Mostrando postagens com marcador saudade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador saudade. Mostrar todas as postagens

domingo, agosto 28, 2011

Aprendendo a conviver comigo mesma

Alguns dos meus novos cremes
Cheguei em casa cansada e encontrei a casa vazia. Dizem que quem tem três filhos nunca fica só! Não é o caso! É uma situação tão nova para quem há pouco tempo tinha outra estrutura familiar e os filhos menores. De repente, senti uma enorme solidão. Estava só porque os três tinham ido pra casa do pai jantar e dormir. Demorou pouco pra me lembrar de que solidão é, na verdade, um estado de espírito. Não foram poucas as vezes que havia ficado sozinha anteriormente, por outros motivos. A diferença era que agora havia uma nova percepção da vida e nesse novo pacote, solidão tem chifre e cara feia, até a gente se dar conta de que isso também é fantasia.
Aquela história de que nunca estamos sós é a mais pura verdade. Estar só, agora sei, é uma questão de escolha. Ou de comodidade. Porque há sempre, em algum lugar, um amigo disposto a emprestar ouvidos, dar colo ou conselhos, que a gente sempre escuta somente se quiser. “Sai de casa. Vai pro bar, pro cinema, pra boate, pra qualquer lugar. Espanta a tristeza que ela vai embora.” “Essa fase é uma droga mesmo. Toma uma remédio e dorme que daqui a pouco isso passa.” Os conselhos são de todo tipo e alguns me fazem rir e isso já é suficiente para mudar a vibração do momento, se ela não estiver boa.
O melhor que eles dão é mesmo afeto e carinho num momento mais crítico em que acreditamos que os monstros da nossa fantasia têm, de fato, chifre e cara feia. Essa energia que eles enviam quando a gente fraqueja, chega mesmo de longe, porque a energia vem em ondas de qualquer lugar.
Mas nesse dia, não precisei de muito tempo para ter a certeza de que naquele momento em que estava sem os filhos, não estava só e de que podia escolher entre muitas coisas. Acabei optando por uma banho delicioso, com um monte de coisas cheirosas que tinha acabado de comprar e isso me fez feliz. Felicidade também é uma questão de escolha!

sábado, dezembro 11, 2010

Quem inventou a palavra saudade?

Fui procurar na wikipedia e descobri que saudade é uma das palavras mais presentes na poesia e na música romântica da língua portuguesa. Aliás, dizem que ela foi cunhada pelos portugueses que deixavam casa e família em busca de novas terras e que foi muito usada no Brasil Colônia. Daí, sua origem latina em solitas, solitatis (solidão). O Aurélio confirma o significado: “Lembrança melancólica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa(s) ou coisa(s) distante(s) ou extinta(s).” É prática comum do ser humano, buscar explicação, comparação ou justificativa para o que sente. Mas nada disso atenua a emoção com que me vejo às voltas.
Saudade é o desejo de voltar?
Sim, há algo de solidão na saudade. Tenho recebido com bastante frequência recados do tipo: “Estou com saudades, mas tenho trabalhado tanto que mal tenho tempo de conversar”. Retribuo, irritada com a falta de tempo generalizada. Ficamos, sós; ficamos com saudades. São todas pessoas queridas, que passo muito tempo sem ver. Parece que, no fim do ano, chega a fatura e a gente se dá conta de que devia ter dedicado mais tempo aos amigos e às boas relações.
Mas a saudade que eu venho sentindo não é bem essa. Ela não se apresenta. Não diz o seu nome. Pelo menos eu não consigo ouvi-lo. Há momentos em que chega a doer no corpo. Por isso, resolvi escarafunchar a saudade. Não gostei do que vi. Como meus antepassados portugueses, estou em constante descobrimento. Novas terras, novos mares... Seria essa saudade um certo medo do novo que está sempre por vir para quem se aventura em descobertas? Uma forma de se lidar com o desejo de voltar ao confortável e acolhedor espaço conhecido, deixado pra trás por quem parte em busca de novos rumos?
Uma amiga disse que tem “saudade boa”, mas eu não acredito. Pra mim, nada que causa dor é bom! E saudade dói! Essa coisa boa a que ela se refere, chamo de lembrança. E quanto a combinar com amor, como diz na wikipedia, fico bem na dúvida. Se o amor é livre, incondicional, supremo, sagrado; não deve ser atravessado pela dor da saudade. Deve entender e respeitar o fluxo da vida, os novos mares por que nos aventuramos, os novos ventos que encontramos...
A saudade tem um quê de teimosia. Instala-se, a despeito das minhas considerações. E, se amar é aceitar, digo pra mim mesma, com todo amor que tenho por mim: fique, saudade; até que eu seja capaz de perceber que a vida tem seu fluxo, que a felicidade está por todo lugar e que o “sentir”, por si só, é uma dádiva.
Web Statistics