domingo, janeiro 10, 2010

Simplesmente agora


“O melhor momento é agora.” Quem nunca escutou essa frase ou outras tantas similares? Mas o que deveria ser um estado normal é, pra maioria das pessoas, difícil de ser alcançado. Dizem que a culpa é da agitação cotidiana ou de sermos cada vez mais desejantes. Não importa, o fato é que nem sempre é fácil estarmos verdadeiramente presentes. Muitas vezes, nos prendemos ao passado, pensando em como poderíamos ter feito isto ou aquilo, carregando culpas ou arrependimentos. Ou então ficamos arquitetando o futuro, ansiando pelo que desejamos e nunca sabemos se vai acontecer.
Por que é tão difícil viver simplesmente o presente? Não sei responder a essa pergunta, mas sei que quando estamos presentes somos felizes e que o agora é, de fato, o único momento em que se pode desfrutar da vida.
Em férias, tive uma experiência que gostaria de compartilhar. Nem sempre é fácil desligar-se de imediato, quando nos damos folga. Há situações às quais parecemos gostar de nos prender pelo simples fato de que não as compreendemos ou controlamos. No primeiro dia de férias, estava assim: mente inquieta, querendo estar longe e perto ao mesmo tempo. Aí lembrei do agora e comecei a olhar em volta de mim. Observei o verde das árvores, o céu com suas nuvens multiformes, o mar, as pessoas com toda a sua diversidade e todo o amor que guardam dentro de si. Fui me sentindo parte de tudo o que me cercava e, imediatamente, sintonizei com o presente.
O que senti, em seguida, foi um estado de felicidade meio extático. Adorei! Transbordava de amor por tudo e por todos pelo simples fato de que estava totalmente presente e integrada ao momento presente. Então, fui melhor mãe, mulher e, principalmente, mais verdadeira comigo mesma.
Nos dias que se seguiram, usei o que chamei da “técnica do agora” outras vezes. Sempre com sucesso e alegria. No entanto, ser feliz exige disposição e há dias em que algo, como o calor extremo de hoje, quase me derrota. Fiquei ansiosa esperando pelo momento em que poderia me refrescar e deixei de viver o momento, tamanha a irritação. Acabei perdendo o instante, que agora já me fugiu. Agora, estou em outro momento e terei, sempre, muitas oportunidades de aprender a viver em estado de presença.
* A foto é de Itamambuca (praia/rio), SP.

domingo, janeiro 03, 2010

Controlando o que?


Controle! Essa palavra está no inconsciente de quase todos os protagonistas de relacionamentos fracassados. Poucos têm consciência dessa urgência em controlar o outro: queremos receber aquele telefonema, aquele e-mail ou então que o outro entenda aquilo que deixamos transparecer só com um gesto ou uma meia-palavra que para nós parecia tão óbvio. Tudo isso disfarça a nossa necessidade enorme de controlar e demonstrar pra quem quer que seja que detemos o poder.
Acontece que esse poder não traz felicidade e ainda é fonte de muitas decepções porque não é difícil que o outro se dê conta - às vezes também por um processo inconsciente – de que há alguém tentando controlá-lo. E ele escapa. Não compra o presente que desejamos, nem marca aquela viagem, não envia o e-mail que gostaríamos tanto de receber, sonega o telefonema, esquece aquela data importante. E por aí seguimos numa lista sem fim de expectativas que nós mesmos criamos.
Por que controlar? Porque essa é a forma de nos acharmos importantes para o outro. Na falta de darmo-nos a devida importância, delegamos essa tarefa a alguém que jamais será capaz de realizá-la a contento. O resultado é a frustração. Mas, ao nos darmos conta dessa necessidade enorme de controle, podemos liberar. Dar ao outro – quem quer que seja ele em nossa teia de relações – a liberdade de ser ele mesmo. Assim, renovamos nossas chances de alcançar a felicidade, permitindo o mesmo a outrem. Transformamo-nos todos em companheiros de jornada, capazes de evoluir olhando com honestidade para nós mesmos e incapazes de esperar do outro aquilo que ele jamais será capaz de nos dar: a nossa própria vida.
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