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domingo, abril 07, 2013

O Tigre e as Formigas


Acabei de ver As Aventuras de Pi. Filme lindo, cheio de efeitos belíssimos. Acabado o filme, fui à geladeira e me vi rodeada de formigas enormes. Devem aproveitar a madrugada para se espalharem pela casa. Imediatamente lembrei-me de Pi. Cada um cria um Tigre para se fazer acompanhar durante momentos da vida. Como se desenvolve a relação com esse “tigre”, é escolha pessoal de cada um, mas é fato que demanda tempo, atenção, energia, esforço e, sobretudo, ESPERANÇA. Essa me parece a grande força a mover Pi dia após dia.
E o que tem a ver tigres com formigas? É que insetos e pequenos problemas domésticos têm feito parte do meu dia a dia, de uma forma muito mais intensa do que jamais experimentei. Parece exagero, mas o somatório de pequenos eventos têm me tirado o sono, já que cuido de uma grande casa praticamento sozinha. Daí, quando vi as formigas, na madrugada, pensei no quanto nossa vida é semelhante à jornada de Pi. Há tempestades, ocorrências na vida de todos nós, mas nós é que damos a dimensão do que nos cerca. Posso ver minha formigas como inimigas, mais um problema ou como sinais e aliadas para me trazerem uma noção da vida mais plena.
Só quando o propósito é claro e firme, como a vontade de viver de Pi, pode-se escolher para as ocorrência da vida imagens que nos façam bem e nos tornem mais fortes ao longo da jornada, capazes de chegar aonde se deseja.
Em tempo: A medicina da FORMIGA é a estratégia da paciência. Construtora, agressiva e resistente, elas têm consciência de que sozinhas não são nada, mas, embora muito pequenas, junto com sua comunidade podem exercer força poderosíssima. É o sucesso por meio do esforço, aliado ao exame cuidadoso e à organização.

sábado, janeiro 28, 2012

A Vontade domina o Medo (Lanterna Verde)

O anel que canaliza a VONTADE! Adorei! 
Esta semana, em um trabalho terapêutico em grupo, analisamos as perspectivas pessoais para o ano de 2012, tendo por base, entre outros elementos, a numerologia e os arcanos maiores do tarô. Para o meu ano, o número 16, a Torre, que traz grandes mudanças, o ruir das estruturas, perdas. Não foi por acaso que, na virada do ano, senti meu coração tão apertado. Tinha certeza de que algo que não conheço está por vir. Mas o novo só chega quando se abre espaço, ou, como na carta da torre, quando o que existe é destruído. Tenho medo! Desapegar-se do conhecido e arriscar-se pelo desconhecido é assustador. A psicanálise diz que esse movimento remete a um dos maiores medos do ser humano, o que se sente diante da morte, da finitude. A morte, nos processos de mudança, atinge algo que nos é familiar, mas que, verdade seja dita, já não nos serve.
Medo, morte... Tá faltando mais o que? Tá faltando dizer que ontem vi, com meu filho, o filme Lanterna Verde. A escolha foi dele, não se trata de uma obra-prima, mas se, como dizem, nada na vida é por acaso, a ocasião foi perfeita. O filme começa com a morte de um Lanterna Verde e, mostra, logo no início, que, mesmo para os detentores dos super poderes do anel verde, nada é para sempre. O anel, então, escolhe um substituto à altura para, dotado de novos (e super) poderes, lutar contra o mal. E quem é a grande representação do mal? Uma criatura alimentada pelo medo, uma energia tão poderosa que é capaz de destruir tudo por onde passa, inclusive os tais heróis verdes.
A energia verde, que torna os guardiões da paz planetária poderosos, é a VONTADE! Canalizada e potencializada através do anel, essa energia é capaz de tudo, desde que o guardião não tenha medo ou descrença. Ele precisa acreditar que tudo – e qualquer coisa - é possível desde que ele tenha a vontade! Se ele fraqueja na vontade, abrindo espaço para a dúvida e o medo, seus poderes ficam mais frágeis. A criatura do mal, no filme, se fortalece com esses sentimentos, que habitam todos eles, até o pequeno grupo de ancestrais imortais que comanda todos os guardiões. A cada pessoa por quem passa, a criatura se fortalece, num somatórios de “medos” que a energiza, aumentando seu potencial destrutivo. Ninguém sobrevive ao MEDO!
E o nosso herói, cuja vida é modificada depois que o anel o escolhe como guardião? Ele tem tanto medo que não consegue dominar sua vontade. Aliás, é esse sentimento – que ele não confessa nem pra si mesmo – que o impede de conquistar as coisas que mais deseja na vida, incluindo, claro, a mulher amada! Mas é justamente quando olha pro seu próprio medo, aceitando sua humanidade e suas limitações, é que consegue fortalecer sua vontade, combatendo o MAL. É claro que isso exige muito dele! É um embate difícil, onde ele precisa acessar suas crenças, renovar sua fé e acreditar, a cada instante, que está dando tudo o que pode para vencer! E ele, claro, vence! Não poderia ser diferente, não é?
O filme tem muito mais, mas qualquer semelhança com os meus sentimentos diante deste 2012 de mais mudanças não é mera coincidência. O medo tem mania de bater na minha porta e é preciso muita vontade para vencê-lo! O bom é saber que basta isso – a minha VONTADE – para chegar tão longe quanto as vibrações deste ano pretendem me levar. É uma batalha diária, mas a vitória é certa, porque já vi o fim desse filme e ele é maravilhoso! Como o herói humano, conto com amigos que, com muito amor, me ajudam a retornar ao meu centro e reencontrar a força que tenho dentro de mim, capaz de me tornar igualmente superpoderosa! Mas, como ele, também não estou dispensada das lutas, das feridas e das quedas. Não sei o que rege seu ano (amanhã publico um post pra todo mundo fazer essas continhas), mas sejam quais forem os monstros que enfrentar, a VONTADE está dentro de você! Vamos em frente 2012!

