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sábado, janeiro 28, 2012

A Vontade domina o Medo (Lanterna Verde)

O anel que canaliza a VONTADE! Adorei! 
Esta semana, em um trabalho terapêutico em grupo, analisamos as perspectivas pessoais para o ano de 2012, tendo por base, entre outros elementos, a numerologia e os arcanos maiores do tarô. Para o meu ano, o número 16, a Torre, que traz grandes mudanças, o ruir das estruturas, perdas. Não foi por acaso que, na virada do ano, senti meu coração tão apertado. Tinha certeza de que algo que não conheço está por vir. Mas o novo só chega quando se abre espaço, ou, como na carta da torre, quando o que existe é destruído. Tenho medo! Desapegar-se do conhecido e arriscar-se pelo desconhecido é assustador. A psicanálise diz que esse movimento remete a um dos maiores medos do ser humano, o que se sente diante da morte, da finitude. A morte, nos processos de mudança, atinge algo que nos é familiar, mas que, verdade seja dita, já não nos serve.
Medo, morte... Tá faltando mais o que? Tá faltando dizer que ontem vi, com meu filho, o filme Lanterna Verde. A escolha foi dele, não se trata de uma obra-prima, mas se, como dizem, nada na vida é por acaso, a ocasião foi perfeita. O filme começa com a morte de um Lanterna Verde e, mostra, logo no início, que, mesmo para os detentores dos super poderes do anel verde, nada é para sempre. O anel, então, escolhe um substituto à altura para, dotado de novos (e super) poderes, lutar contra o mal. E quem é a grande representação do mal? Uma criatura alimentada pelo medo, uma energia tão poderosa que é capaz de destruir tudo por onde passa, inclusive os tais heróis verdes.
A energia verde, que torna os guardiões da paz planetária poderosos, é a VONTADE! Canalizada e potencializada através do anel, essa energia é capaz de tudo, desde que o guardião não tenha medo ou descrença. Ele precisa acreditar que tudo – e qualquer coisa - é possível desde que ele tenha a vontade! Se ele fraqueja na vontade, abrindo espaço para a dúvida e o medo, seus poderes ficam mais frágeis. A criatura do mal, no filme, se fortalece com esses sentimentos, que habitam todos eles, até o pequeno grupo de ancestrais imortais que comanda todos os guardiões. A cada pessoa por quem passa, a criatura se fortalece, num somatórios de “medos” que a energiza, aumentando seu potencial destrutivo. Ninguém sobrevive ao MEDO!
E o nosso herói, cuja vida é modificada depois que o anel o escolhe como guardião? Ele tem tanto medo que não consegue dominar sua vontade. Aliás, é esse sentimento – que ele não confessa nem pra si mesmo – que o impede de conquistar as coisas que mais deseja na vida, incluindo, claro, a mulher amada! Mas é justamente quando olha pro seu próprio medo, aceitando sua humanidade e suas limitações, é que consegue fortalecer sua vontade, combatendo o MAL. É claro que isso exige muito dele! É um embate difícil, onde ele precisa acessar suas crenças, renovar sua fé e acreditar, a cada instante, que está dando tudo o que pode para vencer! E ele, claro, vence! Não poderia ser diferente, não é?
O filme tem muito mais, mas qualquer semelhança com os meus sentimentos diante deste 2012 de mais mudanças não é mera coincidência. O medo tem mania de bater na minha porta e é preciso muita vontade para vencê-lo! O bom é saber que basta isso – a minha VONTADE – para chegar tão longe quanto as vibrações deste ano pretendem me levar. É uma batalha diária, mas a vitória é certa, porque já vi o fim desse filme e ele é maravilhoso! Como o herói humano, conto com amigos que, com muito amor, me ajudam a retornar ao meu centro e reencontrar a força que tenho dentro de mim, capaz de me tornar igualmente superpoderosa! Mas, como ele, também não estou dispensada das lutas, das feridas e das quedas. Não sei o que rege seu ano (amanhã publico um post pra todo mundo fazer essas continhas), mas sejam quais forem os monstros que enfrentar, a VONTADE está dentro de você! Vamos em frente 2012!

segunda-feira, outubro 24, 2011

A história da minha vida em 2 minutos

Vídeo perfeito, coroado com a participação de um animal cuja energia me aterra e fortalece!

domingo, abril 24, 2011

Renascendo na Páscoa!

