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quarta-feira, outubro 22, 2014

A Pasta das Ideias

Estive organizando papeis. Acumulo um monte deles: notas, cartões, panfletos, rabiscos, desenhos. Tudo parece ter um porque. Quando preciso esvaziar as mesas, organizo em pastas suspensas. Hoje abri a pasta das “Ideias” para colocar mais uma delas que registrei em notas e folhetos com informações. Fiquei um tempo olhando pras ideias antigas e novas. A maioria delas são boas, mas ficaram ali, na pasta, envelhecendo. Tirei da pasta algumas poucas coisas que ainda tenho vontade de fazer e coloquei na agenda. Quantas ideias são desperdiçadas por motivos que a gente sequer sabe enumerar.
A ideia boa chega com energia boa. É só prestar atenção. Vem aquela ideia nova, os olhos brilham e a gente fica entusiasmado ante a perspectiva da realização. Nessa hora, o pior que se pode fazer é colocar a ideia na “Pasta das Ideias”. Se essa pasta não for olhada em bem pouco tempo, e a maioria das pessoas não o faz, a ideia que fez o olho brilhar está condenada, no máximo, ao lugar das lembranças vagas. Perde a energia criadora.
De verdade, o melhor que se pode fazer quando a ideia surge é aproveitar a energia que a acompanha: seguir o fluxo e agir a partir daí. Pode ser um primeiro passo, uma primeira conversa, uma primeira pesquisa. Ideias nem sempre dão certo, mas condená-las à morte dentro de uma pasta de papel é deixar de aproveitar a inspiração, que muitas vezes vêm de conexões importantes com o nosso ser mais profundo. Sim, pode não dar em nada, e muitas não dão mesmo, mas também pode resultar em algo fantástico. Só dá pra saber se dermos mais alguns passos.

Por isso, acabei com a pasta das ideias, que mais parecia um túmulo!

UM PRESENTE PRA VOCÊ!
Todas as semanas, preparo alguma dica que possa ajudar a gente a sair do "piloto automático", refletindo um pouco sobre como podemos ser melhores e cada vez mais plenos. Se quiser receber as DICAS DE COACHING, é só clicar.

domingo, outubro 12, 2014

Sai pra lá cansaço: quero uma semana cheia de energia e feliz!


Tantas coisas pra resolver de uma vez que, no balaio da vida – lugar onde filhos, trabalho, afetos e
torneira quebrada se misturam -, cada item ganhou um peso enorme. Andava tão cansada que decidi procurar um médico: devia ser anemia ou alguma outra doença a me tirar as forças. Precisava sair do lugar. Marquei a consulta com um clínico que me fora indicado e, no dia marcado, lá estava eu cheia de esperanças que um exame de sangue revelasse alguma fragilidade a ser imediatamente resolvida com vitaminas. Não foi bem o que aconteceu. O médico analisou os exames mais recentes e afirmou: “nenhum exame que você fizer vai apresentar dados novos”. Receitou vitaminas, mas alertou: “não deixe da fazer atividades físicas.”
Saí do consultório desanimada. O que fazer com a exaustão? Onde arrumar tempo pra não relaxar com a atividade física? E o que dizer dessa sensação de que jamais darei conta de todos os itens da minha agenda? Sentada no carro, me veio um pensamento, daqueles que mais parece uma voz – ainda que inaudível: “Você não está doente. É tudo uma questão de decidir”. Como decidir não me sentir exausta? A “voz” respondeu: “Decidir o jeito de encarar as situações que aparecem no seu dia.”
Eu sorri. Era simples, mas sensato. Afinal, uma torneira quebrada é... Com qual das opções abaixo você completaria a frase?:
( ) uma coisa rápida de resolver.
( ) um problema a mais na vida já tão corrida e atribulada.
( ) um transtorno porque mão de obra para esse tipo de reparo é difícil e desonesta.
( ) uma dessas situações chatas pelas quais mulher nenhuma deveria precisar passar.
Eu confesso que estava marcando todas as opções, menos a primeira. Não só para a torneira, mas para todas as outras coisas que preciso resolver. Vitaminas vão me fazer bem, mas a razão da exaustão era eu mesma, atribuindo um peso extremo a cada coisa que me acontece. Nesse contexto, um feijão queimado pode virar uma crise mundial.

