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quarta-feira, novembro 16, 2011

A energia das mulheres no Circuito Vênus de corrida

Circuito Vênus - Aterro do Flamengo
Lá estava eu em meio a um monte de mulheres. Era minha primeira corrida e aquela energia de mulheres de todos os tipos, idades e cores fazia a diferença. Dizem que quando a gente decide trilhar um caminho, basta dar o primeiro passo e o Universo se encarrega de nos impulsionar. Eu acredito. Há anos queria participar do Circuito Vênus de corridas, mais motivada pelos brindes e pela estrutura do evento, todo voltado para mulheres, do que pela corrida em si. Este ano, não só participei, como inaugurei com ele minha história de corridas de rua. Tudo isso, por si, já é bom demais, mas não evitou que durante a corrida eu refletisse sobre o que isso representa em um ano em que retomo meu trabalho com mulheres.
Eu e minha medalha de participação
Digo retomar, porque, há mais de 20 anos, tentei fundar uma Pastoral de Assistência à Mulher (PAM) na igreja católica que frequentava. Lembro-me muito bem que criei toda a documentação da PAM em um velho computador que usava o processador de texto Carta Certa. A pastoral existiu durante um tempo com atendimento jurídico, mas depois extinguiu-se. Havia poucos voluntários e eu trabalhava, estudava e já cuidava de filhos.
Pra mim, o interessante é perceber que há caminhos dos quais não se consegue fugir. Atualmente, começo a retomar o trabalho com mulheres, maravilhada pelos resultados que temos alcançado em grupos de coaching. Animada por esses empurrões que recebo do Universo, tenho aperfeiçoado a metodologia e começo a divulgar esse novo pedaço do meu trabalho. A medida em que, de alguma forma, contribuo com o fortalecimento da energia das participantes do grupo, sinto que fortaleço a minha própria energia.
E isso tem tudo a ver com o que experimentei naqueles 5 km de percurso e em toda a programação do evento. Mulheres sós acompanhavam-se, trocando ideias e dicas sobre tudo, inclusive corridas, nas filas para os serviços oferecidos pelos patrocinadores. Maridos, namorados e filhos vibravam não só pleas mulheres que acompanhavam, mas por todas as demais. Emocionei-me ao ver alguns homens acompanhados de crianças gritando por todas nós na reta final. Havia acompanhantes que fotografavam, corriam junto, incentivavam, seguravam filhos, mães acompanhando filhas e filhas acompanhando mães, e isso só aumentava a energia daquele grupo, em que o feminino manifestava-se intensamente. Tenho certeza de que todas chegamos ao final mais fortes, felizes, energizadas por aquela onda feminina, exatamente como acontece após as reuniões dos grupos de mulheres!

terça-feira, março 08, 2011

Vamos tirar a roupa hoje? Ainda dá tempo!

Criatividade na fantasia de banheiro químico! Adorei!
Confirmando que despi a alma, mas mantive a roupa...
Carnaval no Rio de Janeiro tem muitas coisas: criatividade, animação, multidões, democracia e, no usual calor de mais de 40º (que este ano deu um refresco), pouca roupa. Homens de sungas e mulheres de biquini são cenas comuns, sem mencionar as “poderosas” que se espalham pelos desfiles na Sapucaí. Vendo as fantasias nos blocos do Rio fico pensando no que cada pessoa quer comunicar e vejo, no Carnaval, uma tentativa que vai muito além da exposição do corpo: a de despir a alma. É uma delícia ver os foliões loucos para deixar de lado preconceitos, crenças, costumes e hábitos que já não servem mais. Ainda que por quatro (ou cinco?) dias, todos querem ser felizes e livres. Quarta-feira de cinzas vem aí, e muita gente veste novamente a tralha deixada de lado no carnaval. Que pena! Há quem fique aguardando o ano todo uma nova oportunidade de se liberar.
Hoje é terça-feira gorda e Dia Internacional da Mulher. Então, desejo a todas, inclusive às mulheres que não estão nem aí pro Carnaval, que tirem a roupa, no sentido figurado mesmo, se assim desejarem. Deixando de lado tudo que nos aprisiona, damos lugar à abundância que o dia de hoje preconiza. Ao invés da abundância de comida, que batizou o dia que antecede o início da quaresma no calendário católico, proponho felicidade em profusão.
Sempre dá tempo, vamos nos cobrir de amor, o que combina muito bem com todas nós, e abrir espaço para tudo o que desejamos e merecemos: alegria, fartura, prazer, prosperidade, auto-confiança, sucesso, paz, amizade, liberdade... É isso que desejo pra mim e pra você também! Se esqueci de alguma coisa, coloque seu desejo aqui também! Vamos fazer uma corrente de desejos que não se acabará na quarta-feira. Deixarei, junto com as fantasias largadas na avenida, tudo de que me despi nesse carnaval! Sem direito à resgate!

domingo, março 07, 2010

Eu sou uma MULHER

Já começo a ler no twitter manifestações pelo dia da mulher que se aproxima. Então decidi fazer uma confissão: estou me transformando numa mulher. Tenho vergonha de falar isso, porque acho esse movimento tardio, mas, como sempre que grito escuto eco, resolvi blogar. Meu perfil está certo: tenho 42 anos, sou mãe de 3 filhos e dizer que estou começando a me sentir uma mulher pode parecer piada. Mas não é. Durante muito tempo, vaguei entre infância e adolescência e não me sentia nem um pouco crescida, apesar da vida de gente grande e dos filhos homens. Há poucos meses, comecei a me enquadrar nesse papel e, por isso, esse dia da mulher – 8 de março de 2010 – está me chamando tanta atenção.
Lembro de Alice no País das Maravilhas, mais atual do que nunca graças ao filme de Tim Burton, e penso que é exatamente assim que me sinto: crescendo e encolhendo, andando por vias que ainda não experimentei. Às vezes, determinada; outras, sem rumo; mas, finalmente, uma mulher. Percebo, como nunca percebi, meu corpo, minhas emoções, minhas catástrofes hormonais. Mas não é só a mim que atento; olho, também, para outras tantas mulheres que fazem e fizeram parte da minha vida, de muitas e diferentes formas. E, na verdade, esse olhar foi o que me permitiu enxergar a mim mesma como mulher, deixando de me ver como o reflexo de olhares alheios.
Agora, consigo olhar melhor pra dentro de mim mesma e o que vejo não me assusta. Me reconheço, em cada canto de mim. Às vezes, me perco como Alice. E aí pergunto. Falo com as pessoas, com os animais e com tudo e todos com que cruzo. Semana passada, falei com uma pedra. E ela respondeu!
Ajustando aqui e ali vou seguindo pela estrada e compreendo melhor o papel das pessoas que encontro e que me acompanham por trechos do caminho. Quando me reconheço, aprendo a reconhecer o outro. Quando me respeito, também a respeito o outro. Quando me amo, consigo amar o outro. Quando me vejo, vejo verdadeiramente o outro. Estou caminhando, entre erros e acertos. Esforço-me para não me julgar, embora desejasse ter feito todo esse movimento mais cedo. Fazer o que se todos temos um ritmo diferente? Aí está, pra mim, um grande exercício: aceitar esse tempo e usufruir de cada passo da jornada, que não se esgota. Feliz dia para todas nós que somos e buscamos ser mulheres!
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