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. (Chico Xavier)
A frase ecoou na minha cabeça neste domingo de Páscoa. É isso que aprendi na minha formação religiosa: todos os anos repetia que Páscoa era um momento de renovação, renascimento, transformação. No ritual católico, passam-se 40 dias em que os devotos se reconhecem com pó (ou, simbolicamente, cinzas) para ressurgirem com Jesus, cuja ressurreição celebra-se na Páscoa. Eu sempre soube disso, faz parte do conjunto de crenças da minha família; mas a verdade é que eu nunca senti no meu coração o que, de fato, isso significava. Hoje, a famosa frase de Chico me parece perfeita. Acreditando ou não na ressurreição, todos temos uma nova oportunidade, todos os dias.
Andei meio na bronca com alguns ritos que celebram as oportunidades de recomeço pela via da culpa. Mas, pensando melhor, deixando a culpa de lado, há muito de verdadeiro no rito das cinzas. Ninguém se transforma sem virar pó e todas as crenças e filosofias repetem a mesma história, à sua maneira. A vida é pontuada de pequenas e grandes transformações. E isso independe das escolhas de cada um.
Penso em mães e filhos. Eles crescem, modificam-se e, com isso, as vidas das mães se transformam. Não há o que se possa fazer a esse respeito. No entanto, há mães que sofrem quando suas crias saem de casa; outras, que se negam a aceitar que as crianças cresceram; entre tantas outras histórias. Mas todas as mães se transformam. O que difere, a meu ver, é o nível de consciência desse processo, que pode trazer a aceitação e, junto com ela, a capacidade de deixar-se conduzir pelo fluxo da vida. Há, em tudo isso, uma inevitável parcela de dor, para os que crescem e assumem suas responsabilidades; para os que se veem obrigados a preencherem suas vidas com novas atividades.
Todos passam por algum desconforto para ingressar em uma nova fase e com outros aspectos da vida, não poderia ser diferente. Um corpo saudável, por exemplo, requer alimentação balanceada e o fim do consumo de alimentos que, para muitos, são fonte de prazer, como frituras, doces e refrigerantes. Quem nunca ouviu frases do tipo: “ficar sem refrigerante, pra mim, é a morte!” Estamos sempre deixando algumas coisas de lado para conquistar outras. E isso é inerente à vida.
No entanto, podemos resistir e manter-nos atados a fases, lugares, profissões que já não nos fazem bem. Escolha? Talvez. Para mim, é tudo questão de consciência. Este sim, o grande “barato” da vida! É ela quem nos conduz, de olhos abertos, pela aventura de viver, fazendo-nos sentir a “dor” da transformação e o imenso prazer de renascer. Então, desejo a você muitos renascimentos, nessa Páscoa, sem medo do “pó”, reconhecendo – de olhos bem abertos – as dores de deixar morrer os aspectos que precisam ser transformados para um glorioso ressurgir! Paz e alegria!

terça-feira, abril 19, 2011

Mudando o lado da cama

Das duas uma: ou a cama de casal é muito grande para ser ocupada por uma só pessoa ou o hábito é algo mais difícil de ser quebrado do que eu pensava. Escrevo isso porque, numa noite de insônia, me peguei rabiscando em meu caderno, restrita ao mesmo lado da cama que ocupei por 22 anos. Já faz um ano que venho exercitando a ocupação plena desse espaço, mas ainda me pego pendendo para o lado que me coube, em um dos muitos acordos que fazem os casais.
Ocupar a cama foi um dos primeiros desafios que enfrentei depois de guardar a aliança. E não era pelo ato em si, mas por todo o simbolismo que a cama carrega para uma família. Até os filhos, em inevitáveis momentos, dividem-na conosco; desde o nascimento, nas noites em que a cólica ou a necessidade de amamentar parecem maiores que nós; nos dias em que o medo do escuro inunda o sono infantil; ou, ainda, quando uma doença nos faz levantar para verificar a temperatura e o estado geral mais vezes do suportamos.
Agora é diferente. Olho para cama sabendo que aquele espaço todo me pertence, e experimento novas formas de ocupá-lo, por mim mesma. Dormi com livros, computador, jornais, revistas, mudei o lugar do travesseiro, juntei novos travesseiros, abri os braços; mas, mesmo assim, acabo acordando do mesmo lado. Nessa fase, cada gesto tem um significado, e observá-los de forma distanciada chega a ser engraçado.
Não sei quanto tempo um hábito demora pra se formar, mas vamos combinar que a rotina é poderosa e, arrisco dizer, perigosa. Quando nos damos conta, pela força da necessária repetição cotidiana, estamos lá, com mais um item na lista das ações que automatizamos. E são tantos os itens dessa lista, que, muitas vezes, viramos autômatos, quase zumbis. Deitamos e nem percebemos, comemos e não sentimos o sabor da comida, cumprimentamos pessoas na rua sem olhá-las de fato. Ainda há quem diga, no fim do dia, às vezes, num tom de orgulho pelo dever cumprido: “hoje nem tive tempo de respirar”.
* Continuação amanhã!