Cheguei em casa, revisei minha agenda, olhei cada item com muita gratidão. Não era um olhar tolo, mas consciente, porque em cada “problema” realmente havia uma dádiva. Amanhã, começo o dia tendo que levar meu carro pra consertar, mas sinto-me grata porque pude usar hoje o carro do meu filho e porque a garantia do meu ainda não acabou. Xô, cansaço: escolho uma semana produtiva e com muita energia!

quinta-feira, março 06, 2014

O tempo de aprender a amar

Nascer do sol em Tongariki, Rapa Nui
Quarta-feira de cinzas se foi. A despeito dos desejos e ideias que possamos ter do que vem antes e depois desse dia, há algo a ser começado. Eu já não faço contas de quantas vezes começo e recomeço desde que me dei conta de que tudo tem um ciclo de vida. Há algo novo para acontecer todos os dias. É um movimento tão natural que eu sou forçada a me indagar acerca da resistência. De onde ela vem? Por que, às vezes, é tão difícil soltar? Por que me imputo o sofrimento do desejo da permanência em um mundo visivelmente impermanente? E aí lembro de uma frase de botequim: “se não acabou é porque não chegou ao fim”.
Parece engraçado, mas se há uma situação, qualquer que seja, que não consigo deixar para trás é porque ainda há vínculos, quaisquer que sejam, a ser desfeitos. Faria diferente se soubesse como e se não o faço é porque ainda preciso aprender algo com a situação que retenho. Também me pergunto porque não escolho abreviar meu tempo de aprendizado, já que poderia perceber mais rapidamente o processo a vivenciar e simplesmente seguir, com mais leveza. Mas e se a leveza, por si, ainda é uma lição a aprender?
Tudo é cíclico, e a minha vida não é diferente das demais. Percebo que o sofrimento pode ser ampliado, não pelo processo que ainda experimento, mas pela não-aceitação do meu próprio tempo de aprender. Julgo-me tanto e encho-me de expectativas a meu respeito, que deixo de me conceder o lenitivo do amor e da aceitação de mim. Amor não por quem eu pareço ou gostaria de ser, mas pelo conjunto do que sou no presente, em essência, com máscaras e sem elas, com resistências e aprendizados mais lentos, com avanços e aprendizados mais rápidos. Entender que faço escolhas a partir do menu que consigo ver, pode me ajudar a ser mais complacente comigo.
Sim, posso ampliar a visão sempre, enxergar novos menus, ousar novas escolhas, mas há um tempo que é meu, o meu tempo de aprender. E, nesta quarta-feira de cinzas, que simbolicamente em minha cultura é um renascer, me declaro amor incondicional, de uma forma mais profunda que experimentei antes. Amo incondicionalmente o ser que sou e, ao declarar isso, já me surgem vários julgamentos sobre quem sou e sinto-me tentada a fazer-me uma promessa já que não fiz nenhuma de muito peso para 2014: Prometo ao ser que sou não julgar-me mais. Não há espaço para julgamentos onde há amor e aceitação!

domingo, dezembro 09, 2012

Uma cota a mais de felicidade


Todo mundo quer ser feliz ou mais feliz. É um fato! Mas o surpreendente, pelo menos pra mim, é perceber que essa cota (a mais) de felicidade está sempre ao nosso alcance, apesar de, muitas vezes, parecer distante. Cada um tem seus motivos – conscientes ou inconscientes – para não usufruir de todas as coisas boas que lhe cabem, mas elas estão lá, esperando apenas que estendamos a mão para alcançá-las.
Hoje tive uma das muitas experiências que me fazem lembrar que nasci para ser feliz e que todas as vezes que caminho em direção contrária a isso, é por minha própria dificuldade de enxergar o óbvio e de viver simplesmente o momento presente. Claro que há muitas coisas que me fariam muito feliz, e que dependem de outras pessoas ou circunstâncias que ainda não se fizeram presentes. São meus desejos e sonhos. Mas há muito mais em cada momento da minha vida. E esse preâmbulo todo é só pra contar que hoje liguei a sauna da minha casa. Nada demais, não fosse ela estar sem uso há anos e o local servir de depósito para umas tranqueiras que não servem pra nada.
Eu adoro sauna, então hoje pensei: “o que me impede de ligar esse aparelho e curtir?”
Saí para caminhar na praia, aproveitando a trégua da chuva e o início de noite claro do horário de verão, e voltei pra ver se o aparelho ainda funcionava. Já tinha retirado as tranqueiras, então deixei aquecer um pouco e fiquei aproveitando aquele calorzinho alternado com o banho gelado. Fiquei tão feliz e me perguntei porque ainda não tinha tomado posse daquele pedacinho maravilhoso da casa. Sim, porque o espaço que habitamos, também precisa que o desejem, que o ocupem com a disponibilidade de usufruir do que ele tem para oferecer. Cuidar, usar, aproveitar e manter fazem parte dessa “relação” com tudo o que nos cerca.
Não me permitia aproveitar a sauna, não cuidava dela e também não usufruía do bem-estar que ela poderia me proporcionar. Falta de tempo pra cuidar, falta de tempo para usar, preguiça de ir pro quintal sozinha: o rol de desculpas é longo e custei muito a me dar conta dele. Perceber mais essa pequena autossabotagem, me faz arregalar os olhos para atentar para outras que às vezes causam essa impressão terrível de que a felicidade mora ao lado. A preguiça de caminhar na praia, sempre tão disponível pra mim; o filme que deixo pra “ver depois” até sair de cartaz; o almoço com os amigos que vai sendo adiado até que o tempo apareça; a exposição que “deixo pra lá” porque acontece longe de casa, e aqui já vou formando mentalmente uma lista de “pequenas desistências”. Hoje, vou desfazendo essa lista a medida em que se forma, porque desejo usufruir de cada uma das possibilidades que o presente me oferece. A felicidade só pode acontecer AGORA!