sábado, novembro 06, 2010

Normal? Eu?

É normal curtir bons momentos em
cemitérios? Pra algumas pessoas, é!
Sábado a noite. Pergunto-me se é normal alguém ficar em casa sozinha por sua própria escolha. E, além disso, ver um filme, comer pipocas, beber um vinho e comer azeitonas, simplesmente feliz. Deve ser. Afinal, esta sou eu e acabo de me olhar no espelho: vi uma carinha com uns princípios de rugas, aparentemente muito tranquila e saudável. Portanto, declaro-me normal.
Agora, questiono sinceramente, e com muito amor, todas as pessoas que sempre se preocuparam em me dizer o que era normal. Claro que todas sempre quiseram meu bem e talvez percebessem que eu, de fato, não me encaixava bem em suas histórias. Penso que esse é um movimento inconsciente: de alguma forma tentamos enquadrar tudo às nossas convicções, mas, no fundo, não fazemos isso pelo outro, mas por nós mesmos, na tentativa de mantermos o que chamamos de estabilidade ou de “normalidade”.
Eu nunca entendi mesmo essa minha obsessão por enquadramento. “É normal sentir isso? É normal sentir aquilo?” Já fiz essa pergunta pra mim e pros outros inúmeras vezes. Movida, talvez, por uma necessidade enorme de pertencer a um grupo ou de ser reconhecida, já que eu própria não conseguia reconhecer a mim. Tudo bem que sou do signo de gêmeos, mas desde a adolescência era o próprio paradoxo encarnado. Uma das histórias mais marcantes que conservo de mim é a de eu ser “zoada” por um amigo porque não conseguia decidir a cor da mochila que ia comprar e pensei em ligar pra minha mãe pra perguntar o que ela achava. O contexto? Eu tinha 17 anos e estava prestes a embarcar para um programa de intercâmbio de 12 meses onde moraria com uma família americana. O amigo querido, claro, não acreditava que eu não pudesse dar conta de uma escolha tão simples.
Preciso dizer que acabei de ver o filme “Tudo pode dar certo”, de Woody Allen. O homem é absolutamente perturbado e perturbador, mas deu certo graças ao seu talento de perceber (e cutucar) a condição humana. Fosse ele “normal”, faria comédias românticas ou outro tipo de filme, e talvez obtivesse até mais sucesso. Vai saber. O filme caricaturiza, mas emociona ao mostrar que todos podem ir além dos estereótipos humanos (ou não) e terem momentos felizes entre suas escolhas, independente de quais sejam.
Não estou presa ao passado, mas acho importante perceber que passei minha vida quase toda tentando me enquadrar a um modelo em que jamais me encaixei. Não culpo ninguém e, por isso, uso essa experiência nas minhas escolhas atuais e, mais importante que tudo, naquilo que transmito aos meus três filhos. Se eles perceberem meu esforço para viver de acordo com o que acredito, já me dou por muito satisfeita. No entanto, o mais impressionante, realmente, é que é justamente por assumir minha complexidade, minha vida ficou infinitamente mais simples.
** Este post continua. Mas, antes disso, me diga, o que é ser normal?

domingo, outubro 03, 2010

“Mãe, você vai pro cinema sozinha? Que coisa mais sem graça...”