domingo, março 13, 2011

Como se fosse o último dia da minha vida...

Com amigos na terça-feira do carnaval de 2011
No café da manhã, diante das notícias do jornal, pergunto: “será que é verdade essa história de que o mundo se acaba em 2012?”. A resposta, mesmo num tom irritadiço, me fez sorrir: “e isso importa?” Realmente, não importa. Não há nada que se possa fazer diante das forças da natureza, do inevitável e do desconhecido. Mas há muito o que se pode fazer quando lembramos que nosso espaço de vida é o agora. Se estamos vivendo da melhor forma que podemos, não importa até quando viveremos. E isso vale para todas as áreas da vida. Quando era adolescente, achava que a frase “viva cada dia como se fosse o último de sua vida” fosse sinônimo de bagunça e zoeira. Hoje, já sei que viver o melhor que posso a cada dia inclui relevar o motorista que me xinga; TENTAR não perder a cabeça diante do atrevimento dos filhos adolescentes; desejar bom dia ao presidente da empresa com o mesmo amor com que desejo bom dia ao recepcionista; escutar quando quero ficar em silêncio; e falar quando tudo o que desejava era emudecer.
Sim, estou a cada dia mais convicta de que nascemos pra ser felizes. Embora muitos ainda digam e pensem o contrário, não consigo mais acreditar em frases como “a vida é uma luta”, “cada um com a sua cruz”, “ser mãe é padecer num paraíso”, entre outras tantas. Acredito que cada momento traz as suas lições e que o aprendizado não é sinônimo de sofrimento. Não sei se é porque sempre gostei de estudar, mas não vejo necessidade de tristeza em lições difíceis. Podemos substituir o sofrimento, por força, garra, determinação, otimismo e tantos outros sentimentos mais construtivos.
Hoje, no último bloco de carnaval que pude acompanhar, olhei pro céu e pensei em como podia ser simplesmente feliz. Estava ali, por escolha minha, com amigos, fazendo a parte que me cabia naquele momento: brincar, sorrir, curtir a vida. Encerrei um fim de semana de muita festa, quase um abuso para quem está com muito trabalho pra fazer, mas em cada programa pensava que estava festejando a vida. Amanhã trabalharei com afinco e dedicação com a mesma alegria. Terei reuniões difíceis, mas darei o melhor de mim; me sentirei em algum momento sozinha, mas ligarei pra algum amigo; sentirei um frio na barriga quando for iniciar um novo trabalho com um grupo de executivos, mas seguirei em frente. Estarei o tempo todo solidária com os que sofrem no Japão e em outros países, farei minhas orações, enviarei boas energias; mas viverei cada instante como se fosse o último da minha vida. A gente nunca sabe o que pode acontecer no próximo minuto.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Amor para sempre?