domingo, junho 24, 2012

Eu aceito...

Sombra e luz, alegria e tristeza, recolhimento e expansão, morte e nascimento. Estamos em meio a polaridades, ou melhor: somos todos bi-polares. Temos em nós, os polos opostos de tudo o que há na vida. Ou será que alguém vive constantemente em expansão? A vida é cíclica e não há como evitar um ou outro momento de recolhimento. Mesmo sabendo disso, no entanto, ontem fiquei sem saber como lidar com a minha introspecção. Sábado a noite não é dia de recolhimento, repetia pra mim mesma! É dia de estar com amigos, beber, comemorar... Bom, não estava nessa “vibe” e chamei o momento de tristeza. Tão atazanada fiquei, que pouco consegui ler do meu livro maravilhoso. Também não consegui escrever! Fui dormir!
Não estava triste, agora sei! Não reconheci o simples fato de que a vida é feita de momentos, de que somos todos diferentes, de que se hoje você está de dieta pode ser que eu esteja com vontade de comer o mundo. Para cada pessoa que ri, com certeza há alguém que chora e que certamente sorrirá depois, quando outras pessoas estiverem chorando. E isso é maravilhoso e natural. A vida é movimento. Quem mandou eu esquecer disso? Se renego os momentos como o de ontem, choro e sofro desnecessariamente. Está certo que eu não queira me recolher o tempo todo, está certo também que aceitar um sentimento não é simplesmente acomodar-se a ele. Mas a aceitação traz a paz, reforça o amor próprio.
Ser alegre é saber acolher a tristeza, porque ela faz parte de mim! Há um mantra que alguns amigos repetem que é muito poderoso, que eu compartilho aqui: “Eu ilumino minhas sombras com amor e compaixão.” Isso não significa que eu vá exterminar as sombras ou que elas sejam indesejadas. Aprendi com um amigo fotógrafo que a sombra é tão importante para compor a foto quanto a luz: luz e sombra são matérias primas de sua arte, que jamais existiria sem uma ou outra. Mas esse mesmo amigo me diz: “Não dá pra explicar! As sombras devem ser aproveitadas!” Por isso parei de tentar entender! E mudo o meu mantra para “Eu aceito e amo cada um dos meus momentos com muita compaixão!”

domingo, abril 08, 2012

Amor próprio de Páscoa pra mim e pra você!

https://www.facebook.com/lucianaluna.bolosartisticos
Às vezes, acho que a vida prega peças e que alguém, em algum lugar, sorri quando alguns dos meus planos desfazem-se pela vida, especialmente os do campo afetivo. Para falar a verdade, quando consigo deixar de lado as expectativas, até eu sorrio e acho mesmo graça das improbabilidades que eu teimo em transformar em certezas. Mas como também acredito que nada acontece por acaso, sigo confiante de que há um propósito escondido em cada acontecimento. Na área afetiva, entre tantos encontros e desencontros, sempre achei que o Universo tinha planos muito nobres pra mim, mas me aborrecia porque nenhum deles satisfazia os meus caprichos.
Hoje, lendo uma coluna sobre o “vazio do amor próprio” no jornal, me dei conta do quanto progredi em relação a mim mesma. Continuo perdida entre encontros e desencontros, aproveitando os aprendizados de cada experiência, mas há algo diferente em mim. Já não me importo se aquela companhia potencial, ideal na minha fantasia, perde para sempre o número do meu telefone e nem responde quando timidamente digo “oi” no Facebook. Há algo, hoje, que me faz escolher o que parecia inusitado há algum tempo atrás. Nunca pensei em declinar o convite para uma balada para ficar em casa com meus filhos num sábado a noite, mas aconteceu!
Se aquela companhia, que parecia tão agradável na madrugada de sexta, desapareceu, com certeza não é tão bacana assim. Claro que ainda faço birra, especialmente quando minha criança mimada se revela, e diz “quero porque quero”. No entanto, entender que caprichos, mesmo quando realizados, não dão conta de me fazer feliz faz parte desse pacote novo que vejo crescer em mim. Tenho certeza que o propósito do Universo tem a ver com essa coisa maravilhosa chamada amor próprio. Sinto, agora, que cada encontro é uma celebração da vida, minha e do outro! Não preciso, mesmo, de alguém que me complete ou que faça algo por mim: quero apenas estar ao lado de pessoas que possam desfrutar da vida tanto quanto eu, busquem o seu próprio caminho e celebrem, ao meu lado, cada minuto de vida que nos é concedido.
Desejo uma vida leve, simples, onde qualquer relação seja importante pelo que oferecemos um ao outro, pela verdade das intenções, e não pelo tempo de duração ou pelas mensagens e telefonemas das semanas seguintes. Afinal de contas, não é a quantidade que torna os contatos relevantes. Quando a sementinha do amor próprio vai florescendo, o “follow up” das relações torna-se desnecessário e a caixinha particular de fantasias e expectativas fica guardada com os brinquedos daquela criança mimada e birrenta, que vai aprendendo que, para amar, de fato, alguém, é preciso, primeiro, conhecer o verdadeiro amor por si mesmo! Um domingo de Páscoa com muito amor próprio pra você!

