me afastei há muitos anos. Tenho que abrir mão do prazer de simplesmente pensar, de unir minhas ideias às de cientistas que considero apaixonantes em viagens imaginárias, para realizar. Colocar no papel significa, para mim, transformar ideias em ações, culminando em realizações o que, certamente, me trará bem-estar e felicidade. Mas trabalho, determinação e o enfrentamento das adversidades (quase todas impostas por mim mesma) são imprescindíveis.
Daí me deparo com o texto do meu amigo Luciano Pacheco, “Prazer ou Felicidade...”, e penso na frequência com que me afastava dos meus propósitos pela dificuldade em abrir mão do prazer que a vida pode me proporcionar. Hoje, consigo realizar muito mais, mas ainda travo batalhas com uma criança interna resistente que não se contenta em ter que administrar o prazer. Aos poucos, ela percebe que, assim, pode obter da vida algo muito maior: a REALIZAÇÃO de si mesmo, através das realizações em diferentes âmbitos de atuação. Amadurecer, em qualquer idade, exige abandono de padrões, reconhecimento de dificuldades, equilíbrio nas escolhas.
Cada um tem suas necessidades, mas com uma criança interna tão forte, tenho que reconhecer que jamais alcançarei a felicidade tornando-me uma workaholic. Preciso de passeios na Liberdade e de doces de feijão. Mas, certamente, não de uma bandeja! Prazer, como tudo na vida, precisa ser utilizado com equilíbrio, caso contrário, entre outras consequências, ficarei com uma baita dor de barriga.

domingo, agosto 22, 2010

O valor das relações

Mulheres de outras tribos
buscam valores
diferentes
Andei lendo alguns textos da antropóloga Mirian Goldenberg e fiquei às voltas com as questões que ela levanta sobre o valor da corpo, do cônjuge e da fidelidade. A pesquisa é ampla, foi publicada recentemente, mas algumas reflexões me dão vontade de gritar: “Para tudo! Quero o novo pra mim!” Não tenho certeza de como se constroem novos modelos de relacionamentos, na sociedade em que vivemos. Sou otimista, no entanto, e em meio a alguns sustos e tropeços, acredito possível um relacionamento que liberte, baseado na partilha e no amor, capaz de contribuir para a emersão de qualidades individuais reveladas pelo afeto de um pelo outro. Brinco com as amigas descrentes, mas sempre concluo: “Se acredito, assim será!”
Acho que precisarei de vários posts para falar o que me intriga nas pesquisas da Mirian e que, para mim, servem de sinal de alerta a me indicarem o caminho que não devo seguir. No blog Feminina Plural li sobre o valor do corpo. Certo que nós, cariocas, especialmente aquelas que vivemos à beira-mar, atribuímos valor diferenciado ao físico. Mas até que ponto esse valor pode sobrepujar outros que trazem satisfação duradoura e crescente? Acontece, e muito, no Brasil. Senão, por que outra razão as cirurgias plásticas se popularizariam a ponto de estarem acessíveis a todas as camadas sociais em até 24 vezes sem juros?
Quando estive na França, há três anos, hospedada numa espécie de pensão familiar, dirigida por pelo casal Jean e Sylvie, uma psicóloga que mantinha seus cabelos grisalhos, o motivo da banalização da plástica foi uma das perguntas que me fizeram. A psicóloga não conseguia entender o que poderia fazer uma mulher recorrer a uma alternativa de risco e invasiva para manter-se jovem. Isso causava tamanha estranheza àquela mulher de mais de 40 anos, que conduzia sua vida de forma simples, sem muito esforço: comida saudável, ida ao trabalho de bicicleta, muito estudo e leitura, vida familiar estável. Com tudo isso, não conseguira manter o corpo dos 20 anos, mas tinha elegância e estilo.
Para quem investe no corpo, não há muito o que fazer. Num país em que o valor desse “bem” é tão alto, vale-tudo para mantê-lo vistoso: remédios para emagrecer, tratamentos caros (parcelados a perder de vista), horas de ginástica, cirurgias etc. Mas isso é pouco, porque se esse valor supera os demais, a valorização e o reconhecimento de quem se é, de fato, ficam comprometidos. Sou um corpo? Então como posso envelhecer e começar a acumular, contra minha vontade, uma teimosa gordura abdominal? Sou um corpo? Então naturalmente serei trocada por outros corpos mais interessantes. Para os homens as questões são similares. Em relação a eles mesmos e a suas parceiras.
Diante desse quadro, faz sentido que a antropóloga tenha verificado em suas pesquisas que as mulheres mais gordinhas tendem a manter relacionamentos mais longos. Penso que essas mulheres e seus pares tenham descoberto outros valores que, certamente, fazem a diferença na hora de construção e manutenção de um relacionamento. O assunto não se esgota, mas, por ora, ponho-me a refletir naquele relacionamento que acredito possível: o corpo não será seu lastro, porque nada é tão transitório quanto ele que, ainda por cima, está inevitavelmente fadado à decadência. Mas tenho outros valores que estão em franca e poderosa expansão. Eles podem – e deverão - ser o lastro de meus novos relacionamentos: autoconfiança, conhecimento, algum humor e muita resiliência. A lista é maior e o investimento tem sido alto na aquisição desses valores, mas paro por aqui porque, em tempos de campanha política, isso poderia parecer mentira.

quinta-feira, julho 08, 2010

Os amigos imaginários de Ana Luiza (e de todos nós)

