Todos os anos escrevo uma mensagem pessoal para desejar Boas Festas aos amigos. Meu objetivo é que essa mensagem possa alcançar cada um, apesar de ser enviada coletivamente, e que possa estar carregada da minha própria energia. É uma forma de personalizar o envio automático e mecânico, bem adequado a nossa falta de tempo. Pensei bastante e, pela primeira vez, anexei à minha mensagem o cartão da empresa. O fato, para mim, foi significativo, visto que trabalhei durante todo o ano na construção de uma “Mônica” mais coerente e integrada em todos os seus papéis.
Mas o que mais me surpreendeu foi a forma como a mensagem alcançou pessoas distantes e o efeito que suas respostas, agradecimento e votos de sucesso tiveram em mim. De repente, visualizei minha vida como uma partida esportiva com uma grande torcida na arquibancada. Isso me encheu de boas energias e me fez sorrir a cada mensagem. Algumas eram muito breves, mas isso não impedia que carregassem consigo o sentimento do amigo fisicamente distante.
Me surpreendi e gostei da troca de energias via e-mail. Nem sempre estive aberta à tamanha troca de vibrações. Os sinais, as dádivas, o melhor da vida, o amor, entre tantas outras coisas, espalham-se por todos os lugares e chegam a todos, sem exceção, pelos mais variados canais. Pena que nem sempre fazemos a nossa parte. Muitas vezes, nos fechamos na correria cotidiana e nas ideias e expectativas que trazemos conosco, sem percebermos pequenas coisas, como um simples e-mail com a palavra “Obrigado!”, podem fazer a diferença no nosso dia e, às vezes, na nossa vida.
A chuva que cai inesperadamente durante o dia, um aperto de mão, um olhar, uma mensagem no celular, um toque, um sorriso, uma flor que nasce, uma foto no Facebook e mais um sem fim de singelos acontecimentos podem trazer para nossa vida uma energia especial. Tudo o que precisamos é ficar atentos e acreditar que aquele fato aconteceu especialmente para nós. Vamos aproveitar?
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terça-feira, dezembro 28, 2010
A boa energia que chega de todos os lugares
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quarta-feira, abril 07, 2010
Pensando na chuva (e além dela)!
Acabo de acordar. Ouço, da cama, os sons da natureza. Fecho os olhos. Com a casa em silêncio, escuto, além da chuva insistente, o balançar das folhas, o mar e, ao longe, um motor de carro que parece enguiçado em algum lugar. Ah, acabei de ouvir o que me parece um ônibus: eles não pararam, mas os meninos estão sem aula desde ontem. Daqui a pouco, encherão a casa com gritos, videogame, música eletrônica e televisão. Tudo ao mesmo tempo. Por isso, nem reclamo quando a luz acaba à noite. Se tiver fresquinho, como ontem, ainda corro o risco de redescobrir prazeres à luz de velas, como fazer cafuné em filho.
Meu dia, hoje, terá café com leite e chá, ao lado do computador, mas não consigo deixar de pensar nos desabrigados. Naqueles que ouvem os filhos chorarem sem ter como acalmá-los, nos que estão prestes a verem suas casa desabarem ou choram a perda de pessoas queridas. Também penso nos meus pais, ilhados em Guaratiba, um dos bairros do Rio que tiveram seus principais acessos interditados. Com ajuda de vizinhos, passaram a madrugada tentando minimizar os estragos da água que corre do morro em frente para sua casa.
Ninguém fala deles, mas também penso nos bichos. Ontem, na escuridão do Recreio dos Bandeirantes, vi um gato no meio da chuva, procurando um lugar seco para se abrigar. Podia tê-lo recolhido, mas, na hora, isso não me passou pela cabeça.
Pensar é muito pouco, eu sei. E, por isso mesmo, resolvi, entre um café e outro, convidar os amigos para ajudar com doações os desabrigados espalhados pelo Rio. Ainda é muito pouco, mas é o que consigo fazer agora e, talvez, um pouco melhor do que passar o dia embaixo do edredon, afogada em xícaras de chocolate, esperando a chuva passar.
*foto de @fernandamourao tirada em 7/4
Meu dia, hoje, terá café com leite e chá, ao lado do computador, mas não consigo deixar de pensar nos desabrigados. Naqueles que ouvem os filhos chorarem sem ter como acalmá-los, nos que estão prestes a verem suas casa desabarem ou choram a perda de pessoas queridas. Também penso nos meus pais, ilhados em Guaratiba, um dos bairros do Rio que tiveram seus principais acessos interditados. Com ajuda de vizinhos, passaram a madrugada tentando minimizar os estragos da água que corre do morro em frente para sua casa.
Ninguém fala deles, mas também penso nos bichos. Ontem, na escuridão do Recreio dos Bandeirantes, vi um gato no meio da chuva, procurando um lugar seco para se abrigar. Podia tê-lo recolhido, mas, na hora, isso não me passou pela cabeça.
Pensar é muito pouco, eu sei. E, por isso mesmo, resolvi, entre um café e outro, convidar os amigos para ajudar com doações os desabrigados espalhados pelo Rio. Ainda é muito pouco, mas é o que consigo fazer agora e, talvez, um pouco melhor do que passar o dia embaixo do edredon, afogada em xícaras de chocolate, esperando a chuva passar.
*foto de @fernandamourao tirada em 7/4
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