domingo, agosto 07, 2011

Amor em gotas

As lágrimas escorriam. Eu não conseguia saber exatamente porque. Não eram lágrimas de hoje ou de ontem, mas de muitos, muitos anos atrás. De gerações anteriores, talvez. Pensei em tantas outras mulheres, companheiras do hoje e ancestrais dos tempos mais remotos. As lágrimas eram de todas nós. Não havia culpados, mas assim mesmo eu precisava me perdoar. Era o melhor que podia fazer por mim. Perdoar a mim, pedir perdão ao outro. Fazer diferente de tudo o que me ensinaram ao longo desta existência. O que eu queria era acessar um conhecimento adormecido há séculos, e que, naquele momento, seria curativo e um grande mentor.
Do que estou falando? De relacionamentos: a maior oportunidade que o Universo nos concede de evolução. Em se tratando de homens e mulheres, muitos de nós estamos ainda no primitivismo. Imersos em carências e padrões, esquecendo o tempo todo que, se a razão nos diferencia de todas as demais espécies, é a capacidade de amar que nos iguala, e que a junção dos dois nos torna singulares.
Está certo que não é fácil. Homens caçam, mulheres cuidam. Homens focam e lançam setas ao alvo, mulheres espalham-se e multiplicam-se. Homens ejaculam, mulheres acolhem. E sempre foi assim, certo? Talvez. Se os papéis se misturaram em relação a todas as atividades, em relação à biologia humana, mulheres continuam acolhendo, parindo, amamentando, pelo menos até onde eu sei. Porque nunca se sabe quão longe a ciência pode nos levar. Pode ser que, por isso mesmo, continuemos acreditando em histórias de que deveríamos desconfiar, esperando telefones tocarem, querendo ser carregadas no colo.
As lágrimas continuavam a escorrer. Não escolho mais caminhos fáceis. Se há a oportunidade de aprender, eu me entrego e sigo em frente. Não quero a experiência de ontem, quero o resgate do essencial, do que existe de mais humano e genuíno em todos nós. Quero o amor, que começa dentro de mim. E isso me parece ao mesmo tempo tão ancestral e futurista. De repente, paro de chorar. Escrever é minha cura, e amar é meu dom. A energia que me chega é tão intensa que sorrio, como que em meio a uma chuva de pétalas rosas. Na cama em que escrevo, elas caem apenas sobre mim, enviadas pela generosidade do Universo. Tenho muito a aprender, lágrimas pra derramar, mas uma infinita capacidade de amar.
Não sou de muitas regras, que não aquelas que sinto no meu coração: este centro de força – localizado no centro de peito. Ele me restaura, me energiza, me transborda. É ele quem me comanda agora e me transporta, como num filme de ficção, a um lugar tão sereno e amoroso que as lágrimas escorrem novamente. Choro, de gratidão e amor. Experimento extremos na loucura mais saudável que o ser humano pode ter: a de amar. Sinto-me curada e em profunda paz. Transbordo de amor infinito e, em unidade com muitas outras mulheres, seco as lágrimas de tantas outras que amanheceram com os olhos inundados porque esqueceram que, acima de tudo, está o seu dom de amar. E que este dom começa dentro de cada uma de nós estendendo-se ao infinito, resgatando gerações passadas e futuras.