De repente, sentiu-se com 15 anos. Lembrou-se do primeiro namorado. Das frases que copiava em seu diário descrevendo o amor. Uma delas, vinda dos cartões com que perdia horas nas papelarias, era particularmente inesquecível: “o amor nunca se acaba”. Várias vezes havia jurado que era para sempre e o mesmo número de vezes vira o fim “do amor que nunca se acaba”. A lembrança transformou suas lágrimas em sorriso. Naquela época, achava que amar era prometer que ficariam juntos para sempre, com o coração descompassado e as pernas bambas de emoção, trocando declarações e juras eternamente.
Tantos anos haviam se passado e ela continuava sem saber o que era o amor. A diferença era que agora podia senti-lo e ele não se parecia em nada com aquele que povoara seus sonhos de adolescente. Na Bíblia, que lera e relera na sua juventude, estava escrito: “No princípio, era o verbo...” É a descrição do amor. Não existe força mais milagrosa ou sentimento mais pleno do que esse que simplesmente é.
Olhou-se no espelho, entre as lágrimas, sorria. Lembrou-se de agradecer com muita reverência ao Amor Supremo, que chamava de Deus. Sabia que fora agraciada com o dom de amar, que havia sido cuidadosamente despertado. Não precisava de mais. Ou melhor, precisava aceitar e agradecer pelo presente que podia carregar consigo – agora, sim – para sempre!
Quanto ao homem, pouco lhe importava onde estava, o que fazia, se ficaria por perto ou não. Em seu íntimo, sentia que essa força também o transformava e que ele, a seu modo, também aprendera muito com ela sobre o amor. Ambos haviam se tornado guardiões dessa força cósmica, além de divulgadores ou multiplicadores. Não sei ao certo, mas, por onde andavam, emanavam essa energia que despertavam um no outro. “Acreditem, ele existe e é poderoso!” poderia ser uma frase comum – ainda que cliché - no discurso de ambos, se eles aceitassem...
A verdade, e eu digo isso porque, estando de fora, pude observá-los com imparcialidade. Nenhum deles compreendia, de fato, esse amar. Era como se, por inexplicável que fosse, o sentimento não fizesse sentido. Perdiam-se ao tentar racionalizar, explicar e compreender; essa energia que haviam despertado estava além disso tudo. Simplesmente era.

domingo, dezembro 12, 2010

Um belo dia resolvi mudar...

Nunca pensei que fosse tão difícil mudar. Não sei como é para a maioria das pessoas, mas deixei de me achar a única quando comecei a me deparar com uma grande quantidade de livros e artigos sobre o assunto. O desejo de mudança nasce, na maioria das vezes – senão em todas-, da percepção de que algo não está bem e de que há algo muito melhor para se viver, empreender, realizar. Há, portanto, um incômodo profundo. Mas a atitude de mudança carece da visão de novas possibilidades, de um futuro promissor e real.
Foi assim comigo. A percepção de que poderia e deveria mudar alguns aspectos da minha vida existia há muito tempo, mas o impulso de mudar deu-se a partir de uma perda, seguida de uma grande decepção e de um mês de muito sofrimento. Até hoje sou grata por aquele momento, vivido há pouco mais de um ano. A partir daquele dia, vislumbrei o que e como poderia viver e decidi mudar. Ainda estou nesse processo, mas o que eu não sabia é que EU representaria pra mim mesma um obstáculo tão grande.
Há movimentos que percebo em mim que não consigo entender e que provocam sofrimento, dor, e um sentimento de perda que tornam o “ir em frente” penoso. Andei atribuindo tudo ao medo do novo. Nunca acho que estou realmente preparada para o que está por vir, mas havia mais. Há uma parte de mim ainda presa a todos os valores e crenças que me compuseram desde que nasci, repassado carinhosamente por pais, parentes e instituições, que resiste bravamente à mudança. A fidelidade ao passado impede que essa parte de mim possa perceber como operar de um outra forma.
Em contrapartida, há uma outra parte. Talvez a que tenha se permitido ver, no ano passado, o quanto eu poderia viver e realizar, a nova pessoa que eu poderia ser. Mais que a coragem de romper, esse movimento de mudança exige a conciliação entre essa parte de mim que tem todos os registros do passado e a parte de mim que está pronta para emergir. Não há como abandonar uma ou outra, já que ambas me integram. É preciso acolher a primeira e seguir a visão da segunda.
Custei demais a me dar conta disso, e comecei a notar toda sorte de esforço de retroceder. O medo de realizar novos projetos; os pensamentos em reviver antigas histórias, como se assim fosse encontrar conforto; o desmerecimento de conquistas alcançadas; e todo o tipo de pequenas ações que inviabilizam o prosseguir. Em psicologia, chamam isso de ciclos de autossabotagem, e eu precisei reler sobre o assunto para me dar conta do óbvio.
O conflito era tão intenso que me afetou fisicamente: além da tristeza e da insegurança, trouxe-me uma exaustão que eu não conseguia compreender. A luta interna acontece de forma tão ampla que o cansaço físico aparece. Era como se tivesse passado várias noites em claro. Hoje, dormi por 10 horas seguidas. Perceber a luta me ajudou a ser compassiva com as diferentes partes de mim, e, principalmente, seguir em frente. Tenho um grande projeto a iniciar e, para minha surpresa, me deparei com um arquivo de texto em que parte dele já está iniciado. É que comecei a projetá-lo tempos atrás. Quando reduzimos o ruído interno, qualquer realização é possível e o melhor: muito mais FÁCIL.