"A minha imaginação é minha melhor amiga; meus animais nunca me deixam sozinha." A frase é de Ana Luiza, 5 anos, filha de uma amiga do trabalho. Ficou ao meu lado enquanto eu trabalhava no notebook e quando perguntei se gostaria de desenhar pra passar o tempo, ela disse que não. Afirmou que preferia brincar com sua imaginação. Daí em diante, surgiram, em uma sala de 12 metros quadrados, cavalos, um cachorro chamado Pluto que fez cocô na minha cabeça porque estava muito apertado, ratos amigos que saem da mesa e sobem pelo braço, um macaco que se balança no lustre, entre outros animais.
Nada de tédio ou reclamações. A menina estava acompanhada de seus melhores amigos com quem divertia-se e conversava. Fico pensando que todos nós, em algum instante de nossas vidas, já colecionamos amigos imaginários. É o recurso que, crianças, usamos para enfrentar momentos em que simplesmente não há muito o que fazer, senão deixar a vida passar. Sem angústia com solidão ou a falta do que fazer. Como Ana Luiza, quando estava ao meu lado, esperando paciente e criativamente a mãe aplicar provas aos alunos para levá-la pra casa.
O que me pergunto é porque a maioria de nós perde, quase  completamente, a capacidade de imaginar. Os fatos reais tornam-se a única possibilidade de nossas vidas, ainda que a ciência esteja produzindo provas cada vez mais contundentes de que a realidade. como a maioria de nós concebe, pode ser recriada a partir de nossas crenças e sentimentos. Quando crianças, conservamos a capacidade de recriar o nosso mundo. Está certo que faz parte do amadurecimento e da transformação em seres adultos o desenvolvimento de competências internas para lidarmos com a realidade de forma saudável, embora nem sempre agradável. No entanto, estou certa de que conservar uma pouco da imaginação infantil – habilidade inata - para recriar momentos e evitar sofrimentos desnecessários seria um recurso saudável e ao alcance de todos nós. Agora, paro de escrever porque o macaco da Ana Luiza joga baseball pela sala e eu vou brincar com ele também!

terça-feira, julho 06, 2010

Príncipes e princesas: quem são?


Vi ontem, sem poder fazer muita coisa, uma amiga com idade pra ser minha mãe chorar por causa de um namorado recém-arrumado que não responde há 15 dias às ligações telefônicas. Também ouvi as queixas de uma outra que há cinco anos mantém um casamento cujo pano de fundo é a total indiferença do marido e a consequente ausência de vida sexual. Em comum, ambas têm a falta de consciência de quem realmente são. Uma delas, inclusive, confessa que se acha horrível – embora seja uma mulher atraente – e desinteressante, incapaz de atrair o olhar de alguém.
Sei que as duas histórias replicam-se aos milhares no nosso universo feminino e isso me entristece. Até porque já fiz parte do grupo daquelas que não acreditam em si, do qual saí com muito esforço. Porque é tão difícil reconhecermo-nos como pessoas singulares com defeitos e inúmeras virtudes que podem atrair um sem número de pessoas, inserindo-nos em uma rede de amigos sinceros? Porque a maioria das mulheres acreditam, bem lá no fundo de si, que a felicidade virá com um gentil cavalheiro montado em um cavalo branco, como no filme “Uma Linda Mulher”? Eu também gostaria de ver Richard Gere, mesmo grisalho, com uma rosa vermelha aos meus pés, mas juro que não preciso dele nem de nenhum outro príncipe pra ser feliz.
A tristeza das minhas amigas, que é compartilhada por muito mais mulheres do que eu posso imaginar, é a razão da existência de um sem número de livros de auto-ajuda com títulos do tipo “Porque os homens amam as mulheres poderosas”, “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?”, “O que os homens dizem, o que as mulheres ouvem”, “O que os homens querem e as mulheres precisam saber”, que encontrei numa busca rápida numa loja virtual. Só que nenhum deles, por melhor que seja, responderá à questão mais básica: por que as mulheres não confiam em si mesmas? Por que acreditam, muitas vezes, que só serão felizes quando estiverem ao lado de seus príncipes, ou de algum substituto que o valha?
Longe de ser autoridade no assunto, acabei descobrindo, depois de 22 anos de relacionamento com o mesmo homem, que não há mágica maior do que a descoberta de si mesmo. Tenho amigas que desconfiam dessa afirmação e afirmam que uma boa conta bancária é suficiente para uma vida feliz. Mas eu nem levo isso à sério, porque essas, invariavelmente, deixam de pensar para se dizerem felizes e, quando começam a pensar, jamais recuperam o tempo perdido. Mas não há outro jeito. Estou convencida de que a busca de si é o que vai render a cada uma das mulheres (e aos homens também) a autoconfiança necessária para descobrir-se feliz, mesmo longe do príncipe (ou da princesa).
E tem mais: se o príncipe, por ventura, aparecer, a mulher que se reconhece como tal, independente da idade, do tipo de corpo, da conta bancária e da classe social, terá muito mais chance de desfrutar de um bom relacionamento. Sapo ou príncipe é uma questão de ponto de vista, acho eu. Do contrário, acabará como Gata Borralheira, vendo o seu príncipe procurar a felicidade ao lado de outras Cinderelas. Mas isso é assunto prum outro post.

sexta-feira, julho 02, 2010

Balada do Louco

Hoje escutei de novo a história que me assombrou esta semana, sobre minha insistência em querer ser feliz. Fico me achando mesmo meio louca e me pergunto se não direi mais a frente que eu era feliz e não sabia. Às vezes, sinto medo desse povo ter razão. Fui caminhar na praia, pensando porque a felicidade incomoda tanto a grande parte das pessoas. Escutei essa música, composta por Arnaldo Baptista e Rita Lee. Sinal de que há outros loucos espalhados por aí!



Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz
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