sábado, agosto 06, 2011

Mais um dia de Alice

O coração acelera, o estômago parece que tranca, a mente divaga e o foco fica quase impossível. Acontece, às vezes. E ontem foi a minha vez. Não consegui deter o turbilhão de emoções que encheram meu dia. Era inútil a tentativa de controlar, entender e compreender o que se passava. Tudo o que aconteceu no meu dia ontem era muito intenso e diverso. Eu, tarefeiramente, tentava organizar e enquadrar o que acontecia. Não adiantou, como jamais adiantará qualquer tentativa de racionalizar o fluxo da vida.
O resultado foi desastroso. Exauri ao final do dia. E custei a entender que precisava ficar só, quieta, e dormir. Nem tudo o que é bom é fácil, como nem tudo o que é difícil é ruim. No entanto, a nossa mente faz uma grande confusão e muitas associações que redundam em esgotamento e sofrimento inúteis. O caminho do conhecer a si mesmo é longo e, muitas vezes, paramos em algum ponto, como Alice (aquela do País das Maravilhas), perguntando para onde vamos. Sabemos o caminho, mas são tantas coisas acontecendo simultaneamente, que no esforço de compreender, nos perdemos. E o que perdemos não é, de fato, o caminho. Ele sempre estará lá. Caminhos não saem do lugar. Na verdade, perdemo-nos da nossa “mente que sabe” ou sabedoria interior ou o nome que preferir para designar nossa essência, que é divina, amorosa, curadora e dotada de um conhecimento muito superior aquele que conseguimos controlar, escrever, enquadrar.
Pensando bem, ontem tive meu dia de Alice, encolhendo e crescendo muitas vezes durante um só dia, encontrando pessoas de todo o tipo dentro e fora de mim, rainhas boas e más. Foi, sem dúvida, um dia de Alice, onde tudo que se atropelava poderia ter simplesmente passado, não fosse minha necessidade de explicar, entender, reter. Ganhei pouco, nesta tentativa; e fiquei com a exaustão de ser. Hoje, estou sob meus cuidados, me receitando coisas que equilibram e fazem bem. Vou manter, à minha volta, pessoas que entendam que, como no conto de fadas, interessante e desinteressante, sonho e realidade, são, no fundo, a mesma coisa ou, talvez, absolutamente nada!

- O que você sabe sobre esse caso do roubo das tortas? - perguntou o Rei para Alice.
Nada – respondeu Alice.
Absolutamente nada? - insistiu o Rei.
Absolutamente nada – confirmou Alice.
Isso é muito interessante – disse o Rei, virando-se para os jurados.
Eles estavam justamente começando a anotar isso nas lousas, quando o Coelho Branco os interrompeu.
Desinteressante é o que vossa majestade quer dizer (…)
Desinteressante, é claro, foi o que eu quis dizer – corrigiu-se o Rei rapidamente. Depois continuou repetindo para si mesmo em voz baixa: interessante... desinteressante... desinteressante... interessante... - como se estivesse tentando avaliar qual palavra soava melhor.
Alguns jurados anotavam interessante e outros desinteressante. Alice pôde perceber isso (…) “Mas isso não faz diferença nenhuma”, pensou.
Alice no País das Maravilhas

segunda-feira, julho 04, 2011

Um grupo de mulheres, uma experiência de coaching

Pouca gente sabe, mas este ano fiz formação em coaching. Tive que vencer algumas resistências porque nunca me imaginei fazendo um trabalho desse tipo, mas precisava me munir de instrumentos para lidar com lideranças nas empresas em que atuo. No entanto, o que eu não imaginava mesmo é que estava me preparando para esse trabalho há muitos anos. A metodologia – que escolhi a dedo por ter convergência com minhas áreas de estudo e interesse – permite que eu agregue todos os cursos de diferentes áreas que fiz nos últimos 8 anos. Desde o curso, tenho tido uma sucessão de surpresas e, a cada uma, a confirmação de que estou num caminho muito especial.
A palavra coach pode ser traduzida por técnico, mas faria mais sentido se fosse um facilitador ou orientador de potenciais, já que o nosso papel é ajudar as pessoas a se desenvolverem em determinados aspectos, despertando o seu melhor em diferentes áreas da vida. Não importa o objetivo do coachee (o cliente do coach), o importante é que, através do processo, ele consiga evoluir, exercitando ou liberando os seus próprios potenciais. Para isso, trabalho com uma visão ampla do ser humano, também chamada de holística.
Tudo começa com uma revisão da visão que cada um tem do mundo e termina... Bem, não dá pra dizer como termina, mas dá pra assegurar que o processo sempre traz insights poderosos para todos os envolvidos. Com o intuito de ampliar a experiência desse crescimento compartilhado, formei um grupo de mulheres que, há seis semanas, reúne-se em minha casa. Somos cinco amigas em busca contínua de evolução, desejando ângulos diferentes para enxergarmos e atuarmos sobre questões das nossas vidas que ainda não produzem os resultados que desejamos. É um trabalho experimental, mas pautado pela metodologia do Sistema Isor, reconhecida internacionalmente, que fundamenta a formadação que escolhi. A cada semana, seguimos a agenda proposta, enriquecendo o trabalho com nossas vivências.
Mas o que eu não podia imaginar é que esse grupo fosse se tornando tão poderoso e que as possibilidades de desenvolvimento para cada uma de nós fossem ficando tão ricas. Hoje, ao fim de mais uma reunião, fiquei pensando no quanto obtemos com as nossas partilhas. Assisti à ocorrência de vários insights, à manifestação do interesse genuíno de umas pelas outras, à abertura de espaços internos para que as transformações desejadas ocorram. Como se trata de um grupo, pelo processo de ressonância, identificamos em nós aspectos das outras participantes. Interessando-se, ouvindo, olhando a outra, chegamos a lugares de nós mesmas que, de outra forma, permaneceriam inacessíveis.
Com muito amor, encerramos mais uma reunião. Cada uma com sua própria conquista. De repente, me vi agradecendo pela oportunidade de colocar todos os pedaços de mim em um trabalho para o qual, talvez, eu esteja me preparando há muito mais tempo do que penso.

