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terça-feira, janeiro 08, 2013

Quando os olhos falam

Olhares... tão particulares!

Meus olhos falam. Mesmo quando eu não quero. Eles me denunciam covardemente, a ponto de um cliente mais atento perceber meu desagrado diante de uma decisão, ainda que tente disfarçar. Não é privilégio meu. Todo mundo sabe que os olhos são o espelho da alma e tantas outras coisas que enjoamos de escutar. Talvez, por isso mesmo, sabedores que somos de que os olhos falam por si, rejeitemos o olhar para não correr o risco da delação dos nossos desejos e sentimentos mais íntimos.
Evitamos, pois, o olhar. E olho no olho é coisa mútua. Não adianta oferecer sem receber de volta: é ato regido pela reciprocidade. Desvenda a alma do seu dono se sente-se percebido e confiante.
Passamos os dias evitando olhares. Ainda que sem sentir. Cumprimentamos, conversamos e nos expressamos das mais diferentes formas durante toda a nossa existência, mas muitos recusam o olhar. Por desconfiança. Quem confiaria num delator? Mas não é bem assim! O olhar é, na verdade, generoso e esperto. Se delata a alma, sua dona, é porque busca outra alma para trocas. Desvenda também a outrem.
Não nego que tudo isso é assustador. Num mundo de tantas máscaras sociais, como oferecer-se sem elas a alguém? O olhar faz isso e derruba máscaras. De minha parte, regojizo-me quando vejo olhos falarem. Pra olhos que falam, a boca emudece sem desconforto. Sabe, sabiamente, que é incapaz de traduzir uma alma com palavras. É preciso mais, um quê de nuances e cores que vão se mostrando de acordo com os sentimentos de uma alma. Por isso, todo o meu ser comemora quando olhos falam. E, hoje, os seus falaram!

quarta-feira, setembro 16, 2009

Abaixando a máquina (e a soberba)

Ultimamente, minhas impressões da vida têm me levado ao extremo da dor. Acredito sim que, em alguns momentos, um pouco de dor é preciso para produção de mudanças, mas, como os fatos me impressionam pela via da emoção, ando mesmo muito exposta: à flor da pele, como se costuma dizer. Um desses bons fatos a cutucar minha alma dolorosamente foi o filme “Abaixando a Máquina: Ética e Dor no Fotojornalismo Carioca”, de Guillermo Planel, que assisti na última reunião do curso JPPS, na UFRJ.
O documentário despretensioso e heroico em sua produção (basta olhar a ficha técnica), premiado em festivais nacionais e apresentado em circuito tão alternativo quanto a sua produção, me fez pensar tanto que deixei a questão da ética jornalística de lado. Não há como dissociar os cidadãos “fotógrafos” dessa imensa rede global que compomos TODOS, necessariamente um/em conjunto, afetando e sendo afetados em cada um de seus nós, não importa a distância das conexões. Vários dos profissionais que gravaram seus depoimentos fizeram parte do início da minha trajetória como jornalista. De alguns, cheguei a conhecer sonhos e anseios, muitos dos quais compartilhava há quase 20 anos.
Sim, o documentário emociona pela exposição da nossa realidade carioca, através das lentes dos fotojornalistas e das escolhas que cada um faz diante do “objeto” de seu trabalho. Mas, para mim, essa não é a principal questão. O que importa, hoje, é reconhecer que faço parte dessa realidade – rede – composta de fotógrafos, jornalistas, marginais, intelectuais, costureiras, ambulantes, rios, animais e tudo o mais que tiver vida nesse planeta. O impacto das minhas atitudes faz grande diferença nessa rede, como a pedrinha pequena, capaz de alterar a superfície do lago. O que vi no documentário, certamente, é resultado das minhas atitudes e é aí que tudo isso me atravessa. É aí que há sempre o que mudar! Somos todos iguais, em algum ponto: bandidos e mocinhos!
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