Das duas uma: ou a cama de casal é muito grande para ser ocupada por uma só pessoa ou o hábito é algo mais difícil de ser quebrado do que eu pensava. Escrevo isso porque, numa noite de insônia, me peguei rabiscando em meu caderno, restrita ao mesmo lado da cama que ocupei por 22 anos. Já faz um ano que venho exercitando a ocupação plena desse espaço, mas ainda me pego pendendo para o lado que me coube, em um dos muitos acordos que fazem os casais.
Ocupar a cama foi um dos primeiros desafios que enfrentei depois de guardar a aliança. E não era pelo ato em si, mas por todo o simbolismo que a cama carrega para uma família. Até os filhos, em inevitáveis momentos, dividem-na conosco; desde o nascimento, nas noites em que a cólica ou a necessidade de amamentar parecem maiores que nós; nos dias em que o medo do escuro inunda o sono infantil; ou, ainda, quando uma doença nos faz levantar para verificar a temperatura e o estado geral mais vezes do suportamos.
Agora é diferente. Olho para cama sabendo que aquele espaço todo me pertence, e experimento novas formas de ocupá-lo, por mim mesma. Dormi com livros, computador, jornais, revistas, mudei o lugar do travesseiro, juntei novos travesseiros, abri os braços; mas, mesmo assim, acabo acordando do mesmo lado. Nessa fase, cada gesto tem um significado, e observá-los de forma distanciada chega a ser engraçado.
Não sei quanto tempo um hábito demora pra se formar, mas vamos combinar que a rotina é poderosa e, arrisco dizer, perigosa. Quando nos damos conta, pela força da necessária repetição cotidiana, estamos lá, com mais um item na lista das ações que automatizamos. E são tantos os itens dessa lista, que, muitas vezes, viramos autômatos, quase zumbis. Deitamos e nem percebemos, comemos e não sentimos o sabor da comida, cumprimentamos pessoas na rua sem olhá-las de fato. Ainda há quem diga, no fim do dia, às vezes, num tom de orgulho pelo dever cumprido: “hoje nem tive tempo de respirar”.
* Continuação amanhã!
terça-feira, abril 19, 2011
Mudando o lado da cama
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terça-feira, abril 12, 2011
Night medicine: o bem está em todo lugar
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| Amigos... |
Esse amigo nunca está só e diz que uma de suas qualidade é agregar pessoas. Sua companhia, além de amiga, é sempre divertida. Através dele, fiz novos amigos e vamos constituindo uma rede que só cresce. A noite foi ótima. Afinal, conectada com a minha essência, que mesmo aventureira, aprecia muitas coisas da vida urbana, posso escolher acompanhar o grupo em programas que só me fazem bem.
No último sábado, especialmente, experimentei que esse bem estar que muitas vezes buscamos nos templos, nas conexões espirituais e nas terapias de cura, está, na verdade, em todo lugar. Ali, no bar, com um grupo de amigos, a minha melancolia deu lugar a uma alegria genuína. A conversa, a música, a companhia, tudo conjugava-se para que aquele momento exercesse em mim um efeito terapêutico. O desafio, como sempre, é o equilíbrio: não passar do ponto com aquela bebida de que eu tanto gosto, não esticar a noite além daquilo que me fará bem, não ceder aos convites que não têm a ver comigo.
A intuição fala, difícil é apurar os ouvidos para escutá-la sempre. Ou para abrir mão da vontade pura e simples que muitas vezes aliena-se dessa voz interior. No sábado, ela me conduziu a um grupo de amigos queridos. O resultado é que acordei no domingo revigorada, feliz, conectada comigo e com meus propósitos, confiante e livre daquela melancolia que só conduz a extremos, ao mundo do sim ou do não. Ninguém é só da noite ou do dia, só urbano ou rural: o equilíbrio é a base de uma vida mais plena e feliz e o meu desafio nessa jornada da vida. Obrigada amigos – da noite e do dia – por me acompanharem!
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