Não vi BBB. Quando passava pela sala de televisão e assistia a parte do programa com os meus filhos, ficava com a certeza de que qualquer coisa que eu pudesse fazer naquele momento seria mais produtiva. Isso até o dia do anúncio do vencedor. Naquela noite, estava angustiada com minhas questões existenciais e decidi ficar com os filhos, na sala de televisão, acompanhada do notebook. Mas já não era possível ficar alheia ao BBB. O twitter foi invadido por tweets sobre o programa e olhar para aqueles “brothers” que exibiam seus dramas pessoais, tirou o foco das minhas questões sobre a existência. Era tudo o que precisava naquele momento!
Emocionei-me com a vitória do Dourado, junto com os meninos. Eles viraram fã, fazer o que? Um deles foi aluno em uma academia; admiração inevitável! Mas quando os flashes do programa começaram a ser exibidos, eu comecei a rever minha opiniões sobre o Dourado. Fiquei impressionada com a evolução, ao longo do programa, desse homem, pouco afeito a conversas mais profundas, que demonstrava arrogância e dificuldade na forma de se relacionar, acostumado a se expressar no mundo do vale-tudo, onde palavras valem menos que a força bruta.
O isolamento inicial a que os colegas o submeteram provocou nele o instinto que o domina nas lutas. Imagino eu que em alguns momento ele deveria repetir pra si mesmo: “Aqui eu me basto”. E não fosse a atuação amorosa de alguns participante e a capacidade que ele teve de rever seu posicionamento reconhecendo a dor que ele se impunha, nada teria acontecido. Ele seria eliminado no primeiro paredão, talvez. Quando decidiu recuar e olhar pra si mesmo, também abriu-se à perspectiva do outro, com muita dificuldade, mas usando um recurso que também deve ter aprendido nos ringues: clareza na comunicação. Nos confrontos, não há espaço para meias-palavras. Dizendo o que sentia e pensava, da única perspectiva que lhe era possível, a sua própria, ele foi conquistando aliados e amigos e construindo relações possíveis e confortantes. Nada ali poderia ser unilateral, dava e recebia na mesma medida, num processo de troca constante.
Óbvio que se não tivesse dinheiro em jogo e que se houvesse a alternativa de sair da casa quando o incômodo acontecesse isso teria acontecido mais cedo com quase todos os participantes. Conviver é muito difícil mesmo, especialmente com pessoas cuja companhia não escolhemos. Mas o BBB tem regras e R$ 1,5 milhão pra quem consegue respeitá-las e sobressair-se.
Por isso admirei-me com a maneira como o atual vencedor adequou-se às pessoas, saindo de uma posição inflexível para outra mais acolhedora, revelando uma natureza que parecia não existir dentro do corpo esculpido pela prática do esporte. Achei bárbaro quando, a despeito de suas dificuldades em lidar com o diferente, ele acolheu uma crítica, dizendo simplesmente: “eu entendi”. Entender o ponto de vista do outro é tudo o que precisamos para viver de forma mais harmônica. Não é preciso concordar, mas ouvir e entender. Isso faz a diferença e foi essa disposição que fez de Dourado um vencedor.
Fiquei pensando na experiencia do confinamento. Talvez seja uma boa ideia para situações de conflito, quando não se consegue mais conversar. Imaginei-me confinada com os meus filhos adolescentes, sem televisão, computador. Nós e nós para resolvermos nossas questões e exercitar a difícil arte do diálogo. Acho que aprenderíamos muito. Talvez seja uma dica para exercitarmos o conversar e reduzirmos nossos conflitos. Confinados, não há como deixar para depois. Já decretei: nas próximas férias voltaremos a acampar. Será mandatório: sete dias pelo menos, sem tecnologia e com muita conversa.
segunda-feira, abril 05, 2010
Dourado aprendeu a conversar?
domingo, abril 04, 2010
Maioridade do filho ou maioridade da mãe?
Há sentimentos que pegam a gente de surpresa. E isso é bom! Sinto que, quando acontecem, chacoalham nossas convicções, com maior ou menor força, mas sempre o suficiente para nos lembrar de que estamos vivos, em constante evolução. Eles parecem vir para nos fazer recordar que, assim como nenhuma folha de árvore é igual a outra, nenhum minuto de nossas vidas se repete, sendo, portanto, único. Foi isso que aconteceu hoje, dia em que meu filho mais velho completa 18 anos. Não pensei que fosse me sentir assim tão especial! A alegria era tanta que ele me perguntou: - “O parabéns é pra você ou pra mim?”
Não esperava, mesmo, essa emoção diferente! Ele está longe de ser independente, ainda definiu muito pouco em relação ao que quer da vida, mas, ainda assim, fez 18 anos. Já tirou título de eleitor, carteira de trabalho e vai se alistar no exército. Isso é pouco pra comemorar? Pra mim é muito! Simbolicamente, ele assume o comando da sua vida, pelo menos é assim que penso. Não sou mesmo afeita a gaiolas fechadas, porque sei que a liberdade é o que impulsiona a evolução e o amadurecimento. Não sonho em ter todos os meninos à minha volta para sempre. Desejo sim, que eles me amem e me aceitem com todas as minhas chatices, que sejam honestos consigo mesmos, que não haja culpas a forjar nossa relação, ou nenhum outra que eles construírem ao longo da vida.