quarta-feira, outubro 13, 2010

De mãos dadas

Quando o telefone tocava, havia uma novidade. Fosse a roupa nova, o ficante que tinha passado a namorado, o convite pra uma festa, a amiga que havia desaparecido, o namorado da outra com uma outra, numa lista interminável de coisas importantes. O tempo passa, coisas importantes vão sendo substituídas por outras coisas que dizem ser mais importantes e algumas amizades de adolescência vão sendo relegadas à condição de lembranças. Quando eventualmente há um encontro, faz-se uma pausa para o inevitáveis “você lembra” e, depois, a vida segue seu rumo.

O pequeno pode parecer grande, dependendo do enfoque
Alguns desses encontros, no entanto, merecem mais do que uma pausa. Dá-se uma oportunidade para o resgate, não do passado, mas das possibilidades do presente e do futuro. Nesses momentos, mais do que ataque de saudosismo, o que passou serve para reaproximar velhos amigos e criar novas oportunidades de relacionamento para ambos. A alma fica aquecida quando envolta por uma amizade de tempos atrás.

Retomar velhas amizades, poupa-nos os descaminhos e as inseguranças de uma nova relação. Facilita revelações, o compartilhar das angústias íntimas e das alegrias mais genuínas. É mais fácil confessar medos como, por exemplo, aqueles que aparecem a cada nova esquina que surge à nossa frente. Sabemos que devemos avançar, mas o temor diante daquilo que virá nos faz paralisar. Imaginamos um lugar escuro e aterrador, para não ter que enfrentar o novo. Esquecemos, muitas vezes, que, do outro lado, pode estar um dia lindo e ensolarado. Imaginamo-nos sós, quando, além daquele ponto, podemos encontrar outros velhos amigos e alguns novos podem se juntar a nós.

É por isso que hoje me imaginei de mãos dadas com uma velha amiga. Temos uma nova esquina à frente e um medo enorme daquilo que está por vir, mas, de mão dadas, fica muito mais fácil. Fechei os olhos e vi o sol nascendo depois dessa esquina. Não pensei em uma nova rua, mas em uma cidade inteira cheia de encantos para serem desvendados. Cenas para serem fotografadas. Vamos? De mão dadas, é possível enfrentar o medo que nos parece tão gigante, encarar os fantasmas que criamos e chegar aos lugares que sonhamos.

domingo, setembro 05, 2010

Por que não eu?

