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sábado, maio 07, 2011

Forte, nada! Eu só queria um abraço!

Tsunamis, tornados, enchentes, a morte do Osama... nada disso foi suficiente para tirar de mim essa sensação de que nada me abalará. Há bem pouco tempo, uma amiga se queixou do tempo que ficou em casa com uma gripe que a tirou de circulação por 10 dias. Disse pra ela o que costumo dizer a todos que passam por alguma situação mais difícil: “pense no que o Universo está tentando lhe ensinar neste momento. Aprenda e confie, porque daqui a pouco passa. Usufrua de cada momento da sua vida, porque todos trazem o seu ensinamento.” Lindo, mas esqueci de repetir isso pra mim durante os mais de sete dias em que fiquei na cama com Dengue.
Como diz um outro amigo meu – em brilhante e claro português: “pimenta no …. dos outros é refresco”. Foi mais ou menos assim que aconteceu. Durante os dias da dengue, houve momentos em que eu achava que não suportaria a dor, o mal estar e a prostração. Não tinha ânimo pra nada e até ouvir dos amigos as palavrinhas mágicas “vai passar”, me irritava. Aliás, esse foi outro dos sintomas: um enorme transtorno do humor. Momentos de irritação se alternavam com outros de profunda tristeza em que eu me achava a última – mas a última mesmo – dos mortais.
Tive vontade de pegar o telefone e dizer pra um amigo muito querido que o odeio e que o acho egoísta e centrado demais em si mesmo, além de arrogante. Ainda bem que ele não estava no skipe e que eu pouco conseguia ficar no computador. Também pensei em desistir do projeto iniciado, de pedir ao ex-marido que não se mude e à vida que pare esse ciclo de mudanças em que me encontro. As palavras “Não vou dar conta” ecoavam na minha cabecinha. Liguei pra minha médica e perguntei se havia chances de eu estar enlouquecendo. Ela me tranquilizou, receitou um remedinho pra deixar as coisas mais claras e pimba: a dengue começou a dar um tempo.
Está certo, devia ter respirado mais fundo no momento da crise, acreditado mais na transitoriedade das coisas e na força que me acompanha, mas ao invés disso chorei. E chorei tanto que escutei de ex-marido e de filhos: “para de chorar, engole esse choro”. Aí é que eu chorava mais. Como assim que nem chorar eu podia? Até de uma das médicas ouvi: seja forte diante da vida. Na hora não dava pra responder, mas agora eu diria pra ela: se choro fosse sinônimo de fraqueza, o mundo, governado por pessoas que não choram, estaria muito melhor.
Ufa, está indo embora. Ainda estou fraca, mas já recobrei a lucidez, coloquei o notebook no colo, estou pronta para repensar algumas coisas da vida porque eu não sou inatingível – alíás, até mosquito me derruba. Mas de ação imediata, estou mudando meu discurso a todos os amigos que tiverem gripes, perdas, dores e sei lá mais o que: está certo que tudo passa, que nós temos protetores maravilhosos, que somos seres de luz, mas quando tudo isso parecer história distante e nada mais fizer muito sentido pra você, sabe o que eu lhe direi? Nada! Mas vou até você e vou te abraçar durante quanto tempo for necessário para aquecer seu coração e você perceber que sim, o Universo é amoroso e que só isso importa. Pode ter certeza disso!

quarta-feira, outubro 13, 2010

De mãos dadas

Quando o telefone tocava, havia uma novidade. Fosse a roupa nova, o ficante que tinha passado a namorado, o convite pra uma festa, a amiga que havia desaparecido, o namorado da outra com uma outra, numa lista interminável de coisas importantes. O tempo passa, coisas importantes vão sendo substituídas por outras coisas que dizem ser mais importantes e algumas amizades de adolescência vão sendo relegadas à condição de lembranças. Quando eventualmente há um encontro, faz-se uma pausa para o inevitáveis “você lembra” e, depois, a vida segue seu rumo.

O pequeno pode parecer grande, dependendo do enfoque
Alguns desses encontros, no entanto, merecem mais do que uma pausa. Dá-se uma oportunidade para o resgate, não do passado, mas das possibilidades do presente e do futuro. Nesses momentos, mais do que ataque de saudosismo, o que passou serve para reaproximar velhos amigos e criar novas oportunidades de relacionamento para ambos. A alma fica aquecida quando envolta por uma amizade de tempos atrás.

Retomar velhas amizades, poupa-nos os descaminhos e as inseguranças de uma nova relação. Facilita revelações, o compartilhar das angústias íntimas e das alegrias mais genuínas. É mais fácil confessar medos como, por exemplo, aqueles que aparecem a cada nova esquina que surge à nossa frente. Sabemos que devemos avançar, mas o temor diante daquilo que virá nos faz paralisar. Imaginamos um lugar escuro e aterrador, para não ter que enfrentar o novo. Esquecemos, muitas vezes, que, do outro lado, pode estar um dia lindo e ensolarado. Imaginamo-nos sós, quando, além daquele ponto, podemos encontrar outros velhos amigos e alguns novos podem se juntar a nós.

É por isso que hoje me imaginei de mãos dadas com uma velha amiga. Temos uma nova esquina à frente e um medo enorme daquilo que está por vir, mas, de mão dadas, fica muito mais fácil. Fechei os olhos e vi o sol nascendo depois dessa esquina. Não pensei em uma nova rua, mas em uma cidade inteira cheia de encantos para serem desvendados. Cenas para serem fotografadas. Vamos? De mão dadas, é possível enfrentar o medo que nos parece tão gigante, encarar os fantasmas que criamos e chegar aos lugares que sonhamos.

domingo, agosto 30, 2009

O outro lado do enfarte / Um presente!

Meu pai, ontem, teve um enfarte. Está internado em um hospital, com o quadro estável. Junto com o susto, deu-me uma grande lição de vida. Pegos de surpresa, eu e ele, pois levei-o ao hospital para medicar o que ele achava ser uma crise de labirintite, não o vi, em nenhum momento, externar descrença em sua vida, medo ou qualquer outro sentimento negativo. Eu, que há alguns dias vinha lutando contra uma melancolia insistente e exaurida pelo excesso de pequenos compromissos de que enchi minha vida, vi-me curada no momento em que soube do problema do meu pai.
Qual o sentido de problematizar a vida se nada sabemos sobre o que vamos viver no próximo instante? Por que me preocupar com a agenda da semana, se nada me garante que não haverá algum súbito motivo na segunda-feira para cancelar todas as marcações?
Pronto! Lembrei-me, com a enfarte do meu pai, da fugacidade da vida, da necessidade de se viver apenas um momento de cada vez e da infinita beleza de cada instante. Sem saber, meu pai presenteou-me com algo de muito valor, ontem, no hospital: devolveu-me a alegria de viver! Hoje ao fazer café, peguei-me pensando na mágica que é colocar água quente no pó marrom para produzir uma bebida de que gosto tanto. E que me motiva a sentar e conversar com familiares e amigos... Naquele instante, percebi: isso que é viver. Quero estar verdadeiramente presente em cada momento em que me é possível exercitar o existir, com todas as suas intercorrências.
Obrigada, pai! Que toda a FORÇA existente no Universo, esteja com você agora, fazendo chegar ao corpo e ao espírito poderosa energia de CURA e de ALEGRIA, contrariando qualquer outra vibração que possa emanar de uma UTI.
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