quinta-feira, março 03, 2011

Estou viva, obrigada!

Minha área de treino de corrida!
Levei mais de uma hora para calçar os tênis e sair de casa, tamanha a preguiça de correr. Saí com a animação de quem vai ao médico. Mais do que cumprir o programa de treinamento, naquele dia, estava buscando uma dose de endorfina extra, que pudesse aumentar meu bem estar. Há dias em que qualquer leveza pesa e aquele era um desses dias. Na saída do condomínio, encontro um amigo retornando da corrida. Ele me cumprimenta com um sorriso e diz: “Estamos vivos, né? Isso já tá bom demais, hein?” Eu sorri de volta e pensei que era a melhor frase que podia escutar naquela manhã. Ganhei mais alguns sorrisos dos seguranças da portaria, cruzei com conhecidos no calçadão da praia, vi a família de corujas do terreno vazio. Cada detalhe fazia a diferença: era, realmente, maravilhoso estar viva.
Não posso dizer que a corrida foi fácil, mas obrigou-me a sair de casa, vencer o mau humor e observar cada sinal da natureza generosa que me cerca. Mar, sol, montanhas, areia da praia... além das pessoas que faziam o mesmo que eu. Algumas, com certeza, também se desafiaram pra calçar seu par de tênis de manhã.
Lembrei do filho caçula que, diante dos comentários após a rápida leitura matutina do jornal - havia acidentes, mortes, previsões de catástrofes ambientais globais – lançou-me a pergunta: “mãe, por que você me trouxe pra esse mundo horrível?” Eu respondi a ele com muita convicção: “porque é o melhor mundo que eu conheço. Se eu conhecesse outro melhor, com certeza você teria nascido nele.”
Falei com o coração e com gratidão, porque realmente há muito a fazer por aqui. Cada filho é um importante companheiro de jornada. Aprendemos uns com os outros o tempo todo. E isso é minha grande dádiva. E agora, recordo-me de um sábio que pegando dois grãos de areia do mar, colocou nas mãos e disse: “o que são esses dois grãos diante dessa praia? Assim é o planeta, como o conhecemos, diante do Universo. Não sabemos nada da vida, tudo isso aqui é muito pouco frente à grandiosidade que nos envolve.”

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

O poço e o fosso estão por toda parte!