Assisti a uma entrevista do Eike Batista na televisão, no programa Roda Viva, agora sob a batuta de Marília Gabriela. Confesso que esse homem sempre me intrigou, pelo empreendedorismo e pelo sucesso nos negócios. Tanto que as empresas X estão na minha lista de organizações para as quais quero trabalhar. Durante a entrevista, o que mais me chamou atenção foi a autoestima do sujeito. Nada o impede de ir em frente rumo ao sonho de ser o homem mais rico do mundo.
Não entrarei no mérito dos sonhos e das ações do Eike. O que me interessa é sua autoestima, que faz com que acredite no sucesso mesmo depois de uma derrota. Ele não me parece uma pessoa imune às opiniões alheias, nem ao amargo gosto do fracasso. Muito pelo contrário! Sendo vaidoso, atenta a tudo a sua volta. Mas não se abala a ponto de desistir de seus projetos ou de focar no revés ou naquilo que o incomoda. Segue em frente, com sua visão de que o sucesso é inevitável!
Há quem diga: “Mas pra ele tudo é fácil! Já nasceu em berço de ouro!”. Discordo. Conheço histórias de pessoas que nasceram em meio a fortunas e morreram cheios de dívidas, e de outras que, no caminho inverso, transformaram a pobreza em riqueza. Para mim, o que diferencia os atores de um e outro caso é justamente a autoestima. Só quem gosta e acredita em si pode achar-se merecedor do sucesso e da abundância.
Se é só isso qualquer pessoa pode ser uma versão do Eike Batista, no que se aplica à prosperidade e ao sucesso nos negócios? Certo. Se não conquistamos o que desejamos é porque ainda não acreditamos o suficiente em nós mesmos. E eu não falo apenas de dinheiro, mas de conquistas pessoais e profissionais de toda ordem. Cada um tem suas histórias e eu, aos poucos, vou descobrindo a minha, mas, normalmente, é nessa história que encontramos os registros que nos impedem de nos acreditarmos SEMPRE capazes.
Inconscientemente, num processo muito poderoso, vamos norteando nossos caminhos de acordo com aquilo que pensamos suportar. Restringimos nossas conquistas porque sequer ousamos pensar naquilo que julgamos estar fora de alcance. “Isso é muita areia pro meu caminhão”, já ouvi e disse um sem número de vezes. Mas quem decide o tamanho desse caminhão somos nós. E podemos preenchê-lo como quisermos, se nos acreditarmos capazes de conduzi-lo.
Falando por mim, agarro-me a padrões muito antigos para limitar minhas conquistas. Percebo que o medo permeia todos eles. Restrinjo-me aos padrões familiares pelo receio infundado de ser rejeitada; limito minhas ações porque a ousadia e a inovação podem me custar o erro e o julgamento dos outros. Mas o pior de tudo é, quando à revelia dos meus medos, recebo uma oportunidade maravilhosa do Universo e não aproveito. Inconscientemente, repito: “isso não é pra mim!” Essa percepção, muito recente, tem me feito romper barreiras, num processo que chamo de “resgate de mim”. Fiz uma lista de coisas que não posso esquecer, nessa missão de “resgate”, que compartilho amanhã.

domingo, agosto 29, 2010

Os sinais do novo

Olhava no espelho e não se reconhecia. Estranhava o corpo, os seios com formas perfeitas. Preferia assim, mas incomodava-se. Onde estavam as dobras e as estrias adquiridas após cada um dos partos? Era como se parte da sua vida tivesse sumido. Não sabia mais quem era. Aqueles peitos não pareciam ter alimentado três meninos. Eram seus?
A cirurgia plástica havia sido sua escolha. No entanto, agora, perguntava-se a cerca de sua motivação real. Até que ponto deixara-se influenciar pelas amigas, pelas mulheres da academia, pelos comentários do marido? Não podia voltar atrás, mas teria que descobrir essa pessoa com quem se deparava no espelho. Além da nova aparência, estava a sua essência, sem dúvida, mas precisava reencontrá-la.
Precisava juntar a alma aquele corpo, de onde apagara as marcas do tempo e da vida. Era só um corpo, certo? Uma pequena parte de sua existência tão ampla. Precisamente, por isso, incomodava-se. Uma transformação estética tão grande, que exigira-lhe meses de economias e muitas dores. Para que tanto, se agora não sabia quem era?
Sempre ouvira dizer que mudanças deveriam ser bem-vindas, mas, as únicas mudanças que conhecera, não havia escolhido. A morte dos pais, da tia querida, os desencontros amorosos, a perda do emprego de muitos anos, o afastamento da melhor amiga: nada disso fora sua escolha. Sempre deixara-se conduzir pela vida. Adaptava-se bem às situações. Ou será que se acostumava? Não seria essa também uma forma de adaptação?
Com o corpo tinha sido diferente. Optara, ela própria, por um novo corpo. Juntou suas economias; visitou alguns médicos por indicação de amigas; escolheu aquele que inspirou mais confiança; fez os exames pré-operatórios; definiu o tamanho da prótese, o dia e a hora da cirurgia; contratou a enfermeira que a acompanharia; informou ao marido, espantado com a decisão da mulher. E agora estava em frente ao espelho, olhando cada uma de suas curvas, sem saber o que fazer com essa nova mulher que desenhara.
Jamais compartilharia essas dúvidas com alguém. As amigas achariam-na louca, afinal, havia remoçado uns 15 anos, no mínimo. Já o marido, satisfeito com a nova mulher que se deitava diariamente em sua cama, não alcançaria a sua angústia. Restava-lhe entender a mudança. Aceitar a beleza recuperada e continuar perguntando-se quem era e onde estava, para jamais perder-se de si mesma.
Respirou fundo. Sabia que as mudanças, fossem quais fossem, apontavam novos caminhos e, talvez, só talvez, estivesse aí a origem desse incômodo. Tinha medo do que estava por vir. No íntimo, sabia que o corpo era só um corpo, mas, juntos e novos, ventre e seios alimentavam outras histórias. A decisão da cirurgia havia sido um sinal. Comemorava que, pela primeira vez em muitos anos, tivesse conseguido tomar uma atitude tão importante, muito além das compras do supermercado. E agora? O que aconteceria depois? Nunca mais seria como antes. Seu corpo falava por si. A alma agradecia-lhe e abraçava-o. A motivação? Estava muito além das amigas e do marido.

