As lágrimas escorriam. Eu não conseguia saber exatamente porque. Não eram lágrimas de hoje ou de ontem, mas de muitos, muitos anos atrás. De gerações anteriores, talvez. Pensei em tantas outras mulheres, companheiras do hoje e ancestrais dos tempos mais remotos. As lágrimas eram de todas nós. Não havia culpados, mas assim mesmo eu precisava me perdoar. Era o melhor que podia fazer por mim. Perdoar a mim, pedir perdão ao outro. Fazer diferente de tudo o que me ensinaram ao longo desta existência. O que eu queria era acessar um conhecimento adormecido há séculos, e que, naquele momento, seria curativo e um grande mentor.
Do que estou falando? De relacionamentos: a maior oportunidade que o Universo nos concede de evolução. Em se tratando de homens e mulheres, muitos de nós estamos ainda no primitivismo. Imersos em carências e padrões, esquecendo o tempo todo que, se a razão nos diferencia de todas as demais espécies, é a capacidade de amar que nos iguala, e que a junção dos dois nos torna singulares.
Está certo que não é fácil. Homens caçam, mulheres cuidam. Homens focam e lançam setas ao alvo, mulheres espalham-se e multiplicam-se. Homens ejaculam, mulheres acolhem. E sempre foi assim, certo? Talvez. Se os papéis se misturaram em relação a todas as atividades, em relação à biologia humana, mulheres continuam acolhendo, parindo, amamentando, pelo menos até onde eu sei. Porque nunca se sabe quão longe a ciência pode nos levar. Pode ser que, por isso mesmo, continuemos acreditando em histórias de que deveríamos desconfiar, esperando telefones tocarem, querendo ser carregadas no colo.
As lágrimas continuavam a escorrer. Não escolho mais caminhos fáceis. Se há a oportunidade de aprender, eu me entrego e sigo em frente. Não quero a experiência de ontem, quero o resgate do essencial, do que existe de mais humano e genuíno em todos nós. Quero o amor, que começa dentro de mim. E isso me parece ao mesmo tempo tão ancestral e futurista. De repente, paro de chorar. Escrever é minha cura, e amar é meu dom. A energia que me chega é tão intensa que sorrio, como que em meio a uma chuva de pétalas rosas. Na cama em que escrevo, elas caem apenas sobre mim, enviadas pela generosidade do Universo. Tenho muito a aprender, lágrimas pra derramar, mas uma infinita capacidade de amar.
Não sou de muitas regras, que não aquelas que sinto no meu coração: este centro de força – localizado no centro de peito. Ele me restaura, me energiza, me transborda. É ele quem me comanda agora e me transporta, como num filme de ficção, a um lugar tão sereno e amoroso que as lágrimas escorrem novamente. Choro, de gratidão e amor. Experimento extremos na loucura mais saudável que o ser humano pode ter: a de amar. Sinto-me curada e em profunda paz. Transbordo de amor infinito e, em unidade com muitas outras mulheres, seco as lágrimas de tantas outras que amanheceram com os olhos inundados porque esqueceram que, acima de tudo, está o seu dom de amar. E que este dom começa dentro de cada uma de nós estendendo-se ao infinito, resgatando gerações passadas e futuras.
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domingo, agosto 07, 2011
Amor em gotas
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segunda-feira, novembro 08, 2010
"Felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia"
Continuando a discussão sobre o que é ser normal... Há muito tempo li a frase atribuída a Gandhi numa revista. Chorei horrores naquele dia, porque nada em mim estava em harmonia. O que eu pensava não tinha nada a ver com o que eu dizia e muito menos com o que eu fazia. Hoje, agradeço ao Universo e sorrio cada vez que vejo essa frase em algum lugar, porque sinto que, cada vez mais, alinho sentir, pensar e fazer. Muito longe da perfeição, tenho a consciência de que meus muitos erros são frutos do que penso. Assim, fica muito mais fácil me revisar a cada instante, sem dó nem piedade. Se for preciso, me viro do avesso, mas dificilmente farei algo em desacordo total com o que sinto.
Não assisto à vida passar passivamente. Às vezes, esqueço tudo o que aprendi, e volto às antigas lições; outras, passo por lições simples como quem está passando por uma prova de fogo; outras, ainda, supero com louvor desafios realmente difíceis e que eu não me acreditava capaz de transpor. Assim, vou me construindo e me dou conta, feliz, que isso não tem nada a ver com a idade, mas com a disposição de se abrir pro novo, pra vida e pra si mesmo.
Por conta do meu próprio movimento, acabo esbarrando em pessoas com impulsos semelhantes, que me mostram a todo momento que tudo é possível, para desespero de outras, que preferem não acreditar que a vida é mesmo uma mar de infinitas possibilidades. Pensando bem, que pessoa normal escreveria sua vida em um blog? Mas, pensando melhor ainda, que bom que há pessoas alucinadas que conseguem fazê-lo, porque assim interagimos de uma forma que, em condições “normais”, talvez não fosse possível!
Segue um pequeno dialógo extraído do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, considerado por muitos, à sua época, meio louco:
- Como é que você sabe q é louco?
- Comecemos considerando que um cachorro não é louco – respondeu o Gato - Você concorda com isso?
- Acho que sim – disse ela.
- Nesse caso – continuou o Gato – lembre-se de que um cachorro rosna quando está bravo e abana o rabo quando está contente. Já eu rosno quando estou contente e abano o rabo quando estou bravo. Portanto eu sou louco.
Não assisto à vida passar passivamente. Às vezes, esqueço tudo o que aprendi, e volto às antigas lições; outras, passo por lições simples como quem está passando por uma prova de fogo; outras, ainda, supero com louvor desafios realmente difíceis e que eu não me acreditava capaz de transpor. Assim, vou me construindo e me dou conta, feliz, que isso não tem nada a ver com a idade, mas com a disposição de se abrir pro novo, pra vida e pra si mesmo.
Por conta do meu próprio movimento, acabo esbarrando em pessoas com impulsos semelhantes, que me mostram a todo momento que tudo é possível, para desespero de outras, que preferem não acreditar que a vida é mesmo uma mar de infinitas possibilidades. Pensando bem, que pessoa normal escreveria sua vida em um blog? Mas, pensando melhor ainda, que bom que há pessoas alucinadas que conseguem fazê-lo, porque assim interagimos de uma forma que, em condições “normais”, talvez não fosse possível!
Segue um pequeno dialógo extraído do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, considerado por muitos, à sua época, meio louco:
- Como é que você sabe q é louco?
- Comecemos considerando que um cachorro não é louco – respondeu o Gato - Você concorda com isso?
- Acho que sim – disse ela.
- Nesse caso – continuou o Gato – lembre-se de que um cachorro rosna quando está bravo e abana o rabo quando está contente. Já eu rosno quando estou contente e abano o rabo quando estou bravo. Portanto eu sou louco.
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