Uma noite mal dormida, uma palavra mal dita, uma cara feia qualquer... Tudo pode ser motivo para transformar o nosso dia em algo tenebroso. Mas o inverso também é verdadeiro: um sorriso, uma mensagem, um telefonema para perguntar se está tudo bem, uma flor... Há também muitos motivos para retomar o caminho de onde se parou e continuar a jornada da vida com alegria.
Eu nem sabia o que havia acontecido ou não. Só sei que esperava, mas o que quer que fosse que eu esperava não aconteceu. Canalizei minhas melhores energias, ainda que sem saber, porque a ausência de qualquer expectativa permeava meu discurso. Só não estava no meu coração. Sabia e agia como tal, mas não sentia assim. E aí, brigando comigo mesma, desconsiderando uma parte importante de mim, a das emoções, me vi no fundo do poço. Sobrou pouco da moça forte disposta a quebrar todos os paradigmas que encontrasse pela frente.
Quando me dei conta de onde estava, pedi ajuda. E, de novo, tive que me deparar comigo mesma. Não adiantava gritar por quem não me escutava. Pedir ajuda é um ato nobre. Só quem se reconhece e sabe onde está pode gritar por socorro, mas ele nem sempre vem de onde desejamos ou esperamos. Novamente, vi ruir minhas expectativas. A ajuda chegou: na voz que só desligou o telefone depois que eu me acalmei, na vibração de amigos, numa frase bonita e encorajadora no messenger. “Ao invés de procurar entender a natureza dos outros, tente refletir sobre a sua: erros que se repetem, pontos negativos que podem ser melhorados, padrões que se repetem com resultados que não lhe agradam.”
Não há jeito. Lembrei da música de Gilberto Gil: "é preciso estar atento e forte". E o motivo por que escrevo isso não é para me lamentar, mas para abraçar as pessoas que me escrevem com queixas semelhantes. Há fossos e poços por todo lado, caímos neles com nossas próprias pernas, ainda que não percebamos os movimentos que nos levam a essas escolhas. Conseguimos ajuda, e ela chega de todos os lados, mas o impulso de sair do lugar onde estamos terá que ser nosso.
E se compartilho esse momento em que esqueço até da compaixão comigo mesma, porque me cobro uma atitude mais positiva diante da vida, é porque, muitas vezes recebo e-mails e desabafos de pessoas que também sentem estar em um lugar para onde jamais gostariam de ter ido. Foram, assim como eu, com suas próprias pernas e, muitas vezes, ficam a espera de um salvador que não chega nem chegará! Nem sempre escolhemos esses ajudantes queridos, que nos cercam das mais variadas formas. Recarregam nossas energias, mas não podem fazer mais que isso.
Para cada dia que não é fácil, haverá um sem número de outros muito melhores. Eu só tenho a agradecer a todos os seres que cruzam meu caminho nos dias em que estou mais cansada, com um carinhoso "cuide-se", deixando-me com o meu melhor embate. Eu me perdôo por não ser tudo o que eu idealizei de mim e eu sou grata ao Universo por cada oportunidade de aprendizado. Sou grata por poder me aproximar de pessoas amorosas e generosas, sou grata por aprender cada vez mais e sempre e, principalmente, por esse espaço virtual onde posso dividir com pessoas, que assim como eu, visitam os poços da vida aqui e acolá. Sempre saimos, se não desistirmos!

Divino Maravilhoso, na voz das Chicas (É preciso estar atento e forte...)

domingo, fevereiro 13, 2011

Luz, sombra e Cisne Negro

Quando era criança tinha medo do escuro. Morava em casa com quintal grande e, muitas vezes, quando precisava pegar algo do lado de fora, à noite, saía correndo ou pedia para meu pai me olhar da porta. Nunca entendi direito o que eu temia. Cresci um pouco e dizia que tinha medo de extraterrestres ou de alguma espécie de monstro que se escondesse no escuro. Hoje, acho que aquele sentimento era medo do que a noite escondia. E, numa confissão muito pessoal, ainda hoje me pego fugindo do quintal da casa, nos dias em que a lua não ilumina o caminho, e me lembro da menina medrosa de muitos anos atrás.
Hoje, sei que lidar com o escuro não exige somente coragem, mas um profundo amor por mim mesma e por tudo o que está ao meu redor. Na luz do dia, não havia medo, tudo estava ali, já revelado. Árvores e arbustos da casa onde cresci não ofereciam perigo. À noite, qualquer coisa podia sair das folhagens, inclusive monstros e extraterrestres. Temia o que estava dentro de mim, os monstros que eu mesma criava, sem jamais imaginar que todos estavam sob minha direção.
Cresci mais e, tive alguns arremedos de rebeldia, sempre associados a causas como política e obras sociais, movida por paixão e ideologia desde muito cedo. O que predominava, no entanto, no meu jeito de ser, era a cordialidade, a amorosidade, a meiguice e a obediência às normas. Era uma adolescente modelo, com boas notas, frequentadora das missas e do programas da igreja, comportada nos namoros. Algumas amigas zombavam de mim porque não falava palavrões, não mentia pros meus pais e era incapaz de namorar escondido. Não andava no escuro. Tinha medo e, por conta disso, mantive as mesmas atitudes durante muitos anos.
Até que me vi impelida a encarar meus medos. O medo imobiliza e eu não queria passar a vida no mesmo lugar, com medo do “escuro”. Assim, descobri em mim energias que desconhecia. Sofri ao reconhecer a raiva, a mesquinharia, a descrença, a soberba e tantos outros sentimentos. E isso ainda não era suficiente, era preciso aceitar todos esses sentimentos e acolhê-los como parte imprescindível de mim. O meu lado escuro é inerente a mim, mas não precisa me dominar. Ele só quer receber atenção, revelar-se, ser integrado a quem sou.
Foi assim que acordei com vontade de rever Cisne Negro. Sob a emoção do suspense que permeia o filme, não pude perceber que ele, na verdade, exibe a luta interna de cada um de nós. Estamos presos às dualidades, mas esquecemos que um oposto depende do outro para sobreviver. É o caso da luz e da sombra. Como existiria um sem o outro? Mas ninguém nos ensina que podemos ter raiva da pessoa que nos despediu, do homem que nos enganou, da amiga que contou uma história mentirosa para as demais. Não só podemos, como dificilmente conseguiremos domesticar nossos sentimentos. Da tensão equilibrada entre os opostos é que nos constituímos de forma plena e saudável.
Para mim, era mais fácil seguir as regras e assumir um papel de Cisne Branco. Para outros, a facilidade está em mergulhar no desconhecido, vivendo o papel de Cisne Negro. Difícil é olhar pra dentro de nós mesmos e aceitar que ambos precisam conviver, se quisermos ser inteiros.