segunda-feira, junho 07, 2010

Virando a página

Eu tenho aflição quando tenho que virar páginas. Quando estou lendo um livro, quero logo saber o que vem depois e, às vezes, chego a virar algumas páginas para saber o que acontece mais à frente. Depois volto ao ponto onde parei; ansiedade domada. Em se tratando de revistas, começo pelo meio ou pelo final, o que é mais frequente. E na vida? Não dá pra antecipar a crônica da última página. Há uma ordem cronológica que misteriosamente (e tranquilamente) ignora minha ansiedade. E eu tenho que aguardar.
Fui adquirindo alguma sabedoria com o passar do tempo. De adolescente que não conseguia aproveitar uma festa pensando na que viria depois, passei a mulher que aguarda e tenta respeitar o fluxo da vida. Também, o Universo é sábio e me presenteou com três gestações, onde aprendi o que significa esperar e respeitar a natureza. Na terceira, a tranquilidade era tanta que, sem nenhuma impaciência, pedi que os ultrassonografistas omitissem o sexo da criança. Para que antecipar o presente que a natureza iria me oferecer? Desembrulhei-o a termo: na sala de parto.
Depois vem as fraldas, os dentes, o engatinhar e o andar, o falar, o escrever, chegando ao vestibular e à primeira namorada. Pra nada disso adianta ter pressa. Tudo acontece a seu tempo. E as mães vão tomando lições e aprendendo a esperar. Mas, nem tudo é perfeito, e a ansiedade de ontem deu lugar ao medo do que está por vir. É claro que não estou acomodada com o sentimento e reconhecendo-o vou tratando de enfrentá-lo como a tantos outros medos que aparecem por aí. No entanto, não deixo de me intrigar diante do temor do que a próxima página poderá me trazer. Uma ótima história? Uma página a ser preenchida, ainda sem enredo definido? Um conto triste? Eu não sei. E ninguém pode dizer que sabe. Mas sem virar cada uma delas, não chegaremos ao fim do livro da vida.
Lembro-me de uma sessão de análise; o susto do terceiro filho, que havia motivado o início da terapia, já havia passado; o menino já estava com uns 6 anos; e eu comentei com meu analista que estava descobrindo coisas a meu respeito que sequer imaginara. Estava curtindo o processo e achava cada sessão uma grande oportunidade de autoconhecimento e um privilégio. Ele explicou: “quando vencemos as crises, podemos virar as páginas seguintes com mais tranquilidade, podendo usufruir das surpresas que elas nos reservam”.
É preciso coragem, carinho, amor, compreensão e mais um monte de coisinhas para prosseguir virando as páginas. Umas vezes, estamos sozinhos; outras, acompanhados, mas não importa: virar a página é preciso. O que vem depois, com certeza, é a mais linda continuação da história que é a vida. Vamos embora, vamos virar a próxima...
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