É simbólico, mas, até então, achava que a vida dele ainda era minha, que seus erros (ou aquilo que julgo serem erros) eram meus. Hoje, não! Amo-o incondicionalmente, mas não assumo sua vida por ele. Faço parte de sua vida única e exclusivamente pelo amor maternal que é um sentimento sublime. E isso é, de fato, tudo o que se pode querer de uma mãe. Experimentando a vida, vai escorregar, inevitavelmente, como todos nós. Sempre que possível eu estarei por perto. Não para escorregar com ele, mas para amá-lo, ouvi-lo, acolhê-lo. Sou mãe e exercer esse papel, mesmo que na base da tentativa e erro, me faz muito feliz.
Nunca me enquadrei muito na lista que se apresenta quando resolvemos parir. Mas me esforcei muito. Talvez, por isso, não tenha muitas culpas. Sempre trabalhei, estudei, diverti-me e sonhei, enquanto era mãe. Comprei manuais com muitas regras que eu tentava seguir, afinal queria reduzir a necessidade de eles fazerem terapia mais tarde. Hoje sei que isso é impossível. Mas quando os filhos são menores, há que se ouvir de parentes, amigos e desconhecidos os itens da lista de como fazer pra criar filhos. Parece que as pessoas decoram o texto e repetem-o como se fosse sagrado. A gente sempre acha que está errando e até tenta fazer o que recomendam. Nem sempre dá certo, mas à sua volta dizem: o menino ainda não tem maturidade para pensar por si.
Em meu íntimo, sempre soube que bastava amar e dar liberdade para que eles encontrassem seu caminho. Consegui agir assim poucas vezes e talvez isso explique a minha alegria de hoje. O meu primeiro filho, agora, tem 18 anos. Estou livre, eu também, para amar do jeito que posso e vê-lo experimentar a vida como lhe aprouver. Eu estarei por perto. A base já está pronta, construída em colaboração, mas agora é por conta dele. Como sempre achei que teria que ser! E ninguém há de me cobrar: ele já alcançou a maioridade! Felicidades, filho!
Não esperava, mesmo, essa emoção diferente! Ele está longe de ser independente, ainda definiu muito pouco em relação ao que quer da vida, mas, ainda assim, fez 18 anos. Já tirou título de eleitor, carteira de trabalho e vai se alistar no exército. Isso é pouco pra comemorar? Pra mim é muito! Simbolicamente, ele assume o comando da sua vida, pelo menos é assim que penso. Não sou mesmo afeita a gaiolas fechadas, porque sei que a liberdade é o que impulsiona a evolução e o amadurecimento. Não sonho em ter todos os meninos à minha volta para sempre. Desejo sim, que eles me amem e me aceitem com todas as minhas chatices, que sejam honestos consigo mesmos, que não haja culpas a forjar nossa relação, ou nenhum outra que eles construírem ao longo da vida.
É simbólico, mas, até então, achava que a vida dele ainda era minha, que seus erros (ou aquilo que julgo serem erros) eram meus. Hoje, não! Amo-o incondicionalmente, mas não assumo sua vida por ele. Faço parte de sua vida única e exclusivamente pelo amor maternal que é um sentimento sublime. E isso é, de fato, tudo o que se pode querer de uma mãe. Experimentando a vida, vai escorregar, inevitavelmente, como todos nós. Sempre que possível eu estarei por perto. Não para escorregar com ele, mas para amá-lo, ouvi-lo, acolhê-lo. Sou mãe e exercer esse papel, mesmo que na base da tentativa e erro, me faz muito feliz.
Nunca me enquadrei muito na lista que se apresenta quando resolvemos parir. Mas me esforcei muito. Talvez, por isso, não tenha muitas culpas. Sempre trabalhei, estudei, diverti-me e sonhei, enquanto era mãe. Comprei manuais com muitas regras que eu tentava seguir, afinal queria reduzir a necessidade de eles fazerem terapia mais tarde. Hoje sei que isso é impossível. Mas quando os filhos são menores, há que se ouvir de parentes, amigos e desconhecidos os itens da lista de como fazer pra criar filhos. Parece que as pessoas decoram o texto e repetem-o como se fosse sagrado. A gente sempre acha que está errando e até tenta fazer o que recomendam. Nem sempre dá certo, mas à sua volta dizem: o menino ainda não tem maturidade para pensar por si.
Em meu íntimo, sempre soube que bastava amar e dar liberdade para que eles encontrassem seu caminho. Consegui agir assim poucas vezes e talvez isso explique a minha alegria de hoje. O meu primeiro filho, agora, tem 18 anos. Estou livre, eu também, para amar do jeito que posso e vê-lo experimentar a vida como lhe aprouver. Eu estarei por perto. A base já está pronta, construída em colaboração, mas agora é por conta dele. Como sempre achei que teria que ser! E ninguém há de me cobrar: ele já alcançou a maioridade! Felicidades, filho!
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