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”
Fernando Pessoa

domingo, janeiro 09, 2011

Era um biquini de lacinho, tão pequenininho...

Acabo de ver a foto de uma amiga no Facebook, onde ela, linda, refere-se a si mesma como uma baleia. Não exagero no adjetivo: ela malha todos os dias, pega muito sol, tem abdome e pernas definidas em muitas aulas de local, mas considera-se UMA BALEIA. Tudo bem, cada um sabe onde seu calo aperta, mas no outro extremo, está uma outra amiga que não tem corpo escultural, não malha e nem está dentro dos padrões da boa forma carioca, que diz pra mim: “me acho linda”. Ela chega ao ponto de desfilar pra mim com suas roupas justas, dizendo: “olha como estou gostosa”. Pode ser difícil de acreditar, mas a verdade é que a amiga sarada quase nunca está com namorado, enquanto a outra sempre está com alguém, geralmente homens mais novos e apaixonados.
Eu, que não estou num pólo nem no outro, me ponho a pensar diante desses contrastes. Fico em cima no muro, o que não significa ainda o caminho do meio (do equilíbrio e do bom senso). Às vezes, penso em largar de mão minha tentativas tímidas de melhorar a forma física e investir mais naquilo que certamente levarei pra sempre: o equilíbrio do espírito. Outras, penso em seguir os conselhos dos filhos, atletas e muito exigentes, e voltar (sim, porque já fui marombeira) a malhar pesado; quem sabe aderir ao silicone, opção de mais de 80% das minhas amigas; ou, talvez, uma lipo...
A bem da verdade, olho-me no espelho e nem enxergo a “baleia” a que meus filhos se referem; assim como olho a foto da minha amiga no Facebook e acho que está muito bem. Ando em busca de outros atributos, sem desprezar os benefícios saudáveis da atividade física. Mas confesso que tamanha pressão me deixa confusa. Marco e desmarco consultas com cirurgiões plásticos, faço dieta até me dar conta de que adoro tomar chopp com os amigos e comer eventualmente um bolo de chocolate tem o seu valor.
Por conta desse conflito, adiei a estreia do biquini novo até este fim de semana. Como não fiquei com o corpo que eu própria esperava, resolvi estreear o tradicional biquini de lacinho como estou: com alguns quilos acima do peso. Os filhos olharam de cima abaixo. Um pediu uma lipo urgente, o outro emendou com a sugestão do silicone e eu respondi: claro que posso melhorar, mas não me pressionem. Queria estar com abdome mais enxuto, os músculos mais rijos, mas estou feliz e é o que importa. O resto, continuo tentando obter, afinal não se pode ter tudo.
Confesso um pouco de preguiça para me dedicar com mais intensidade aos exercícios físicos, mas há também uma questão de prioridades. Em 2010, optei pela meditação, pelo estudo e me dediquei mais ao trabalho. Vi mais filmes, li muito e passei bastante tempo com amigos. Só que essas escolhas, não me livram da pressão que a grande valorização da estética feminina ainda exerce sobre mim. Essa falta de imunidade deve ser culpa da proximidade da praia e dos benditos biquinis de lacinhos. Eu sigo no conflito. Talvez bote um silicone, talvez não. Talvez invista num novo tratamento estético, talvez não. Por hoje, fico comigo, do jeito que sou nesse exato momento, com minhas tensões e alegrias. Assenhorear-me de mim é o primeiro passo para fazer escolhas, ainda que elas mudem a cada dia.
PS: Gostaria de ilustrar esse post com o meu biquini novo de lacinho, mas ainda não me assenhoreei de mim a este ponto. Infelizmente.
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