Desde minha adolescência vou a cinemas sozinha. Era muito difícil arranjar companhia pra todos os filmes que eu queria ver. E, naquela época, eram quase todos mesmo. Os meninos ainda acham estranho, mas ninguém queria ver “Comer, rezar e amar” comigo. Ainda bem. Saí do cinema com a certeza de que, naquele momento, eu era a minha melhor companhia. Distribuía sorrisos, de tanta felicidade.
Tudo bem que tinha o Javier Bardem, impecável com uma aparência de bad boy e um jeitinho “mais doce impossível”. Mas não era por isso que eu sorria! O motivo era muito mais nobre, pelo menos pra mim. Ganhei o livro logo que ele foi publicado no Brasil. Durante a leitura, chorei muito. A identificação foi imediata, as angústias da escritora eram as minhas. A frase inicial do livro ecoava na minha cabeça. Não sabia quem era, o que queria, para onde ia... A única certeza que tinha é que havia algo errado e há muito tempo.
Ao ver o filme, não derramei uma lágrima. Cheguei a me entediar em alguns momentos e o que me fez chorar anos antes, agora me fazia rir. Pra quem chora com desenho animado, isso quer dizer muita coisa. Sorria ao perceber que aquelas páginas já tinham sido viradas, que eu já tinha respondido a muitas das perguntas que me torturavam à época em que li o livro. Precisei de um bom tempo pra adquirir a coragem de mudar, mas, depois que dei o primeiro passo, os outros foram acontecendo naturalmente. Como a autora, precisei de muita atitude, ajuda e compaixão.
Livro e filme fazem muito sucesso. Como eu, milhões de pessoas identificaram-se com a história, mas muitos ainda vão chorar com o filme. Acharão que aquela é uma realidade que não lhes pertence, coisa de cinema. Hoje eu sei que mudar é possível. Sair da zona da conforto para abandonar antigas estruturas, tem percalços, dificuldades, lágrimas, dúvidas; mas isso tudo é absolutamente NADA perto do prazer de recobrar a essência da própria vida. Não é por acaso que o funcionário do guarda-móveis onde a personagem deixa tudo o que é seu, antes da viagem que originou o livro, diz, diante do lamento de que toda a sua vida cabia em um pequeno depósito:
“Acredite, muitas pessoas jamais voltam pra pegar sua antiga vida de volta.”
Mudar não significa deixar de chorar. Pra mim, a cada dia aparecem novos desafios, desejos, a possibilidade de me acomodar. As questões que me aproximaram da autora, passaram! Em seu lugar, surgiram outras perguntas; mas surgiu, também, uma outra mulher e ela estava lá no cinema ontem, assistindo ao filme, muito orgulhosa de si. E feliz!

sábado, agosto 14, 2010

“A Origem” em mim / My perceptions about “Inception”

Ainda estou sob os efeitos de “A Origem”, que assisti ontem. Saí do filme com a mente dando voltas, fazendo muitas conexões, acessando registros antigos. A subjetividade da realidade, como a percebo, sempre atraiu meus pensamentos. Pensar que a pequena parte do que percebo – sim, porque acredito que conhecemos muito pouco das dimensões do mundo – é diferente do que você percebe parece alucinação. E a forma como interagimos co-criando nossas percepções é ainda mais louco.
O filme fala sobre isso. Chamam de sonho aquilo que, de tão real, é capaz de mudar o curso do futuro. Meu filho mais velho, minha companhia nessa jornada, traduziu o filme pro irmão mais novo: “é um sonho, dentro de um sonho, dentro de um sonho, dentro de um sonho. Para voltar, as pessoas acordam de um sonho, em outro sonho, em outro sonho...” Sua descrição, simples e precisa, me fez lembrar daquele efeito dominó e, indo mais além, das interações que fazemos na vida.
Num momento em que corro o risco de me ocupar exclusivamente, de questões objetivas que me mobilizam muito, como a mudança do local de trabalho, a venda da casa, o equilíbrio do meu orçamento doméstico, percebo que tudo isso é nada diante do Universo de que faço parte.
Li pouco a respeito da Física Quântica, mas, por esse pequeno recorte, vejo que a ciência tem comprovado o quanto criamos o que chamamos de realidade. Não sei se ela já deu conta do quanto esse trabalho é feito em conjunto, com ou sem consciência, a partir da interação a que estamos sujeitos por fazermos parte de um imenso organismo vivo em que cada um de nós tem papel fundamental. Parece uma viagem? Mas é a minha crença e, pra mim, o que explica a minha experiência de realidade.
Filmes como “A Origem” começam a popularizar essa discussão, antes dada a alucinados, esotéricos, cientistas ousados. Durante o filme, fui fazendo tantas conexões que acabei tuitando algumas delas. Entre meus “hiperlinks” mentais, lembrei de “O Pêndulo do Foucault”, de Umberto Eco, que li há mais de 20 anos: ficção com proposta de reflexão sobre o que é e como se constrói o real, no mundo dito real. Lembrei também da “Profecia Celestina” (livro e filme), de “Quem somos nós”, e de tantos outros artigos e conversas sobre esse tema, que já atrai a atenção de muita gente.
Não é muito diferente dos conceitos que permearam “Avatar”, que se vale de uma história de amor romântico, para semear boas ideias. Pra mim, está tudo conectado. E, como diz o galã de “A Origem”, Leonardo Di Caprio: “Uma simples ideia da mente humana pode construir cidades. Uma ideia pode transformar o mundo e quebrar todas as regras.”
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